A impressão que a última reunião ordinária do Conselho Deliberativo nos deu é a de que o Santos Futebol Clube imita o Brasil, mais propriamente o governo de Lula e Dilma Rousseff, no quesito falta de transparência.

Apesar das recomendações do Conselho Fiscal, o clube continua gastando mais do que arrecada; apesar de as contas de 2015 terem sido reprovadas, nenhuma providência foi tomada, pois a situação é considerada sub judice pelo presidente da mesa, Fernando Bonavides; apesar da boa oferta para fazer a pré-temporada em Miami, o clube não irá e nenhuma explicação foi dada; apesar de alardear que ganharia mais com a fabricação do próprio uniforme, o Santos ganha muito menos do que os outros clubes que têm contratos com fornecedores de material esportivo; apesar das reclamações dos torcedores, não se fala em melhorar o processo de venda de ingressos para os sócios; apesar da necessidade de aumentar seu quadro associativo, nenhuma campanha efetiva é lançada para isso; apesar…

O caso das contas reprovadas é considerado sub judice porque o conselheiro Antonio Celso Pires Gonçalves, ligado ao presidente Modesto Roma, entrou com ação judicial solicitando anulação da reunião do Conselho Deliberativo que reprovou as contas de Roma em 2015. A anulação não foi deferida pelo juiz e o processo deveria continuar, obrigando Modesto Roma a explicar as contas do ano passado, mas Fernando Bonavides, presidente do Conselho Deliberativo, também ligado a Roma, disse que não fará nada enquanto não houver uma determinação da Justiça. Ora, isso pode se estender até o final da administração atual, o que, na prática, significaria empurrar com a barriga uma situação irregular.

Revoltado, o conselheiro José Carlos Morelli disse que a vontade do Conselho Deliberativo, que representa os sócios do clube, está sendo desrespeitada. Dessa forma, lembrou ele, toda decisão do Conselho poderá ficar sub judice desde que um conselheiro ligado ao presidente entre com uma ação judicial. Morelli também constatou que no segundo trimestre de 2016, contrariando os insistentes apelos do Conselho Fiscal para reduzir as despesas, o clube contratou 18 funcionários para o setor administrativo, com salários médios superiores a 20 mil reais.

“Com o Brasil em recessão e 12% de desempregados, o Santos contrata e ainda paga salários bem acima dos praticados em Santos. Vamos dar o prêmio Nobel da Economia para Roma”, discursou ele.

O conselheiro Rachid Bourdoukan, incansável defensor do torcedor santista, tomou o púlpito para criticar a forma com que o clube vende ingressos e trata o torcedor nos jogos do Pacaembu. Rachid apresentou um abaixo-assinado com o nome de dezenas de conselheiros, entre eles o deste blogueiro, e também levou, impressas, mais de 300 frases de torcedores que assinaram uma petição pública que o próprio Rachid lançou pela Internet. Lembrou Rachid que o Santos é um dos poucos clubes que não aceita cartão de crédito para a compra de ingressos e também é o único que mantém contrato com a suspeitíssima BWA, conhecida pelo seu histórico de processos jurídicos e criminais.

O conselheiro José Geraldo Gomes Barbosa cobrou uma resposta para o fato de o Santos não ter aceitado o convite para fazer a pré-temporada em Miami, com tudo pago, e a possibilidade de fazer jogos com o New York Cosmos. Lembrou da grande visibilidade que o time teria.

O Conselho Fiscal apresentou o balanço do primeiro semestre de 2016 e anunciou que houve um pequeno superávit, devido à venda de Geuvânio e o adiantamento da cota recebido do Esporte Interativo. Porém, ressaltou que a situação financeira do clube é, ainda, “muito grave” e está longe de ser sustentável.

Pedi a palavra apenas para dizer que todos os conselheiros, independentemente da chapa pela qual foram eleitos, certamente querem a transparência das finanças do Santos, o que não vem ocorrendo. E parabenizei o presidente Modesto Roma por, há um ano e nove meses, se dedicar em tempo integral ao clube, chegando a viajar para Europa e Estados Unidos, sem receber um tostão. Como o Estatuto do Santos não permite que presidente e vice sejam remunerados, Roma, desinteressadamente, está sacrificando sua vida pessoal e seus negócios pelo clube que ama. Sugeri que aprovássemos um salário para o dedicado presidente, ou, em caso contrário, erguêssemos uma estátua a ele pelo seu altruísmo.

Com relação à areninha no Portuários, sinto que o assunto está esfriando. Muitos conselheiros me disseram que, mesmo em Santos, já se comenta que ela nunca sairá, pois não há acordo entre as partes – Santos, Portuários e Portuguesa –, o terreno não está livre e as condições impostas para que o clube tenha apenas 40% do empreendimento são draconianas, o que faz com que muitos se lembrem do inferno que foi a “compra” do Parque Balneário, ousadia que quase quebra o Santos.

Em conversas com membros do Conselho Fiscal, percebi que nossos discursos de nada valerão, a não ser que sejam acompanhados de ações concretas. O Conselho Deliberativo tem um poder que nós, por boa fé, ou falta de conhecimento, estamos deixando de exercer. A situação do Santos é delicada e os esforços do Conselho para colocar o clube nos eixos estão sendo boicotados por pessoas ligadas à administração atual. A reprovação das contas e o constante descaso às recomendações do Conselho Fiscal já seriam razões suficientes até para o impedimento do presidente Modesto Roma.

Digo no título que o Santos imita o Brasil porque, assim como ocorreu com o governo que hoje sai pela porta dos fundos, deixando rombos por todos os lados, parece que enquanto houver dinheiro à mão, obtido pela eventual venda de jogadores, adiantamentos e empréstimos bancários, a administração atual do Alvinegro Praiano agirá como se o clube não tivesse nenhum problema financeiro, a ponto de continuar contratando funcionários, e com salários acima do mercado da cidade de Santos. Só de atletas são mais de 80.

O torcedor comum, que se baseia apenas no momento presente, provavelmente ficará muito decepcionado quando as consequências dessa temerária administração atual surgirem. O Santos está fora da realidade e sua situação lembra a daquele jogador português de um time à beira do rebaixamento que, após muitos fracassos, finalmente conseguiu vencer uma partida. Ao ser entrevistado, o raparigo encheu a boca para dizer:

“Estávamos à beira do abismo, mas hoje demos um passo à frente”.

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