Duas palavras a Robinho pela sua contratação pelo Atlético Mineiro: Seja feliz!

As amputações da Globo


Ouça a gravação até o fim (há um trecho em branco).

Cena 1: Durante a transmissão de Valencia e Barcelona ficamos sabendo que aquele horário inusitado foi escolhido pelos clubes para que o jogo pudesse ser visto na Ásia. Calculavam que um público de 60 milhões de pessoas, em todo o mundo, acompanhava a partida.

Cena 2: A Rede Globo, que impôs o futebol noturno para o horário impraticável das 22 horas, ou seja, apenas depois da novela, corta o início do desfile das escolas de samba do Rio para que a transmissão caiba em sua grade. Azar da Vila Isabel e das escolas amputadas.

Comprar os direitos de transmissão de um evento tão tradicional como o desfile nas escolas de samba, dá à emissora o direito de descaracterizá-lo, transmitindo apenas o que se quer? Será que o desfile todo tem de estar sujeito aos interesses do departamento comercial da Globo?

E se a Globo é a dona do espetáculo, será que ela não influi na ordem e nos horários dos desfiles das escolas? Se, por exemplo, a Mangueira fosse a primeira a desfilar, também teria sua transmissão amputada?

Ficou evidente, ainda, a má vontade com a Grande Rio, que homenageava a cidade e o time do Santos. É claro que a ordem era para dar menos tempo e menos elogios para o clube que já tinha anunciado que assinará com o Esporte Interativo, fazendo um belo furo no dique que a emissora carioca imaginava intransponível.

A obsessão da Globo por interferir nos eventos pelos quais paga para transmitir é antiga. Lembro-me do grande mal estar que provocou sua decisão de transferir a tradicional corrida de São Silvestre, que encerrava o ano de São Paulo, do horário do réveillon para o meio da tarde, o que mudou a programação dos atletas e do público, tirou todo o charme da prova, mas garantiu à Globo mostrar o foguetório das praias cariocas.

Sem encontrar limites para sua ingerência, hoje a Globo tenta criar uma geopolítica própria no futebol brasileiro, definindo os clubes que devem ser ricos e os que viverão na eterna coadjuvância. E os que não rezam a sua cartilha, como o Santos, são punidos com o ostracismo. Bem, ao menos é o que ela quer. Na prática, hoje o maior poder de divulgação passou das tevês para a Internet. A tevê tradicional está com os dias contados, felizmente.

De qualquer forma, manipular os eventos, amputá-los, para que caibam em sua programação, só pode ser possível para a Globo por ela estar instalada em um país com leis flexíveis, em que uma empresa que domine a comunicação tem o direito de fazer o que quer, sem dar satisfações a ninguém.

Vai somando: mais dois pontos. Já são quatro em três jogos!

Enquanto isso, no Rio:

E você, o que acha disso?