Todo mundo que milita no futebol conhece ene histórias de pequenas e grandes corrupções. Por ser pouco fiscalizado, o esporte é um antro favorável a espertalhões e aproveitadores, desde os magnatas do crime, que desviam milhões de dólares nos contratos das Copas do Mundo, até os técnicos das categorias de base que pedem dinheiro por fora para o pai do garoto que sonha ser astro.

Há um presidente de clube que levava o dinheiro das arrecadações para contar em casa. Ninguém no clube o contrariava. Outros presidentes são remunerados por baixo do pano, por meio de vaquinhas entre empresários simpáticos à sua candidatura – o que pode não ser desonesto, mas não é nada ético, pois deixa esse presidente com o rabo preso.

A legislação já permite que um presidente de associação, ou de clube esportivo, seja remunerado. Isso pode ser feito às claras, com transparência. É só acionar o departamento jurídico e correr atrás da regularização. Mas o teto dessa remuneração fica perto de 20 mil reais e os presidentes, que ao serem eleitos abandonam todos os seus afazeres e se tornam “amadores profissionais’, preferem ganhar mais por fora.

Enfim, para onde se olha no futebol há esquemas nebulosos, que driblam a justiça e o mérito. Volta e meia ouvimos queixas com relação a subornos articulados por apostadores milionários, ingressos vendidos no câmbio negro, listas quilométricas de “despesas diversas”, eleições fraudadas, contratos superfaturados com jogadores, inúmeras negociatas no caixa dois…

O desrespeito à lei começa com o desrespeito à ética, e a falta de ética no esporte começa quando a meritocracia, que é a alma das competições esportivas, não é respeitada. Como pode o Internacional, responsável por esses espetáculos memoráveis em seu estádio, único brasileiro ainda na Libertadores, ganhar um terço da verba da tevê de outros dois que nada ganharam e nada fizeram de relevante este ano? Com a palavra, a Globo e seu projeto inexplicável da Espanholização de nosso futebol.

Provavelmente esta ação ousada do FBI (Federal Bureau of Investigation) levará a polícia de vários países a tomar a iniciativa de agir para acabar com os esquemas nacionais e regionais que conspurcam o futebol no mundo. O esporte precisa ser expurgado de pessoas que colocam o dinheiro acima dos valores morais. Por que se faz vistas grossas a toda essa bandalheira?

Bem, há tantas perguntas a serem feitas, que poderíamos ficar o dia todo aqui, questionando os porquês do nosso pobre futebol e das pessoas que vivem em torno dele. Mas hoje o importante é destacar que o castelo de cartas começou a ruir. Parabéns ao FBI, parabéns ao Estados Unidos da América do Norte, um país que, apesar de todos os seus pesares, ainda não se deixou dominar pelo crime organizado.

E você, acha que a ação do FBI terá repercussões no Brasil?