Um Santos aplicado, determinado, mordido e mordedor jogou em Campinas os seus melhores 45 minutos fora de casa desde a vitória sobre o alvinegro de Itaquera pela Copa do Brasil. Não esperou a Ponte Preta. Foi para cima, não fugiu das divididas e, merecidamente, terminou a primeira etapa vencendo por 2 a 0 – gols de Ricardo Oliveira aos nove minutos, em ótimo passe de Gabriel, e de Gabriel, cobrando pênalti, aos 37 minutos.

No segundo tempo, mesmo um tanto cansado e pressionado pelo adversário, o Alvinegro Praiano soube tocar a bola e ainda criar alguma coisa no ataque, como uma bola no travessão chutada por Paulinho. Enfim, uma vitória justa, que acaba com a sina de não vencer a Ponte Preta em Campinas e mostra que o Santos pode jogar, fora de casa, tão bem como na Vila Belmiro. Basta ter atitude, pois futebol o time tem.

A vontade e a aplicação do Santos tornou o jogo fácil. Mesmo desfalcada de alguns de seus bons jogadores da temporada passada, a Ponte lutou e chegou a dominar a partida em alguns momentos. Pressionados por terem perdido na primeira rodada do Paulista, os ponte-pretanos exageraram na garra e cometeram faltas em demasia – nem todas assinaladas pelo árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, que, apesar disso, fez boa arbitragem.

No Santos, os destaques foram o goleiro Vanderlei, o lateral Victor Ferraz, o zagueiro Gustavo Henrique, o volante Thiago Maia, o meia Lucas Lima e o atacante Gabriel – que, segundo o comentarista Neto, ainda será um dos melhores jogadores do mundo. Ricardo Oliveira também melhorou muito com relação ao primeiro jogo. Mas o time todo jogou razoavelmente bem.

Mesmo Lucas Veríssimo e Paulinho desta vez se saíram melhor. Alison entrou no lugar de Thiago Maia e deu conta do recado. Patito entrou no lugar de Paulinho e ao menos desafogou o time pela esquerda. Mas a boa surpresa foi Victor Bueno, que entrou no finalzinho do jogo, no lugar de Gabriel. Às vezes o garoto parecia se enrolar com a bola, mas sempre acabava com ela. Esse Victor Bueno e elegante para jogar e tem a tranqüilidade e a sorte dos craques. Oxalá seja um!

Certamente alguns dirão que o Santos ganhou bem porque a Ponte está fraca este ano. Não é verdade. A gente sabe que fora de casa o Santos estava perdendo para qualquer um. A vitória veio por mérito. Não se pode esquecer que a Ponte é um time de Série A do Brasileiro, que no ano passado terminou em 11º lugar, à frente dos três representantes cariocas, e no Paulista só foi eliminada por um erro de arbitragem no Itaquerão.

O público não foi bom. Apenas 7.004 torcedores, dos quais cerca de 2.000 santistas, com renda de R$ 100.535,00. A torcida da Ponte anda enfurecida com a equipe. Em campo, ao menos seus jogadores lutaram. Fora dele, porém, parece que o clube de Campinas apelou para velhos e reprováveis recursos para tirar vantagem de jogar em seu estádio.

Em uma noite quente e abafada, com temperatura de 26 graus, os vestiários do Santos não tinham ar condicionado e nem água, o que obrigou o time a passar o intervalo em campo. Mesmo após a partida os jogadores tiveram de viajar para Santos sem tomar banho. Isso é desumano. Se foi intencional, não pode passar em branco. Não é só um desrespeito ao adversário, mas uma afronta ao decantado fair play, muito falado, mas pouco praticado.

O Santos jogou com Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Lucas Veríssimo e Zeca; Renato, Thiago Maia (Alison) e Lucas Lima; Paulinho (Patito Rodríguez), Gabriel Barbosa (Victor Bueno) e Ricardo Oliveira. O próximo compromisso do time é sábado, às 11 horas, contra o Ituano, na Vila Belmiro.

E você, o que achou do Santos em Campinas?