torcida jovemeu e o rafa - santos red bull Voltando de trem pra casa, com o amigo Rafael Fidelis (com a camisa do Brasil) e seu primo. Encontramos alguns são-paulinos indo para o Morumbi, mas houve educação e respeito de ambas as partes. Há esperança para o Brasil.

Durante a semana os programas esportivos, como sempre, reservaram apenas seus últimos minutinhos para falar do Santos. Alguns ainda erraram ao informar a data e o local do jogo contra o Red Bull. Para piorar, a Federação Paulista de Futebol tinha mudado o horário da partida, passando para as terríveis 11 horas de domingo, em pleno verão. Porém, ao chegar ao Pacaembu, você percebe, mais uma vez, que a torcida do Santos, quando tem a oportunidade de mostrar seu poder, é uma verdadeira força da natureza.

Gente de todo os lados. Casais, jovens, crianças, idosos. Filas e mais filas. Muita gente desistiu quando os funcionários da Federação Paulista passaram pelas filas para avisar que os ingressos mais baratos já tinham acabado. Mas muita gente insistiu. Eu queria assistir do meio dos torcedores. Deixo a tribuna de imprensa e os camarotes dos conselheiros para os almofadinhas. Na arquibancada tinha fila demais. Fui para o tobogã. De lá vi o estádio se enchendo e no final chequei o público no placar eletrônico: 20.412 pagantes, quase 24 mil pessoas no total.

No dia em que o Santos tiver uma gestão que saiba unir e direcionar os santistas na mesma direção, esse time voltará a ser um dos mais importantes e ricos do futebol. Se mesmo tratado com desdém por sua diretoria e ignorado pela mídia, o Glorioso Alvinegro Praiano leva a um estádio da capital, no mesmo fim de semana, 5.500 pessoas a mais do que o seu rival alvinegro, o mesmo que recebe mais da metade do tempo de todos os programas esportivos, nos quais é constrangedoramente bajulado, imagine se vivêssemos em um lugar com uma imprensa esportiva imparcial, que praticasse a meritocracia, e tivéssemos uma diretoria que facilitasse a vida para os santistas da capital.

Então, em primeiro lugar, parabéns aos santistas que foram ao Pacaembu. Sofremos com o calor, os preços, a nova fórmula tática do Dorival Junior que também pode ser chamada de “queijo suíço”, pelos buracos enormes que abre na nossa defesa, mas no final os deuses do futebol empurraram a bola pra dentro e o time ganhou por 3 a 2 e conseguiu sua 17ª – meu número de sorte – vitória consecutiva no Pacaembu.

Do meio da massa

ingressos santos redbull O amigo Rafael Fidelis insistiu e comprou um ingresso por 50 reais. Na fila já tinham dito que só havia ingressos mais caros.

Do meio do povo se percebe que o santista tem um carinho especial pelo Rodrigão e pelo Copete – principalmente pela forma como o segundo se empenha, atacando e também ajudando a defesa – mas fica louco da vida quando a defesa fica trocando passes lá atrás e o craque Lucas Lima cisma de pentear a bola pra lá e pra cá e não passa pra ninguém. Aliás, se o Santos conseguir vender o Lucas Lima pelo que ele acha que vale, dará para construir uma arena em Santos, outra em São Paulo e ainda sobrará dinheiro. Incrível a máscara do rapaz.

Depois de um belo gol, surgido em boa jogada pela direita, entre Lucas Lima, Victor Ferraz e Vitor Bueno, Lucas Lima perdeu a bola em um lance bobo e propiciou o contra-ataque que gerou o gol de empate do Red Bull, por Misael. Antes do final do primeiro tempo, porém, o mesmo LL deu um passe milimétrico para Rodrigão, que penetrou e fez o segundo do Santos com muita calma, e pasmem, agilidade.

Como se em Santos as temperaturas estivessem abaixo de zero, o time que está descansando há uma semana parecia bem mais exausto que o Read Bull no segundo tempo. Então, o mandante foi ao ataque e, de tanto criar oportunidades, empatou com um gol de cabeça de Nixon, em impedimento claro, que pode ser visto da arquibancada.

Ocorre que o juizão Rafael Gomes da Silva estava complicando para o Santos há algum tempo, principalmente no aspecto disciplinar. Veja você, caro leitor e cara leitora, que o Santos é o time a ser batido, é que que goleia todo mundo, mas o senhor Rafael conseguiu amarelas três jogadores santistas – Lucas Verísismo, Yuri e Copete – e apenas um do Red Bull, o Fillipe Soutto. Ocorre que o homem do apito era implacável com os santistas, mas fazia vistas grossas às entradas do Red Bull.

De qualquer forma, o Santos também criava oportunidades e em uma das ultimas surgiu o lance em que Kayke, de peito, jogou a bola para dentro do gol. Achei que ela entrou, até pelo gesto do goleiro, que percebe estar dentro do gol e puxa a bola e seu corpo para fora. O que ocorre é que ao cair o goleiro Saulo, conhecidíssimo dos santistas, entra com bolas e tudo para dentro do gol, dando a vitória ao Santos.

O desempenho do Dorival

Amigos e amigas, o time ter altos e baixos no início de temporada é, até certo ponto, normal, mas o que deixa o santista da arquibancada maluco são as decisões e indecisões do técnico Dorival Junior. O técnico Alberto Valentim, do Red Bull. já tinha colocado seus reservas para aquecer, e o Dorival, nada. Isso seria bom até pelo fator psicológico, pois o jogador que está em campo corre e capricha mais quando sabe que pode ser substituído.

Outro aspecto a se analisar é o novo sistema tático que o Dorival quer implantar no Santos. Ora, ele depende de muita solidariedade dos jogadores. Se o pessoal não estiver disposto a correr para tapar os buracos, coisa que só alguns fazem – entre eles o incansável Copete –, o Santos vai tomar uma tunda logo, logo. Os contra-ataques do adversários estão pegando as extremas totalmente abertas. Os zagueiros ficam distantes um do outro para cobrir as pontas e abrem também o meio. Enfim, o Santos fica todo arreganhado.

Aí, na hora de trocar, quem o professor põe em campo? Ora, o indefectível Léo Cittadini. A impressão que se tem é que o clube pode contratar os melhores jogadores de meio-campo do mundo, mas na hora de substituir o Dorival preferirá o seu preferido Cittadini. Depois, tirou Rodrigão e colocou Bruno Henrique. Ora, por que não colocou o Kayke, que joga na mesma posição? Mas depois, finalmente, colocou o Kayke, no lugar do Vitor Bueno.

Não era mais lógico colocar o Kayke no lugar do Rodrigão e o Bruno Henrique no lugar do Vitor Bueno? Claro, mas isso qualquer criança de seis anos no Pacaembu faria. Então, para mostrar que entende mais de futebol do que todos nós juntos, o professor fez uma substituição cruzada. Sacou a esperteza?

No fim, Kayke fez um gol de peito que o goleiro Saulo seguro e caiu com bola e tudo dentro de sua meta. Quando percebe que está dentro, ele puxa o corpo para fora, mas para cima de mim, jamé.

Um detalhe que me marcou: quem viu o Lucas Lima se dirigir para bater um escanteio no início do segundo tempo, quando o Santos vencia por 2 a 1, deve ter achado que se tratava de uma pelada entre solteiros e casados. O rapaz foi petecando a bola em câmara lenta, em uma tremenda má vontade. E olhe que ele já foi expulso de campo por uma atitude assim. Numa boa, Lucas: assim, na Europa, você só vai conseguir ser reserva de um Atalanta, de um Avelino, enfim, de um time de segunda ou terceira categoria. Você joga muito, mas precisa ser mais profissional, cara! Numa boa.

Dizem que no final da partida alguns torcedores começaram a xingar Lucas Lima em altos brados, ele correu um pouco mais e isso foi o suficiente para o Santos criar duas chances de gol. Então, é evidente que o Santos tem time para ganhar bem esses jogos e caminhar para mais um título, mas precisa correr mais e ser mais cobrado pelo Dorival. Assim, até eu.

Jogadores e notas: Vladimir (5), Victor Ferraz (5), Lucas Veríssimo (5), Yuri (5) e Zeca (5,5); Leandro Donizete (4) (Léo Cittadini (4,5), Thiago Maia (4,5), Lucas Lima (6) e Vitor Bueno (5,5) (Kayke (5); Copete (5,5) e Rodrigão (5,5) (Bruno Henrique (4,5). Dorival Junior: 3,5.

E você, o que acha disso?