Pelas circunstâncias, este empate em 2 a 2 com o Atlético Mineiro, no Independência, depois de tomar a virada, foi o resultado mais importante do Santos neste Brasileiro. Mostrou que o time joga melhor quando também procura o ataque, que pode equilibrar partidas contra os grandes, mesmo fora de casa, e que é possível fugir ao rebaixamento, mesmo sem Robinho.

O resultado também provou que Marcelo Fernandes e Serginho são queridos pelos jogadores, ou estes não teriam se esforçado tanto por um resultado que dá uma sobrevida à dupla. Mas luta só não basta. O elenco tem carências. Há alguns jogadores sem gabarito para serem titulares do Santos e, como se sabe, sem ovos não se faz omelete.

O sistema defensivo é ruim e algo precisa ser feito com relação a isso. Não adianta encher o time de volantes. A solução óbvia é ter jogadores mais qualificados no setor – não só do ponto de vista técnico, mas intelectual e psicológico. O Santos tem cometido falhas infantis, que não devem ser creditadas apenas às deficiências técnicas.

Há outra maneira de disfarçar as deficiências defensivas, que é aprimorar o toque de bola e o sistema ofensivo, pressionando e impedindo o adversário de fustigar a defesa a todo momento – como faz o Barcelona, por exemplo, que fica tanto tempo com a bola no pé, que alivia o seu sistema defensivo.

Porém, é inegável que o Santos mostrou poder de recuperação, pois parecia entregue depois de sofrer o segundo gol, ainda no primeiro tempo. Desta vez, Gabriel e Rafael Longuine jogaram melhor; Ricardo Oliveira fez um golaço, típico de centroavante experiente que é; Geuvânio se mexeu bastante; Lucas Lima voltou a jogar bem; Vladimir fez boas defesas e o pequeno Lucas Otávio jogou por dois.

Para resumir, o Santos foi até bem do meio-campo para a frente, mas voltou a mostrar muitas falhas do meio para trás. Certamente se tivesse um sistema defensivo melhor, a equipe estaria na parte de cima da tabela, pois em cinco jogos que não ganhou, o Santos esteve na frente: 1 a 0 contra o Avaí (resultado final de 1 a 1); 1 a 0 e 2 a 1 contra o Sport (2 a 2); 2 a 1 contra a Ponte Preta (2 a 2); 2 a 1 diante do São Paulo (2 a 3) e agora vencia o Atlético Mineiro por 1 a 0 e empatou 2 a 2.

O Santos esteve muito bem até Ricardo Oliveira marcar o primeiro gol, aos 18 minutos do primeiro tempo. Deu um drible de corpo em Leonardo Silva, disparou do meio de campo até a entrada da área e bateu rasteiro, no canto direito de Victor.

Foi só marcar, entretanto, e o Alvinegro Praiano passou a ser pressionado pelo Atlético, principalmente pelas laterais. Assim, o empate surgiu aos 28 minutos, quando Thiago Ribeiro escapou pela direita e cruzou, para o gol-contra de Werley, que tentou cortar com a perna errada. Quatorze minutos depois, em nova jogada nas costas de Victor Ferraz, Datolo, livre, teve tempo de fazer o que quisesse antes de escolher o canto e desempatar a partida.

Mas o Santos não se entregou e aos 9 minutos da segunda etapa, após boa jogada pela esquerda, Victor Ferraz passou para Gabriel bater no contra-pé de Victor e empatar a partida. Na metade do segundo tempo, Marcelo Fernandes substituiu um atacante (Gabriel) por um volante (Leandrinho) e repetiu a opção aos 43 minutos, tirando Geuvânio e colocando Thiago Maia.

Perto do final, no maior erro da arbitragem de Wilton Pereira Sampaio, foi marcado impedimento de Rafael Longuine, que tinha posição legal e poderia ter desempatado a partida, o que seria um resultado dos céus. De qualquer forma, no todo, a arbitragem foi boa.

A necessidade de somar ao menos um ponto fez do Santos um time mais valente, que ao menos tentou jogar futebol. Em várias oportunidades ele avançou a marcação e mostrou que não tinha ido a Minas apenas para segurar o 0 a 0. Se mantiver essa postura no clássico contra o Corinthians, poderá obter uma vitória importantíssima.

Atuações dos santistas

Vladimir – Boas e importantes defesas. Desta vez, segurou o resultado. Não teve culpa nos gols. 7.
Daniel Guedes – Sem energia, parecia adoentado. Mal atacou e defendeu. 4.
Werley – Inseguro, fez um gol-contra. 4.
Gustavo Henrique – Inseguro, lento, cometeu falta infantil por trás que quase deu o gol da vitória ao Atlético. Depois, envolveu-se em outro lance que quase provoca sua expulsão. 4.
Victor Ferraz – Defendeu mal, atacou bem. 5.
Elano – Sentiu contusão logo no início do jogo. Sem nota.
Lucas Otávio – Marcou por dois. Brigou muito. 6.
Lucas Lima – Controlou bem a bola, criou boas jogadas pelos cantos do campo. 7.
Geuvânio – Correu, lutou, criou jogadas. 5,5.
Ricardo Oliveira – Fez um belo gol, mas depois, sem ter com quem jogar, foi sumindo. 6,5.
Gabriel – Sem ser brilhante, fez boa partida. 6.
Marcelo Fernandes – Fez o time jogar um pouco mais para a frente, algumas vezes marcando a saída de bola do adversário, como deveria fazer sempre, mas ainda não consertou a defesa. No final, abdicou da busca dos três pontos e tentou apenas fechar o meio-campo.6,5.
Dos jogadores que entraram, Rafael Longuine participou mais do jogo. Precisa criar coragem para bater mais a gol. 5. Thiago Maia jogou pouco, mas não errou passes e mostrou personalidade. 5. Leandrinho sabe jogar, mas ficou meio perdido, sem marcar ninguém em particular. Precisa se ligar mais no jogo. 4.

Atlético/MG 2 x 2 Santos
10/06/2015, 19h30, estádio Independência/ BH
Público pagante: 10.536 pessoas. Renda: R$ 346.240,00.
Atlético/MG: Victor, Patric, Leonardo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Rafael Carioca, Dátolo e Giovanni Augusto (Guilherme); Carlos, Thiago Ribeiro e Lucas Pratto (Jô). Técnico: Levir Culpi.
Santos: Vladimir, Daniel Guedes, Werley, Gustavo Henrique, Victor Ferraz; Lucas Otávio, Elano (Rafael Longuine), Lucas Lima; Geuvânio (Thiago Maia), Ricardo Oliveira e Gabriel (Leandrinho). Técnico: Marcelo Fernandes.
Gols: Ricardo Oliveira aos 18, Werley (contra) aos 28 e Dátolo aos 42 minutos do primeiro tempo; Gabriel aos 9 minutos do segundo.
Arbitragem: Wilton Pereira Sampaio (GO), auxiliado por Dibert Pedrosa Moises (RJ) e Victor Hugo Imazu dos Santos (PR).
Cartões amarelos: Guilherme (Atlético/MG); Lucas Lima, Werley e Gustavo Henrique (Santos).


Não entendo tanto de futebol como imagino, mas Suzana Silva sabe tudo de tênis. Aqui ela conversa com o jornalista José Nilton Dalcin, editor do site TenisBrasil, sobre a esquerda mortal do tenista suíço Stanislas Wawrinka. Clique aqui, assista com atenção e tente copiar a esquerda de Wawrinka no seu próximo treino.

E você, o que achou de Atlético/MG 2 x 2 Santos?