Pelo jogo, o empate até que foi bom

O Santos teve mais a bola, mas não foi eficiente e não mereceu a vitória. Mesmo muito defensivo, o São Bernardo marcou aos 10 minutos, com o zagueiro Luciano Castán, e ainda teve outras boas oportunidades. O gol de empate santista só veio aos 36 minutos do segundo tempo, com Gabriel, de cabeça, após receber passe medido de Lucas Lima.

Dos estreantes do Santos, Joel mostrou mais disposição. Lucas Veríssimo cansou de dar furadas e Paulinho mal pegou na bola. Dos outros, a maior decepção foi Ricardo Oliveira, flagrado em uns dez impedimentos e sem nenhum chute a gol. Gustavo Henrique também deu umas pisadas na bola. Ninguém foi muito bem, mas ao menos Victor Ferraz, Lucas Lima e Serginho trocaram bons passes. Sem contar Gabriel, claro, o autor do gol.

É óbvio que se fosse no Pacaembu daria umas 30 mil pessoas, mas, para a Vila Belmiro, o público não foi mal. 9.341 torcedores foram ao Urbano Caldeira.

Na quarta-feira o Santos joga contra a Ponte Preta, em Campinas. Se repetir o futebol sem inspiração mostrado diante do São Bernardo, voltará para casa com sua primeira derrota nesse Campeonato Paulista.

Parcialidade no futebol depõe contra imagem da Globo

Nos últimos seis campeonatos paulistas, o Santos ganhou quatro e foi vice em dois. E nas últimas 10 edições foi campeão de seis e vice em três. Enfim, como se costuma dizer, é o time a ser batido no Estadual. O São Paulo não ganha um título paulista há mais de dez anos, o alvinegro de Itaquera está esfacelado e o Palmeiras tem um belo estádio, mas nenhum craque.

O melhor jogador em atividade no Brasil é Lucas Lima, o grande artilheiro do País é Ricardo Oliveira e a maior revelação tem sido Gabriel, o Gabigol. Quando se fala de futebol paulista, então, não há nem como se comparar. Nenhum outro time tem tantas atrações individuais como o Santos.

As maiores audiências da tevê no Campeonato Paulista do ano passado foram obtidas nas finais entre Santos e Palmeiras. Aliás, esse confronto também representou o maior Ibope do ano, na decisão da Copa do Brasil.

Enfim, em qualquer país do mundo com uma tevê preocupada em valorizar o esporte, em seguir ao menos os preceitos básicos da meritocracia que é a alma do esporte, a estréia do Santos, neste sábado, às 17 horas, seria transmitida ao vivo. Em vez disso, como já anunciou que não renovará com a Globo e assinará com o Esporte Interativo, o Santos está sendo duramente boicotado e só terá um jogo transmitido na fase inicial do campeonato.

Se houvesse uma justificativa técnica ou comercial, além da retaliação pura e simples, ainda se poderia entender. Mas é apenas mais um ato para prejudicar o Alvinegro Praiano, ao mesmo tempo em que continua bajulando o time do ex-presidente, hoje investigado em mais uma elogiosa ação da Polícia Federal.

Só o fato de insistir para que os jogos noturnos sejam realizados às 22 horas, prejudicando todos os profissionais envolvidos no futebol, além de milhões de torcedores, já mostra o caráter egoísta e indiferente da Globo. Felizmente o assunto já está chegando à Fifa, e o simpático Jérome Champagne, que conheci em alguns encontros em Brasília, prometeu fazer de tudo para mudar isso caso seja eleito para presidente da entidade, que, felizmente, também está sendo passada a limpo.

Essa parcialidade da direção do futebol da Globo, obviamente subordinado ao departamento comercial da emissora, depõe contra a imagem dessa poderosa empresa de comunicação, que, diga-se de passagem, já não é tão poderosa e jamais foi simpática.

Nessa hora, é impossível deixar de lembrar da maneira meteórica como a Globo surgiu e superou, do dia para a noite, emissoras bem mais bem-sucedidas e estáveis, como as TVs Record, Excelsior e Tupi. Impossível também não se recordar de como a emissora manipula as informações para favorecer seus parceiros e prejudicar os demais.

O Santos é apenas um time de futebol, mas ainda é aquele que mais fez pelo Brasil. Tem um currículo invejável e continua sendo uma atração onde atue. Nos últimos 12 anos ganhou 11 títulos e foi vice em outros quatro. Revelou Neymar, o melhor brasileiro em atividade. Mas nem é preciso dizer dos jogadores que revelou. Se alguém quiser medir sua popularidade, veja que time a Escola Grande Rio escolheu para homenagear neste Carnaval. Ter tido Pelé por 19 anos significa alguma coisa? Deveria significar para quem ama o futebol. Nem vou dizer que jamais foi rebaixado, pois isso é uma obrigação para um time realmente grande.

Só sei dizer que o Santos já tem 103 anos e não se tornou o melhor do mundo do dia para a noite, ou na calada desta. Penou, batalhou, insistiu, até poder mostrar sua arte em todos os continentes, para todos os povos e todas as línguas. O que alguns tentam conseguir, em vão, com conchavos, acordos financeiros e uma interminável parafernália eletrônica, o Santos conseguiu e voltará a conseguir apenas com talento, beleza e paixão.

Campeão estréia contra o São Bernardo, na Vila

Lucas Veríssimo na zaga e Paulinho no ataque são as novidades do Santos para sua estréia no Campeonato Paulista, neste sábado, às 17 horas, na Vila Belmiro, diante do São Bernardo. Dorival Junior deve escalar o time com Vanderlei, Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato e Lucas Lima; Paulinho, Gabriel e Ricardo Oliveira.

Era um jogo para o Pacaembu, até porque não há outro jogo de time grande na Capital e o Corpo de Bombeiros não colocaria obstáculo. Mas nem vou falar sobre isso hoje. Vamos pro jogo! E terça-feira espero todos no encontro de sexto aniversário deste blog. Confirme presença pelo e-mail blogdoodir@blogdoodir.com.br

Programa “Santos Meu Amor”, na Rádio Estilo de Jogo
Meu amigo Luiz Carlos Almeida criou um programa de rádio pela Internet que fala do Santos.
Clique aqui para ouvir o programa “Santos Meu Amor”

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