Victor Ferraz, uma das armas ofensivas do Santos contra o Santa Cruz. Só não pode esquecer as costas (Ivan Storti/ Santos FC).

Esse time do Santos, sem Lucas Lima, Gabriel, Ricardo Oliveira e David Braz, têm condição de vencer o surpreendente Santa Cruz, domingo, às 19 horas, no Estádio do Arruda? O que podemos falar de cada jogador santista, de suas qualidades, defeitos e, o mais importante: dos pontos que devem trabalhar para se tornarem profissionais mais competentes? Vamos fazer esse exercício juntos? Vem comigo…

Vanderlei
Um goleiro acima da média. Sério, seguro, não toma frangos. Não é perfeito, mas nenhum goleiro é. Nem mesmo o soviético Lev Yaschin, o Aranha Negra, foi infalível. Descobri isso da maneira mais insólita possível. O “Oswaldo Ponte Aérea”, que jogou no Flamengo e era meu colega de pelada no extinto Hobby Sports Club, disse que numa excursão do rubro-negro carioca fez um gol de 40 metros no Yaschin. Eu chequei e era verdade. Bem, se estou falando grego para você, segue um videozinho sobre o goleiro de 1,89m, numa época em que ter 1,75m era ser alto:

Portanto, Vanderlei, com seus 1,95m, fica, com louvor. É claro que ele já falhou e vai falhar de novo e é claro que será cornetado aqui neste blog. Mas cornetar não é querer a cabeça. Defeitos? Fazer um alongamento nos braços, que às vezes parecem encurtar. Porém, ao menos vai na bola, não ajoelha e fica olhando, como um outro.

Victor Ferraz
Muito bom lateral-direito. Tem habilidade e é inteligente. Precisa dar tanta atenção à marcação como dá às investidas ao ataque. Não pode ficar parado enquanto os adversários se movimentam às suas costas. Precisa treinar melhor esse bote. Não pode tomar dribles curtos, como toma. Mas, no todo, é muito bom. De qualquer forma, tem um bom reserva, que é o Daniel Guedes.

David Braz
É inseguro para sair com a bola dominada e tem dificuldade para fazer uma boa cobertura. Alegre, carismático, agregador, se mantém como titular por essas qualidades pessoais. Como líder, porém, deixa a desejar, pois exige dos outros algo que não consegue fazer. Se há uma boa proposta por ele, que vá e seja feliz.

Gustavo Henrique
Ótimo garoto, nosso gigante da zaga (1,95m) deve ser uma pessoa excepcional, mas ficou frustrado com a não convocação para a Olimpíada e permitiu que essa frustração atrapalhasse seu jogo. Grandão, 1,95m, é muito bom nas bolas altas, mas peca na marcação por terra. Lento, não tem recuperação e precisa de um trabalho específico de explosão muscular para melhorar sua performance. Seu problema é parecido com o do Alex, herói do título brasileiro de 2002. Suas fibras musculares são longas, têm uma dificuldade natural para ganhar velocidade em pouco tempo. Não são lentos porque querem, mas por uma causa fisiológica, não sei se tem jeito, mas o remédio é tentar (por falta de uma observação mais apurada, não analisarei os outros zagueiros do Santos).

Zeca
Ótimo lateral-esquerdo. Ainda tem falhas na marcação, mas são menores do que as de Victor Ferraz. Apoia bem e também pode bater a gol. Está crescendo como jogador e como pessoa. Ficou mais confiante, mais maduro. Não é à toa que o Atlético de Madrid e um clube italiano querem levá-lo. Acho que, pelo jeito, vai embora mesmo. Seu reserva, Caju, tem o defeito da lentidão, natural do seu biotipo. É bem alto para um lateral (1,85m) e também deve trabalhar mais os reflexos e a explosão muscular para se tornar um jogador mais eficiente.

Thiago Maia
Grande coração, digno dos melhores volantes do Santos. É o que melhor marca no time, incansável, corajoso. Ainda lhe falta precisão nos passes e nas jogadas de apoio ao ataque, mas é bem jovem e certamente vai evoluir muito ainda. Porém, precisa se preparar para esse novo estágio em suas carreira, ou ficará marcando passo apenas como um destruidor de jogadas alheias.

Renato
Se repararmos bem, Renato nunca jogou muito diferente do que o faz hoje. Nunca foi de dar trombadas e por isso mesmo passou o Brasileiro de 2002 inteirinho sem levar um cartão amarelo. Ele cerca e prefere ir na sobra, não é de dar o primeiro combate. Tem errado passes na saída de bola da defesa e mais de uma vez armou o contra-ataque adversário. Mas é calmo, experiente e essa confiança é importante para o time em momentos delicados da partida. Espero que possa se entender bem com Yuri, o volante fã que veio do Audax. Gostaria de ver um meio-campo com os volantes Thiago Maia e Yuri, e Renato mais à frente.

Léo Cittadini
Tem alguma habilidade e é inteligente. Com mais confiança e tranquilidade deverá jogar melhor, pois a emoção e o medo atrapalham o raciocínio, e jogadores jovens tendem a se intimidar. Engraçado que no Pacaembu ele jogou mais solto do que na Vila, onde a pegação no pé é maior. Tem muito a melhorar, mas creio que a partir do momento em que confiar mais nele e sentir mais o jogo, assumir o resultado como um compromisso dele, e não dos outros, subirá alguns degraus. Outro detalhe que separa os grandes jogadores dos fogos de palha é a gana de ter a bola e mantê-la sobre o seu poder. É desgastante, machuca, pois o adversário morde os tornozelos, dá trompaços, mas não há outra maneira de segurá-la. E Cittadini a perde com muita facilidade. Precisa trabalhar isso e deveria ficar treinando chutes a gol uma hora por dia. Um meia que não sabe chutar e não marca gols, não serve.

Vitor Bueno
É a pedra bruta do Santos que está sendo lapidada. Tem bom controle de bola, iniciativa, chuta razoavelmente bem e se movimenta melhor ainda. Não se inibe na frente do goleiro, o que é uma grande vantagem para o atacante. O que lhe falta, que é, principalmente, escolher a jogada certa para cada momento, deve vir com a experiência. Não é um craque, mas um bom jogador que ainda pode chegar lá.

Paulinho
Lembro-me dele como atacante, marcando gols importantes pelo Flamengo. Mas lá parece ter sido fogo de palha. No Santos, já fez algumas coisas boas, não é de todo nulo como querem alguns. Parece-me preso, preocupado em não transgredir as regras do bom comportamento. Pois acho que deve extrapolar um pouco, ousar, dar vazão ao seu instinto. Talvez seja o tipo de jogador que passará em branco pelo Santos e brilhará em outro time, como ocorreu com tantos outros, entre eles o selecionado Jonas. Enfim, acho que Paulinho tem qualidades para jogar bem, sabe driblar, tabelar, chutar, ajuda na marcação. Precisa de um componente que se tem, ou não se tem: Personalidade.

Joel
Ele precisa se ajudar um pouco mais, pois o santista gosta e torce muito por ele. Mas não pode ficar um jogo inteiro quase sem pegar na bola, como ocorreu domingo, contra o Botafogo. Precisa se mexer, se deslocar, gritar pela bola, correr atrás dela. Porém, é outro caso de fibras lentas, como deve ser a característica do povo camaronês. Faltam-lhe reflexos e explosão e isso é fatal quando se joga como atacante, com pouco espaço para dominar a bola e dar continuidade à jogada. Mas é inteligente, prova disso foi seu passe de calcanhar para Zeca que abriu o caminho para o segundo gol contra o Botafogo. Torcemos pelo Joel, mas ele precisa ser mais cruel.

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Serginho, Ronaldo Mendes, Maxi Rolón e Lucas Crispim
Esses jogadores, que estão na reserva, são jovens e têm potencial. Precisam trabalhar alguns aspectos de seu jogo, mas não farão isso se não estiverem motivados. Por trás de seus aparentes defeitos técnicos há questões psicológicas que poderão ser sanadas com a ajuda de profissionais da área.

Elano, Alison, Valencia e Rafael Longuine
Não vejo nesses reservas um bom futuro no Santos. Confesso que tive um entusiasmo inicial com Longuine, mas depois ele teve várias oportunidades e não as aproveitou. Creio que sejam jogadores com algum mercado no futebol brasileiro e mesmo no exterior. Pois que sigam o seu caminho. Hoje não acrescentam nada, ou quase nada, ao time.

Jean Mota assinou, por quatro anos, e já quer jogar.

A decisão com o Santa Cruz
Os exemplos estão aí. É possível, sim, ganhar fora de casa mesmo sem alguns titulares. Aliás, o Santos não deve pensar neles, pois talvez alguns jamais voltem. O Santa Cruz investiu muito para esse Brasileiro, a ponto de pagar 200 mil reais por mês para Grafite, um centroavante de 37 anos, e contratar Léo Moura, mas está longe de ser um time imbatível, mesmo no Arruda.

Uma boa notícia para o Santos é que os atacantes Grafite, com cansaço muscular, e Keno, com tendinite no joelho esquerdo, talvez não joguem, ou joguem meia boca. O técnico Milton Mendes foi a Lisboa renovar seu curso Uefa Pro e está de volta. O homem é bom, mais gabaritado que o nosso Dorival Junior, e tem feito o Santa jogar sem medo.

Esperemos que o Santos atue da mesma forma. Para mim, futebol é lá e cá. Esse negócio de um time ficar fechado lá atrás, como um pugilista que se escora nas cordas e agarra o adversário cada vez que é atacado, é um esporte que detesto. Deveria haver regras que obrigassem os times a ter uma quantidade mínima de jogadores no campo do adversário. Esse defensivismo, praticado preguiçosamente pelo Santos quando atua fora de casa, dá nos nervos.

O time provável do Santa Cruz para domingo é Tiago Cardoso, Léo Moura, Danny Morais, Neris e Tiago Costa; Alex Bolaño (ou Leandrinho), João Paulo e Lelê; Keno e Grafite. Esse Leandrinho do Santa não é o mesmo do Santos, claro. O garoto continua na Vila, mas é outro que não tem merecido continuar no elenco, assim como o indefectível Patito “Quem Contratou?” Rodríguez.

Quer saber como se ganha do Santa Cruz? Seguem algumas imagens de sua derrota para o Sport, no clássico local:

E você, o que acha dos jogadores do Santos?