Lucas Lima, Ricardo Oliveira, Robinho e Victor Ferraz
Ao menos o ambiente ainda está bom (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Só para concluir o caso Robinho, fico com a opinião de que o Santos não pode pagar o que ele pede e tem o direito de pedir. E se não pode pagar, não adianta comprometer ainda mais seu precário balanço financeiro. A não ser, obviamente, que surja um fato novo, como um decantado patrocinador (sim, eles existem, é só procurar bem, com bons argumentos, e saber negociar). Empréstimos bancários significam empurrar o problema para o futuro, o que no caso do Santos seria mais uma bomba-relógio. Já temos a do Leandro Damião, não podemos nos esquecer disso.

O caso Robinho escancara a Espanholização que fere o futebol brasileiro. O Flamengo tem uma dívida muito maior do que o Santos, mas tem uma receita e um crédito também muito maiores, e isso lhe dá a possibilidade de tirar os melhores jogadores de clubes mais vitoriosos do que ele. O futebol ficou em segundo plano. Quem manda é o crédito.

Apesar dos esforços da Rede Globo e dos clubes favorecidos para tentar provar o contrário, a maldita Espanholização é uma realidade, e o buraco ficará mais fundo a partir de 2016, quando os dois queridinhos, que não estão sendo campeões de nada e nem disputam a Libertadores, receberão da Rede Globo três vezes mais do que Cruzeiro e Internacional, por exemplo, os únicos brasileiros na competição sul-americana e dois dos únicos que estão garantindo os maiores espetáculos este ano.

Mas a vida de um time de futebol brasileiro, como o Santos, tem sido assim mesmo. Revela ou recupera um jogador e depois o perde para quem paga mais. Você acha que nesta hora Robinho vai se lembrar de que estava encostado no Milan e que o único clube no mundo que poderia devolver-lhe o prestígio seria o Santos? Ou se lembrará de que quase impôs a contratação de Elano, ou que era o líder dos jogadores na hora de pedir os jogos na Vila Belmiro? Pois é, agora o jogador vai embora e os prejuízos ficam para o clube pagar.

Mas, do mesmo jeito que craques vão embora, surgem outros que, às vezes, se consolidam como craques, ou ao menos se tornam muito importantes para o time. Recebo o vídeo do jogador Marquinho, um jogador de meio-campo, mas versátil, recentemente contratado do Audax. Pelas imagens, percebo que tem habilidade, joga com a bola rente aos pés, é forte e ágil. Só precisa, ao menos pelo vídeo, treinar um pouco mais o chute. Não me parece problema de força, mas de biomecânica. Ver o pé de apoio, o momento do contato com a bola… Para isso todo clube deveria ter um especialista em chutes a gol. Sugiro levar o Pepe, o Dorval, o Coutinho e o Pelé para um workshop no CT. Ailton Lira e João Paulo já quebrariam um bom galho.

De qualquer forma, esta será a realidade do Santos em 2015: montar um time com jogadores vindos da base, esquecidos pelo mercado ou em fase de decadência. Depois, terá de trabalhar muito para recuperá-los, dar-lhes confiança, torná-los dignos de vestir essa camisa de tantas glórias e tradições e, o que é essencial, com um salário modesto.

Por último, falarei do que chamo “garra administrada”. Quem viu o jogo do Santos contra o Sport e depois viu o Cruzeiro vencer o River Plate em Buenos Aires, sabe do que estou falando. Em Recife, parecia que o moroso Santos tinha assinado um contrato que não lhe permitia vencer a partida; enquanto lá no Monumental de Nuñes, mal o jogador matava a bola e já vinha um adversário se atirando aos seus pés. E correram e trombaram o tempo todo, sem que ninguém reclamasse de cansaço ao final da partida. Por que essa diferença?

Jogadores não vão dizer para nós e nem para a imprensa, mas é lógico que se esforçam, que correm mais nos jogos mais importantes, principalmente este Santos, que há anos tem sido um leão na Vila Belmiro e um gatinho fora de casa. Então, o time sabia que mesmo que perdesse no Recife ainda teria a “mágica” Vila Belmiro, com seus cinco mil pagantes, para o segundo jogo. Em casa correrão e chutarão a gol muito mais e, se der a lógica, vencerão pela diferença suficiente para passar para a próxima fase da Copa do Brasil. Mas, se não se classificarem, não será uma tragédia, pois poderão disputar a Copa Sul-americana.

Já o Cruzeiro, estava na grande competição para um time sul-americano, e contra um adversário que ele costuma vencer, mesmo em Buenos Aires e em um estádio lotado. É claro que além da importância do jogo, o comportamento dos jogadores cruzeirenses tem sido bastante positivo e solidário nos últimos anos, e por isso é o atual bicampeão brasileiro.

Veja Marquinho em ação:

Agora veja a coletiva de Marcelo Fernandes:

E você, o que acha disso tudo?