Eu imaginava que poderia ser uma vitória de três gols ou mais. Sabia que neste clássico, e na Vila Belmiro, o Santos renderia bem. A equipe não teve pontos reconhecidamente fracos, se bem que Lucas Veríssimo, Serginho e Gabriel pudessem ter jogado um pouquinho melhor. Por outro lado, jamais acreditei nos elogios rasgados ao rival e ao seu técnico. Como disse, dos 17 pontos que ganhou, cinco se deveram a erros da arbitragem.

O Santos dominou e foi melhor durante todo o primeiro tempo. Houve mais equilíbrio no segundo, mas o adversário não teve nenhuma chance clara de gol, enquanto o Santos perdeu três boas chances. O meio-campo do Santos, com Thiago Maia, Renato, Lucas Lima e Serginho, dominou o jogo. O adversário tentou marcar por pressão, mas o Santos conseguiu sair com a bola da defesa várias vezes, como no primeiro gol.

O centroavante Ricardo Oliveira, autor dos dois gols, provou que não vale só as migalhas que os chineses queriam dar por ele. É o melhor do Brasil, disparado (cadê o Guerrero?). Quanto a Lucas Lima, comandou a partida, foi o que ficou mais tempo com a bola e geralmente deu um bom destino a ela. Se não for titular da Seleção Brasileira, será mais uma brincadeira do Dunga.

A roubada de bola de Paulinho, seguida da assistência para Ricardo Oliveira, no segundo gol do Santos, certamente lhe garantirá mais um tempo de paciência da torcida. Mas se Serginho também não tivesse pegado aquela bola de primeira, Oliveira não teria aberto o marcador, aproveitando a rebatida de Cássio.

Menos gente do que no jogo com o Mogi Mirim, no Pacaembu
Causou muita discussão neste blog o público pagante de apenas 9.897 pessoas que foi ao jogo Santos 4 x 1 Mogi Mirim, em um dia de semana, às 19h30, no Pacaembu. Pois contra o Corinthians, clássico de maior rivalidade para o santista, às 16 horas de um domingo sem chuva, o público pagante na Vila Belmiro teve 262 pessoas a menos do que aquele que foi ao Pacaembu. E a renda do jogo com o Mogi foi 10 mil reais maior do que a do clássico.

Infelizmente, Gabriel, que perdeu um gol embaixo das traves, não estava em um grande tarde. Se estivesse, creio que a goleada viria.

A arbitragem foi boa, mas houve um lance em que Zeca cruzou e a bola bateu na mão de um adversário antes de sair para escanteio. Se eu acho que foi pênalti? Não, não acho. Típica bola na mão. Mas neste mesmo campeonato o alvinegro da capital já teve pênalti assim marcado a seu favor. O que se pede é coerência da arbitragem. Se é pênalti para um time, precisa ser para todos.

A Globo exagerou no parcialismo

Mostrar apenas os sons da pequena torcida visitante, como se ela fosse a única no estádio, foi apenas mais um exemplo do que a TV Globo pode fazer contra os clubes que não assinarem contrato com ela. A propósito, recebi o e-mail abaixo de Silvio de Andrade, sócio do Santos, que assistiu à partida pela emissora em questão:

Sou sócio diamante, frequento sempre a Vila, apesar de morar em São Paulo, mas, infelizmente, não pude descer a serra hoje. Portanto, fui obrigado a ver o jogo pela TV, situação que, quando acontece, exige o som no “mute” e o rádio ligado. Porém, hoje decidi assistir por completa a cobertura do canal aberto da Globo.
Pois bem, longe de demonizar gratuitamente a emissora, quero apenas relatar um fato. Durante todo o primeiro tempo e boa parte do segundo, só foi possível ouvir os cerca de mil torcedores do time rival. Inclusive, era possível discernir as vozes: “Olha lá o Joãozinho cantando!”; “Reparem no José berrando!”; “Que legal, o Joaquim está na TV!”…
Eu frequento a Vila desde a infância. Sei que, por mais que se esgoelassem, os torcedores do rival não teriam capacidade de tomar conta do som ambiente. Fora que o espaço da Torcida Jovem estava lotado, mas não se ouviu, ao longo de todo o primeiro tempo e boa parte do segundo, uma miserável voz a favor do alvinegro praiano. Com exceção, claro, do momento do primeiro gol.
Concluo, obviamente, que a edição privilegiou o som oriundo do microfone colocado debaixo da torcida do time visitante, daí porque o resultado, no mínimo, incoerente para quem garante que faz uma transmissão isenta.
Mais: por três ou quatro vezes, quando mostrou a torcida (organizada) do visitante, o editor de imagens optou por cortar imediatamente para a arquibancada santista, onde se sentam torcedores comuns, na maioria famílias – a organizada do Santos, que se comporta da mesma forma que a correspondente rival, fica do lado esquerdo de onde foram captadas as imagens. Logo, o incauto telespectador era levado a crer que, do lado do visitante, havia uma ferrenha e animada torcida; do lado do mandante, uns pacatos torcedores de finais de semana.
Odir, sei que você é uma das principais vozes contra a espanholização do futebol brasileiro, por isso resolvi compartilhar contigo essa mensagem que, garanto, é muito mais técnica (jornalística) do que passional.Grande abraço e ótima semana.

E você, o que achou da vitória santista no Clássico Alvinegro?