Treino no CT Rei Pelé
O Santos treinou no CT Rei Pelé (Fotos: Ricardo Saibun/ Santos FC)
Gustavo Henrique e Lucas Otávio
Gustavo Henrique e Lucas Otávio talvez joguem
Lucas Lima e Leandrinho
Lucas Lima e Leandrinho
Robinho
Robinho recuperado (e Cittadini também)
Gabriel
Gabriel, quem sabe, pode ser a arma secreta…

LEVANTA E ANDA SANTOS!

A final será dificílima. Mas o Santos está acostumado a lutar

É claro que a maioria dos santistas estão confiantes de que o Santos vencerá o Palmeiras por mais de um gol de diferença e comemorará o título Paulista neste domingo à tarde, na Vila Belmiro. Mas como essa vitória pode ser obtida? Que circunstâncias envolvem a partida que podem ser favoráveis ou não ao Santos? Tentarei resumir os pontos principais deste confronto. Leia e dê sua opinião sobre eles:

1 – Placar do jogo: Uma vitória por dois gols de diferença, em um clássico, não é um resultado normal. Um time grande que se fecha bem não costuma sofrer goleadas e dificilmente perde por mais de um gol de diferença. Lembremos que no ano passado o Ituano se segurou o máximo que pode e perdeu só por um gol no segundo jogo, provocando a disputa por cobranças da marca penal. E assim tirou o título do Santos.

2 – Estatísticas: Em complemento ao item anterior, é bom saber que apenas em três oportunidades o time que perdeu o primeiro jogo de uma final de Campeonato Paulista acabou sendo campeão no segundo jogo. Uma dessas vezes foi protagonizada pelo próprio Santos, diante do São Caetano, em 2007. O Alvinegro Praiano perdeu o primeiro jogo por 2 a 0 e devolveu o marcador no segundo. Naquele ano, como o Santos teve melhor campanha, não foi necessário desempatar nos pênaltis.

3 – Vila Belmiro: Para jogadores, comissão técnica, presidência e diretoria do clube, parece não haver dúvidas de que jogar na Vila Belmiro significa meio título na mão. A história, porém, não confirma esse otimismo. Na primeira vez em que decidiu um título estadual, em 1927, contra o mesmo Palmeiras – na época chamado Palestra Itália –, o Santos jogou pelo empate para ser campeão e mesmo assim perdeu por 3 a 2. Antes, em 1918, depois de vencer Paulistano e Corinthians, fez um jogo decisivo, também na Vila, contra a Associação Atlética das Palmeiras, cuja vitória lhe daria possibilidade de lutar pelo título, e perdeu por 1 a 0. Em 1955 foi campeão vencendo o Taubaté por 2 a 1, no Urbano Caldeira, mas no domingo anterior poderia ter comemorado o título diante do Corinthians, mas sofreu a virada depois de estar vencendo por 2 a 0. Na decisão da primeira Taça Brasil, em 1959, perdeu o primeiro jogo da final para o Bahia, por 3 a 2, e essa derrota, na Vila Belmiro, deu ao campeão baiano a possibilidade de jogar a negra no Maracanã, que o Bahia venceu por 3 a 1, sagrando-se o primeiro campeão brasileiro. O Santos foi campeão da Taça Brasil de 1961, mas na semifinal perdeu para o América do Rio, ainda na Vila, por 1 a 0. Na final da Copa Libertadores de 1962 ele também perdeu para o Peñarol, por 3 a 2, conquistando o título em Buenos Aires. Recentemente, perdeu os títulos paulistas de 2009 e 2013 jogando as finais na Vila 9pior ainda foi perder na semifinal da Libertadores de 2012). Portanto, jogar na Vila Belmiro pode dar alguma vantagem psicológica, mas está longe de garantir a vitória.

4 – Times: Santos e Palmeiras têm elencos equivalentes, apesar de o rival contar com mais opções para o banco de reservas. Em uma análise fria por setores – defesa, meio-campo e ataque -, o Santos faz o jogo fluir melhor e seu ataque é mais incisivo, diferença que poderá se acentuar em um jogo diante de sua torcida. A melhor formação que o Santos pode colocar em campo é: Vladimir; Vitor Ferraz, Gustavo Henrique (ou Werley), David Braz e Chiquinho; Valencia (ou Leandrinho, ou Lucas Otavio), Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho. Outras opções para o andamento do jogo são Elano, Cicinho, Gabriel e Marquinhos Gabriel.

5 – Prováveis desfalques: Apesar de o técnico Marcelo Fernandes ter dito que Robinho só entrará em campo se estiver cem por cento, é inviável que Fernandes deixe de escalar seu melhor jogador se este tiver, digamos, oitenta por cento de suas condições físicas e clínicas. Poupar para quê? É a decisão, o último jogo do campeonato, o tudo ou nada. O mesmo se aplica a Valdívia. Tudo indica que o jogador participará da partida, mesmo que por apenas um tempo. Uma dúvida real do Santos é o zagueiro Werley, que se recupera de dengue. Neste caso, Gustavo Henrique pode substituí-lo bem, pois já jogou muitas vezes ao lado de David Braz. Valencia também não é certeza. Para o seu lugar o técnico teria Lucas Otávio, Elano, Leandrinho ou mesmo Elano, que não tem sido aproveitado mais por estar fora de forma.

6 – Jogadores especiais: Neste particular, o Santos tem mais jogadores que podem decidir uma partida importante como esta: Robinho, Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Geuvânio representam mais do que Valdívia, Zé Roberto, Leandro Pereira e o outro Robinho. Mas nem sempre uma final é decidida pelo jogador mais credenciado. Lembremos que Adriano Gabiru e Mineiro decidiram títulos mundiais para Internacional e São Paulo, respectivamente.

7 – Técnicos: Oswaldo de Oliveira é mais experiente do que Marcelo Fernandes, que já se declarou seu discípulo. Isso não pode intimidar Fernandes, ou deixará de fazer o que deve ser feito. Neste particular, o auxílio do irreverente Serginho pode ser muito útil ao técnico do Santos. Não há melhor momento de o aluno superar o mestre do que em uma final de campeonato.

8 – Postura: Caso jogue como sempre o faz na Vila Belmiro, o Santos terá uma postura pró-ativa, energética, ofensiva, e buscará comandar o jogo desde os primeiros minutos. Obviamente o Palmeiras terá de responder à altura, ou será completamente dominado. Em uma final, entretanto, o ritmo não pode cair em nenhum momento do jogo. Bem, ao menos a atenção não pode ser relaxada, pois em um lance aparentemente bobo pode ser decidido o campeonato. Nesse participar, o Santos provavelmente terá mais probabilidade de ter e manter uma postura vencedora.

9 – Paz entre torcidas: Que fique bem claro que santistas e palmeirenses não são inimigos, são apenas adversários. Que haja respeito entre os torcedores. A rixa entre alguns torcedores organizados não pode contaminar toda a relação histórica e cordial entre torcedores dos dois clubes. Isso é sério. Além de tudo, a violência é inútil e nada ajuda ao futebol ou aos nossos times. A Polícia Militar de Santos proibiu comemorações na Praça da Independência. Há uma grande preocupação com o clima tenso gerado pelos últimos acontecimentos. Que o santista e o palmeirense saibam dar o exemplo.

Bem, estão aí os nove pontos que destaco nesta grande final do campeonato estadual mais antigo, disputado e conceituado do Brasil. Deixo em aberto o décimo ponto. Se quiser, escreva-o.

Jogos decisivos entre Santos e Palmeiras

Santos e Palmeiras só decidiram dois títulos importantes: os Paulistas de 1927 e 1959. No primeiro, mesmo jogando pelo empate, na Vila Belmiro, o Santos perdeu por 3 a 2, na bastante prejudicado pela arbitragem do árbitro palmeirense Antero Molinaro (que só conseguiu sair de Santos protegido pela polícia). E em 1959, em uma super decisão em melhor de quatro pontos, o Palmeiras venceu o terceiro jogo por 2 a 1, depois de dois empates.

Mas os dois times fizeram outros jogos importantes, mesmo sem ser finais. Ambos se encontraram nas semifinais de três campeonatos brasileiros: nas Taças Brasil de 1964 e 1965, com todos os jogos no Pacaembu, e o Santos venceu as duas (3 a 2 e 4 a 0 em 1964 e 4 a 2 e 1 a 1 em 1965). No quadrangular final do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata de 1968, o Santos venceu por 3 a 0, no Morumbi.

Pelo Campeonato Paulista, Santos e Palmeiras jogaram pelo quadrangular final em 1969 e o Santos venceu por 3 a 0, em pleno Parque Antártica (Pelé ainda marcou mais um gol, de cabeça, mas o árbitro não viu a bola entrar).

O último jogo entre ambos pelo Paulista ocorreu na semifinal de 2000, quando o badalado Palmeiras de Luiz Felipe Scolari jogava pelo empate e estava ganhando por 2 a 0, mas o Santos conseguiu a virada a partir da metade do segundo tempo. A seguir, veja os gols e os melhores lances dos confrontos dos Paulistas de 1969 e de 2000:

Enquanto o jogo não vem, curta esse papo histórico com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, o melhor ataque do futebol:

E você, como analisa os pontos desta decisão entre Santos e Palmeiras?