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PAIXÃO E CAOS


Com a chuva forte, muitos torcedores se abrigaram embaixo das marquises, abandonando seus lugares. Isso fez com que algumas vezes as arquibancadas parecessem apenas parcialmente ocupadas.

O jogo era contra o Santa Cruz, penúltimo colocado do Brasileiro, havia previsão de chuva e não tínhamos ingressos. Eu, a Suzana e Marcos, meu irmão, chegamos uma hora e meia mais cedo ao Pacaembu. A Praça Charles Miller estava cheia. Vendedores ambulantes exibiam caixas de isopor com latinhas de cerveja e anunciavam que aceitavam cartões de débito e crédito. Achei engraçado eles aceitarem cartões e as bilheterias do Pacaembu, não. Procuramos o final da fila e só fomos encontrá-lo virando a esquina, fora da praça.

A Suzana quase desistiu. Imaginou que não daria tempo de entrarmos antes do início do jogo. Algumas pessoas que tinham comprado os ingressos pela Internet, desistiram. Quando perceberam que teriam de pegar aquela fila para retirar as entradas, desanimaram. Outros torcedores desistiram ao ouvir que as entradas mais baratas, ou menos caras, já tinham se esgotado. Depois dessa informação, vi um pai virar as costas, pegar seus dois filhos pequenos pelas mãos e ire embora. É muito triste ver uma cena dessas. Sabe-se lá se essas crianças terão outras oportunidades de ver o Santos jogar.

Mas nós persistimos e cerca de 35 minutos depois estávamos próximos dos guichês. Então, um funcionário da Prefeitura de São Paulo se aproximou da fila e disse que não havia mais ingressos para alguns setores, entre eles as arquibancadas verde e amarela, repetindo o que já tínhamos ouvido de cambistas. Respondi a ele que em um jogo anterior do Santos, no mesmo Pacaembu, também disseram que não havia mais ingressos para a arquibancada, mas depois que entramos constatamos que havia uns dois mil lugares vazios. Ele só sorriu, como querendo dizer que certas coisas ele não poderia explicar. Continuamos na fila.

Ao finalmente alcançar o guichê, pedi arquibancada verde e a bilheteira repetiu que não havia mais ingressos. Disse a ela o mesmo que dissera ao funcionário da Prefeitura e ela lembrou que ainda tinha algumas entradas para a arquibancada amarela, o que na prática dá no mesmo. Era pegar ou largar. Peguei. 60 reais para sentar no cimento e, provavelmente, tomar chuva.

A arquibancada verde ainda deveria ter uns 80 lugares vazios. Mas havia muita gente na parte superior, de pé, pois já começava a chover e ali há cobertura. A amarela, onde fica a Torcida Jovem, estava repleta. O tobogã também estava lotado e os outros setores do estádio tinham, digamos, de 70 a 80 por cento de seus lugares tomados.

Não pude deixar de imaginar o quanto o público seria maior se a diretoria do Santos se empenhasse em facilitar a vida do torcedor, abrindo as vendas de ingressos com vários dias de antecedência, aumentando os pontos de venda e enxugando e modernizando todo aquele processo. Se uma passagem de avião, um bem caro, que requer fiscalização apurada, pode ser impressa em casa e liberar o passageiro com a simples leitura do código de barras, ou, melhor ainda, se essa leitura pode ser feita pelo código de barras exposto no celular, por que os clubes de futebol gastam tanto dinheiro imprimindo ingressos, provocando filas e perdendo espectadores? A quem pode interessar esse sistema pré-histórico de lidar com o torcedor?

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O jogo dos que queriam ganhar

Bem, mas quando o Santos entrou em campo, todos os perrengues foram esquecidos. A animação era tanta que não se ouvia o que a torcida gritava. Havia um cântico saindo da Torcida Jovem , outro vindo do tobogã e mais um do restante do estádio. Era uma zoeira só. Uma loucura que ficou ainda maior quando Copete, logo aos quatro minutos, marcou o primeiro gol.

O colombiano é daqueles jogadores que sempre quer jogo. Pode não ser um craque, mas luta do começo ao fim. Percebi que Zeca e os zagueiros Gustavo Henrique e Luiz Felipe eram outros que se destacavam pela garra. Não vi essa qualidade em muitos dos outros santistas, que perdiam a maioria das divididas. No espírito de luta, e também no bom toque de bola, o Santa Cruz logo equilibrou a partida.

Na primeira vez que pegou a bola e foi pra cima de Victor Ferraz, percebi que o habilidoso número 11, Keno, seria um tormento para a defesa santista. Torcemos para que o Santos ampliasse ainda no primeiro tempo, mas Ricardo Oliveira perdeu duas boas oportunidades – em uma delas deixou de tocar por cima do goleiro para chutar forte no peito do arqueiro – e o jogo foi para o intervalo com a vantagem mínima.

No comecinho da segunda etapa houve a primeira queda de energia e o estádio ficou às escuras. Tivemos de esperar cerca de 20 minutos para o reinício da partida. Melhor, o Santa Cruz tocava bem a bola, passou a envolver o Santos e aos 10 minutos chegou ao empate, com Keno, depois de uma falha de Victor Ferraz, que na tentativa de rebater deu o passe para o atacante.

Aos 18 minutos Dorival Junior substituiu Thiago Maia, que voltou meio perdido da Seleção Olímpica, e fez entrar Jean Mota, outro que sempre corre muito pelo resultado. Um minuto depois, porém, os refletores se apagaram parcialmente e o árbitro Francisco Carlos do Nascimento interrompeu o jogo de novo. Para complicar, a chuva, fria, engrossou. Dessa vez, muita gente foi embora.

Quando o jogo recomeçou, o Santos parecia mais lento. Lucas Lima foi buscar uma bola na lateral sem nenhuma pressa e a torcida o vaiou estrepitosamente. A situação estava mal parada. Tudo lembrava aqueles jogos em que o Santos diminui a velocidade, perde reflexos, começa a se enroscar nele mesmo e acaba sem vencer. Percebendo isso, a Torcida Jovem começou um canto que logo foi acompanhado por todo o estádio: “Vamos ganhar, Santos!, Vamos ganhar Santos!…”

O recado era claro. Aquele era jogo para ser vencido e o torcedor não iria admitir um time caminhando em campo. Os gritos deram resultado. Embalado por alguns jogadores que realmente queriam a vitória, como Jean Mota, Copete e Zeca, o Santos correu mais, com ou sem a bola. Isso criou espaços e aos 27 minutos, após boa arrancada de Copete e ótima deixada de Ricardo Oliveira, Jean Mota acertou um belo chute rasteiro, no canto direito de Tiago Cardoso, desempatando a partida.

O susto parecia ter sido superado. Aos 34 minutos Oliveira saiu machucado e Rodrigão entrou em seu lugar. O pedreiro artilheiro não tem qualquer finesse, mas fuçou aqui e ali e aos 40 minutos quase faz o terceiro: primeiro em uma cabeçada, depois no rebote. Ocorre que o Santa Cruz não estava morto e no contra-ataque desse mesmo lance de Rodrigão, Keno foi lançado, penetrou como quis na defesa do Santos e serviu Grafite, que chamou a marcação e depois devolveu a Keno, que com tranquilidade bateu na saída de Vanderlei para empatar novamente a partida.

Melhor em campo, o esguio e habilidoso baiano Keno, de 27 anos recém completados, jamais jogou em um dos grandes times brasileiros, mas talvez seja um daqueles casos de sucesso tardio. A boa notícia é que as negociações já começaram para que ele seja do Santos em 2017.

O segundo gol do Santa Cruz emudeceu o estádio. Faltavam apenas cinco minutos e o Santos não parecia capaz de reagir. Nisso, o time deu a saída, a bola caiu com Vitor Bueno, que cortou para o meio e bateu, de esquerda, no ângulo contrário do gol do time pernambucano. Um golaço que definiu a partida e manteve o Santos na luta pelo título brasileiro.

Essa vitória, dramática, serviu para mostrar a força da torcida do Santos, que, contra todos os prognósticos, soube se mobilizar e conseguir um de seus maiores públicos este ano, e serviu também para deixar evidente, mais uma vez, que nessa reta final de campeonato o técnico Dorival Junior tem de usar mais os jogadores que realmente estão a fim de lutar pelo título, como Copete, Vecchio, Jean Mota e Yuri. Outros, em má fase técnica ou desmotivados, precisam de um banco urgente, casos de Victor Ferraz, Thiago Maia e mesmo Lucas Lima.

Agora, o Santos voltará a jogar pelo Brasileiro no próximo sábado, às 18h30, em Recife, contra o Sport. É claro que o adversário merece respeito, mas se o Coritiba, que não anda bem das pernas, nesse domingo foi lá e venceu, por que o Santos não pode fazer o mesmo? Vamos prestar atenção no discurso do Dorival para ver se a ideia é buscar mesmo o título.

Santos 3 x 2 Santa Cruz
Pacaembu, 18/9/2016, 18h30
Público: 28.763 pessoas (24.586 pagantes). Renda: R$ 884.560,00.
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Zeca; Renato, Thiago Maia (Jean Mota 18′ 2ºT), Lucas Lima (Yuri 42′ 2ºT) e Vitor Bueno; Copete e Ricardo Oliveira (Rodrigão 34′ 2ºT). Técnico: Dorival Junior.
Santa Cruz: Tiago Cardoso; Léo Moura, Neris, Danny Morais e Allan Vieira (Luan Peres 5′ 2ºT); Jadson (Wellington Cézar 20′ 2ºT), Derley, Pisano e João Paulo; Keno e Bruno Moraes (Grafite 23′ 2ºT). Técnico: Doriva.
Gols: Copete aos 4 minutos do primeiro tempo; Keno aos 10, Jean Mota aos 27, Keno aos 40 e Vitor Bueno aos 41 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Francisco Carlos do Nascimento, auxiliado por Pedro Jorge de Araujo (AL) e Rondinelle dos Santos Tavares, todos de Alagoas.
Cartões amarelos: Luiz Felipe (Santos) e Wellington Cézar (Santa Cruz).