O título deste post define como terminou o jogo contra o Figueirense, com os santistas rezando para os cinco minutos de acréscimo acabarem logo. Sem os seus três principais jogadores – Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabriel – e ainda com um jogador a menos, já que Gustavo Henrique foi expulso após uma falta grotesca, o time só se defendia e, pelas circunstâncias, o empate de 2 a 2 com o Figueirense, de quem geralmente perde em Florianópolis, foi até bom. Mas o título do post não diz tudo.

Antes de o Santos chegar ao extertor da partida, momento em que sua torcida sempre tem sofrido, qualquer que seja o resultado parcial, o time ainda teve alguns bons repentes e deu a impressão de que poderia, finalmente, ganhar um jogo fora de casa. Vencia por 2 a 1, com dois gols de pênalti, e tinha a possibilidade de, em um contra-ataque, definir a partida.

A substituição de Rafael Longuine por Matheus Nolasco foi boa e garoto passou a ajudar na marcação à direita da defesa, onde a avenida Braz-Ferraz já tinha permitido um gol a Rafael Moura no primeiro tempo. Mas aí deu tilt no sempre calmo Gustavo Henrique, que resolveu operar as amígdalas de Dudu sem anestesia, e foi expulso, o que transformou a última meia hora de jogo em martírio para os santistas.

Para recompor a defesa, Dorival Junior tirou Joel e colocou o zagueiro Luiz Felipe. Sem jogadores para atrapalhar a saída de bola do Figueirense, o time da casa atacou, atacou, e o Santos recuou, recuou, até que passou a ocupar apenas metade de seu campo. Os outros ¾ do gramado pertenceram ao time de Santa Catarina, que pressionava sem parar.

Nessas horas é que se percebe como os jogadores do Santos, com raras exceções – o jovem Matheus Nolasco foi uma elas – não sabem marcar. Os adversários sempre conseguem matar a bola e ter tempo para o passe, ou mesmo para o drible, ou o chute. O Santos só se aglomera lá atrás, mas não tem atitude para roubar a bola dos pés do adversário.

Esse hábito de só cercar fez com que Marquinhos Pedroso pudesse dominar a bola da ponta esquerda e, com calma, cruzasse entre Renato e Victor Ferraz. O lateral ainda deu um pulinho para a bola não pegar nele. Ora, à queima-roupa, sem espaço para pegar velocidade, o que uma bolada pode machucar? Profissional não pode ter medo de levar bolada. Esses pulinhos pegam mal. Na área, livre, Ermel acertou um belo voleio que empatou a partida e quase permitiu a virada do Figueira.

A torcida e os jogadores locais reclamaram de um pênalti de Thiago Maia em Ferrugem. Deviam pensar: “se o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães deu dois pênaltis para o Santos, por que não deu ao menos um para o Figueirense?”. E poderia dar, pois Thiago realmente cometeu a falta.

Bem, mas gostei ao menos do espírito de luta do Santos. Se jogasse andando, com as mãos nas cadeiras, como já fez em muitos jogos fora de casa, mesmo com Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabriel, teria perdido mais uma. Acho que o caminho é esse. O da humildade e da abnegação. Mas é preciso gostar de marcar, aprender a dar o bote no tempo certo, e não meia hora atrasado, como fez o garotão Gustavo Henrique.

Mesmo com domínio do Santos durante a maior parte do primeiro tempo, o empate foi justíssimo. Na verdade, o time de Santa Catarina mostrou mais coragem e vontade de vencer. Ainda não foi dessa vez que o Santos se libertou de seu complexo de inferioridade quando joga fora de casa.

Uma coisa precisa ficar bem clara para Dorival Junior e seus jogadores: o campeão deste Brasileiro será o menos medíocre e o mais determinado. Craque, craque, nenhum time tem. Mas se tiver 11 homens com vergonha na cara, um pinguinho de habilidade e ao menos dois neurônios conectantes, já será meio caminho andado.


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Figueirense 2 x 2 Santos
Estádio Orlando Scarpelli, Florianópolis, 25/05/2016, 19h30
Público pagante: 5.927 torcedores.
Figueirense: Gatito Fernandéz, Ayrton, Jaime, Bruno Alves e Marquinhos Pedroso; Elicarlos (Ermel), Jocinei, Ferrugem e Bady (Ortega); Guilherme Queiroz (Dudu) e Rafael Moura. Técnico: Vinícius Eutrópio.
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia, Vitor Bueno (Serginho) e Rafael Longuine (Matheus Nolasco); Paulinho e Joel (Luiz Felipe). Técnico: Dorival júnior.
Gols: Rafael Moura aos 37 e Vitor Bueno, cobrando pênalti, aos 41 minutos do primeiro tempo; Joel, cobrando pênalti, aos 11 e Ermel aos 47 minutos do segundo.
Arbitragem: Wagner do Nascimento Magalhaes (RJ-ASP-FIFA), auxiliado por Rodrigo F. Henrique Correa (RJ-FIFA) e Luiz Claudio Regazone (RJ-ASP-FIFA).
Cartões amarelos: Elicarlos e Jaime, do Figueirense; Rafael Longuine, Matheus Nolasco e Paulinho, do Santos.
Cartão vermelho: Gustavo Henrique.

E você, o que achou do Santos contra o Figueirense?