Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: agosto 2016 (page 1 of 4)

Os porquês do bairrismo

modesto roma - placar 1
modesto roma - placar 2 Revista Placar de 5 de março de 1976 mostra como pensava Modesto Roma, pai do presidente atual do Santos.

O bairrismo, por si só, não é bom ou ruim. Baseia-se na crença, ou no sentimento, de que as coisas, concretas ou abstratas, de nosso bairro, nossa cidade, nossa região, merecem tratamento superior às de outros bairros, cidades ou regiões. Ser bairrista não significa, necessariamente, odiar o que é de fora, o estrangeiro. Veja que Portugal é o país considerado o mais hospitaleiro da Europa, no entanto é assumidamente bairrista.

O bairrismo de Portugal tem sua lógica. País pequeno, com apenas 10 milhões e meio de habitantes, o quase milenar Portocale teme que sua cultura seja dominada pelos estrangeirismos. Há regras rígidas até para se batizar uma criança por lá. Nomes que não são de origem portuguesa, como Wendel, Willian, Walter, Waldemar e Vivian, entre muitos outros, são proibidos nos cartórios. O português quer preservar, a todo custo, a última flor do Lácio.

Nós, torcedores do Santos que não moramos em Santos, sentimos na pele a força do bairrismo que é alimentado há décadas por alguns grupos da cidade praiana. Que eu me lembre, o grande presidente santista Athié Jorge Cury não era bairrista. Ele levou o Santos para jogar no mundo todo, e com os dólares que trazia manteve o melhor time do mundo por muitos anos. Onde, estaria, então, a origem desse bairrismo que ainda hoje freia os sonhos de crescimento do clube?

Digo “freia” porque é um bairrismo bem diferente do que se vê em Portugal. Não se trata de preservar a cultura ou a tradição de um povo, mas sim de apenas impedir que mais pessoas contribuam para o crescimento de uma instituição que conquistou adeptos em todo o mundo e agora, à força, querem que volte à sua dimensão anterior – algo tão difícil como fazer a rolha da champanhe voltar a tampar hermeticamente a boca da garrafa.

Um amigo santista acaba de me enviar uma revista Placar de 5 de março de 1976 que pode nos dar alguma pista das origens desse sentimento exclusivista que toma conta de alguns torcedores do Alvinegro Praiano. Nessa revista, há uma matéria de cinco páginas sobre o Santos, intitulada “Os feitiços da Vila”, na qual o presidente do clube na época, o senhor Modesto Roma (São Vicente, 15 de julho de 1907 – Santos, 6 de março de 1986), pai do atual presidente, pregava que o mesmo time que conquistou o mundo deveria voltar a ser apenas de sua cidade.

O velho Roma dizia, em março de 1976, que a saída financeira para o Santos era jogar na Vila Belmiro. Porém, conforme as súmulas dos jogos daquele período, impressas no Almanaque do Santos FC, escrito por Guilherme Nascimento, o quadro que se via era o mesmíssimo do atual, com o time conquistando seus maiores públicos nos jogos na Capital Paulista, e ainda colecionando muito mais derrotas na Vila Belmiro do que em São Paulo.

É preciso lembrar, ainda, que naquela época o Urbano Caldeira não tinha camarotes, os ingressos eram mais baratos e se permitia vender entradas para se assistir aos jogos de pé. Isso podia fazer a Vila receber públicos de até 30 mil pessoas, como ocorreu em 15 de fevereiro de 1976, quando, diante de 31.662 torcedores, o Santos foi goleado pelo Palmeiras por 5 a 0. Na maior parte dos jogos no seu estádio, porém, nesse mesmo período de 1976, o público era até menor do que hoje, como diante da Portuguesa Santista (5.104 pessoas), São Bento (3.977), Botafogo (7.838) e nos amistosos contra Saad (1.173), Ponte Preta (1.438) e Marília (4.002).

Mesmo mandando todos os seus jogos na Vila, o Santos não se classificou para a fase final do Campeonato Paulista, ficando em quinto e penúltimo lugar no Grupo C, atrás de Palmeiras, Ponte Preta, América e Noroeste. Os jogos de maior público com mandos do Santos, em 1976, ocorreram no segundo semestre, durante o Campeonato Brasileiro, nas partidas contra o Internacional, no Morumbi (83.995 pessoas) e Bahia, no Pacaembu (42.233 pagantes).

modesto roma - placar - frase

Certamente, Modesto Roma, que presidiu o Santos de 1975 a 1978, queria o melhor para o clube e agiu da maneira que julgou a mais correta para mantê-lo competitivo. Entretanto, depois de um primeiro semestre desastroso, percebeu que não poderia alijar dos destinos do Santos a grande torcida santista da Capital e recorreu a ela para recuperar as finanças do Santos.

Essa visão, abrangente e universal, é a que seria a mais indicada hoje, em que o clube estuda a participação em um empreendimento milionário que exigirá um investimento que ele não tem e ao mesmo o afastará da sua maior massa de torcedores, a mesma que socorreu o Santos quando Pelé parou e a imprensa esportiva de São Paulo já apostava que o Alvinegro Praiano voltaria às suas origens humildes.

Modesto Roma - capa da Placar de 5 de marco de 1976

Felizmente, Modesto Roma, o pai, percebeu a armadilha e aprumou o Santos no caminho que o consolidou, mesmo sem Pelé e os ídolos da década de 1960, como um dos maiores e mais populares times de futebol do Brasil. O que se espera agora é que, nesse momento delicado para a vida do clube, seu filho tenha a mesma visão e sabedoria, e saiba aliar as vantagens de ter o clube sediado na tranquila e aprazível cidade de Santos, com a enorme e apaixonada massa de torcedores que conquistou no planalto.

E você, o que acha disso?

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Conheça os tempos em que o Santos reinava no futebol mundial
odir e joel
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Como o mundo vê o Santos
Por mais que, no Brasil, vivamos essa dicotomia entre o Santos de sua cidade e o Santos do país inteiro, no Exterior não há dúvida de que o Santos é olhado como uma equipe universal. Nas minhas pesquisas invariavelmente me deparo com matérias, em outras línguas, sobre os ídolos e as conquistas de nosso time. Em 29 de agosto encontrei esta, escrita por Marcelin Chamoin. Fiquei feliz de saber que ela traz trechos de meu livro “Donos da Terra” e filmes postados no Youtube pelo amigo Wesley Miranda, uma prova de que nossos trabalhos para preservar a história do Santos sempre dão algum fruto, às vezes inesperado, em algum lugar do planeta.
Clique aqui para ler o texto, em francês (dá para traduzir) de Marcelin Chamoin, sobre o Santos e Pelé.

E você, o que acha disso?


Celso Jatene diz por que o Pacaembu é a solução

jatene e eu grande Troca de livros no gabinete do vereador.

Enquanto era Secretário de Esportes da Cidade de São Paulo, muitos santistas esperaram que o vereador Celso Jatene, 57 anos, reconhecido torcedor do Santos e um dos fundadores da Torcida Jovem, pudesse interceder para que o clube assumisse o Pacaembu. Porém, homem que leva a sério a atividade pública, Jatene teve comportamento exemplar e se manteve imparcial no caso, sem dar sequer declarações sobre o assunto. Agora, porém, que se afastou da Secretaria de Esportes, fui ouvi-lo, em seu gabinete na Câmara dos Vereadores, e fiquei otimista ao saber que há uma possibilidade real, econômica e extremamente rentável de o Santos assumir o controle do Pacaembu por até 10 anos.

Não é preciso que o clube gaste centenas de milhões para transformar o estádio em uma arena. Como me explicou Jatene, basta ao Santos fazer uma proposta de convênio com a Prefeitura paulistana, com duração de cinco anos e possibilidade de prorrogação de mais cinco, para, provavelmente, deter o controle do estádio, mantendo-o como está, apenas com a obrigação de pagar suas despesas mensais, o que já lhe daria o direito de explorá-lo como seu proprietário. Disse-me o vereador:

“Em vez de o Santos apresentar o projeto de uma arena que não é do clube e servir de garoto propaganda para empreiteiras que têm interesse em construir espaço de lazer em Santos, em vez de compartilhar essa arena com clubes de divisões menores e receber percentual miserável por isso, seria muito mais interessante que o Santos fizesse uma proposta de convênio com a Prefeitura de São Paulo, com o prazo de validade de cinco anos e possibilidade de ser prorrogado por mais cinco, para se responsabilizar pelos custos do Complexo Esportivo do Pacaembu. Em contrapartida, o clube ficaria com o estádio à sua disposição nesse período.

“Não seria o caso de uma concessão, porque a mesma requereria um investimento alto para transformar o Pacaembu em arena. Com certeza absoluta a Prefeitura não se oporia a um convênio com o Santos, o que, sem dúvida, levantaria a auto estima da enorme torcida santista na Capital e na região metropolitana.

“É um erro achar que aumentar a capacidade de uma arena em Santos aumentará o público dos jogos do Santos em Santos, pois a maior parte do público dos jogos do Santos em Santos é da Capital.”

Menos investimento e muito mais retorno

Com capacidade para 40.199 pessoas, o Pacaembu é o estádio mais bem localizado do Brasil. Em bairro nobre, próximo à avenida Paulista, servido por linhas de ônibus e de metrô, a bela praça de esportes está identificada com a torcida do Santos e já testemunhou inúmeros títulos do time, entre eles a primeira Copa Libertadores conquistada no estádio, em 2011, quando o Alvinegro Praiano bateu o Peñarol por 2 a 1.

Em 11 de dezembro de 1977, com uma grande maioria de santistas, a partida Palmeiras 1 x 1 Santos bateu o recorde de público do Pacaembu, com 68.327 pagantes. Uma pesquisa da revista Placar e um capítulo do livro Time dos Sonhos provam que este jogo superou o público de São Paulo 3 x 3 Palmeiras, de 24 de maio de 1942, quando foram computados, aleatoriamente, quatro mil sócios de cada clube.

Ao assumir o Pacaembu, o Santos ampliaria sua campanha de sócios, pois poderia reservar boa parte dos assentos do estádio para seus associados. Poderia também implementar várias ações de marketing e merchandising, aumentando sua visibilidade e suas chances de assinar com um patrocinador máster. Além disso, se outros clubes quiserem usar o Pacaembu nesse período, o aluguel será pago ao Santos, que terá o estádio como uma fonte de renda em pleno coração da cidade mais rica do País.

A receita do Pacaembu permitira que o clube sanasse suas dívidas mais rapidamente, sem colocar em risco o seu patrimônio, o que, infelizmente, ocorrerá caso mergulhe de cabeça nesse negócio extremamente vultoso e arriscado que é a arena no terreno do Portuários, que o obrigará a mandar todos os seus jogos lá, com um percentual mínimo de faturamento.

As diferenças entre esse convênio com a Prefeitura de São Paulo e as condições para o Santos ser parceiro na pretensa arena construída no terreno do Portuários são gritantes. Enquanto na arena ele só ficaria com 125 mil de uma renda líquida de um milhão de reais, o que lhe proporcionaria 500 mil reais em quatro jogos por mês, no Pacaembu esses mesmos confrontos lhe dariam um lucro mensal superior a três milhões de reais.

Outra diferença é que para pagar as contas de sua parte de apenas 40% da arena, o Santos teria de manter um público médio superior a 18 mil pagantes, com ticket médio de 82 reais, que seria o mais caro do Brasil. São números irreais, de um acordo impossível de ser cumprido. No Pacaembu, com 13 mil lugares a mais, encravado em uma região na qual vive a maioria dos torcedores do Santos, o ticket médio não precisaria passar de 50 reais para que o clube tivesse um lucro líquido de um milhão de reais por jogo.

Formado em Direito pela Universidade Mackenzie, Celso Jatene tem sido um dos vereadores mais atuantes da cidade. Em 2012 foi reeleito para o seu quarto mandato consecutivo, com 52.099 votos, a maior votação de sua coligação. É candidato a vereador na eleição que ocorrerá em 2 de outubro e elegerá prefeito, vice-prefeito e 55 vereadores.

Sobrinho de Adib Jatene, ex-ministro da saúde e conceituado médico cardiologista, falecido em 2014, Celso teve o apoio e o aconselhamento do tio para ingressar na vida pública. Conhece muito bem os deveres da profissão. Nunca escondeu, porém, sua preferência no futebol, e é autor do belíssimo livro “10 décadas, a História do Santos Futebol Clube”. Tive uma ótima impressão dele. Já tenho meu candidato a vereador de São Paulo.

E você, não acha que o ideal para o Santos é assumir o Pacaembu?

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Falta caráter de campeão

Em memória do ex-presidente do Santos de 1994 a 1998, Samir Abdul-Hack, falecido na semana passada, aos 75 anos, lembro uma matéria que fiz com ele em 1995, para a minha Revista do Futebol. Na matéria, ele explicava como havia pago a dívida do clube e montado um time competitivo, campeão brasileiro moral daquele ano.

samir abdul hack

FALTA CARÁTER DE CAMPEÃO

Se o Santos foi o time que teve mais jogadores na Seleção Olímpica e também na principal, é óbvio que, ao menos tecnicamente, tem elenco para ser campeão brasileiro. Mas um campeão não se faz apenas com técnica, e sim com personalidade, caráter, e isso esse time do Santos não tem, como ficou mais uma vez provado nessa derrota preguiçosa e desmotivadora para o Figueirense, na Vila Belmiro.

O Santos repete o comportamento de fracassar justamente no momento de assumir a luta pelo título brasileiro. Desde que a diretoria vendeu o mando de campo contra o Flamengo, o time foi derrotado por três equipes que lutam contra o rebaixamento: o lanterninha América Mineiro, o Coritiba, e agora, em plena Vila Belmiro – onde já havia sido derrotado pelo Internacional – cai diante do Figueirense, que se defendeu em 70% do tempo e deu algumas espetadas, suficientes para conseguir o pênalti que lhe garantiu a vitória.

Ao ver o Santos jogar contra o Figueirense tivemos a certeza de que não havia um conjunto em campo, mas sim uma série de individualidades preocupadas apenas com suas carreiras solo. E o problema é que nem a comissão técnica e nem a diretoria têm conseguido levar o time a buscar o objetivo de todos os santistas em 2016, que é o título nacional. Parece que os jogadores têm o seu próprio pacto, e ele não inclui brigar por troféu algum.

Lutar por um título dá trabalho. São rodadas e rodadas de tensão, esforços por vitórias quase impossíveis, empenho em cada partida, em cada jogada. Enfim, é uma mão de obra danada. E quando está na luta pelo título, a cobrança da torcida e da opinião pública é maior. Todos os olhares se voltam para os times que realmente querem o caneco. Ficar mais atrás, sem se preocupar com a primeira posição e nem mesmo com um lugar no G4, é bem mais cômodo, com a vantagem de que o salário continua o mesmo. Colocar o título como maior objetivo é coisa de jogadores antigos que ainda se preocupam com isso. Dá para ficar milionário sem nunca ser campeão de nada. Quem ainda se preocupa com currículo?

Um time que domina, domina, domina e não chuta a gol, parece estar pedindo para tomar um no contra-ataque. O santista já viu isso tantas vezes que no primeiro tempo, mesmo quando tinha quase 80% de posse de bola, muitos leitores deste blog já temiam que isso acontecesse. É meio que a crônica da derrota anunciada. Até porque o Santos podia estar sem vontade, mas do outro lado havia um adversário lutando com unhas e dentes por um resultado que o afastasse da zona de rebaixamento.

Ingênuo, o torcedor santista, eu inclusive, acreditava que com a volta do trio olímpico o time voltaria a jogar bem e caminharia para ser campeão brasileiro, o que não ocorre desde 2004. Porém, ao assistir os últimos 15 minutos do jogo contra o Vasco e esses mais de 100 minutos contra o Figueirense, ambos diante de sua torcida, percebe-se que este Santos joga quando quer, independentemente do adversário, de estar com todos os titulares, de ter descansado suficientemente, do clima, das marés, da situação do campeonato.

Se eu fosse maledicente, diria que o negócio bem-sucedido com Gabriel e a festa prometida para o garoto após o jogo deixou alguns cardeais da equipe incomodados. Lucas Lima só enrolou, Ricardo Oliveira mal pegou na bola e Victor Ferraz andou pelo campo, como barata tonta. Mas acho que foram apenas coincidências, claro. Não é porque na hora da homenagem deixaram Gabriel sozinho no campo que estão com inveja do garoto.

Se eu fosse realmente maledicente, diria que Lucas Luca e Ricardo Oliveira estão de saco cheio e não veem a hora de também sumirem do Santos. Diria que Zeca e Thiago Maia foram dos poucos que jogaram com vontade (este último com vontade demasiada, a ponto de cometer um pênalti por afobação). Diria, ainda, que Dorival Junior não colocou o seu querido Cittadini para não queimar o garoto, mas jogou Jean Motta e Vecchio na fogueira (Vecchio se saiu muito bem, mas será que será escalado no próximo jogo? Como saber, se a cabeça do Dorival é como bumbum de nenê?).

Essa busca por fazer cada jogador se empenhar pelo time é, talvez, o maior desafio de um técnico e de um departamento de futebol. Ao ver o Santos jogar, percebe-se que falta esse comando e essa disciplina. Cada jogador parece jogar apenas para si. Na saída do campo, as mesmas respostas de sempre, ninguém diz que agora o título ficou mais distante, e sabe por quê? Porque ninguém, na verdade, está pensando nessa conquista, apenas nós, torcedores, que depositamos o nosso sonho nos pés de um grupo acomodado.

Caráter de campeão também faz falta ao técnico Dorival Junior, que nesse domingo levou um nó tático de um desconhecido técnico interino. A Dorival falta a personalidade de colocar um figurão no banco até que volte a jogar com vontade, o que técnicos de maior personalidade, como Luxemburgo e Leão, certamente fariam. Com Dorival, alguns jogadores são intocáveis, mesmo quando se arrastam na partida, como ocorreu contra o Figueirense. Dorival é um placebo, um amigão dos jogadores que, como já diria Maquiavel, terá a cabeça cortada quando se insurgir contra a esbórnia.

Contra o Figueirense, Lucas Lima, Ricardo Oliveira, Victor Ferraz e Vitor Bueno foram nulos. Pouco se empenharam para mudar a sorte da partida e perderam um jogo decisivo, em casa, para um dos piores times do campeonato, sem demonstrar o mínimo aborrecimento. Sabem que a cobrança sobre eles não existe. Não serão multados, não perderão lugar no time, no próximo jogo em casa a torcida cantará novamente seus nomes … Enfim, estão assoviando e andando. Milhões de santistas ficarão de cabeça inchada mais um domingo? Danem-se. Os que têm, ou acham que têm, mercado lá fora, querem é seguir o mesmo caminho de Gabigol. Faltam só três dias para fechar a janela para a fortuna. Ah que inveja do moleque!

Santos 0 x 1 Figueirense

Campeonato Brasileiro
Vila Belmiro, 28/08/2016, 11 horas

Público: 11.456 pagantes. Renda: R$ 465.045.

Um detalhe: somados o público deste domingo e o do meio da semana, contra o Vasco, o público na Vila deu cerca de 17.500 pagantes, com uma média de 8.750 pessoas por jogo e ticket médio de 40 reais. Para a areninha no Portuários dar certo, será preciso, por 20 anos, um público médio de mais de 18 mil pessoas, com um ticket médio de 82 reais! Ou seja: será preciso mais do que dobrar o público e o valor dos ingressos.

Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, David Braz (Jean Mota, aos 22’/2T) e Zeca; Thiago Maia e Renato; Vitor Bueno (Vecchio, aos 36’/2T), Lucas Lima e Copete (Gabriel, intervalo); Ricardo Oliveira. Técnico: Dorival Júnior.

Figueirense: Gatito Fernandez; Ayrton, Werley, Marquinhos (Bruno Alves, aos 6’/1T) e Marquinhos Pedroso; Ferrugem (Renato aos 21’/2T), Jackson Caucaia, Elicarlos (Jefferson, aos 18’/1T) e Dodô; Rafael Moura e Lins. Técnico: Tuca Guimarães.

Gol: Rafael Moura (pênalti, aos 2 minutos do segundo tempo).

Arbitragem: Bruno Arleu de Araújo, auxiliado por Dibert Pedrosa Moises e Thiago Henrique Neto Correa Farinha, todos do Rio de Janeiro.
Cartões amarelos: Copete, Thiago Maia e Renato (Santos); Ferrugem e Werley (Figueirense).

E você, o que acha disso?

Areninha: números irreais
Usando a tevê de Marcelo Teixeira como apoio, Modesto Roma tem semeado a ideia de que a arena no terreno do Portuários é um grande negócio para o Santos e a cidade de Santos. Como pode ser bom um negócio com um primeiro orçamento de 465 milhões de reais, mais do que o dobro do patrimônio atual do clube, no qual o Santos terá de arcar com 40% das despesas de manutenção e só receberá 12,5% do lucro líquido nos primeiros cinco anos, passando a 40% só depois de 20 anos? Para se pagar a arena, o público médio terá de ser superior a 18 mil pagantes e o ticket médio de 82 reais – valor 31% maior do que os 57 reais cobrados pela moderníssima Allianz Parque. E não se pode esquecer que a média de público da Vila Belmiro é a 18ª entre os clubes brasileiros, com 9.409 pagantes. Clique aqui para conhecer o ticket médio dos estádios brasileiros.

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Um brinde à lógica

As relações no futebol frequentemente são movidas pelas paixões, e se é verdade que isso tem o seu lado positivo, pois cria uma duradoura fidelidade entre o time e seus torcedores, por outro é profundamente negativo, pois o afasta das decisões mais racionais e produtivas que viriam para torná-lo forte, saudável e competitivo indefinidamente. O Santos vive esse dilema nesse momento.

Gabigol se foi. Deixará de ser o garoto mimado na Internazionale. Para começar, raspou a ridícula barba branca. Lá terá de aprender a usar o pé direito. Incompleto como jogador e imaturo como ser humano, deixará 18 milhões de euros, ou R$ 64,8 milhões nos cofres do Santos. Ótimo. Rezemos para que essa diretoria use a verba da maneira mais inteligente e transparente possível, de preferência pagando as contas que colocam o clube à beira da insolvência.

A venda do passe de Gabriel e as propostas por Zeca e Lucas Lima provam que revelar ou recuperar jogadores, e depois negociar seus passes com o mercado internacional, sempre será uma alternativa para sair do sufoco financeiro, desde que mantenha um ótimo trabalho de base. Por isso, acho muito mais importante a construção de um moderno CT para os infanto-juvenis do que uma pequena arena ao lado da Vila Belmiro.

Não vejo, porém, motivos para grandes preocupações técnicas com a saída do jovem atacante de 19 anos. Gabriel andava muito individualista, jogando apenas para si, reclamando da arbitragem e dos companheiros. Que seja feliz por lá. Das opções possíveis, eu colocaria Copete na meia-esquerda, daria liberdade para Zeca penetrar mais pela ponta-esquerda, pois ele faz isso melhor do que Copete, e providenciaria para que houvesse uma boa cobertura por aquele lado do campo.

Domingo na Vila, dia do tigre

Neste domingo, às 11 horas da manhã, o Santos enfrenta o Figueirense na Vila. Sabemos que o time jogará bem diferente de como o faz longe do centenário Urbano Caldeira. Nenhum santista poderá duvidar da vitória. O time deverá ser Vanderlei, Victor Ferraz, Luiz Felipe, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia, Vitor Bueno e Lucas Lima; Copete e Ricardo Oliveira.

No time de Santa Catarina o técnico Angel Fucks já rodou e o novo professor é Tuca Guimarães, que, sem o experiente Carlos Alberto, suspenso, deverá escalar o time com Gatito Fernández (Thiago Rodrigues), Ayrton, Marquinhos, Werley (Bruno Alves) e Marquinhos Pedroso; Jackson Caucaia, Elicarlos, Ferrugem e Elvis; Lins e Rafael Moura.

No meio da semana o Figueirense, em casa, fez 4 a 2 no Flamengo, com boa atuação do artilheiro Rafael Moura, que merece atenção. A arbitragem será de Bruno Arleu de Araujo (CBF), auxiliado por Dibert Pedrosa Moises e Thiago Henrique Neto, ambos do Rio de Janeiro.

Marcelo Teixeira é contra o estádio em Santos

Como já escrevi, por incrível que possa parecer para alguns, o ex-presidente Marcelo Teixeira tem se mostrado menos bairrista e mais racional do que o atual presidente do Santos, Modesto Roma Junior. Para Teixeira, o Santos deve construir o seu estádio, preferencialmente, na região do ABCD ou na Capital. Isso é o óbvio dos óbvios, pois nessas regiões o time teria um público bem maior e poderia cobrar mais pelo ticket médio, mas a afirmação causa surpresa por vir de Teixeira, para muitos o criador da criatura que hoje dirige o clube.

Sei que esses assuntos são discutidos com muita paixão e há quem se aproveite do preconceito, do bairrismo e do pouco conhecimento do torcedor para jogar santistas contra santistas e assim dividir para reinar. Porém, se os santistas usassem apenas a lógica para suas opiniões e decisões sobre o clube, creio que quase todos concordariam que o futebol, profissional e de base, deve permanecer em Santos, assim como todas as áreas do clube, menos o marketing, que deve estar próximo dos maiores potenciais patrocinadores.

Quanto ao local dos jogos, para mim não é hora de se arriscar em um negócio nebuloso como este da areninha. O correto é continuar revezando as partidas entre Vila Belmiro e Pacaembu. E na hora de se construir um novo estádio, que a decisão seja tomada por profissionais.

E você, o que acha disso?


Castigo veio no fim

Mal o jogo terminou e meus dois irmãos me ligaram. Ambos estavam bastante irritados com o fato de o Santos tomar o gol do Vasco no último lance do jogo. Marcos achou que a defesa falhou e o Vanderlei jamais poderia ter espalmado para dentro da área, Olivar disse que o time sempre toma gol nos últimos minutos da partida e que agora dificilmente evitará a desclassificação em São Januário, pois fora de casa costuma jogar mal e sem vontade. Mesmo descontando o fator emoção de momento, tenho de concordar que isso que ocorre com o Santos é frustrante mesmo.

O time vencia por 3 a 0 – gols de Renato e Ricardo Oliveira no primeiro tempo, e Lucas Limas no segundo – e criava mais chances para marcar. Se Copete conhecesse melhor a lei do impedimento, Ricardo Oliveira teria feito o quarto gol. Enfim, o Vasco estava batido e o confronto da Copa do Brasil parecia liquidado logo na primeira partida.

Foi então que Dorival Junior resolveu substituir Gabriel por Copete, aos 22 minutos do segundo tempo. Parecia uma boa substituição, já que Gabriel parecia mais interessado em reclamar da arbitragem e alisar sua barba branca do que jogar para o time. Porém, Copete entrou muito mal, tanto na marcação, como no apoio ao ataque.

Aos 36 minutos Dorival fez o que muitos de nós temíamos: tirou Lucas Lima, o jogador mais técnico do time, aquele que melhor prende a bola, e colocou o indefectível Léo Cittadini, aquele que não sabe marcar, que nunca corre, apenas trota, e joga como se estivesse no piquenique dos amigos de colégio. Nesse momento, tive certeza de que o Santos tomaria um gol.

E o gol do Vasco, como alertava insistentemente o narrador Odinei Ribeiro, do Sportv, poderia mudar as coisas do vinho para a água, pois, no jogo de volta, em São Januário, tornaria uma vitória da equipe carioca por 2 a 0 suficiente para eliminar o Santos da Copa do Brasil.

Torci como nunca para que o gol não saísse, apesar de o Santos ter abdicado totalmente do ataque. Contei os minutos e posso dizer, com certeza, que a partir dos 35 minutos do segundo tempo, até os cinco de acréscimo, ou seja, nos 15 minutos finais, o Santos mal tocou na bola. Recuou todo e não quis mais jogar futebol. O Vasco dominou totalmente e chegou facilmente à área santista, pois quem dava o primeiro combate aos vascaínos era o trotador Cittadini e o trombador Copete.

Por outro lado, sem Lucas Lima o Santos perdeu totalmente a capacidade de segurar a bola e articular jogadas. Os jogadores de meio campo cercavam aqui e ali, como baratas tontas. Quando faltavam alguns segundos, imaginei que o milagre de terminar o jogo sem tomar gol se concretizaria, mas deixaram um adversário chutar, Vanderlei espalmou para o meio da área, Luiz Felipe chegou atrasado e Éder Luís marcou, no último, isso mesmo, no último lance do jogo.

Agora, se vencer por 2 a 0 em casa o Vasco estará classificado. E se o Santos jogar como o fez nos últimos 15 minutos, 2 a 0 será pouco. Ainda continuo tentando entender o que faz um técnico colocar um jogador que não sabe marcar em um momento da partida em que a boa marcação é fundamental. O Yuri deve ter feito alguma coisa para o Dorival. Não sei o que foi, mas deve ser algo grave. Ninguém merece ser reserva de Léo Cittadini.

A Vila Belmiro recebeu um público de 6.130 pagantes, com renda de R$ 231.065,00. E domingo tem outro jogo no mesmo estádio. Se a média de público dos dois jogos der 7.700 pessoas, será muito. Em pensar que a empresa que quer empurrar a arena no terreno do Portuários goela abaixo dos santistas disse que o Santos precisará de um público médio superior a 18 mil pessoas, com tickek de 84 reais, para, em 30 anos, pagar a conta do estádio. Sabe quando?

Apesar da vitória, os zagueiros Gustavo Henrique e Luiz Felipe se mostraram inseguros e quase entregaram o ouro. Vanderlei vinha bem até falhar no gol vascaíno. Dos olímpicos, Thiago Maia foi o melhor, Zeca não comprometeu e Gabriel voltou da Seleção jogando menos e falando mais. Ricardo Oliveira e Vitor Bueno fizeram um bom primeiro tempo, mas sumiram no segundo. Lucas Lima correu um pouquinho e já se destacou. Victor Ferraz teve altos e baixos, Renato caiu na segunda etapa e Copete voltou a jogar mal.

Por incrível que pareça, esse gol do Vasco no finalzinho do jogo muda completamente a expectativa para a partida no Rio. Como virá para cima do Santos desde o começo, e como esse sistema defensivo do Alvinegro Praiano, quando apertado, confessa, espero queimar a língua, mas acho que agora o favorito para a vaga é o alvinegro carioca.

Veja e ouça agora o comentário de Gustavo Roman, o melhor comentarista do Brasil:

Santos 3 x 1 Vasco
Copa do Brasil, Vila Belmiro, 19h30
Público: 6.130 pagantes. Renda: R$ 231.065,00.
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Zeca; Renato, Thiago Maia, Vitor Bueno e Lucas Lima (Léo Cittadini 36′ 2ºT); Gabriel (Copete 22′ 2ºT) e Ricardo Oliveira. Técnico : Dorival Júnior.
Vasco : Martín Silva; Madson (Evander 15′ 2ºT), Luan, Rodrigo e Julio Cesar; Diguinho, William (Yago Pikachu – intervalo), Andrezinho e Nenê (Eder Luis 36′ 2ºT); Éderson e Jorge Henrique. Técnico : Jorginho.
Gols : Renato aos 30 e Ricardo Oliveira, cobrando falta, ais 36 minutos do primeiro tempo; Lucas Lima aos 20 minutos e Éder Luis aos 50 minutos do segundo.
Arbitragem: Heber Roberto Lopes, auxiliado por Kleber Lucio Gil e Nadine Schramm Camara Bastos, todos de Santa Catarina.
Cartões amarelos : Lucas Lima (Santos); Madson e Diguinho (Vasco).

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