Pelo nome, talvez o Santos esteja mais perto de Deus. Ao menos do Deus católico. Mas isso de comemorar gol com meio time ajoelhado agradecendo ao Senhor não está certo. Se Deus é justo, ele não torce para time algum e não vai ajudar Robinho, Geuvânio e o “pastor” Ricardo Oliveira a marcar gols nos adversários, que também são seus filhos, vai?

O gol foi obra do belo passe de Renato, que virou a bola para Victor Ferraz, que tabelou com Lucas Lima e tocou para trás, na medida para Robinho, que bateu muito bem, na paralela. Golaço! Cem por cento humano. Deus só ficou assistindo, como a gente. Se ele fosse se meter no jogo, obviamente o Avaí não teria empatado. Com um piscar de olhos o Todo-Poderoso teria feito Vladimir saltar rápido como um raio e espalmar aquela bola para escanteio.

Tudo bem que, no finalzinho, o gol perdido por Jesse, embaixo das traves, me pareceu coisa divina, ou seria demoníaca? Cruz credo! Se Deus não é santista, o Homem também não deve ser. O certo é que, como aprendi com minha mãe desde pequeninho, lá na Cidade Dutra, Deus faz a sua parte, mas antes a gente tem de fazer a nossa.

Se a defesa não defende, o meio-campo não marca e não arma, e o ataque não ataca, Deus não pode dar uma de Lima e se tornar um curinga em campo. No meu parco conhecimento teológico, creio que Ele busca ser justo. Por isso é que um time de uma cidade menor de repente encheu de bola todo mundo e, de quebra, revelou o melhor jogador de todos os tempos. Pelo futebol que jogava, era justo aquele time reinar no planeta. E assim foi feito.

Domingo, por que Deus tomaria o partido do Santos contra o humilde Avaí? Pelo nome do Alvinegro Praiano, que remonta aos apóstolos que espalharam a palavra sagrada pelo mundo? Ora, mas por que Deus não se apiedaria do time catarinense, que lutava com bravura para evitar a derrota? E ainda vestia azul, cor do céu, morada dos anjos.

Amigos, sinceramente, acho que Deus tem coisa mais importante para fazer. No máximo ele pode interferir para evitar ou amenizar um ou outro acidente no futebol, mas jamais vai participar de uma jogada de gol para quem quer que seja. Acho que esse negócio de erguer as mãos para o céu, ou se ajoelhar em rodinha no gramado após um gol, é forçar um pouco a barra. Deus não deve aprovar isso.

Se ele interferisse mesmo, o Brasil, tão cristão, não teria tomado aqueles 7 a 1 da no mínimo agnóstica Alemanha. Acho que o negócio é treinar mais, calibrar mais o chute e o passe, esmerar-se na marcação e ter pulmões para correr os 90 minutos. A vitória ou a derrota é coisa dos homens. Deus só quer assistir a um grande espetáculo.

E você, acha que Deus influi no futebol?