Nenhum presidente de clube quer ficar conhecido apenas como aquele que diminuiu substancialmente a dívida de sua agremiação. Isso tem um valor enorme, principalmente se este clube estiver em uma situação crítica como a do Santos, que deve mais de 400 milhões de reais, está perdendo o passe de Leandro Damião e não consegue criar novas formas de receita. Porém, o que coloca um presidente na história, infelizmente, são os títulos, e em busca deles os administradores do futebol prosseguem fazendo loucuras.

Ao oferecer um salário de 800 mil reais para Robinho até o final de 2019, o presidente Modesto Roma está propondo gastar o que não se tem, já que em 150 dias de sua administração nada de concreto foi realizado com relação ao patrocínio máster e à campanha de sócios, medidas óbvias para impedir a sangria financeira que debilita o clube.

A maior parte dos torcedores é contra o pagamento de tal fortuna a um jogador que já não tem mercado na Europa, mas há também quem veja na manutenção de Robinho a preservação de um resquício de grandeza que deve aumentar as chances de o Santos ao menos não ser rebaixado para a Série B, um dos últimos orgulhos que parecem restar ao santista em mais um Campeonato Brasileiro.

Pelo andar da carruagem, Modesto Roma entregará o Santos ao seu sucessor com uma dívida aproximada de 700 milhões de reais, o que deverá engessar completamente a futura gestão. Sobrará apenas a alternativa de disputar as competições com times de garotos e torcer para novos milagres típicos da Vila Belmiro.

O problema é que com a nova legislação esportiva, um time brasileiro não dependerá apenas de seu rendimento em campo. O que acaba de ocorrer com o modesto Elche, da Espanha – rebaixado por dívidas – será uma possibilidade concreta para os maiores devedores também no Brasil.

Assim, antes de esperar pelo paternalismo e pela piedade dos demagogos dirigentes do futebol, o Santos tem de tratar de aprender a andar com suas próprias pernas. E essa independência não será conseguida deixando o seu futuro nas mãos dos credores.

E para você, como o Santos deve agir para reduzir suas dívidas?