Estádio com gramado removível, na Suécia, um cuidado que as novas arenas de São Paulo não tiveram.

TIVE UM PESADELO COM GRAMA SINTÉTICA E CAMAROTES

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

Agora começaram a falar de GRAMA SINTÉTICA no Allianz Parque.

Mesmo que não seja implantada, a notícia mostra os problemas graves do gramado do Allianz Parque com o seu “multiuso”. Não se sabe se além do uso para shows, outros fatores afetam a grama natural, seja a cobertura não translúcida do estádio ou falta de arejamento no caldeirão fechado, visto que estádios tipo caldeirão com as arquibancadas ou gerais íngremes rente às linhas laterais do campo, agravam o déficit de exposição solar e arejamento.

No post “Os riscos proibitivos de um Estádio em Cubatão” de 20 de Dezembro de 2012 havíamos opinado que multiuso de verdade seria gramado rolando para fora do estádio, alternativa citada como oportunidade para o Santos obsoletar com uma única tacada os estádios do trio de ferro.

A botânica continuará implacável, pelo jeito um gramado de futebol mal aguenta mais de dois jogos por semana e muito menos quaisquer outras atividades como shows.

Não se previa a grama sintética como solução para multiuso, porque além de não corresponder ao padrão dominante do futebol, é de se esperar que grama sintética não aguente motocicleta acelerando, freando ou fazendo curva, cavalo de rodeio, rojão. Também não é sabido até que ponto a grama sintética comportaria o peso de pódios de shows e pisos para outros esportes, nos Estados Unidos deve haver melhor know how a respeito.

É pouco o multiuso de estádios na Europa, porque as receitas de bilheteria do futebol, de publicidade e dos naming rights são suficientes para amortizar e cobrir os custos correntes dos estádios recém-construídos, pelo menos os dos grandes clubes.

Enquanto que nos Estados Unidos o uso de grama sintética é mais frequente, na Europa, centro econômico e esportivo do futebol, é permitido em algumas divisões inferiores, mas proibido em várias primeiras divisões. A Federação Portuguesa acabou de exigir que o Boavista do Porto removesse a grama sintética do seu campo. Os clubes que usam grama sintética são de médios para baixo, como o AS Nancy na França ou clubes de países de alta latitude, como os escandinavos.

Na Champions League, com exceção do jogo final que deve ser efetuado sobre grama natural, a grama sintética é permitida devido à inclusão de times das zonas subárticas dos Países Escandinavos, da Islândia e da Rússia, onde não vicejam tantas gramas e os alces são obrigados a mastigar folhas.

Resta portanto o fato singular que o Palmeiras arrisca ser o único clube grande a jogar em grama sintética no futebol brasileiro e talvez até no mundo.

Todas estas considerações sobre grama sintética e o Palmeiras não teriam qualquer relevância para nós santistas, não pudesse o estadinho planejado pelo Modesto ser financiado através do que poderá ser o segundo contrato entre um clube grande de futebol e um investidor que visa amortizar seu investimento no estádio com shows. O que poderia por sua vez resultar em 30 anos de grama sintética para o Santos também, caso o gramado não suportar.

O caso do Palmeiras demonstra que o modelo de amortizar um estádio com multiuso parece pouco praticável em grama natural, mesmo que o modelo seja financeiramente inteiramente viável para o alviverde.

O estadinho do Modesto será para multiuso?

O Santos assinou memorando de intenções para construção de um estadinho com 25.000 lugares que vai ser divido com o Portuários. O estadinho suplantará a capacidade da Vila Belmiro em 9.000 assentos (de 16.068 a 25.000) e terá estacionamentos ao lado de camarotes. Estacionamentos no terreno dos Portuários já são cedidos para jogos na Vila Belmiro atualmente. O avanço do Santos em termos de espectadores é marginal.

A Portuguesa Santista, mais competente que o Santos, caiu fora do projeto para não dividir e conflitar com terceiros durante os próximos 30 anos. A Briosa e o Grêmio valorizam a soberania; e acho que se fossem o Santos pegariam o dinheiro da venda dos direitos do Gabigol para pagar a entrada na compra de um terreno ou de outra forma ficar sozinhos no projeto.

Não se sabe se o estadinho vai ser projetado para multiuso ou não. Se não for para multiuso vai ser difícil amortizá-lo. Porque devido à baixa ocupação dos estádios e aos ingressos baratos resultantes do baixo poder aquisitivo, os estádios brasileiros, ao contrário dos europeus, são dificilmente amortizáveis apenas com as receitas dos jogos. Muito menos ainda no caso do Santos que pretende cometer o absurdo de amortizar um estádio longe da sua maior torcida, que está localizada no Planalto.

Não acredito que o Santos pretenda jogar 30 anos em grama sintética, embora o atual presidente pareça capaz de qualquer loucura para se imortalizar com um estadinho, cujo financiamento só poderá ser viabilizado com auxílio de shows.

Se o Santos desejar uma arena multiuso de verdade, só mesmo com o gramado rolando para fora do estádio e cobertura também retrátil contra a chuva, como a Veltins Arena do Schalke e o GelreDome do Vitesse Arnhem. Com os recursos destes dois estádios, as possibilidades de ocupação do estádio e de geração de receitas passariam a ser fantásticas. Apenas a título de exemplo, evidentemente exagerado na rotatividade, poderíamos declinar sete usos para os sete dias da semana: segunda feira-corrida de motocicleta, terça feira-luta MMA, quarta feira show da Ivete Sangalo, quinta feira partida de tênis, sexta feira culto religioso com milhares de fiéis, sábado rodeio, domingo goleada do Santos de 5×1 no arquirrival sobre grama natural em perfeito estado.

Mas um estádio multiuso com campo e cobertura retrátil sairia caro e dificilmente seria amortizável na Baixada Santista onde não há massa de poder aquisitivo suficiente para pagar o número necessário de ingressos caros para os shows. A massa de poder aquisitivo da Baixada é sensivelmente inferior a dos segmentos mais abonados do Planalto Paulistano, o maior centro populacional e econômico do hemisfério sul com quase 20 milhões de habitantes dispostos a pagar por entretenimento de qualquer tipo, sendo este o único local no qual se poderá construir um estádio multiuso digno deste nome.

Resumindo, o estadinho parece inviável em Santos porque:

1) Financiamento por capital próprio e empréstimo parece impossível porque o Santos, já excessivamente endividado, não dispõe de capital nem de crédito.

2) Se o estádio for destinado apenas ao futebol, será dificilmente amortizável com receitas de bilheteria, não se achará terceiros como investidores. Se custasse 300 milhões de reais (Modesto citou um custo de “100 milhões de dólares”), só os juros a 11% ao ano perfariam uma despesa de 33 milhões de reais anuais. Sem contar com os gastos de manutenção, eletricidade, água, gramado e um excedente necessário para a amortização.

3) Se for destinado a multiuso simples, sem campo retrátil e financiado por investidores, o gramado poderá não resistir havendo o risco do Santos ser obrigado a jogar 30 anos num gramado mal tratado ou em grama sintética.

4) Se for planejado para multiuso na base de um campo de grama retrátil e cobertura retrátil contra a chuva, o alto investimento necessário ultrapassará sensivelmente os “100 milhões de dólares” avisados pelo Modesto Roma e será dificilmente amortizável com receitas de futebol e shows na Baixada Santista. Estádio com campo e teto retrátil deve ser para 45.000 espectadores dispostos a pagar ingressos altos para ver a Traviata ou a Britney Spears, o que em termos de mercado seria factível apenas no planalto.

Um estadinho de camarotes?

Imagino que se o Borussia Dortmund. o Liverpool e outros clubes europeus fossem construir um estádio no Brasil, botariam gerais nas partes baixas do estádio rente ao gramado, porque aprenderam muito nos últimos anos. Apesar dos retornos financeiros fantásticos da Allianz Arena em Munique e da Arena Veltins do Schalke com ocupação dos estádios de praticamente 100%, o retorno esportivo teve uma mácula, que consiste no fato de não terem sido originalmente concebidos com gerais.

A direção do Bayern ficou decepcionada com a torcida sentada e comportada rente ao gramado. Ficar sentado parece incitar ao comportamento moderado e coibir o entusiasmo. O Bayern então arrancou os assentos fixos das partes baixas de alguns setores, substituindo-os por assentos removíveis para permitir que jovens pudessem ficar de pé nos jogos da Bundesliga, o que de quebra aumentou a capacidade em alguns milhares de espectadores; cabem mais de pé. Clubes ingleses da Premier League sonham em tentar legalizar a gerais proibidas depois da Catástrofe de Hillsborough, injustamente, porque a catástrofe foi gerada por outros fatores e não pelas gerais, como todo mundo sabia e acaba de provar um recentíssimos laudo.

Estádio caldeirão só capitaliza plenamente a sua finalidade se existirem gerais onde jovens podem vibrar a preço barato. Neste ponto o Orlando Rollo na sua entrevista de campanha eleitoral ao Ademir Quintino tinha perfeitamente razão.

Mas o novo estadinho do Santos, continuará na contramão da história do futebol mundial, na tradição marcelista da Vila Belmiro, entre os líderes a nível mundial no quesito da porcentagem entre o número de assentos em camarotes, comparado com a capacidade máxima do estádio.

Grandes clubes focam a grande torcida, constroem estádio onde está o grosso dos simpatizantes e motivam os torcedores jovens. O Santos cartoleiro é diferente, foca a camarotagem, abandona a maior parte da torcida em São Paulo para construir a 800 metros um estádio quase igual ao antigo, com apenas 9.000 lugares a mais.

Não há dúvida que a Vila Belmiro tem seus anos contados, mas no contexto financeiro precário atual do clube, a sua substituição deveria ser prioridade de investimento apenas dois ou três. A julgar por alguns comentários, ganharia sobrevida se fossem feitas novas e amplas instalações sanitárias.

Não é possível que para se obter o irrisório benefício de 9.000 lugares a mais e estacionamento ao lado dos camarotes, apenas para satisfazer a vaidade de um presidente, que o clube hoje soberano na Vila Belmiro se sujeite a algemas durante 30 anos e incorra em riscos consideráveis, que são:

1)30 anos de risco de litígio com o investidores. Risco muito maior que o do Palmeiras, que devido a sua localização junto ao metrô, não consegue se salvar de tantos espectadores, o que minimiza o risco de litígios. Não será o caso do estadinho, cuja ocupação sempre será crítica, como a atual da Vila Belmiro.

2) caso for multiuso, 30 anos risco de litígios por causa da qualidade do gramado, ou por causa da grama sintética.

3) 30 anos de risco de litígios com o Portuários ou um sucessor deste, se os direitos que tem sobre o estadinho forem vendidos para outro clube, o que não pode ser impedido contratualmente. O Santos poderia apenas conseguir preferência para a compra dos direitos do Portuários.

4) 30 anos longe da sua gigante torcida no planalto por força de cláusulas contratuais com os investidores que obrigarão o Santos a jogar no estadinho. A torcida gigante de 2,5 milhões deverá minguar, caso o time não jogar pelo menos 25% das suas partidas no Planalto Paulistano.

5)30 anos de pouco ou nenhum retorno financeiro, o que impedirá o Santos investir em outros projetos e permitirá que clubes financeiramente mais flexíveis e melhor alavancados ultrapassem o Santos.

Sem contar que os incentivos do governo agora possíveis com a CND possibilitada pelo Profut, jorram mais intensamente quando se destinam a financiar CTs para a base. O Santos em vez de elevar a si e a sua cidade natal à uma referência mundial na formação de jovens craques, como um dos grandes centros mundiais do futebol, vendendo a cada dois anos direitos de um Zeca e de um Gabriel por 100 milhões de reais, opta satisfazer a vaidade de um presidente, preferindo construir camarotes para cartolas e amigos obscuros e ninguém no mundo estará interessado em saber quem são.Botarão placas em homenagem a outros clubes, para agradar aos cartolas destes e festejarão os dias dos seus patronos.

Além do mais na situação financeira crítica atual um investimento num CT para a base teria a vantagem de poder ser realizado em etapas, ao passo que um estádio tem que ser construído de forma completa numa bolada só.

Uma contratação do Peres para consolidar a provincialização?

Escrevi este comentário para a reunião do CD na quinta feira, dia 21 de julho de 2016. Imagino que a situação apareça nesta reunião com presença máxima de conselheiros e que o José Carlos Peres, caso contratado do clube (o que não foi negado nem pelo Odir) não apareça ou se abstenha da votação. O José Carlos Peres nunca se pronunciou publicamente sobre as temas que estavam queimando, como atualmente a questão do estadinho e a reforma do estatuto, a não ser em sua campanha eleitoral com o chavão de que é favor de um Conselho de Administração e contra o Comitê de Gestão.

Não fará falta na oposição e representa apenas um voto perdido. Mas o X da questão será saber até que ponto nas futuras reuniões do CD os seus mais próximos correligionários o seguirão, estando ausentes, se abstendo de votar ou mesmo passando a apoiar a direção do clube em pontos antes criticados.

Uma inversão da maioria no CD, pode ter sido um dos objetivos de uma contração do Peres pelo Santos FC. Com uma maioria no CD os Marcelistas poderiam se ver livres das demandas do CD de explicar os resultados financeiros e não aprovar contas mal feitas e não explicadas, e possibilitaria o numero de votos para aprovar a construção do estadinho e uma reforma de estatuto que convier, sendo um dos pontos críticos a obrigatoriedade votação à distância, para possibilitar que um maior número de santistas do interior vote nas próximas eleições e o maior controle das operações de risco pelo CD.

Na política, quando da noite para o dia um líder de oposição aceita um cargo de ministro do governo, resultam viradas deste tipo.

E você, o que acha dessa opinião do Tana Blaze?

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