Parece que o técnico Dorival Junior e os jogadores do Santos conseguiram tirar um grande peso das costas. Isso de jogar a final da Copa do Brasil e ainda ter grandes chances de ficar no G4 dá muito trabalho. Agora, com a genial ideia de escalar um time reserva contra o fraco Coritiba, e perder por 1 a 0 um jogo que parecia um rachão no CT, pois não tinha público, a equipe parece que finalmente vai se focar totalmente na decisão da Copa do Brasil.

Antes de começar a partida, meu irmão, Marcos, me ligou: “Vai escalar um time reserva, mesmo, com Leandrinho, Serginho, Nilson…”. Constatamos, ali, que a idéia de Dorival não era ganhar a partida e manter as chances de o Santos garantir a vaga na Copa Libertadores com um lugar no G4. Nenhum time que quer ganhar escala esses jogadores.

Além de a partida ter sido disputada com portões fechados, o Coritiba só não tem pior rendimento, jogando em casa, do que Joinville e Vasco. Ou seja, costuma perder a maioria dos jogos em seu estádio. Isso, com torcida. Sem torcida, então, seria sopa no mel. Mas Dorival disse que conversou com os jogadores e os titulares resolveram se poupar para quarta-feira.

Dos titulares, o técnico só escalou Vanderlei, Lucas Lima e Victor Ferraz. Mas se era para poupar, não entendi porque colocou, em um campo pesado, justo um jogador que está voltando de longa contusão e outro que é leve, toma muita porrada e é a alma do time. Mesmo descansando tanta gente, o Santos correu o risco de perder Lucas Lima, que sofreu faltas violentas, e Victor Ferraz, que sem dúvida ainda é o melhor lateral-direito da equipe.

Dorival foi mal


Comentário de Fausto Favara, da Rádio Jovem Pan.

Em uma entrevista há cerca de duas semanas, diante de muitos elogios dos jornalistas, Dorival Junior, humildemente, retrucou dizendo que ainda tinha muito o que aprender. Nessa reta final de Campeonato Brasileiro, em está jogando fora a possibilidade de o Santos garantir uma vaga no G4, e ainda ganhar um bom dinheiro por isso, estamos constatando que ele tem razão: realmente, precisa aprender muito para ser considerado um técnico de ponta, desses que sabem armar e motivar time, além de mexer no time com sabedoria e fazer as alterações mais inteligentes.

Contra o Coritiba, Dorival escalou mal e substituiu pior. Rafael Longuine, Diego Cardoso, Stefano Yuri, eu, qualquer um seria um centroavante mais perigoso do que Nilton, que passou os noventa e poucos minutos sem dar um único chute a gol (na verdade, empurrou uma bola que bateu na trave, no finzinho). Aliás, o único que arrematou foi Neto Berola, três vezes. Parece até que havia uma ordem para não chutar a gol. E olhe que o Santos teve cerca de 70% de posse de bola no primeiro tempo. Só tocou, tocou, tocou, mas não teve a mínima vontade de marcar.

Ao final do primeiro tempo, ouvi a entrevista de Henrique, atacante do Coritiba, e percebi que o rapaz queria ganhar o jogo. Pensei comigo: “Esse cara ainda vai incomodar o Vanderlei”. Não deu outra. Foi só o Coritiba apertar um pouco, no início do segundo tempo, e começou a criar chances. Em uma delas, Henrique driblou Werley como quem tira o doce de uma criança e tocou para fazer o gol da vitória do Coxa. Ainda faltava uma eternidade para o jogo acabar, mas, como santista antigo, eu já sabia que aquele seria o gol da vitória.

Alguém poderá concordar com o técnico Dorival Junior e achar que o Santos tem mesmo que se concentrar no jogo de quarta-feira. Okay. Talvez tenha razão. Mas será que era preciso poupar todo o time titular? O que estava em jogo não era pouco. Se entrasse com mais titulares e ganhasse a partida, o Santos definiria sua vaga no G4 contra o Vasco, em São Januário, em jogo tenso, mas contra um adversário tecnicamente medíocre.

Digo decidiria em São Januário porque na última rodada pegará o Atlético Paranaense – que não quer mais nada na vida – na Vila Belmiro. Como o Santos perdeu do limitadíssimo Coxa, provavelmente sua única chance de disputar a Libertadores em 2016 virá da Copa do Brasil, em decisão que será no campo do adversário. Qual são as possibilidades de que o Santos seja um leão, ou um garfield, no Alianz Parque? Não é menos difícil fazer um jogo decisivo contra o Vasco, do que contra o Palmeiras?

Bem, talvez eu esteja errado e esse cômodo consenso entre Dorival e os jogadores tenha sido melhor para o Santos, que, com todos os titulares, poderá conseguir uma grande vitória na quarta-feira. Torcerei por isso, claro. Não quero repetir o chavão das torcidas organizadas, mas, diante da maneira indolente, negligente e indigente que o time se apresentou nas últimas partidas, buscar essa vaga para a Libertadores suando sangue na Copa do Brasil passou a ser uma obrigação. Se depois de ver tantos cavalos, burros, asnos e zebras passarem encilhados, será desanimador não assistir ao nosso Glorioso Alvinegro Praiano na Libertadores de 2016.

Abdicar de uma vitória que deixaria o time bem perto de uma vaga na Libertadores, escalando jogadores com sérias deficiências técnicas, táticas, físicas e/ou psicológicas, como Leandrinho, Nilson, Serginho, Léo Cittadini, Werley, Paulo Ricardo e Chiquinho, sem contar Ledesma e Geuvânio, ambos fora de forma, foi uma das piores decisões de um técnico do Santos.

Não gosto do “se”, mas nessa hora é impossível não se lembrar que caso o time jogasse com vontade e força máxima contra o Flamengo, na Vila, e contra o Coritiba, nesse domingo, e vencesse os dois jogos, como seria a lógica, estaria quatro pontos à frente do São Paulo e do Inter, e poderia até perder para o Vasco que ainda assim definiria a vaga para Libertadores com o Atlético Paranaense, na Vila. O título da Copa do Brasil, como diz nosso pastor Ricardo Oliveira, seria apenas um “plus a mais”.

Um jogo de 6 a 1, com a presença do alvinegro de Itaquera, sempre é bom ver de novo. Então, vamos ver dois de uma vez:

Você acha Dorival fez bem de escalar o time reserva contra o Coritiba?