Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: outubro 2017 (page 1 of 2)

O sonho e a realidade

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O SONHO E A REALIDADE

Como o líder do Brasileiro é um time medíocre e em má fase, muitos de nós fazíamos as contas, esperançosos: o Santos venceria o Vitória, no Pacaembu; venceria também o Sport, em Recife, e ainda o Atlético Goianiense, na Vila Belmiro. O rival não venceria nenhum de seus três jogos e a diferença de pontos cairia drasticamente, permitindo uma atropelada santista na reta final. Bem, este era o sonho. A verdade é que o Santos é mais limitado do que boa parte dos times deste campeonato, como ficou evidente mais uma vez na partida contra o Sport.

A falta de planejamento e profissionalismo fez o Alvinegro Praiano entrar para um jogo decisivo com um meio campo improvisado, com os reservas Yuri, Serginho e Jean Mota, além do desmotivado Lucas Lima. Na prática, o ataque tinha apenas Ricardo Oliveira, que costuma correr só no primeiro tempo, pois depois se cansa. Na verdade, o time todo do Santos se cansa mais rápido do que os rivais. Quem vê os jogos da Champions League percebe que lá as equipes entram completas nas partidas mais importantes, pois se planejam para isso. E correm o tempo todo em busca do resultado.

Nessa reta final de campeonato é que se percebe o quanto a falta de um elenco equilibrado é decisiva. Não torrasse o dinheiro com jogadores limitadíssimos, como Kayke, Yuri, Wladimir Hernández, Leandro Donizete e Copete; não renovasse os contratos de eternos reservas dos reservas, como Léo Cittadini, Serginho e Lucas Crispim, entre outros, e o Santos hoje teria um time colado no líder, ou, quem sabe, na ponta deste Brasileiro.

O torcedor está certo quando se revolta com a presença no time titular de jogadores como Yuri, Zeca, Serginho, Copete e Yuri, que os fazem ter saudades de times inexpressivos dos anos 80, mas a verdade é que isso é o que restou de um elenco limitado e ainda repleto de casos de contusões de longuíssimo tratamento.

Com a preocupação de não estourar de vez o time, a preparação física opta pelo descanso, e o que se vê em campo é uma equipe limitada e sem fôlego, que joga por estocadas e se fecha para segurar o resultado quando consegue um gol esporádico. Esse Santos, modesto demais, não é, positivamente, aquele que aprendemos a amar.

Sobre o jogo contra o Sport, o que se pode dizer é que o resultado foi até bom para o Santos, pois o adversário, que no primeiro turno já tinha vencido na Vila Belmiro, desta vez dominou o tempo todo. Não fosse, novamente, o goleiro Vanderlei e os zagueiros Lucas Veríssimo e David Braz, e nem um pontinho seria trazido do Recife. Em uma análise fria, devemos nos perguntar: onde estava escrito que o Santos tinha a obrigação de vencer o Sport na Ilha do Retiro?

Para começar, o Santos pode ainda ser o time que mais gols fez na história do futebol, mas hoje, com Diego Souza e André, o time pernambucano tem uma dupla de atacantes mais eficiente do que a do Alvinegro Praiano. Seu técnico, Vanderlei Luxemburgo, também é bem mais vencedor do que o piadista Levir Culpi. Fundado em 1905, o Sport tem um estádio com capacidade para 29 mil pessoas, encravado em uma cidade de 1.633.697 habitantes. Não é fácil desembarcar lá, com um time improvisado, e vencer.

Kayke perdeu um gol que lembrou o inesquecível Nilson, Vanderlei deixou passar um cruzamento que trouxe à memória Fábio Costa no segundo gol do Boca Juniors, em La Bombonera, em 2003. Vanderlei tem muito crédito, enquanto Kayke está fazendo hora extra há muito tempo, mas esses detalhes não podem nos fazer esquecer que o Santos jogou como time pequeno, apenas nos contra-ataques, e o empate foi até bom.

Também não se pode esquecer que clube que quer ser campeão não negocia seus melhores jogadores para pagar salários atrasados, como continua ocorrendo nesta administração. Esta gestão já vendeu Geuvânio, Gabigol e Thiago Maia e está ansiosa para passar nos cobres jogadores que ainda nem estrearam no profissional. Assim, sem nenhum planejamento e sem a devida qualificação do elenco, como se pensar em título brasileiro, ou em qualquer outro?

Conseguir uma vaga para a Copa Libertadores de 2017 é a meta realista do Santos neste campeonato. E mesmo para atingi-la terá de ter a capacidade de juntar os cacos e partir para nova batalha a cada jogo, a começar pelo duelo de titãs contra o perigosíssimo Atlético Goianiense, o virtual rebaixado da competição. Que a torcida compareça à Vila Belmiro e faça a sua parte. O torcedor mais experiente sabe que nada é tão ruim que não possa piorar.

E você, o que acha disso?


Faltou pouco. Falta muito

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Falta pouco. Falta muito

O torcedor santista está lamentando o empate com o Vitória que impediu o Santos de ficar a apenas sete pontos do líder do Brasileiro. Ele se lembra das chances perdidas por Copete e Ricardo Oliveira, da falha do mesmo Copete no primeiro gol adversário, lembra ainda da sentida ausência de Bruno Henrique, hoje o melhor atacante do time, e fica com a certeza de que faltou pouco para o triunfo diante de 15 mil pessoas – um público de médio para pequeno no Pacaembu, mas que superlotaria a Vila Belmiro.

Os mais analíticos recordarão que de pouco em pouco o Santos está deixando passar mais uma excelente oportunidade de conquistar o seu nono título brasileiro. Só com a Ponte Preta foram dois empates e quatro pontos perdidos; usar apenas reservas contra o Botafogo custou mais três pontos; assim como a derrota, na Vila, para o Sport, e há este último empate com o Vitória… Só nesses exemplos já teríamos pontos suficientes para colocar o Alvinegro Praiano na ponta do campeonato. Enfim, tudo indica que mais uma vez ficará a impressão de que faltou pouco para se levantar a taça.

Porém, uma análise mais aprofundada mostrará que o que realmente faz mais falta ao Santos na busca de títulos e de um novo período de prestígio e conquistas não está em alguns detalhes dos jogos, mas sim na estrutura e na gestão do clube. Administrado como um clube menor, sem transparência, sem responsabilidade financeira e nenhuma aspiração mercadológica mais ousada, o Santos de 2014 para cá tem refletido em campo essa visão e ambição modestas de sua presidência.

Enquanto Modesto Roma gasta o precioso dinheiro do clube com eventos eloeitoreiros e deixa de saldar compromissos importantes – como aquele que ainda poderá fazer o clube perder o CT Rei Pelé – o Santos segue um caminho sem grandes aspirações. Seu destino só poderá ser mudado mesmo nas eleições de 9 de dezembro. Se você, sócio, quiser fazer parte dessa mudança, esteja apto para votar e vote! Falta pouco!

Clique aqui e veja se você está na lista dos sócios aptos a votar para presidente do Santos em 9 de dezembro. Se não estiver, regularize sua situação. Esse campeonato o Santos não pode perder.


Arte versus estatística

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Pelé, com a camisa 10 da Seleção e o vídeo de seu gol contra a Itália: única referência ao futebol no Moma, o museu de arte moderna mais importante dos EUA.

Todo campeonato de futebol terá um campeão, mesmo medíocre. Porque os campeonatos, mesmo nas épocas áridas, sem talento e inspiração, precisam ter seus campeões. Terão bajulações e fama passageiras, mas engrossarão as estatísticas. Assim, tal time terá um título a mais e os estatísticos louvarão os números, como se eles pudessem ser eternos, o que nunca conseguirão, pois só a arte sobrevive ao rigor do tempo.

No Moma, o decantado museu da arte moderna de Nova York, a humanidade é representada nas telas e comentada em variadas línguas, pois gente de todo o mundo se espreme em seus corredores em busca das mensagens mais profundas e tocantes que o homem produziu. Aqui não há espaço para quem fez menos do que o máximo.

Sem nenhuma supresa, eu e Suzana encontramos a camisa 10 da Seleção Brasileira e o vídeo de Pelé marcando o primeiro gol da decisão da Copa de 70, contra a Itália. Sim, nós já sabemos, mas é sempre emocionante se deparar com a consciência da imortalidade de Pelé, o 10 do Santos e do Brasil. Nesse momento, fica tão evidente como a arte está acima das estatísticas…

É inegável que vencer campeonatos é importante, porém, acima das circunstâncias de momento, o compromisso maior do Santos deve ser com a arte do futebol e a imortalidade que vem com ela. Essa é a meta que uma gestão ousada deve seguir buscando. As estatísticas têm o seu valor, mas o Santos nasceu para pairar acima delas.

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Pessoas de todas as partes do mundo se aglomeram para ver “Céu com estrelas”, obra-prima do holandês Vincent Van Gogh. A mediocridade passa, mas o essencial fica.


Futuro X Passado

image Nesta “piscina” ficava uma das torres gêmeas

Hoje, dia em que o Santos joga sua esperança no Campeonato Brasileiro contra a sempre respeitável Ponte Preta, vou à Ilha Randal, aqui em Nova York, em busca do estádio em que o Santos venceu o Benfica 4 a 0 e, apenas um mês depois da Copa da Inglaterra, vingou o futebol brasileiro que havia sido derrotado e humilhado pela Seleção Portuguesa de Eusébio.

Faltam apenas dois dias para se encerrar a campanha de pré-financiamento coletivo do livro único “Santos FC, o maior espetáculo da Terra”, obra que tive o prazer e a honra de fazer com Marcelo Fernandes, e este será o meu último vídeo para a campanha. Espero que ajude a Editora Onze Cultural a arrecadar o suficiente para imprimir ao menos 1.500 exemplares.

Mas a veneração pelo passado não deve significar ojeriza pelo futuro, ao contrário. Das conquistas e lições vividas vêm à determinação de se construir novos tempos. O Santos não pode se esquecer de sua grandeza e sua missão no futebol, sob o risco de se tornar um eterno coadjuvante de um espetáculo do qual foi o grande astro.

Da desgraça absoluta que foi a destruição das torres gêmeas resultou um memorial visitado diariamente por milhares de pessoas de todas os idiomas do mundo. Novas construções foram erguidas no espaço ocupado pelo World Trade Center, mas duas piscinas ocupam os lugares em que ficavam os alicerces das duas torres, em monumentos que se tornam mais belos e reflexivos à noite.

Identifico-me com essa capacidade de transformar limão em limonada, pois sem ela não conseguiremos promover os muitos renascimentos que a vida nos propõe.

Hoje a velha Vila Belmiro completa 101 anos e não deve ser coincidência que seja também o Dia Da Criança. Nós, santistas, somos velhos-meninos, ou meninos-velhos, estamos sempre navegando entre o passado e o presente, às vezes sem saber ao certo em que direção seguir.

Não podemos, porém, cair na armadilha de recorrer eternamente a velhos ídolos e velhas fórmulas que já não funcionam mais. O Santos que vingou o futebol brasileiro em 1966 tem uma dimensão que não pode ser destruída. Honremos o passado, mas saibamos construir um futuro com ousadia, transparência e profissionalismo. Afinal, velhos ou meninos, Somos todos Santos.


Estádio: o que importa

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Nesta sexta-feira, 5 de outubro, meu cunhado Eduardo me levou até Pontiac, uma cidade na área metropolitana de Detroit, para vermos o Silverdome, ex-estádio do Detroit Lions, onde o Santos empatou com o Cosmos em 1 a 1 há exatos 40 anos. Um público superior a 26 mil pessoas viu o jogo, recorde para o soccer local até então. Agora o belo estádio, que tinha uma cobertura prateada, está em demolição e é proibido vê-lo de perto.

Norte-americanos, ainda mais do show business, não gostam de jogar dinheiro fora. A cidade perdeu população com a crise da indústria automobilística e o Silverdome ficou um pouco mais distante da região em que se concentra a maioria de seus torcedores.

Há vários anos o Detroit Lions, que é um time de futebol americano, joga no seu novo estádio, o Ford Field, no centro de Detroit. O patrocínio da Ford viabilizou o estádio e o Silverdome, inaugurado em abril de 1975, portanto com apenas 42 anos de vida, já é coisa do passado.

Domingo veremos um jogo no Ford Field, que tem capacidade para 65 mil pessoas, e farei umas fotos para que percebam a beleza do estádio, hoje encravado no coração da torcida do Detroit. Creio que seja evidente a lição que nós, santistas, podemos apreender com a determinação desse gigante do futebol norte-americano.


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