Uma manhã, quando fazia o trabalho que resultou no Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros, saí de casa de manhãzinha para uma reunião com um diretor do Santos. Acordei, tomei banho, fiz a barba, me arrumei, tomei ônibus, metrô e, na estação Jabaquara, embarquei no ônibus que desceu a serra. Cheguei 15 minutos antes do horário da reunião. Esperei 45 minutos até que o diretor aparecesse. Perguntei a ele o que tinha acontecido e ele respondeu, meio indignado, que não ganhava nada do Santos e tivera um compromisso profissional antes.

Reparei que essa postura podia ser observada em outros funcionários, entre eles o próprio presidente, que dava meio experiente e só era encontrado em sua sala no período da tarde. Aquilo era estranho para mim, pois vim de redações jornalísticas, onde editores estão presentes o tempo todo, definindo pautas, escrevendo, editando, enfim, desatando todos os nós.

Sempre achei que um clube que movimenta centenas de milhões de reais por ano, como o Santos, deveria ser administrado com competência e agilidade, como uma grande empresa, e para isso deveria ter metas e exigências equivalentes. Se alguns funcionários não se julgam obrigados a cumprir as exigências do cargo porque não são remunerados, então a coisa desanda.

Com exceção dos conselheiros e de um ou outro cargo especial, quem não tem remuneração e encara sua atividade no Santos como um trabalho voluntário, ou um bico, dificilmente se empenhará como deve. E se nos incomoda saber que diretores trabalham “de graça”, imagine, então, quando se trata do próprio presidente e seus assessores diretos.

Sim, segundo o Estatuto do Santos, o presidente do clube, aquele que exerce o cargo mais importante da instituição, não recebe um centavo por sua atividade. Não me pergunte como ele paga as suas contas durante o mandato, nem como consegue ficar tantos dias viajando. Enfim, presidentes de clubes de futebol no Brasil, de tão generosos, devem ser os seres humanos mais parecidos com São Francisco de Assis.

Na verdade, o que ocorre em muitos clubes é que presidentes recebem uma verba mensal cotizada de alguns empresários amigos, ou têm participação em negócios do clube. Sou radicalmente contra esse tipo de situação que nada contribui para a transparência que todos almejamos.

Funcionários essenciais para um clube de futebol devem ter sua remuneração estipulada e conhecida pelo Conselho, e nenhum centavo a mais deve ser permitido a eles, muito menos por meio de qualquer tipo de comissionamento. Participar de acordos que venham beneficiar o clube é uma obrigação do presidente e de seus assessores.

Profissionalismo já!

Recebi, do Comitê de Gestão, a Proposta de Reforma do Estatuto do Santos Futebol Clube. Constatei vários pontos que merecem uma análise mais apurada, mas o que me causou mais estranheza foi o trecho que se refere à presidência do clube, dotada de plenos poderes para fazer o que quiser com o Santos, porém exercida por alguém “não remunerado”. Vejamos o que diz o texto elaborado pelo Comitê de Gestão:

2.1 Presidência

A presidência do Santos Futebol Clube será a representante legal da entidade e responsável pelo dia a dia operacional, além de ser a encarregada da implantação das políticas e da elaboração de metas, sendo composta por dois integrantes, não remunerados, sendo um Presidente e um Vice-Presidente, ambos eleitos em assembleia geral para um mandato de três anos (como já em vigência no atual Estatuto).

Toda a administração executiva se reportará à presidência do clube, que será a responsável por geri-los e nomeá-los, promovendo, também, a interface entre o executivo e o Conselho Deliberativo.

A presidência poderá, ainda, nomear quatro diretores não remunerados, ligados diretamente à presidência, com função auxiliar da Presidência, para atenderem às necessidades do órgão e do Santos Futebol Clube.

Percebe-se, pelo texto proposto, que o presidente terá plenos poderes de nomear quem quiser para os cargos mais importantes do clube, criar um estado maior de assessores diretos e, apesar de tanta responsabilidade, ninguém será remunerado.

Veja, minha cara e meu caro santista, confesso que não acredito na transparência de um sistema assim. Mesmo porque o CND, o Conselho Nacional de Desportos, já permite que dirigentes de clubes sejam remunerados, desde que para isso sejam obedecidos alguns critérios. O salário de um presidente de entidade esportiva não pode ultrapassar 27 mil reais, ou 70% do teto do funcionalismo público, o valor deve ser declarado ao Imposto de Renda e sobre ele incorrerá todos os impostos e contribuições previstos por lei. Em contrapartida, o dirigente se responsabilizará, até com seus bens pessoais, pelos negócios que vier a assinar em nome do clube.

Quem pode garantir que as mágicas que se faz para justificar as remunerações a quem não deveria ser remunerado não estão por trás dessas incorreções nos balanços dos clubes? Por que não agir estritamente dentro da lei? A quem interessa essa hipocrisia de se afirmar que presidentes de clubes de futebol nada recebem para exercer o cargo?

Finalmente, a pergunta que não quer calar: além de milionários, aposentados, oportunistas ou espertalhões, quem mais gostaria de assumir toda a responsabilidade da presidência de um clube de futebol e não receber nada em troca, a não ser água e cafezinho? E qual pessoa honesta e ética aceitará fingir que não ganha nada para depois ser aquinhoado com verbas de caixinhas ou receber comissões pelos negócios assinados?

Esse novo Estatuto do Santos precisa contemplar a eficácia que só vem com a profissionalização. O clube não precisa de falsos mecenas e nem de santos do pau oco. Precisa de pessoas que trabalhem diuturnamente, usando toda a sua capacidade, experiência e poder de aglutinação para levar o Santos até onde a gente sabe que ele pode ir.

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