O último jogo entre os dois, no Itaquerão, foi assim.


Ricardo Oliveira: “Vamos para fazer um grande jogo e vencer”.

Hoje é dia de jogo decisivo contra o maior rival e no campo deste. Natural que muitos santistas fiquem nervosos. Mas os jogadores têm de estar apenas motivados, sem qualquer temor. O medo prende as pernas, os músculos, e diminui o rendimento. Um atleta precisa gostar desses momentos definitivos, que definem o grande jogador.

Nos dois anos em que convivi com o preparador físico Nuno Cobra, como ghost writer do livro “Semente da Vitória”, que se tornaria o maior best seller na história dos livros sobre esporte no Brasil, ouvi dele muitos conceitos interessantes. Sobre o medo antes de uma competição, Nuno dizia: “O atleta só deve ter medo de sentir medo”.

Sim, porque, como eu disse, o medo trava, ele impede que você desenvolva todo o seu potencial. A melhor atitude é a da alegria e da motivação por estar vivendo momento tão especial. Nesse particular, o tenista Jimmy Connors era um exemplo. Ele adorava ganhar, mas também adorava competir. É este o sentimento que o jogador do Santos deve levar a campo esta noite, no estádio do Corinthians.

Lembro-me até hoje quando, finalmente, depois de uma viagem exaustiva e cheia de escalas, pousei minha mala no quarto do hotel Hollyday Inn de San Juan de Porto Rico e me deparei, além da enorme janela, com um pedaço de mar em que lanchas desfilavam e esquiadores compunham com o céu azul do fim de tarde. Uma visão linda e acolhedora. Estar ali era o momento mais importante daquele meu início de profissão, e me dediquei com tanto afinco à cobertura dos Jogos Pan-americanos que, ao lado do amigo Castilho de Andrade, conquistamos o Prêmio Esso de 1979 com aquele trabalho. Espero que os santistas tenham a mesma sensação, hoje, quando pisarem na moderna arena do adversário. A sensação de estarem participando de algo importante, que vai lhes exigir o máximo do físico e da mente.

O resultado obtido na Vila Belmiro dá muitas opções ao Santos hoje. Pode até perder por um gol de diferença, resultado que seria normal em outra circunstância. Porém, será um jogo atípico, em que o adversário terá de ter energia para abrir e manter uma boa vantagem, mas, ao mesmo tempo, o confronto poderá ser definido com um ou mais gols santistas. Enfim, será um duelo daqueles que deixarão minha mão gelada. Nessas horas eu entendo perfeitamente quando um jogador diz que é bem melhor jogar do que ficar torcendo do lado de fora.

Técnica, garra e tranqüilidade

Hoje, como sempre, é importante evitar os erros bobos, as falhas que dão vantagens gratuitas ao adversário. Também é essencial lutar pela posse da bola, ocupar cada espaço do gramado, dificultar a armação de jogadas do oponente. Porém, é preciso se empenhar fisicamente sem perder a serenidade psicológica. Hoje o santista não pode importunar o árbitro e nem revidar as possíveis entradas desleais do adversário. Pior do que sofrer um gol é ter um jogador expulso, pois isso desequilibraria as forças.

É preciso, também, ter humildade para marcar bem os principais jogadores do alvinegro paulistano. Elias, Renato Augusto e Vagner Love precisam de atenção redobrada. Por outro lado, quando tiver a bola, o Santos deve ser o que tem sido: um time com volúpia de gol, motivado para penetrar na meta adversária. Com espaço para os contra-ataques, Gabriel, Geuvânio e Ricardo Oliveira, apoiados por Lucas Lima, devem ter mais de uma oportunidade. Basta caprichar na hora da conclusão.

Caso se mantenha determinado, porém tranqüilo, o Santos poderá se aproveitar das muitas circunstâncias que lhes serão oferecidas. O adversário, por sua vez, passará o tempo todo sobressaltado com a possibilidade de sofrer um gol, o que tornaria sua missão ainda mais difícil. Assim, é um jogo para a experiência de Ricardo Oliveira, para a criatividade de Geuvânio e a fome de gol de Gabriel. É também um jogo para a versatilidade de Lucas Lima, para as avançadas de Victor Ferraz e, quem sabe, para mais um gol surpreendente do garoto Thiago Maia, ou mesmo do veterano Renato. Ou ainda, em uma bola parada, do zagueiro David Braz.

Não acredito que a arbitragem entrará com a intenção de ajudar o time da casa e também não creio que a grama da defesa do Santos será mais molhada do que a do resto do campo. Porém, estamos no Brasil, terra da corrupção. Não custa nada ficar esperto.

A história é cíclica

Em 17 de novembro se comemorará 80 anos do primeiro título paulista do Santos. Naquele dia, em 1935, o Alvinegro Praiano fez um jogo decisivo no Parque São Jorge e, contra os prognósticos da crônica esportiva paulistana, saiu com a vitória por 2 a 0, gols de Raul no primeiro tempo e Araken no segundo. Uma vitória épica, contra um adversário poderoso e no campo deste. As duas equipes podiam ser campeãs. As circunstâncias favoreciam o rival, que jogava em casa, mas o Santos queria muito aquele título e não teve medo de conquistá-lo.

Um dos motivos que me faz gostar da história, é que ela se repete. Conhecer o passado é, em parte, adivinhar o futuro. Penso no jogo de hoje como os santistas devem ter pensado no enorme desafio de quase 80 anos atrás. Com a diferença de que hoje sabemos que para o Santos façanhas assim não são nenhuma novidade. O time acabou escrevendo uma história de coragem, determinação e sucesso, independentemente do estádio em que atue.

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E você, o que espera de Corinthians e Santos no Itaquerão?