No Sub-20, Santos elimina Palmeiras
Com dois gols de Rafael Oller e com o goleiro John defendendo um pênalti quando o jogo estava 1 a 1, o Santos venceu o Palmeiras por 4 a 1, na tarde desse sábado, no CT Rei Pelé, e se classificou para a semifinal do Campeonato Paulista Sub-20. O jogo foi dramático, pois o Santos havia perdido a primeira partida por 1 a 0 e precisava da vitória. Entretanto, no CT Rei Pelé, foi o Palmeiras que saiu na frente. O Santos empatou, o Palmeiras teve um pênalti que John defendeu e nos últimos sete minutos de partida, incluindo os acréscimos, os garotos santistas marcaram três gols, definindo a classificação. Agora, na semifinal, o Santos enfrentará o Red Bull.

Santos e Palmeiras têm sido os grandes protagonistas do futebol brasileiro em 2015. Este ano já decidiram o Estadual mais conceituado do País, disputam uma vaga no G4 do morno Campeonato Brasileiro e farão o grande duelo pelo título da efervescente Copa do Brasil. Para completar, o Santos tem o artilheiro Ricardo Oliveira e o meia Lucas Lima, dois titulares na Seleção que disputa vaga para a Copa do Mundo, e o Palmeiras tem a melhor e mais rentável arena do nosso futebol. Com tudo isso, porém, são marginalizados pelo status quo do futebol nacional, formado pela dinheirista e imediatista Rede Globo, os políticos populistas e os dirigentes incompetentes e interesseiros que comandam o esporte.

Estão à margem porque a Rede Globo cismou que tem de dividir sua cota de tevê, a maior verba que os clubes recebem, pela quantidade de torcedores de cada time e não pela qualidade, importância histórica e, principalmente, pelo desempenho desses times, adotando uma fórmula estática, retrógrada e protecionista que há muito caiu em desuso nos principais mercados do futebol e está sendo modificada até mesmo na Espanha, exemplo dos prejuízos que as desigualdades por decreto podem provocar no esporte.

Um país que se atreve a sediar uma Olimpíada deveria saber que o espírito do esporte competitivo é a disputa limpa, justa, e que o espírito dessa competição é o mérito. Um sistema que não se baseia no mérito esportivo tende a naufragar – como tem naufragado o futebol brasileiro desde que a Rede Globo intensificou a sua odiosa política de privilégios a dois clubes e decretou aos demais uma eterna coadjuvância. Nem as muitas arenas modernas e, em alguns casos, desnecessárias, deram jeito. O público médio nos estádios é pequeno e o torcedor já não se interessa tanto por um futebol de cartas marcadas, em que só dois clubes têm certeza de que estarão cada vez mais ricos, perdendo ou ganhando no único lugar que deveria importar, que é o campo de jogo.

O Campeonato Brasileiro pode ser mais importante, no papel, mas são os dois jogos finais da Copa do Brasil, entre Santos e Palmeiras, que colocarão em campo todo o mundo de emoções, agonias e arrebatamentos do futebol – momentos que farão o brasileiro se sentir novamente no país que domina esse esporte. Mesmo assim, porém, santistas e palmeirenses, repito, protagonistas do futebol nacional em 2015, continuarão sendo tratados com desdém pela Rede Globo.

Na Europa, o Barcelona já está negociando transmissões exclusivas de seus jogos pelo Youtube, em um passo revolucionário que colocará a tevê em segundo plano. Aqui, salvaguardada pelo protecionismo oficial, a Globo quer assinar um contrato mais barato com os clubes até 2020, mas não abre mão de continuar privilegiando seus dois queridinhos, insistindo em desequilibrar, pelo dinheiro, um jogo que deveria ser resolvido no campo.

Chega! Se querem continuar sendo tratados com privilégios, como se não dependessem de seus concorrentes, que o alvinegro da capital e o rubro-negro carioca joguem um campeonato apenas entre eles, em um infindável desafio no qual o futebol será o menos importante. Todos os outros clubes grandes, e médios, deveriam se unir e seguir em direção a um futebol brasileiro mais limpo, mais justo, baseado na meritocracia. Que as vantagens econômicas advenham do trabalho de cada clube, mas não dos desígnios da tevê ou dos governantes.

Leio que para o clássico de amanhã, às 17 horas, na Vila Belmiro, na disputa com o Palmeiras por uma vaga no G4 do Brasileiro, o Santos terá o patrocínio da empresa de bebidas Guaraviton. Muito bem. É o que se pode conseguir, enquanto os clubes privilegiados, apesar da situação insolvente do Brasil, são agraciados com patrocínios milionários de estatais.

Espero que, além de mostrar em campo um futebol de encher os olhos, Santos e Palmeiras se unam fora dele para, ao lado de São Paulo, Cruzeiro, Fluminense, Internacional, Botafogo, Bahia e outros grandes clubes brasileiros, comandarem um movimento que devolva ao nosso futebol a credibilidade e a alegria, agindo para que, antes de tudo, a distribuição das cotas de tevê sejam mais equilibradas e levem em conta a sagrada meritocracia. Só quem joga melhor deveria ganhar mais.

Agora, veja a entrevista de Thiago Maia – que começa meio sem graça, bem repetitiva, mas fica muito boa do meio para a frente:

E você, não acha que chegou a hora da virada?