Hoje é dia de lembrar o jogo mais emocionante e importante deste que é o clássico alvinegro de maior rivalidade no mundo: a decisão do título brasileiro de 2002, em que o Santos, com um time recheado de garotos, venceu o rival por 3 a 2, de virada, em pleno Morumbi, conquistando seu sétimo título brasileiro. Na primeira partida, no mesmo estádio, os Meninos da Vila já tinham vencido por 2 a 0. Naquele ano Santos e Corinthians jogaram cinco vezes e o Santos venceu todas. Enfim, uma partida e um ano para motivar os santistas para o jogão de hoje. Só para lembrar: Robinho, Renato e Elano estavam na decisão de 2002 e estarão em campo na partida de hoje, às 16 horas, no Itaquerão. Veja de novo:

Robinho
A elasticidade de Robinho, riqueza do Santos (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Ao menos no campo o Santos pode equilibrar o jogo. Sim, pois fora dele, não dá. O privilegiado adversário recebe estádio construído com dinheiro público, patrocínio de 30 milhões por ano de empresa estatal, verba bem maior da tevê, arrecada muitíssimo mais de bilheteria, tem muito mais espaço na mídia e, com isso, atrai mais torcedores. A distância é enorme e está aumentando. Mas quando a bola rola, e são apenas onze contra onze, o Santos sempre é um adversário temido. Tanto é assim que Tite anunciou que escalará os seus melhores jogadores neste domingo, às 16 horas, no Itaquerão, para o grande clássico deste Campeonato Paulista.

Assim como escrevi que Santos e Palmeiras, na Vila, bateria os recordes de audiência deste Paulista, digo agora que Corinthians e Santos conseguirão, no mínimo, a maior audiência dos jogos de domingo realizados este ano no País. A rivalidade centenária, que começou com a goleada do Santos por 6 a 3 sobre o alvinegro paulistano, em 22 de junho de 1913, no Parque Antártica, em uma tarde de garoa fina e constante, prosseguiu com dezenas de capítulos emocionantes, que se repetem a cada vez que os dois times se defrontam.

Houve época, em que valia apenas o futebol, e o rico dos dois era o Santos. Hoje, mesmo sendo um dos times mais vencedores dos últimos dez anos, o Alvinegro Praiano negocia com a TIM um patrocínio de R$ 2 milhões por ano restrito aos números e perto do colarinho, enquanto o privilegiado adversário tem garantidos R$ 30 milhões por ano da Caixa, além de todas as outras benesses.

Se nada for feito, a falta de competitividade um dia matará o futebol brasileiro, o que seria uma burrice, pois mantê-la não exige prática nem perfeição, apenas ética e visão empresarial – qualidades que norte-americanos, alemães e ingleses têm de cobra, e por isso dominam os eventos esportivos.

Isso posto, vamos ao jogo, um dos que concentram a maior rivalidade do futebol brasileiro. Os adversários tentam desconversar, mas suas atitudes não escondem a atenção com a partida. O Corinthians, que simultaneamente disputa a importante Copa Libertadores, já está cinco pontos à frente do Santos na classificação geral do Paulista e faltam apenas dois jogos para terminar a fase. Mesmo assim, não quer dar moleza e entrará em campo com a chamada “força máxima”.

Se não levasse e conta a grande rivalidade, Tite pouparia alguns titulares. Porém, ao contrário, escalará todos eles. Sabe que uma derrota para o Santos, em pleno Itaquerão, abalaria a imagem de time quase perfeito que boa parte da imprensa quer construir. Ele próprio, já chamado de o Pep Guardiola dos trópicos, passaria a ser contestado.

A única dúvida de Tite é na zaga. Se Felipe, com problemas clínicos, não puder jogar, o ex-capitão santista Edu Dracena atuará contra seus velhos companheiros. Caso seja escalado, isso poderá ser uma vantagem para os atacantes do Santos, que conhecem muito bem as qualidades, mas também os defeitos de Dracena.

Para os santistas, não há dúvida de que este é o jogo mais importante. Nem sempre pela qualidade técnica, mas pela dimensão que a mídia dá a ele. Como a imprensa reserva um espaço desproporcional ao adversário, vencê-lo multiplica a exposição dos jogadores do Santos. Tenho cá comigo uma teoria de que Pelé não seria tão badalado de não mantivesse, durante tantos anos, o tabu de não perder para o alvinegro paulistano.

Da mesma forma, Geilson, Guga, Serginho Chulapa, Nenê e tantos outros não seriam tão lembrados se não tivessem sido decisivos em importantes vitórias sobre o rival. É gostoso ganhar do Corinthians, assim como é bastante doloroso perder. Bem, estas são as contingências do esporte e quem não está preparado para elas, melhor fazer tricô ou algo menos excitante.

Marcelo Fernandes treinou três times e não definiu nenhum

João Paulo, Juary e Nen+¬
Vendo o treino, João Paulo, Juary e Nenê (Ricardo Saibun/ Santos FC)

No último treino, fechado, Marcelo Fernandes treinou três formações diferentes, mas não definiu nenhuma para o clássico. Bem, não gosto de chutar, mas acho que o técnico não quererá colocar muitos jovens em um confronto de tanta responsabilidade. Assim, acho que Werley continuará na zaga, Cicinho e Valencia voltarão ao time após as suspensões, Vladimir será mantido no gol…

Porém, dizemos isso sem acompanhar os treinos do Santos. E se, por exemplo, Elano e Lucas Crispim estão treinando como leões. Potencial para jogar bem, ambos têm. Como Elano costuma se dar bem contra o Corinthians, será que o técnico está tentado a escalá-lo desde o início? Acho improvável, mas não deixa de ser uma hipótese.

Como Fernandes adiantou que a formação ofensiva será mantida, o que eu entendo escalar três jogadores de ataque, então Robinho e Ricardo Oliveira são nomes certos. A dúvida ficaria entre Geuvânio e Thiago Ribeiro, que tem entrado bem. Mas aí volto a fazer a mesma pergunta: e se Gabriel estiver arrebentando nos treinos? Rápido, eficiente nos contra-ataques, será que o menino poderá entrar no lugar que seria de Geuvânio? Novamente acho improvável, pois Geuvânio, ao perder a bola, é mais eficiente na marcação.

Confiante, Robinho diz que se o Corinthians um dia perderá, por que não neste domingo? Realmente, no campo é possível. Jogador por jogador, as forças se equivalem. E a motivação dos santistas deverá ser enorme. Vencer o Corinthians é a melhor maneira de transformar um princípio de crise em um momento maravilhoso.

Em homenagem a Nenê, hoje trabalhando no Santos, um jogo em que ele enfiou dois gols no rival deste domingo:

E por falar em homenagem, aqui vai mais uma, desta vez a Serginho, hoje braço direito do técnico Marcelo Fernandes. Na voz de Osmar Santos:

Santos faz visita de Páscoa à Casa Vó Benedita:

Esta é para os santistas, principalmente os de pouca fé:

E você, está animado para o grande jogo deste domingo?