A Vila não comportou todos que quiseram ver o jogo

Milhares de pessoas não conseguiram entrar na Vila Belmiro ontem, entre elas o Iai, primo da Suzana. O jogo teve 13.481 pagantes, com renda de R$ 321.055,00. Isso nos dá a esperança de que com um estádio municipal moderno, para 30 mil pessoas, construído em uma parceria entre a Prefeitura de Santos e os clubes da cidade – Santos, Jabaquara e Portuguesa Santista -, a média de público nos jogos do Santos ultrapassaria 15 mil pessoas e acabaríamos com essa discussão sobre estádios. Enfim, o público foi bom, mas ficou provado, mais uma vez, que a Vila se torna muito pequena se o santista ouve o chamado e comparece.

Werley
Werley, ao centro, comemora o seu gol, que poderia ter sido o da vitória, se Renato, à esquerda, não tivesse errado um passe a um minuto para o final (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Um erro de passe de Renato, um dos jogadores mais experientes do Santos, acabou dando ao Sport a possibilidade de empatar a partida a 30 segundos do final do tempo de acréscimo. O primeiro gol do time pernambucano já tinha sido conquistado depois de outro erro de passe, de Lucas Lima. Este empate de 2 a 2 deixa o Santos na posição intermediária da tabela, com cinco ponto em quatro jogos. É pouco para quem quer ao menos lutar por uma vaga na Copa Libertadores.

O jogo foi equilibrado. O Santos só dominou claramente nos primeiros 15 minutos e depois de fazer o segundo gol, aos 24 minutos do segundo tempo. O Sport foi um pouco melhor na maior parte do primeiro tempo e no comecinho do segundo. Os dois gols do Santos cortam marcados com bolas centradas na área e os dois gols sofridos começaram com erros de passe: o primeiro de Lucas Lima, o segundo de Renato.

Robinho marcou a três minutos para o final do primeiro tempo, após cruzamento de Daniel Guedes. Robinho cabeceou, o goleiro espalmou, Ricardo Oliveira cabeceou no travessão e Robinho pegou o rebote de sem-pulo. Belo gol.

No início do segundo tempo o Sport achou o gol de empate após erro de passe de Lucas Lima, mas o Santos continuou querendo a vitória e o desempate veio em cabeçada de Werley, após escanteio. Quando a torcida já comemorava a vitória, Renato errou outro passe na saída da defesa para o ataque e o Sport empatou.

Este resultado faz o Santos perder dois pontos preciosos e mostram que a equipe não tem poder ofensivo para vencer mesmo equipes medianas. Os três jogadores do ataque estão atuando abaixo do que podem. Alguma coisa precisa ser feita. Pelo jeito, devemos esperar mais um Campeonato Brasileiro difícil para os santistas, a exemplo do que vem ocorrendo desde 2008.

Público na Vila – Muito bom desta vez. Provavelmente o horário influiu, pois ainda sobrou a tarde para a praia e era muito cedo para começar a beber. Mas também influiu a promoção de se cobrar apenas metade do preço do ingresso para o torcedor que fosse com a camisa do Santos. Isso mostra que o poder aquisitivo do santista é um obstáculo a bons públicos na Vila. Se o preço é menor, ele vai mais. Esse tipo de promoção poderia ser feito na maioria dos jogos. Ah, o tempo também ajudou, pois o domingo amanheceu nublado em Santos.

Postura do time – Quando joga em casa, o Santos adianta a marcação e pensa apenas na vitória. Se levasse essa mesma filosofia para os jogos no campo do adversário, sua performance no campeonato seria outra. É como se em casa os jogadores pensassem: “Aqui preciso ganhar, jogarei para ganhar”. E quando joga fora, pensasse: “Aqui um empate já está bom, e se perder a gente sempre tem uma boa desculpa”. O segredo é jogar fora como se joga em casa. Para isso, é preciso que o técnico use de muita psicologia. A tendência é o jogador e acomodar quando não tem a obrigação de vencer.

Robinho – Uma enquete do jornal A Tribuna de Santos mostra que a maioria dos leitores acha que o Santos não deve pagar mais de 300 mil reais por mês ao Robinho. Eu defendo que a voz do povo é a voz de Deus. Dependendo da situação, acho que poderia ser um pouco mais, porém não mais do que 500 mil.

Buraco no camarote ao lado do banco de reservas – O técnico Marcelo Fernandes, suspenso, valeu-se de um buraco no camarote, ao lado do banco de reservas, para passar mensagens ao assistente técnico Serginho Chulapa. É evidente que isso é errado, mas o comentarista do Premiere exagerou ao criticar toda a diretoria do Santos pelo fato. Um erro não justifica o outro, mas técnico do Palmeiras, expulso, recebia os jogadores ao lado da arquibancada para lhes dar orientações e não se fez tanto escândalo.

Atuações dos santistas
Vladimir – Não foi muito exigido. Quando foi, sofreu dois gols. 4.
Daniel Guedes – Fez o cruzamento para o primeiro gol. Não estava mal, mas deve ter sentido uma antiga contusão. Foi substituído no início do segundo tempo, por Chiquinho. 5.
Werley – O melhor da zaga. Ainda fez o segundo gol do Santos. 6.
David Braz – Escondido e sem confiança. 4.
Victor Ferraz – Menos participativo do que o habitual. Regular. 5.
Lucas Otávio – Começou inseguro, mas foi melhorando. Roubou muitas bolas, mas fez faltas por trás que poderia evitar. 6.
Renato – Falhou na marcação, no domínio da bola e no passe. 4.
Lucas Lima – Criou algumas jogadas, mas falhou no passe que gerou o primeiro gol do Sport. 5.
Geuvânio – Atrapalhou-se com a bola. Demorou demais para dar andamento a algumas jogadas. Apenas tentar não basta. Precisa ser menos errático. 4.
Ricardo Oliveira – Parece que gastou o seu futebol e oportunismo no Campeonato Paulista. Precisa voltar a jogar bem, ou sua escalação não se justificará. 4.
Robinho – Fez o primeiro gol, criou jogadas, mas perdeu a bola várias vezes. Em um grande clube europeu já teria sido substituído antes do final do primeiro tempo. 5.

Dos jogadores que entraram, Chiquinho foi o melhor. Deu mais ofensividade ao time, mas falhou na marcação no segundo gol do Sport, indo para o meio e deixando a ponta livre. 5. Gabriel correu, se esforçou, mas perdeu um gol que definiria a partida. Maldito pé direito que não serve para nada. 4. Rafael Longuine não teve tempo de mostrar nada.

Marcelo Fernandes/ Serginho Chulapa – Culpar o(s) técnico(s) em um jogo no qual os dois gols do adversário começaram com erros individuais, não dá.

E você, o que achou de Santos 2 x 2 Sport?