“A equipe do Audax foi muito superior à gente, eles mantêm muito a posse de bola” (frase do humilde herói Ronaldo Mendes, autor do gol que levou a disputa para a Vila Belmiro).

Depois de criar mais chances no primeiro tempo, quando acertou duas vezes a trave, o Santos caminhava para a derrota aos 30 minutos da segunda etapa. Perdia por 1 a 0 – gol de Mike, aos 12 minutos –, sofria novos ataques do Audax e a torcida local já começava a gritar “olé”. Para complicar as coisas, Lucas Lima, o cérebro do time, saíra de campo com o tornozelo machucado, substituído pelo voluntarioso Ronaldo Mendes. Havia pouca esperança de sair da arapuca de Osasco ao menos com um empate. Foi aí que os deuses do futebol resolveram mexer os pauzinhos…

Aos 32 minutos, o valorizado Tchê Tchê, que acaba de ser contratado pelo Palmeiras, tentou virar uma bola em sua defesa e jogou nos pés de Ronaldo. Este, matou a bola e deu dois passos com ela. Mais preocupados com Gabriel e Ricardo Oliveira, os defensores do Audax não se apressaram em ir pra cima do santista. Com personalidade, Ronaldo encheu o pé e, de canhota, estufou as redes do bom Sidão.

Como se previa, o Santos passou um sufoco no minúsculo Estádio José Liberatti, que recebeu apenas 12.269 pagantes. Depois de chegar mais perto do gol na primeira etapa, o Alvinegro Praiano parece ter cansado no segundo tempo e foi dominado pelo Audax. Além do gol, o time local teve chance incrível aos 23 minutos, quando Mike tabelou com Ytalo e colocou na saída de Vanderlei, que jogou para escanteio com as pontas dos dedos.

Sabendo que M é mau, R é regular e B é bom, as atuações dos santistas merecem a seguinte avaliação: Vanderlei (B), Victor Ferraz (R), Gustavo Henrique (R-), David Braz (R-) e Zeca (R); Renato (R), Thiago Maia (R+), Vitor Bueno (R-), Paulinho (M), Lucas Lima (R), Ronaldo Mendes (B), Gabriel (R+) e Ricardo Oliveira (R). Técnico: Dorival Júnior (R).

Sobre o desempenho dos santistas, novamente é preciso salientar a insegurança da dupla de zaga, principalmente do garotão Gustavo Henrique, que no gol de Mike quis dar o carrinho, caiu de bum-bum no chão e ficou apreciando o jogador do Audax fulminar Vanderlei. Nem na várzea um zagueiro que se presa entra afoito assim.

No próximo domingo o jogo será na Vila Belmiro. Quem vencer será o campeão, o empate levará para a disputa de tiros diretos da marca do pênalti. Como, acreditando na “mística da Vila Belmiro” o técnico, os jogadores, o presidente, a faxineira e o papagaio preferiam perder dinheiro para jogar em Osasco e no Urbano Caldeira, o Santos agora tem a obrigação de ser campeão, ou sairá derrotado em campo e na tesouraria.

De qualquer forma, o jogo em Osasco mostrou algo de bom: ensinou que mesmo um terceiro reserva, desde que motivado e corajoso, pode ser mais útil do que jogadores afamados que estão com a cabeça bem longe da decisão do Paulista. Ronaldo Mendes pode ter decidido a final com seu petardo de fora da área.

Audax 1 x 1 Santos
Primeiro jogo da final do Campeonato Paulista de 2016
01/05/2016, Estádio Municipal José Liberatti, Osasco, 16 horas.
Público: 12.269 pagantes. Renda: R$ 463.730,00.
Audax: Sidão, André Castro, Yuri Bruno Silva e Velicka; Tchê Tchê, Camacho e Juninho (Wellington); Bruno Paulo, Mike e Ytalo. Técnico: Fernando Diniz.
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo Henrique, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia, Vitor Bueno (Paulinho) e Lucas Lima (Ronaldo Mendes); Gabriel e Ricardo Oliveira. Técnico: Dorival Júnior.
Gols: Mike, aos 12 minutos, e Ronaldo Mendes, aos 34 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Flávio Rodrigues de Souza, Herman Brumel Vani e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa (regular, com três falhas importantes no primeiro tempo, entre elas um pênalti não dado sobre Gustavo Henrique).
Cartões amarelos: André Castro e Wellington (Audax); Lucas Lima e Gustavo Henrique (Santos).

E você, o que achou do Santos em Osasco?