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A FÁBULA DO ESTÁDIO GRATUITO

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

O presidente Modesto Júnior teria dito na última reunião do CD que o Santos “não terá que desembolsar um tostão” pelo estadinho que vem propondo. Frase que poderia ser mal-entendida por santistas incautos como “free lunch”, almoço gratuito, noção popularizada pelo título de um livro do Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, “There ain’t no such thing as a free lunch”, “não existe algo como um almoço gratuito”.

Poderia aguardar mais quatro dias a reunião do Conselho Deliberativo do dia 18 de Agosto de 2016 para comentar em cima do apresentado porque o almoço sairá muito caro, mas prefiro especular antes da reunião e cometer erros, para prevenir um ou outro conselheiro desprevenido.

1 – O exemplo do financiamento do Allianz Parque

Por desconhecimento do contrato com a WTorre e falta de desmembramentos dos valores do Lucros e Perdas do alviverde de 2015 não sabemos exatamente quantos tostões o Palmeiras paga por ano à WTorre. As considerações que seguem são chutes e efetuadas como modelo.

A taxa fixa por jogo que o Palmeiras é obrigado a pagar à WTorre, foi alvo de seguidas críticas do Presidente Paulo Nobre, que na entrevista “Nobre se sente refém da WTorre e considera estádio do Palmeiras caro”, relatou: “…se eu não conseguir R$ 700 mil de renda, pago para jogar”, declarou. “É lindo ver uma renda de R$ 2 milhões, só que, quando der R$ 500 mil, vou pagar de R$ 200 mil a R$ 250 mil. É um estádio caro, o custo fixo é altíssimo.”

Considerando 750.000,00 reais por partida e se assumirmos 36 partidas por ano (19 Brasileirão, 10 Paulistão, 7 Copa Brasil, Libertadores e outros), a taxa paga à WTorre totalizaria 27 milhões de reais em um ano (750.000 x 36). Valor que deve estar contido nas “despesas com jogos” de 42,9 milhões de reais, publicados no Lucro e Perdas do clube de 2015.

A questão é saber quais são as despesas correntes efetivas atribuíveis à manutenção e à operação do Allianz Parque, sem incluir a depreciação do investimento, para deduzir até que ponto a taxa de aluguel cobrada por jogo serve para a indenização dos investimentos de 670 milhões de reais efetuados pela WTorre.

Se assumíssemos a mero título de exemplo que as despesas efetivas e correntes de operação e manutenção do Allianz Parque da WTorre, como manutenção, eletricidade, água, imposto predial, segurança, administração e limpeza, excluídas as depreciações, fossem de 1 milhão de reais mensais, ou seja, 12 milhões de reais ao ano e que o estádio seja utilizado a cada ano para 36 partidas de futebol e a 12 shows, portanto a 48 eventos em um ano, a fatia de despesas, se alocada equitativamente a cada evento, corresponderia a 12.000.000/48 = 250.000 reais. Como o Palmeiras seria cobrado por uma taxa de 750.000 reais por partida, o valor restante de 500.000 reais por partida (=750.000-250.000) só pode corresponder à indenização o dos investimentos feitos pela WTorre no estádio.

Pagamentos de 500.000 reais por partida para 36 partidas e 30 anos, equivaleriam a 540 milhões de reais ao longo do contrato apenas para indenizar o custo de construção da WTorre. Este valor pago em 30 anos descontado para valores de 2014 com uma taxa real (acima da inflação) de 3,5% ao ano resultaria em 331 milhões de reais.

Portanto assumíssemos que as despesas correntes do estádio sem depreciação totalizassem 1 milhão de reais mensais, o Palmeiras pagando 331 milhões de reais a valores de 2014 indenizaria no mínimo 49% dos custos de construção de 670 milhões reais à WTorre.

Se assumíssemos que as despesas correntes do estádio fossem apenas 500.000 reais mensais, o Palmeiras indenizaria a WTorre com 414 milhões de reais a valores de 2014, portanto 62% do custo do estádio.

Caso o Palmeiras tenha cedido os direitos do terreno por 30 anos sem qualquer compensação em caixa, a WTorre seria beneficiada através da cessão gratuita do mesmo. Se um aluguel do terreno fosse calculado para estacionamento em terra batida pouco valeria, mas como local de promoção de shows com as receitas milionárias de cada, seria muito alto, mesmo que devesse ser estipulado em função do lucro dos shows e não em função das receitas de venda de ingressos. Afinal de contas a localização do terreno é a grande fonte dos negócios da WTorre.

Faltaria considerar o efeito que ao longo dos anos de a Wtorre repassar porcentagem crescente dos naming rights (12 milhões de reais por ano) e das receitas de shows ao Palmeiras, mesmo que o crescimento do repasse de receitas de bilheteria possa levar a um novo contencioso, se for baseado apenas em “receitas“, como diz a imprensa.

Devemos concluir que não haverá almoço gratuito para o Palmeiras e que muito pelo contrário, o clube indenizando no mínimo mais da metade do custo do estádio em dinheiro e acrescentando ao pagamento o valor não cobrado de um aluguel do terreno, pagará algo mais perto do custo total do estádio à WTorre.

2 – Os almoços do Palmeiras e da WTorre

Embora o almoço do PALMEIRAS tenha sido caro, a “arrecadação com jogos” do clube totalizou 87,2 milhões de reais em 2015. Considerando a taxa anual paga a Wtorre ao valor que chutamos de 27,0 milhões, a margem bruta do estádio para o Palmeiras seria da ordem de 60 milhões de reais anuais, simplesmente fantástica:

1- Receitas de jogos: +87,2 milhões (Lucros e Perdas 2015)
2- Taxa paga à WTorre: -27,0 milhões (como chutado neste neste post)
3- Margem bruta após taxa: +60,2 milhões (1-2)
4- Outras despesas de jogos: -15,9 milhões (42,9 Lucros e Perdas- 2)
5- Margem dos jogos: +44,3 (Lucros e Perdas 2015, 87,2-42,9,)

Por sua vez a WTORRE financiou projeto com o Banco do Brasil a juros decentes, construiu um estádio no meio da crise da construção civil, faz o Palmeiras pagar NO MÍNIMO a metade do custo de construção pela taxa que cobra por jogo, obteve porventura do Palmeiras a cessão gratuita dos direitos sobre o terreno por 30 anos, cujo aluguel valeria milhões, resultando para ela assim um estádio a sua disposição durante 30 anos para realizar shows.

Estimando preços de ingressos para shows substancialmente maiores os do futebol e que em alguns shows houve comparecimento de quase 55.000 espectadores, seria realista um faturamento de bilheteria por show entre 5 e 10 milhões de reais por show. E haverá talvez 12 shows por ano, dos quais apenas um ou dois nas dimensões reduzidas do anfiteatro, os demais em estádio pleno.

Além disso a WTorre fatura o catering, estacionamento, patrocínios, incluindo o dos naming rights, comercialização de camarotes e de cadeiras cativas. Portanto ao todo um autêntico negócio da China para a WTorre.

A questão é saber por que numa parceria que rende tanto lucro, suficiente para satisfazer todas as partes envolvidas, existem tantos litígios e processos entre as partes até a defecção da AEM.

As respostas possíveis seriam, que contratos com tantas dependências recíprocas e com uma duração de 30 anos sejam contenciosos por natureza e levem invariavelmente a litígios e processos, os sucessores não aceitando o acordado pelos predecessores. Ou, que os contratos entre o Palmeiras e a WTorre foram mal feitos. Ou que a WTorre mesmo tendo um lucro extraordinário com o projeto, estaria numa situação financeira tão catastrófica, que tenderia explorar o projeto além do acordado.

3 – O almoço do Santos num Portuários, supondo um contrato igual ao do Palmeiras

Não há duvida que o raio geográfico de captação do Allianz Parque excede de forma substancial o do terreno dos Portuários, o que se deve à localização no centro da megalópole, na boca do Metrô conectado com os terminais de ônibus. Nos fins de semana, quando é realizada a maioria das partidas, o raio de captação do Allianz expande ainda mais em função da ausência de grandes engarrafamentos.

Se definirmos que o raio de captação de um estádio no Portuários corresponda à Baixada Santista, existiriam nele 600.000 torcedores do Santos. Chutaríamos que num raio de captação do Allianz Arena de acessibilidade equivalente, que como visto seria geograficamente bem mais amplo, existam 4 milhões de palmeirenses.

Se apenas 50% dos torcedores comparecessem aos estádios, ou seja, 2 milhões de palmeirenses e 300.000 santistas, encher um Allianz Parque de 43.000 lugares em 36 jogos ao ano só com palmeirenses requereria 1,58 milhões de comparecimentos palmeirenses em um ano (43.000 x 36), o que com 2 milhões de palmeirenses dispostos, implicaria que em média cada teria que ir ao estádio uma vez em um ano ou a cada dois anos (0,77 vezes por ano).

Encher o Estadinho em Santos de 25.000 lugares em 36 jogos só com santistas requereria 900.000 comparecimentos santistas em um ano (25.000 x 36), o que com 300.000 santistas dispostos a ir ao estádio implicaria que cada deveria ir ao estádio em média três vezes por ano para enchê-lo.

Não adianta argumentar que santistas virão o do planalto, algo que deve ser tomado como quantitativamente irrelevante. Para trazer 10.000 santistas do planalto ao estadinho seriam necessários 286 ônibus de 35 lugares.

Este exemplinho simplificado de comparação de mercado indica a tendência aterradora de que o santista para encher o seu estadinho no Portuários teria que comparecer com uma frequência quase 4 vezes maior (3,88=3/0,77) do que o torcedor palmeirense para encher o Allianz Parque.

Acrescente-se que a região metropolitana de São Paulo é ímã de mercado de trabalho, atraindo mineiros, gaúchos, baianos e populações de diversos estados, de maneira que o contingente de ingressos que o Palmeiras oferece às torcidas adversárias é facilmente vendível a torcedores do Grêmio, Cruzeiro, Flamengo, Sport residentes na capital. Além do mais muita gente do interior distante e de outros estados vêm à capital paulista para resolver negócios, fazer compras, visitar parentes e até estrangeiros a negócios, que aproveitando um fim de semana, desejam ver um jogo de futebol no Brasil para contar aos amigos. Coisa que pouco acontece em Santos.

O segundo fator é o poder aquisitivo menor em Santos, já hoje refletido pelo desnível significante do preço médio de ingressos vendidos entre o Pacaembu e a Vila Belmiro.

Não surpreende que em decorrência destes fatores, a arrecadação da Vila Belmiro tem sido fraca nos últimos anos não podendo se esperar um crescimento porcentual das receitas de bilheteria com um novo estádio da mesma ordem como ocorreu com o Allianz Parque.

Em 2015 foram realizadas 32 partidas de campeonato na Vila Belmiro, 8 pelo Paulista, 5 pela Copa Brasil e 19 pelo Brasileirão e chamou atenção que rendas significativas só foram registradas em decisões, que são possíveis unicamente na fase final do Paulista e na Copa Brasil. A final do Paulistão de 2015 contra o Palmeiras em 03/05/2015 com renda de 1.555.280 reais, correspondendo a 40% da arrecadação total dos oito jogos deste campeonato na Vila. A final contra o Palmeiras pela Copa do Brasil em 25/11/2015 teve uma arrecadação de 1.631.560 reais equivalendo a 47% da arrecadação dos 5 jogos realizados pela Copa na Vila.

Se não for final ou não houver uma fase decisiva, pouca gente vai à Vila. Nos clássicos pelo Brasileirão de 2015 vencidos contra os maiores rivais, o Corinthians em 20/06/2015 e o São Paulo em 9/9/2015 compareceram apenas 7.574 e 5.552 pagantes.

A arrecadação média das 32 partidas na Vila foi de 389.623 reais por jogo e se excluíssemos as duas finais, considerando apenas as 30 partidas restantes, 309.370 reais por jogo.

Se estimarmos que o estadinho consiga uma arrecadação de bilheteria na melhor das hipóteses de 900.000,00 de reais por jogo, o que seria otimista em relação ao desempenho da Vila Belmiro e o “consórcio” cobrasse um taxa de 550.000 reais por jogo (incluindo outros valores que porventura não sejam onerados em forma de taxa), resultaria uma margem de estádio de 350.000 reais em cima da taxa, no caso de 36 jogos por ano uma margem de 12,6 milhões de reais anuais. Sem contar com o fato de existirem outras despesas de jogos, com o risco cambial, o custo duplo da manutenção da Vila Belmiro como ”templo sagrado” (palavras do Modesto). A margem bruta total dos jogos deverá tender a zero e se for negativa, o uso do estadinho deverá ser financiado com receitas televisivas.

Então ao passo que o Palmeiras leva uma margem bruta depois da taxa de 60 milhões de reais com o pé nas costas e com tendência crescente devido ao repasse crescente dos shows nos próximos anos, o Santos numa projeção otimista levaria no máximo 12 milhões, ou menos.

A cláusula que impedirá o time se apresentar no seio da sua maior torcida em São Paulo por trinta anos, causará a perda gradual da mesma, representando um custo adicional do estadinho, que será manifestado pela erosão das receitas televisivas, de associados e de marketing em função do seu desaparecimento.

Além do mais o Palmeiras com uma margem bruta sobre a taxa paga à WTorre de cerca de 60 milhões de reais anuais estará nos próximos anos em condições de tomar um financiamento para comprar os direitos sobre o estádio da WTorre à vista, principalmente se estes estiverem penhorados pelo Banco do Brasil. O Santos com margem de na melhor das hipóteses de 12 milhões de reais anuais, estará fadado a ficar escravizado por 30 anos.

4 – TZB, uma empresa que foi salva da falência, o que faz hoje?

Deu na mídia que “Investidor português faz proposta para construir o novo estádio do Santos. O consórcio TBZ, de Portugal, que é responsável por construir a Arena do Grêmio demonstrou interesse e oficializou uma proposta, conforme revela o site UOL Esporte”.

A TBZ foi uma empresa portuguesa licenciadora e intermediadora de marcas e negócios, que oferecendo condições insustentáveis conseguiu num tempo de fogo de palha clientes de renome na Península Ibérica, inclusive o Benfica, o Porto e o Real Madrid, mas logo seguida em 2008 entrou em estado falimentar, com o seu presidente processado e os clientes de renome rescindindo os contratos. Como era financiada por um banco estatal, foi nacionalizada para tentar recuperar os empréstimos. Entrementes o Banco estatal foi vendido pelo governo.

Embora a TBZ antes da insolvência tenha sido envolvida no projeto inicial de Arena do Grêmio em 2007, a informação de que teria participado da construção da mesma, divulgada recentemente pelo UOL é falsa, como ilustrado num artigo na mídia portuguesa: ”De acordo com o Grémio de Porto Alegre, foi requisitada informação financeira sobre a empresa e, em vez de a entregar, a TBZ optou por se retirar”. Não consta na internet que a empresa na sua história tenha gerido qualquer projeto de construção de estádio.

Se a TBZ administrou o Estádio da Cidade de Coimbra para o clube Académico Coimbra que joga atualmente na segunda divisão, o foi por pouco tempo e a relação entre ela, a cidade e o clube foi no mínimo litigiosa. Tampouco consta que a empresa se engajou na gestão de qualquer outro estádio que não fosse o de Coimbra por curto tempo.

Cabe à empresa retificar estas constatações e apresentar os devidos comprovantes do que teria construído ou administrado.

Não se sabe o que a TBZ fez nos 8 anos após a insolvência até hoje, parece até que esteve reduzida a um simples razão social, sem qualquer empregado, e seja agora talvez reanimada para fazer uma oferta para o Santos. Praticamente não há informações recentes na internet sobre a empresa, tampouco site oficial acessível.

Cabe ao Modesto apresentar informações tangíveis sobre esta empresa, e quais são as pessoas físicas ou jurídicas por detrás deste razão social. Incrível que o Santos trabalhe com um fantasma desses, enquanto que o Grêmio em 2007 solicitava informações profissionais, que teriam feito a TBZ recuar do projeto.

5 – “Investidores ingleses” e operações abutres dos hedge funds

“Conseguimos o mais difícil, os investidores” foi o que o Modesto disse outro dia ao Perrone. Pode estar muito enganado o Modesto, porque considerando as condições mais prováveis da oferta recebida, pode ter conseguido o mais fácil. Soou como se o Odílio tivesse dito: “conseguimos o mais difícil, financiar o Damião”.

Outro comunicado do Santos diz que a “A construção seria viabilizada por investidores ingleses, sem auxílio financeiro da Prefeitura de Santos, como foi estudado anteriormente. O objetivo santista, até pelas dificuldades de caixa, é não gastar e dividir lucros de renda e shows da arena com as empresas e clubes envolvidos.“.

Quando “investidores ingleses” resolvem financiar um empreendimento num terreno como o do Portuários para um clube com um patrimônio líquido inferior a 200 milhões de reais negativos, e cujo estádio atual de capacidade quase igual rende receitas de bilheterias que estão entre as menores do Brasileirão e jogando numa Federação cujos últimos três presidentes foram indiciados pela Justiça Americana, deve-se pressupor que se trate de investidores especiais, como os pertencentes ao ramo que outrora era denominado como o de “vulture funds”.

Fariam o investimento com base numa rentabilidade extremamente alta para eles, baseada numa taxa fixa por jogo a ser paga pelo Santos, embrulhada num pacote contratual dificilmente inteligível para cartolas em transe, mas que atende ao desejo imediatos destes, como por exemplo, disponibilisar um jogador ou providenciar um estadinho, “sem gastar um tostão” para fechar o negócio antes que termine o mandato. Um embrulho também intransparente para os torcedores, devido à clausulas de confidencialidade impostas.

Os investidores em questão poderiam operar como os “vulture funds”, especializados em investir em projetos inadimplentes ou de prejuízo. Compram por exemplo títulos desvalorizados da República Argentina ou financiam a construção de estádios de poucas perspectivas de rentabilidade, como o do Portuários, mas na base uma rentabilidade excepcional para o seu investimento através dos contratos que firmam e de perspectivas de recuperação do capital por fatores alheios ao projeto.

No caso da República Argentina contam com a expectativa que futuros governos do país terem que se acertar cedo ou tarde com eles para voltar a acessar os mercados financeiros. Nos casos dos investimentos no Damião e num Estadinho do Portuários contam com a possibilidade de penhorar a vendas futuras de direitos econômicos de jogadores, como a Doyen fez no caso do Geuvânio e de penhorar as receitas televisas futuras.

“Vulture fund” significa “fundo abutre” e foi termo consagrado e socialmente aceito nos anos oitenta e noventa, não sendo pejorativo e usado até pelo Banco Mundial. O termo era apropriado porque os abutres se alimentam de carne podre e os abutres financeiros sabem aproveitar projetos e títulos podres. Com a globalização dos mercados financeiros o termo caiu em desuso, sendo que os abutres hoje gostam de se definir genericamente entre os “hedge funds”, que abarcam uma gama enorme de investidores em negócios de alta rentabilidade e de alto risco, desde os abutres puro sangue até aos mais sérios e economicamente construtivos.

Estas considerações são genéricas e não se aplicam necessariamente aos ”investidores ingleses” avisados pelo Modesto, porque não sabemos quem são, servem apenas para alerta aos conselheiros do Santos, mas a probabilidade que se trata de investidores que só farão um negócio de alta rentabilidade para eles em detrimento do Santos, é quase certa.

6 – A “divisão de lucros” do Estadinho provavelmente insuficientes e na base de taxas fixas

Explanado o que pode significar “sem pagar um tostão” e o que pode ter sido “dificuldade de achar investidores ingleses” vamos falar sobre o que o Modesto chamou de “dividir lucros”.

É doloroso como santista ver que os estádios do Grêmio, do Atlético Paranaense, do Corinthians e o da WTorre, foram financiados pelo BNDES e pelo Banco do Brasil (WTorre) a juros decentes, ao passo que o Santos se envolve com “divisores de lucros”, uma alternativa infinitamente mais cara e sendo os financiadores “ingleses” talvez até com risco cambial.

Além do mais a definição do Modesto de ”dividir lucros” pode ser imprópria, na medida em se deve esperar que o Santos tenha que pagar a taxas fixas por jogo ou por ano, mesmo quando não tiver lucro com o estádio.

Apostaria que a razão dessa escolha desvantajosa se deve ao fato que nenhuma instituição financeira séria quis financiar o estadinho, considerando o projeto pouco rentável e de alto risco e que seria irresponsável financiá-lo. Então o Modesto afobado querendo a todo o custo realizar o projeto na sua gestão, teria aderido a “investidores ingleses”.

O dramático da “divisão de lucros”, é que o Allianz Parque gera tanto lucro que seria possível dividi-lo com sobras, mas que o estadinho no Portuários dificilmente renderá lucros a níveis divisíveis e que portando o Santos no caso de prejuízo com o estádio terá que pagar parte da taxa com receitas televisivas, porque do contrário “investidores ingleses“ irão cobrar a taxa na justiça.

Se não houver suficiente “lucro a dividir”, o Santos poderá perder calça, camisa, a Vila Belmiro penhorada e as suas receitas televisivas penhoradas. Além do mais poderá ser ver obrigado a jogar em grama sintética, fazendo com que a maioria dos jogadores cobiçados no mercado não se interesse mais a jogar pelo clube.

7 – Guerras jurídicas sem fim com “divisores de lucros”

Parece inevitável que um envolvimento com “divisores de lucros”, seja a DIS, a Doyen e possivelmente os “investidores ingleses” do estadinho alimente sempre uma legião de advogados.

O Laor, sucessor do Marcelo Teixeira acionou a DIS. E hoje entre a DIS, os Neymares, o Barcelona, a Justiça Espanhola, o Fisco Espanhol e o Santos não se sabe mais quem processa quem.

O Modesto, sucessor do Odílio está processando a Doyen e a Doyen está processando o Santos. A Doyen tambem processou a FIFA e Sporting de Lisboa. A Federação Holandesa rebaixou o Twente para a segunda divisão quando os contratos com Doyen vieram à tona e depois de um “deixa-disso” o clube permaneceu, pagando uma multa à FIFA.

O Nobre, sucessor do Belluzzo travaria na terminologia da mídia uma “guerra jurídica” contra a WTorre. Os parceiros para 30 anos só comunicariam pelos seus advogados.

Então amigos, se o Modesto assinar um contrato com a misteriosa “divisora de lucros” TBZ e os ainda mais desconhecidos ”investidores ingleses” só para tornar irreversível a construção de um estadinho no tempo de gestão que lhe resta, deve ser tomado como quase certo que haverá uma avalanche de processos com os sucessores desta gestão santista, sempre em detrimento do clube.

8 – Desinformação continuada e o possível distanciamento do Santos dos clubes grandes

Não adianta tentar convencer o Modesto de que o estadinho á um absurdo, seria perder tempo. O homem eleito com 27% dos votos não vai e não quer ouvir, está determinado contra a opinião da torcida.

Obcecado pelo estadinho, omitiu o “projeto no terreno dos Portuários” nas suas entrevistas de campanha eleitoral ao Ademir Quintino e à Tribuna, para nas duas primeiras semanas de mandato se esquecer de pagar o salário do Damião e de comparecer ao Comitê de Gestão, porque tinha que sair correndo para fazer descer o Walter Torre de helicóptero no terreno e encomendar o projeto, sendo evidente que já tinha o plano dos Portuários em mente durante a campanha eleitoral, que com o da reintrodução do futebol feminino omitiu, possivelmente temendo que não fosse eleito se os anunciasse. Omitir é m…

E perguntado onde faria jogar o time, desinformou agressivamente o eleitorado Santos, dizendo que iria jogar onde estivesse a torcida, entre outros no Pacaembu, para mal eleito fazer exatamente o contrário colocando o time jogar perante 5.000 espectadores na Vila Belmiro.

A parte da “desinformação” (como gentilmente definimos o proceder do presidente) na sua campanha eleitoral continuou desinformando sistematicamente sobre o Pacaembu, fazendo entender que genericamente um jogo custaria 600.000 reais, enquanto que clubes pequenos, que não têm este dinheiro, alugavam o estádio para jogos do Campeonato Paulista. Proponho que o Modesto publique todos os borderôs do Pacaembu da sua gestão.

Os 600.000 reais devem ter sido realmente cobrados do Santos, talvez para quitar dívidas feitas pelo Odílio com o estádio. Mas é fato que um decreto estabelece que em 2016 o Pacaembu fature por partida diurna e noturna respectivamente 71.900 e 89.900 reais ou se maior 12 % e 15% da arrecadação bruta.

A sua ojeriza pela maior parte do torcida do seu clube, que são os 2,5 milhões de santistas em torno de São Paulo tem traços patológicos. Sentiu-se visivelmente incomodado com o público recorde de santistas no Pacaembu e com as receitas que suplantavam em múltiplo as da Vila Belmiro.

Para compensar a perda de receita de bilheteria pelas quais é responsável ao fazer o time jogar diversas vezes na Vila Belmiro perante 5.000 espectadores, vendeu o mando do jogo do Flamengo, o que no caso de Cuiabá corresponde a uma inversão do mesmo. Os dois pontos na tabela porventura deixados com esta inversão de mando poderão significar a perda do título ou do G4.

Não gosta do Pacaembu pela falta de estacionamentos e de camarotes que aparentemente não considera condizentes com o que seria o seu status, excluindo assim entre vinte e trinta mil santistas dipostos a andar 1,5 quilômetros a pé da Estação de Metrô Clínicas ao estádio.

Alega não jogar no seio da sua grande torcida por causa da Polícia Militar e quando a Polícia Militar está à disposição, não joga, nem mesmo quando os Conselheiros fazem um abaixo assinado. Não intercede na feitura das tabelas do Paulistão e do Brasileirão para arranjar datas compatíveis com a Polícia Militar ou para transferir jogos para a segunda feira a noite no Pacaembu.

Difícil entender como a torcida santista aguenta tanta palhaçada. Com base nestas peripécias passadas fica difícil acreditar em qualquer apresentação oral de um projeto por parte do presidente.

Enquanto que o Santos sob os olhos do Marcelo Teixeira prossegue nesta vereda obcecada, indubitavelmente o Palmeiras abriu as portas para se tornar o clube de futebol mais poderoso no Brasil nos próximos 20 anos, turbinado por suas receitas fantásticas de estádio, em média superiores a 2 milhões de reais por partida. É o único clube grande brasileiro que não parcela dívidas no Profut e quem quiser ser campeão nos próximos anos, só em cima do Palmeiras.

Vários clubes hoje gigantes tiveram e sua grandeza PRECEDIDA e devida a um estádio ambicioso, o Real Madrid (a turma do Franco torcia pelo Atlético Madrid, clube da Aeronáutica franquista e grandes eram apenas o Barcelona e o Atlético Bilbao), o Borussia Dotmund, o Bayern (estádio da Olimpíadas de 1972), os mineiros com Mineirão e o São Paulo com o Morumbi, deveram a sua ascensão a um grande estádio.

Na razão inversa, um clube que investe o seu cacife inexistente e seus últimos coringas num estádio pequeno longe da sua maior torcida, se mete com consórcios obscuros e investidores “divisores de lucro” (definição eufemística), botando algemas por 30 anos por 9.000 lugares a mais, deverá inexoravelmente encolher, será rebaixado dos clubes grandes.

O Marcelo Teixeira está prestes a entrar na história como o presidente que permitiu que um pupilo dele fosse o primeiro a dividir a torcida do Santos e provincializasse o clube para a situação antes de 1955. Primeiro não teve coragem de colocar o clube na vanguarda dos grandes clubes brasileiros, com terreno gratuito em Diadema de 700.000 m2, ao descontinuar o projeto, como informou indubitavelmente o Diário do Grande ABC em 8 de Janeiro de 2009, portanto 11 meses antes da eleição do Laor, enquanto que o Palmeiras e o Grêmio decidiram construir os seus estádios mesmo fora da Copa, ao mesmo tempo em que os da Copa eram construídos. Agora permite que o Santos se tranque por 30 anos em Santos, se envolva mais uma vez com investidores “divisores de lucros”, como se não tivessem bastado os estragos causado pelo envolvimento com a DIS e a Doyen.

Trancar o Santos na Baixada impedindo-o contratualmente a jogar em São Paulo seria com se a Ambev tomasse a decisão de não mais vender cerveja no maior centro econômico e populacional do hemisfério sul, e forçar 2,5 milhões de fiéis clientes a beber a dos concorrentes.

9 – Só os conselheiros poderão salvar o Santos a partir do dia 18 de agosto de 2016

Uma reunião do CD EXTRAORDINÁRIA apenas para “apresentação” de um projeto? O plano evidente do Modesto é tornar o estadinho irreversível antes que seja aprovado um novo estatuto. Obcecado poderá pretender apresentar o projeto na Reunião Extraordinária do CD dia 18 de agosto de 2016 e assinar os contratos com “investidores ingleses” poucos dias após, selando o destino do Santos.

Seria necessário que os conselheiros dos diversos grupos políticos que forem contra este estadinho, se unam para formar um pacto de emergência a fim de impedir o estadinho e impor as mudanças ao Estatuto, entre elas a votação à distância, a imposição de uma maioria absoluta para eleger o presidente e os critérios para a aprovação de grandes gastos ou projetos, como o engajamento num novo estádio.

Aliás, em qualquer empresoca uma aprovação de um projeto desta envergadura requereria uma informação prévia em forma de projeto detalhado em prospecto a ser apresentado no mínimo duas semanas antes da reunião a cada membro do CD, com o plano do estádio, suas especificações, com projeções de mercado e financeiras, apresentação dos investidores e das principais cláusulas dos contratos e não apenas uma rápida apresentação oral de um presidente numa reunião de Conselho Deliberativo.

Inclusive alguns destes documentos deveriam estar à disposição pública dos torcedores, como fez o Bayern, expondo as maquetes de estádios de diversas construtoras com os devido custos que diferiam, na licitação que fez.

Se fosse conselheiro do Santos consideraria insuficiente qualquer explanação oral deste presidente que já desinformou muito e que pelo que se comenta, nem saberia explicar as contas do clube e exigiria o projeto preto no branco. E, além disso, exigiria o parecer de uma firma de consultoria conceituada sobre o projeto. Hoje nas grandes transações é padrão recorrer ao auxílio de consultores externos de alto nível. É infinitamente mais produtivo contratar uma consultoria cara antes de assinar contratos, do que uma auditora para constatar as dimensões e a natureza do estrago de um negócio que deu errado.

É necessário que haja presença maciça na reunião do CD do dia 18 de agosto 2016, que poderá ser um divisor de água na história do Santos com risco de despedida de clube grande.

Antes de pedir sua opinião, prezado leitor e prezada leitora deste blog, aviso que Tana Blaze não sou eu, mas é um pseudônimo usado por um executivo brasileiro que vive na Alemanha. Ele é apenas um frequentador deste blog que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente. Quem sabe em breve o farei, pois considero sua inteligência, experiência e visão muito importantes para colocar o Santos em outro patamar entre os clubes brasileiros. Publico seus textos porque sei que são baseados em análises sérias e sem qualquer interesse, a não ser o de ajudar o nosso Santos. E seus artigos nos dão a oportunidade de debater temas relevantes para o nosso clube. Não é obrigatório que eu concorde com tudo o que Tana Blaze escreve, mas respeito e defendo o seu direito de dizer. Da mesma forma, este blog está aberto a opiniões e teses contrárias, e quanto mais bem embasadas, melhor.

E você, o que acha disso?