Underdogs 3 x 2 Queridinhos

O leitor Guilherme Gonçalves dos Santos enviou ao blog lindas fotos da torcida santista que foi ao Pacaembu assistir Santos e Flamengo. Aqui estão três delas. No próximo jogo, mande as suas.
santos x flamengo - torcidabandeirao - pacaembutorcida - frente do Pacaembu

Em jogo emocionante, de duas viradas, o Santos venceu o Flamengo por 3 a 2, diante de cerca de 25 mil pessoas, no Pacaembu. Coisas extraordinárias ocorreram. Alison acertou o chute de sua vida, de fora da área, e Daniel Guedes colocou “com a mão” na cabeça de Ricardo Oliveira para marcar o gol da vitória aos 43 minutos do segundo tempo. Os outros jogos da rodada favoreceram os times que estão na frente e o Santos não subiu na tabela, mas mostrou que tem espírito para os grandes embates e poderá, sim, brigar com boas chances pelo seu quarto título na Copa Libertadores.

*Underdogs x queridinhos

O Santos representa a arte e a beleza do futebol, a meritocracia, o time que ganha títulos limpamente, contra tudo e contra todos, o melhor que o futebol brasileiro já produziu, aquele que mais ajudou a Seleção Brasileira a conquistar a Jules Rimet (nem vou falar de Pelé, pois aí é covardia). O Flamengo é um grande time, porém protegido pelo sistema, aquele que parte da mídia tenta empurrar goela abaixo dos brasileiros. Eles se enfrentarão hoje, a partir das 21h45, no Pacaembu, e o Brasil estará dividido para acompanhar esse grande jogo.

Não creio que haverá espírito de vingança por parte dos santistas devido à forma como foram prejudicados pela arbitragem na semana passada. Haverá, sim, motivação, a mesma que existe quando se enfrenta uma equipe que não joga apenas com 11 jogadores, mas geralmente tem a arbitragem, as instituições do futebol e parte influente da mídia ao seu lado. E por essa motivação, somada ao incentivo incondicional dos santistas que estarão no Pacaembu, acredito que o Santos, mais uma vez, se sairá bem contra o ardiloso rival.

Pena que o copeiro Vecchio não possa jogar, mas Renato provavelmente retornará ao time e sua experiência poderá ser vital em um jogo eletrizante como deve ser o de hoje. Outra esperança santista é a de que Lucas Lima e Ricardo Oliveira voltem a mostrar ao menos um pouco do que sabem. Faz tempo que o habilidoso meia e o artilheiro não dão o ar de suas graças. A certeza, porém, é a de que jogadores como Bruno Henrique e Copete se empenharão bastante em busca da vitória.

O Santos tem sido muito mais eficiente no ataque com o técnico Levir Culpi. Parou com aquela frescura de tocar indefinidamente a bola, sem objetividade. Sua defesa também está bem mais firme, o que não é o caso da defesa do Flamengo. Por isso, o jogo deve ser equilibrado, mas as chances de uma boa vitória santista são grandes.

O Santos sempre foi do povo

Com o déficit educacional que grassa no País e com a tevê substituindo a sagrada e imparcial difusão de conhecimento, que deveria ser sua obrigação, pela lavagem cerebral dos seus telespectadores, ultimamente se quer impor apenas dois times como os do povo brasileiro, em uma enorme falácia. Se o futebol é o esporte mais popular, todos os times profissionais têm sua parcela de popularidade, principalmente os de grande torcida, que no Brasil ultrapassam duas dezenas.

Se para analisar as raízes dessa popularidade tivermos de ir até as origens dos clubes, veremos que o Santos, fundado por abolicionistas, já nasceu popular e sem preconceito, pois tinha jogadores negros em seus quadros em 1913, enquanto o Flamengo se conservava rigorosamente elitista décadas depois. Sobre isso, no livro “O Negro no Futebol Brasileiro”, escreveu o notável jornalista Mario Filho, o mesmo que dá nome ao Maracanã:

O Flamengo não podia ter nenhum preto em futebol. Em futebol precisava ser branco, tão branco como o Fluminense. Não era de admirar, portanto, que quando gente do Flamengo e do Fluminense se juntava para formar um escrete carioca, o escrete saísse todo branco, do quíper ao extrema-esquerda.

Um detalhe: Mário Filho era flamenguista. Pertencia, porém, a uma época em que jornalistas priorizavam a verdade. E a verdade é que o rubro-negro, instalado confortavelmente na Zona Zul do Rio, jamais foi tão ligado ao povo simples como o Vasco, por exemplo, este sim um clube do subúrbio que se abriu aos negros, pobres e nordestinos e por isso foi marginalizado pelos outros grandes do Rio. E ao inaugurar o seu estádio, em 1927, construído com o esforço de seus aficionados, foi o Santos, outro underdog de São Paulo, que os vascaínos convidaram para o jogo inaugural. Essa é a história. Essa é a verdade.

Em 1935, ano em que o Santos conquistou o seu primeiro título paulista, a situação do Campeonato Carioca mostrava o Fluminense com nove títulos, o Botafogo com oito e, empatados, América e Flamengo com seis cada um. Depois vinha o Vasco, com quatro. Há informações de que a partir dali é que surgiu um plano, com apoio de parte da mídia, para que o Flamengo se tornasse, ou parecesse, mais popular. O domínio da Rede Globo, a partir da década de 70, trouxe a cereja que faltava.

Mas mesmo esses científicos homens do marketing sabem que os mercados mais ricos do Brasil são a capital e o interior do Estado de São Paulo, e nesses dois mercados cobiçadíssimos a torcida do Santos é dez vezes maior do que a do clube carioca. Jamais farão com que uma criança paulista engula um time carioca, ainda mais um de elite disfarçado de popular.

Esses mesmos marqueteiros já devem saber que uma pesquisa internacional recente mostrou que o Santos tem 1,2 milhão de aficionados no exterior, contra 700 mil do rival carioca.

Bem, vamos ao jogo. Ao entrar no Pacaembu, logo mais, olhe bem as arquibancadas, as numeradas, o tobogã, e perceba que a proporção entre torcedores do Santos e do Flamengo será a mesma que distingue a importância de um e outro na história do futebol mundial. Quem reinou no planeta, sempre será majestade.

Vamos tornar essa história imortal!


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Preocupação com Matheus Jesus

O santista e associado Valter Derencio me envia um e-mail preocupado com a situação do novo contratado Matheus Jesus. Ele escreve:

“Vi uma entrevista do diretor de futebol do São Paulo, o sr. Pinotti, dizendo que desistiu da contratação deste jogador porque o São Paulo poderia perder pontos no Campeonato Brasileiro devido a Fifa caracterizar uma ponte na negociação, o que é proibido”.

Derencio lembra que “esse jogador foi vendido da Ponte para o Estoril, de Portugal, e posteriormente emprestado ao Santos”.

Será que por isso é que foi tão fácil dar um “chapéu” no São Paulo? O certo é que o departamento jurídico do Santos deve ficar alerta, pois há muita gente sedenta para tirar pontos do Santos e rebaixá-lo à Série B. Quem avisa, amigo é.

*Underdog é a zebra, aquele que é considerado perdedor antes mesmo de a competição começar. Essa é a imagem que muitos querem para o Santos. Mas a gente sabe que a realidade é bem diferente.