Elano e Gabriel
Elano fez um golaço de cabeça. Gabriel ficou devendo.

Lucas Otávio
Lucas Otávio, o Batatinha, lutou muito – e foi inteligente.

Lucas Lima
Lucas Lima ditou o ritmo do jogo. De novo! (fotos: Ivan Storti/ Santos FC).

É claro que gostamos do futebol bonito, cheio de jogadas mirabolantes. Mas às vezes não dá. Com um time misto e diante do campeão paranaense, o Santos até que foi bem, principalmente no segundo tempo – quando Elano fez o único gol da partida, de cabeça – e conseguiu a vitória número 3000 de sua existência. Mas o grande detalhe positivo do jogo em São José dos Campos foi o público, que tomou 91% dos lugares do estádio Martins Pereira.

No texto de apresentação eu escrevi que a capacidade do estádio era de 16.500 pessoas, mas isso era antes. Hoje o Martins Pereira só comporta 12.234 torcedores. Como o público foi de cerca de 11.134 pessoas, tivemos exatamente 91% da capacidade tomada. E isso com o ingresso mais barato custando 80 reais!

A ótima torcida para ver o time misto do Santos – sem Robinho, mas com o melhor do time no momento, que é Lucas Lima – é um sinal de esperança para os amantes do Glorioso Alvinegro Praiano. Comprova, mais uma vez, que há muitos bolsões de santistas por aí. Se alguém duvidava de que o Santos tinha muitos torcedores no Vale do Paraíba, a resposta foi dada. Há o produto e há o público consumidor. Será que é tão difícil ligar os dois pontos?

Agora, na Copa do Brasil, o Santos enfrentará o Maringá, vice-campeão paranaense, e a perspectiva de bons públicos continua. Maringá, como se sabe, é outra cidade do Norte do Paraná com uma quantidade respeitável de santistas. Prevejo casa cheia de novo.

Ausência de Gustavo Henrique embananou a defesa

A saída do zagueiro Gustavo Henrique, machucado, logo aos 5 minutos, preocupou os torcedores e bagunçou a defesa alvinegra. Não que o jovem Paulo Ricardo, que o substituiu, não seja um bom jogador. Mas entrou sem esperar e sem estar tão entrosado com Werley. O Londrina foi pra cima e criou algumas chances. A bola andou pererecando pela pequena área do Santos. Cicinho, Vladimir e a sorte impediram que o time do Paraná terminasse o primeiro tempo com vantagem.

Na segunda etapa, Elano, que vinha se esforçando para reviver alguns momentos do passado, mas demonstrava falta de condição física, teve grande presença de espírito em um escanteio cobrado “com as mãos” por Lucas Lima, e acertou uma cabeçada consciente, no ângulo esquerdo da meta de Vítor. O gol mudou a partida e o Londrina, que aparentemente jogava por uma bola, desanimou visivelmente quando constatou que passaria a precisar de duas.

Elano saiu aos 18 minutos para a entrada de Geuvânio e o Santos melhorou, passou a ter uma saída de bola e uma recuperação mais rápidas. Aos 29 minutos foi a vez de Gabriel dar o lugar para Leandrinho. O time ficou mais compacto atrás e o Londrina perdeu todas as esperanças de chegar ao gol em jogadas trabalhadas.

A diferença entre o Batatinha e o Gabigol

Um é baixinho, meio gordinho e um tanto desengonçado para correr e jogar. O outro é mais alto e forte, tem um chute potente, um empresário que já alavancou as carreiras de Robinho e Neymar, e entra em campo todo produzido, como se fosse o astro de uma banda de rock. Porém, quando a bola rola, Lucas Otávio, o Batatinha, joga simples e para o time; enquanto Gabriel parece estar apenas preocupado em fazer jogadas de efeito para enriquecer o vídeo que Wagner Ribeiro enviará aos grandes clubes europeus.

Em outras palavras, Lucas Otávio é inteligente para jogar futebol. Se fosse alto, mais forte e mais rápido, seria um novo Beckenbauer. Gabriel tem a força, mas lhe falta a inteligência e o temperamento. Por isso Marcelo Fernandes e Serginho Chulapa gritaram tanto com ele durante a partida. Se ele não se ajudar, virará outro Alemão, Jean Carlo chera, Neilton, Vitor Andrade; ou seja: nada de especial lhe acontecerá.

Como já disse, o que conta mesmo é o fundamento, a técnica, aliada à cabeça e à coragem. Não sei se ainda dá tempo para Gabriel se tornar um grande jogador, mas isso vai depender dele. Em primeiro lugar, acho que deveria parar de querer chamar a atenção. Quanto o conheci, no CT Meninos da Vila, era um menino sóbrio, de sobrancelhas grossas e ar nordestino. Achei até que era volante, pois parecia daqueles jogadores sérios, que não brincam em serviço. Só depois vim saber que era atacante e artilheiro.

Onde quero chegar é que é preciso ajudar Gabriel a se encontrar. Se ele não melhorar seu jogo e seu temperamento, será ruim para ele, para todos que o cercam e também para o Santos. Acho que o clube tem um psicólogo, não? Pois o menino está precisando. Em primeiro lugar ele precisa aprender que futebol é um esporte coletivo e que envolve riscos. Achar que um toquinho ou outro vai fazer sua fama e continuar evitando as divididas acabará com sua carreira antes mesmo de ela começar.

Atuações dos santistas

Vladimir – Dizem que o bom goleiro tem sorte. O jogo mostrou que isso Vladimir tem. 6.
Cicinho – Fez pouco das suas cicinhadas e não levou cartão amarelo! 6.
Werley – Sem Gustavo Henrique, teve de comandar a defesa e foi se firmando aos poucos. 7.
Paulo Ricardo – Entrou titubeante, mas se acalmou. 6.
Zeca – Apóia demais, mas não marca tão bem. De qualquer forma, não comprometeu desta vez. 6.
Valencia – Não brincou em serviço. Fez o feijão com arroz. 6.
Lucas Otávio – Arriscou-se um pouco mais. Roubou bolas, tocou de primeira. Mostrou ter cabeça. Sua melhor exibição entre os profissionais. 6,5.
Elano – Fez o máximo que suas condições físicas permitiram, o que não é muito. Mas, usando sua experiência e técnica, marcou um gol importante com uma cabeçada distante do gol, mas muito bem colocada. 6.
Geuvânio – Precisa soltar mais a bola de primeira, mas com ele o time ganha mais mobilidade. 6.
Lucas Lima – Novamente o melhor em campo. Ele prova que o craque comanda o tempo e o espaço quando tem a bola. Quando quer, parece que o jogo para quando a bola cai nos seus pés, a exemplo do que faziam os grandes meias do passado, como Gérson e Ademir da Guia. Faz a bola correr junto aos seus pés, ao contrário de jogadores como Cicinho e Geuvânio, que tropeçam nela a todo instante. 8.
Marquinhos Gabriel – Como teria o jogo todo para mostrar a que veio, prestei muita atenção nele. E vi muito pouco, além de seu esforço. 5.
Gabriel – Como já disse no texto, se tivesse a inteligência de Lucas Otávio para jogar para o time, certamente renderia mais. Jogou mal e deixou Marcelo Fernandes e Serginho contrariados. Se não melhorar logo, acho que Wagner Ribeiro poderá trazer aquela proposta milionária que disse ter de um grande clube da Europa. 3.
Leandrinho – Jogou menos de 20 minutos, mas ajudou a estabilizar o meio de campo e tirou toda possibilidade de reação do Londrina.5.5.

Marcelo Fernandes – Sua aposta deu certo. Teve alguma sorte no primeiro tempo e até no gol de Elano, mas depois substituiu bem e manteve a vitória com segurança. 6.

Santos 1 x 0 Londrina
Copa do Brasil
15/04/2015, 19h30, estádio Martins Pereira, SJ dos Campos
Público: 11. 134 pagantes. Renda: R$ 523.440,00.
Santos: Vladimir, Cicinho, Werley, Gustavo Henrique (Paulo Ricardo) e Zeca; Valencia, Lucas Otávio, Elano (Geuvânio) e Lucas Lima; Marquinhos Gabriel e Gabriel (Leandrinho).
Técnico: Marcelo Fernandes
Londrina: Vítor; Lucas Ramon (Jhon), Dirceu, Sílvio e Lino; Germano (Léo Maringá), Diogo Roque e Rone Dias; Wéverton, Paulinho (Kanu) e Arthur.
Técnico: Cláudio Tencati.
Gol: Elano, aos 4 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Igor Junio Benevenuto (MG-CBF-1), auxiliado por
Bruno Raphael Pires (GO-CBF-1) e João Patricio de Araujo (GO-CBF-1).
Cartões amarelos: Gustavo Henrique e Lucas Lima (Santos). Jhon, Wéverton, Dirceu, Diogo Roque e Kanu (Londrina).

E você, o que achou do misto do Santos diante do Londrina?