Viu o anúncio aí de cima?! Camisa retrô do Pelé, só nessa black friday, de R$ 200 por R$ 99! Vai perder esse gol de placa?

Confira, no gráfico produzido pela Pluri Stochos, que o Brasil só tem sete times de futebol com torcidas nacionais: Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Fluminense e Vasco:
pesquisa Pluri-Stochos de regioes

Como previmos, o confronto decisivo da Copa do Brasil, entre Santos e Palmeiras, baterá todos os recordes de audiência do futebol na televisão brasileira em 2015. O primeiro jogo já deu 26 pontos em São Paulo, o principal mercado do País. A partida final, na próxima quarta-feira, deverá se acercar dos 30 pontos. Isso tem uma explicação lógica.

Em primeiro lugar, decisão de campeonato sempre dá mais audiência do que jogo de meio da tabela. E depois, porque Santos e Palmeiras fazem parte do seleto grupo de times que têm torcedores em todas as regiões do Brasil, principalmente nos mercados mais ricos do País, que são a Capital e o Interior do Estado de São Paulo.

O gráfico acima, de uma pesquisa da Pluri Stochos que dimensionou as maiores torcidas brasileiras nas cinco regiões do Brasil, mostra que poucos clubes são realmente nacionais, com torcedores em todo o País, e o Santos está entre eles.

Percebem-se algumas marcantes presenças regionais, como Cruzeiro e Atlético Mineiro no Sudeste, Grêmio e Internacional no Sul, mas os clubes nacionais continuam sendo os grandes de São Paulo, em primeiro lugar, e os do Rio de Janeiro, em segundo.

Com exceção do Flamengo, os outros três grandes cariocas perdem terreno para os grandes paulistas. Perceba que o Vasco tem menos torcedores do que o Santos no Sudeste e no Sul, justamente nas duas regiões de maior poder aquisitivo no mercado nacional, que, juntas, somam mais da metade da população brasileira.

Portanto, fica evidente, mais uma vez, a irrealidade dessa divisão de cotas estabelecida pela Globo, que designa ao alvinegro carioca 20 milhões de reais a mais, por ano, do que ao Santos. Sem contar o aspecto técnico, pois nos últimos anos o Santos tem sido campeão regularmente – com nove títulos nos últimos dez anos – enquanto o cruzmaltino já caiu duas vezes para a Série B nesse mesmo período.

Porém, o que se quer com esse post não é pedir uma cota maior para o Santos, nem menosprezar qualquer outro clube. Apenas lembrar, mais uma vez, que:

1 – Não é apenas a quantidade de torcedores de um time que garante as maiores audiências;

2 – A divisão de cotas pagas pela Globo é movida por interesses políticos, e não pelas leis de mercado;

3 – A filosofia correta para impulsionar o futebol brasileiro é fortalecer a competitividade entre os clubes e não criar uma reserva de prosperidade a dois privilegiados;

4 – Que sem adotar a meritocracia para a divisão de suas cotas, que é o dinheiro mais importante recebido pelos clubes, a tevê estará disseminando a desmotivação entre os clubes e a falta de credibilidade entre os torcedores, contribuindo para a perda da competitividade e a decadência do nosso futebol;

5 – Que o ideal é adotar a fórmula de distribuição de cotas de Alemanha e Inglaterra, com uma parte dividida igualitariamente entre os clubes da Série A, uma segunda parte distribuída segundo a classificação dos clubes no campeonato e uma terceira repartida segundo os índices médios de audiência na tevê. Só assim os que derem mais espetáculo serão premiados e será garantida a sagrada alternância de forças entre os concorrentes.

Para você, o que significa esse Ibope da final da Copa do Brasil?