Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: maio 2015 (page 1 of 7)

Uma derrota de 2 a 2

A Vila não comportou todos que quiseram ver o jogo

Milhares de pessoas não conseguiram entrar na Vila Belmiro ontem, entre elas o Iai, primo da Suzana. O jogo teve 13.481 pagantes, com renda de R$ 321.055,00. Isso nos dá a esperança de que com um estádio municipal moderno, para 30 mil pessoas, construído em uma parceria entre a Prefeitura de Santos e os clubes da cidade – Santos, Jabaquara e Portuguesa Santista -, a média de público nos jogos do Santos ultrapassaria 15 mil pessoas e acabaríamos com essa discussão sobre estádios. Enfim, o público foi bom, mas ficou provado, mais uma vez, que a Vila se torna muito pequena se o santista ouve o chamado e comparece.

Werley
Werley, ao centro, comemora o seu gol, que poderia ter sido o da vitória, se Renato, à esquerda, não tivesse errado um passe a um minuto para o final (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Um erro de passe de Renato, um dos jogadores mais experientes do Santos, acabou dando ao Sport a possibilidade de empatar a partida a 30 segundos do final do tempo de acréscimo. O primeiro gol do time pernambucano já tinha sido conquistado depois de outro erro de passe, de Lucas Lima. Este empate de 2 a 2 deixa o Santos na posição intermediária da tabela, com cinco ponto em quatro jogos. É pouco para quem quer ao menos lutar por uma vaga na Copa Libertadores.

O jogo foi equilibrado. O Santos só dominou claramente nos primeiros 15 minutos e depois de fazer o segundo gol, aos 24 minutos do segundo tempo. O Sport foi um pouco melhor na maior parte do primeiro tempo e no comecinho do segundo. Os dois gols do Santos cortam marcados com bolas centradas na área e os dois gols sofridos começaram com erros de passe: o primeiro de Lucas Lima, o segundo de Renato.

Robinho marcou a três minutos para o final do primeiro tempo, após cruzamento de Daniel Guedes. Robinho cabeceou, o goleiro espalmou, Ricardo Oliveira cabeceou no travessão e Robinho pegou o rebote de sem-pulo. Belo gol.

No início do segundo tempo o Sport achou o gol de empate após erro de passe de Lucas Lima, mas o Santos continuou querendo a vitória e o desempate veio em cabeçada de Werley, após escanteio. Quando a torcida já comemorava a vitória, Renato errou outro passe na saída da defesa para o ataque e o Sport empatou.

Este resultado faz o Santos perder dois pontos preciosos e mostram que a equipe não tem poder ofensivo para vencer mesmo equipes medianas. Os três jogadores do ataque estão atuando abaixo do que podem. Alguma coisa precisa ser feita. Pelo jeito, devemos esperar mais um Campeonato Brasileiro difícil para os santistas, a exemplo do que vem ocorrendo desde 2008.

Público na Vila – Muito bom desta vez. Provavelmente o horário influiu, pois ainda sobrou a tarde para a praia e era muito cedo para começar a beber. Mas também influiu a promoção de se cobrar apenas metade do preço do ingresso para o torcedor que fosse com a camisa do Santos. Isso mostra que o poder aquisitivo do santista é um obstáculo a bons públicos na Vila. Se o preço é menor, ele vai mais. Esse tipo de promoção poderia ser feito na maioria dos jogos. Ah, o tempo também ajudou, pois o domingo amanheceu nublado em Santos.

Postura do time – Quando joga em casa, o Santos adianta a marcação e pensa apenas na vitória. Se levasse essa mesma filosofia para os jogos no campo do adversário, sua performance no campeonato seria outra. É como se em casa os jogadores pensassem: “Aqui preciso ganhar, jogarei para ganhar”. E quando joga fora, pensasse: “Aqui um empate já está bom, e se perder a gente sempre tem uma boa desculpa”. O segredo é jogar fora como se joga em casa. Para isso, é preciso que o técnico use de muita psicologia. A tendência é o jogador e acomodar quando não tem a obrigação de vencer.

Robinho – Uma enquete do jornal A Tribuna de Santos mostra que a maioria dos leitores acha que o Santos não deve pagar mais de 300 mil reais por mês ao Robinho. Eu defendo que a voz do povo é a voz de Deus. Dependendo da situação, acho que poderia ser um pouco mais, porém não mais do que 500 mil.

Buraco no camarote ao lado do banco de reservas – O técnico Marcelo Fernandes, suspenso, valeu-se de um buraco no camarote, ao lado do banco de reservas, para passar mensagens ao assistente técnico Serginho Chulapa. É evidente que isso é errado, mas o comentarista do Premiere exagerou ao criticar toda a diretoria do Santos pelo fato. Um erro não justifica o outro, mas técnico do Palmeiras, expulso, recebia os jogadores ao lado da arquibancada para lhes dar orientações e não se fez tanto escândalo.

Atuações dos santistas
Vladimir – Não foi muito exigido. Quando foi, sofreu dois gols. 4.
Daniel Guedes – Fez o cruzamento para o primeiro gol. Não estava mal, mas deve ter sentido uma antiga contusão. Foi substituído no início do segundo tempo, por Chiquinho. 5.
Werley – O melhor da zaga. Ainda fez o segundo gol do Santos. 6.
David Braz – Escondido e sem confiança. 4.
Victor Ferraz – Menos participativo do que o habitual. Regular. 5.
Lucas Otávio – Começou inseguro, mas foi melhorando. Roubou muitas bolas, mas fez faltas por trás que poderia evitar. 6.
Renato – Falhou na marcação, no domínio da bola e no passe. 4.
Lucas Lima – Criou algumas jogadas, mas falhou no passe que gerou o primeiro gol do Sport. 5.
Geuvânio – Atrapalhou-se com a bola. Demorou demais para dar andamento a algumas jogadas. Apenas tentar não basta. Precisa ser menos errático. 4.
Ricardo Oliveira – Parece que gastou o seu futebol e oportunismo no Campeonato Paulista. Precisa voltar a jogar bem, ou sua escalação não se justificará. 4.
Robinho – Fez o primeiro gol, criou jogadas, mas perdeu a bola várias vezes. Em um grande clube europeu já teria sido substituído antes do final do primeiro tempo. 5.

Dos jogadores que entraram, Chiquinho foi o melhor. Deu mais ofensividade ao time, mas falhou na marcação no segundo gol do Sport, indo para o meio e deixando a ponta livre. 5. Gabriel correu, se esforçou, mas perdeu um gol que definiria a partida. Maldito pé direito que não serve para nada. 4. Rafael Longuine não teve tempo de mostrar nada.

Marcelo Fernandes/ Serginho Chulapa – Culpar o(s) técnico(s) em um jogo no qual os dois gols do adversário começaram com erros individuais, não dá.

E você, o que achou de Santos 2 x 2 Sport?


Às 11 horas, vá ver o Santos completo contra o Sport

Robinho
Robinho: um até logo, ou um adeus? (Ivan Storti/ Santos FC).

Este post é dirigido especialmente a você, santista que mora em Santos, São Vicente e adjacências. Às 11 horas, portanto muito cedo para beber cerveja e ainda com a tarde toda para ir à praia, o Santos, completo, enfrentará o Sport na Vila Belmiro. Pode ser o último jogo de Robinho pelo Alvinegro Praiano, pois depois ele viaja para a Copa América. A partida é importante, pois o time já está na naquela zona intermediária entre o G4 e o Z4. Portanto, VÁ AO JOGO!

A equipe teve a semana inteira para descansar, para se recuperar dos jogos seguidos que vinha fazendo. O adversário é o mesmo que venceu o Santos na última partida, pela Copa do Brasil, em Recife – porém ainda mais reforçado, pois Diego Souza volta ao ataque.

Tecnicamente, as equipes se equivalem. O Santos tem como diferenciais Lucas Lima e Robinho, mas o último vai para a Copa América e não deverá se expor muito.

O jogo deverá ser bem pegado, pois o técnico do Sport, Eduardo Baptista, quer impedir que os melhores jogadores do Santos tenham tempo para criar jogadas e por isso a marcação sobre eles será dura. O fato de jogar na vila Belmiro também não assusta o técnico do Sport.

Quanto ao técnico santista, Marcelo Fernandes, ele acha que pelo fato de a partida ser no Urbano Caldeira, já será bem diferente do jogo em Recife, pois desta vez o Santos terá, naturalmente, a iniciativa do jogo.

Como sempre acontece quando enfrenta ex-jogadores, o Santos deve tomar cuidado com o zagueiro Durval, que vai para a área nas bolas paradas, e, principalmente, com Maikon Leite, que poderá entrar no transcorrer do jogo.

O jornal A Tribuna de Santos traz uma boa matéria sobre o jogo, assinada por Lucas Musetti. Leia:

Matéria de Lucas Musetti em A Tribuna

Santos x Sport
4ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2015
31 de maio de 2015, Vila Belmiro, 11 horas
Santos: Vladimir, Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Lucas Otávio, Renato (Leandrinho) e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho. Técnico: Marcelo Fernandes.
Sport: Danilo Fernandes; Samuel Xavier, Matheus Ferraz, Durval e Renê; Rithely, Wendel, Neto Moura, Diego Souza e Élber; Joelinton. Técnico : Eduardo Baptista.
Arbitragem: Marcos André Gomes da Penha (ES), auxiliado por Carlos Berkenbrok (SC) e Leonardo Mendonça (ES).

No Sub-20 o Santos nada de braçadas. Veja mais uma boa exibição dos Meninos da Vila. Será que tem algum com pinta de craque nesse time?

As Sereias da Vila perderam pela primeira vez no Campeonato Paulista, diante do forte São José, por 1 a 0. Mas lutaram, como sempre. Elas são lindas e maravilhosas. Não merecem uma crítica sequer. Veja:

Agora veja o santos de Edmundo, Dodô e Rincón vencer o Sport por 3 a 1 pela copa João Havelange de 2000:

E você, o que espera do Santos na manhã deste domingo?


Estouro do esquema da Fifa é um bom começo

Todo mundo que milita no futebol conhece ene histórias de pequenas e grandes corrupções. Por ser pouco fiscalizado, o esporte é um antro favorável a espertalhões e aproveitadores, desde os magnatas do crime, que desviam milhões de dólares nos contratos das Copas do Mundo, até os técnicos das categorias de base que pedem dinheiro por fora para o pai do garoto que sonha ser astro.

Há um presidente de clube que levava o dinheiro das arrecadações para contar em casa. Ninguém no clube o contrariava. Outros presidentes são remunerados por baixo do pano, por meio de vaquinhas entre empresários simpáticos à sua candidatura – o que pode não ser desonesto, mas não é nada ético, pois deixa esse presidente com o rabo preso.

A legislação já permite que um presidente de associação, ou de clube esportivo, seja remunerado. Isso pode ser feito às claras, com transparência. É só acionar o departamento jurídico e correr atrás da regularização. Mas o teto dessa remuneração fica perto de 20 mil reais e os presidentes, que ao serem eleitos abandonam todos os seus afazeres e se tornam “amadores profissionais’, preferem ganhar mais por fora.

Enfim, para onde se olha no futebol há esquemas nebulosos, que driblam a justiça e o mérito. Volta e meia ouvimos queixas com relação a subornos articulados por apostadores milionários, ingressos vendidos no câmbio negro, listas quilométricas de “despesas diversas”, eleições fraudadas, contratos superfaturados com jogadores, inúmeras negociatas no caixa dois…

O desrespeito à lei começa com o desrespeito à ética, e a falta de ética no esporte começa quando a meritocracia, que é a alma das competições esportivas, não é respeitada. Como pode o Internacional, responsável por esses espetáculos memoráveis em seu estádio, único brasileiro ainda na Libertadores, ganhar um terço da verba da tevê de outros dois que nada ganharam e nada fizeram de relevante este ano? Com a palavra, a Globo e seu projeto inexplicável da Espanholização de nosso futebol.

Provavelmente esta ação ousada do FBI (Federal Bureau of Investigation) levará a polícia de vários países a tomar a iniciativa de agir para acabar com os esquemas nacionais e regionais que conspurcam o futebol no mundo. O esporte precisa ser expurgado de pessoas que colocam o dinheiro acima dos valores morais. Por que se faz vistas grossas a toda essa bandalheira?

Bem, há tantas perguntas a serem feitas, que poderíamos ficar o dia todo aqui, questionando os porquês do nosso pobre futebol e das pessoas que vivem em torno dele. Mas hoje o importante é destacar que o castelo de cartas começou a ruir. Parabéns ao FBI, parabéns ao Estados Unidos da América do Norte, um país que, apesar de todos os seus pesares, ainda não se deixou dominar pelo crime organizado.

E você, acha que a ação do FBI terá repercussões no Brasil?


Santos deve 400 milhões e a gente discutindo o Ananias…

Meus amigos, sei da necessidade das discussões jurídicas, mas às vezes elas me parecem pouco práticas. Ontem, na reunião do Conselho Deliberativo, perdemos um tempão para analisar a punição ao ex-conselheiro Ananias, aquele que fraudou a eleição. A resolução é que o homem será enquadrado em outro quesito, que poderá provocar sua expulsão do clube. Falaram até de “delação premiada”, para que ele tivesse imunidade para dizer quem o ajudou nessa fraude. Acho isso relevante, mas a questão vital para o Santos, no momento, é sua enorme dívida, que foi de quase 59 milhões de reais só no ano passado, o último da gestão Laor/Odílio; alcança 190 milhões apenas a curto prazo e chega a 400 milhões no total.

Não que não considere importante discutir o caso Ananias, que provocou nova data para a eleição e manchou o nome do clube, mas isso já passou e o pleito acabou sendo limpo e elegendo Modesto Roma. Vida que segue. O certo, agora, é que o nome do clube será muito mais manchado se, por falta de dinheiro, o Santos se apequenar. É preciso não só investigar as causas desse endividamento brutal, como implementar rapidamente medidas pra aumentar o faturamento que, ao menos, dará ao mercado a mensagem de que o Santos está iniciando o penoso caminho de sua recuperação.

Ficamos sabendo, pela explanação do Conselho Fiscal, que todas as despesas previstas para o ano passado estouraram desavergonhadamente sem que o Conselho Deliberativo fosse informado ou consultado. A presidência, do médico Odílio Rodrigues, escorada pelo Comitê Gestor, fez o que quis, quando e como quis. Os números são absurdos. Em alguns itens se chegou a 700% a mais do que se previa.

Na minha fala, lembrei que o grande dilema do Santos é a eterna luta entre amadorismo e profissionalismo. Quando a diretoria ouviu os jogadores e fez a semifinal da Copa do Brasil do ano passado, contra o Cruzeiro, na Vila Belmiro, perdeu, no mínimo, três milhões de reais, que viriam com o jogo no Morumbi, por exemplo. Robinho foi um dos líderes do movimento que pediu o jogo na Vila. Hoje ele fala que é “profissional”. Bem, ele está certo, mas quem deve ser mais profissional e pensar, primeiro, nas finanças do clube, é esta diretoria. Os jogadores são empregados contratados, não têm a obrigação de zelar pela estabilidade financeira da entidade.

Lembrei, ainda, que teria sido melhor fechar com um patrocinador máster por um valor menor, do que ficar dois anos sem nenhum. Se não dá por 30 milhões, que se feche por 25, 20, 15, 10. Se tivesse fechado por 10, o Santos teria 20 milhões hoje, que seriam decisivos para as necessidades emergenciais, ou já teriam impedido novos empréstimos.

A situação de busca de sócios também está parada. A CSU não ata e nem desata. Segundo depoimento da ouvidoria, em alguns casos o interessado tem de esperar dois meses para se filiar ao Santos. Outros clubes fazem isso na hora, pela Internet. A promessa é de que tudo mude no segundo semestre.

Dentre as muitas vezes em que se manifestou, o presidente Modesto Roma disse algo bem interessante: destacou, em alto e bom som, que será demitido sumariamente o profissional do departamento de futebol que exigir aos jogadores em vias de serem contratados que apresentem um empresário. Como se sabe, o empresário facilita as negociações por baixo do pano, que sempre oneram o clube mais do que o previsto.

O Goiás está dando o exemplo ao não aceitar mais negociações com empresários, esses intermediários que acabam inflacionando o já combalido mercado do futebol “profissional’ brasileiro. É uma atitude que deveria se espalhar aos demais clubes do País.

Por fim, quando meus cinco minutos já tinham se esgotado e o presidente da mesa Fernando Bonavides ameaçava cortar minha palavra, sugeri que o Santos recrutasse estudantes e fizesse uma enquete com os torcedores que vão aos seus jogos. Isso representaria o embrião de uma pesquisa para se saber quem somos nós, quem são os santistas que comparecem aos jogos do clube: idade, sexo, endereço, se sé sócio ou não, com que frequência vai aos jogos, o que faz com que vá ao estádio… Sem esse tipo de pesquisa fica impossível criar um plano de marketing eficiente.

Vejo a função do conselheiro do Santos bem parecida com a de um ombudsman. É evidente que somos santistas, torcedores, amadores, e queremos o melhor para o clube e para qualquer diretoria que o dirija. Mas temos a obrigação de apontar falhas e sugerir mudanças. Se seremos ouvidos ou não, é outra história que, infelizmente, não depende de nós. Mas ao menos temos de dizer o que tem de ser dito.

E você, o que achou disso tudo?


Qual deve ser o salário do jogador de futebol no Brasil?

Duas notícias, antagônicas, nos fazem pensar sobre a séria questão dos salários dos jogadores de futebol brasileiros. A primeira, de alguns dias, assinada por Samir Carvalho, do UOL, diz que Robinho usa o interesse do Flamengo para conseguir um salário de um milhão de reais por mês e um contrato até 2020 no Santos. A segunda, de Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br, informa que no Goiás, líder momentâneo deste Brasileiro, o salário máximo é de 50 mil reais e a diretoria decidiu não negociar mais com empresários, só diretamente com os jogadores.

Leia a matéria de Samir Carvalho, do UOL

Leia a matéria de Vladimir Bianchini, da ESPN.com.br

Se já é muito difícil determinar o salário ideal para qualquer atividade, a coisa se complica ainda mais quando se trata de um jogador de futebol, pois aí entramos no mercado do entretenimento, do show business, em que o atleta não vale apenas por suas qualidades físicas e técnicas, mas pelo que representa, pelo que atrai de público e patrocinadores.

Lembro-me de um amigo que ironizava o fato de se pagar uma fortuna ao pugilista Mike Tyson para ele “trabalhar” apenas alguns segundos, já que nocauteava seus adversários pouco depois do início dos combates. Porém, eram segundos vistos, ao vivo, pelo mundo inteiro, fora toda a fase de preparação e as matérias posteriores à luta.

Por isso, eu diria que Robinho, como um dos poucos astros do futebol brasileiro, ou o único em atividade no Brasil, merece mesmo ganhar mais do que todos os outros. Mas quanto ele deve ganhar depende de mais fatores que precisam ser levados em conta, tais como: Quanto ele aumentou o faturamento do Santos, tanto em patrocínio, como em arrecadação nos jogos, ou em verba de pay per view? Esse valor tem compensado, com sobras, o investimento que o Santos fez nele?

Sim, ele foi essencial na conquista do título paulista, que deu ao Santos o prêmio de três milhões de reais, porém, é bom que se diga, não jogou sozinho. Lucas Limas, Ricardo Oliveira e Geuvânio também foram importantes ao longo da campanha.

Outro detalhe importante para se analisar o salário potencial de qualquer profissional, e aí tanto faz em que área ele atue, é a situação do mercado. E nesse quesito, é evidente que o futebol brasileiro, não só pelas baixas arrecadações, mas pelas péssimas administrações, que fazem a dinheirama sumir pelo ralo da incompetência e da corrupção, não pode pagar tal fortuna a nenhum jogador, pois esse investimento só milagrosamente se pagaria.

No último final de semana, enquanto Robinho era derrotado, com o Santos, na humilde Chapecó, tarde em que brilhou o rápido e quase folclórico Apodi, Guerrero perdeu gol feito no jogo sonolento do Maracanã, evento de nível tão pobre que fez o comentarista Casagrande lamentar que não tivesse ido ao teatro, ao cinema, ou a algum programa mais interessante. Para completar, no seu estádio, o Palmeiras, com o decantado ídolo Valdívia em campo, perdia para esse mesmo Goiás do teto salarial de 50 mil e do veto aos empresários.

Se levarmos essas considerações para o segmento dos técnicos de futebol, notaremos que aqueles que outro dia estavam no pedestal, com salários de 700, 600, 500 mil reais, hoje amarguram a rua da amargura, ou quase. Muricy foi descansar quando ninguém mais agüentava o muricybol; Felipão ganhou bilhete azul do Grêmio, o mesmo ocorrendo com Luxemburgo no Flamengo. Daqui a pouco Oswaldo de Oliveira seguirá o mesmo caminho. Isso está ocorrendo porque esses técnicos são ruins? Não, mas estão bem aquém da imagem que se construiu deles. No fundo, são farinha do mesmo saco.

Reduzir drasticamente o teto salarial de jogadores e, principalmente, de técnicos, é a única saída para o empobrecido e desorganizado futebol brasileiro. Com folhas salariais ajustadas à nossa realidade, os clubes atingirão o equilíbrio financeiro, terão de se valer mais de seus jogadores de base, o que contribuirá para revelar e arejar o nosso futebol, e os ingressos nos estádios poderão ter preços mais acessíveis, atraindo novamente os torcedores, que hoje estão procurando outras formas de lazer, que envolvam também a família, sejam mais baratas e mais seguras.

O futebol profissional brasileiro vive uma situação paradoxal: ele nunca foi tão mal jogado e, ao mesmo tempo, jogadores e técnicos nunca receberam salários tão elevados. É evidente que a conta jamais poderá fechar. Alguns clubes, como o Goiás e o Atlético Paranaense, perceberam isso e estão mostrando esse caminho para os dirigentes de boa vontade.

A questão dos empresários é outro absurdo que só sobrevive às custas de dirigentes e técnicos preguiçosos ou corruptos, ou as duas coisas. É óbvio que se os clubes profissionais se unirem em uma Liga, uma das primeiras providências será banir os empresários do futebol e estabelecer um teto salarial ao menos para os técnicos. O futebol não suporta mais essa farra do boi, ou da bola. É possível, sim, negociar direto com o jogador, mas tem muito dirigente que prefere acertar as coisas com o empresário, porque sabe que assim tem sempre algum por fora.

Bem, nem vou usar aquele surrado argumento de que para se ganhar 50 pilas por mês o brasileiro comum precisa ter graduação, pós-graduação, MBA, doutorado, falar duas ou três línguas, ser ultra-competente, espírito de liderança, bom senso, carisma, comprometimento e mais um montão de qualidades. E ainda ficar ligado na empresa dia e noite, em uma missão exaustiva e estressante, bem diferente de trabalhar brincando, dançando, tirando um sarro dos companheiros, com todas as despesas pelo empregador e ainda seguido adulado pelos fãs e pela mídia.

Isto tudo posto, minha conclusão é a de que, se não tem como pagar e não se tem um parceiro que possa pagar, o Santos não pode, em hipótese alguma renovar com Robinho por um milhão de reais por mês, ainda mais em um contrato até 2020. Se ele ainda tem mercado na China, na Índia, nos Estados Unidos ou na Gávea, que vá para onde quiser.

Um time não se faz só com um atacante e hoje Robinho, mesmo ainda jogando bem, decide muito pouco. Já não tem o mesmo fôlego, a mesma vitalidade, a mesma força e habilidade e continua com deficiência no chute. Eu diria finalmente que, levando tudo em consideração – o futebol dele, a situação do Santos e do futebol brasileiro – 200 mil seria um salário fenomenal para o nosso querido Robinho.

E você, o que acha dos salários dos jogadores brasileiros?


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