Sinal dos tempos. O santista está comemorando a vitória de vantagem mínima, na Vila Belmiro, sobre o virtual rebaixado Atlético Goianiense. Agora o Santos está a seis pontos do líder, mas o que mais interessa é que a vaga para a Libertadores do ano que vem está cada vez mais próxima. Mesmo brigando na chamada parte de cima da tabela, o Santos não foi prestigiado por seus torcedores, pois apenas 4.245 pessoas foram à Vila Belmiro – menos da metade das que foram à Arena Condá incentivar a Chapecoense contra o Fluminense – proporcionando renda deficitária de R$ 117.270,00. O gol foi de Ricardo Oliveira, que está voltando a correr mais.

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O SONHO E A REALIDADE

Como o líder do Brasileiro é um time medíocre e em má fase, muitos de nós fazíamos as contas, esperançosos: o Santos venceria o Vitória, no Pacaembu; venceria também o Sport, em Recife, e ainda o Atlético Goianiense, na Vila Belmiro. O rival não venceria nenhum de seus três jogos e a diferença de pontos cairia drasticamente, permitindo uma atropelada santista na reta final. Bem, este era o sonho. A verdade é que o Santos é mais limitado do que boa parte dos times deste campeonato, como ficou evidente mais uma vez na partida contra o Sport.

A falta de planejamento e profissionalismo fez o Alvinegro Praiano entrar para um jogo decisivo com um meio campo improvisado, com os reservas Yuri, Serginho e Jean Mota, além do desmotivado Lucas Lima. Na prática, o ataque tinha apenas Ricardo Oliveira, que costuma correr só no primeiro tempo, pois depois se cansa. Na verdade, o time todo do Santos se cansa mais rápido do que os rivais. Quem vê os jogos da Champions League percebe que lá as equipes entram completas nas partidas mais importantes, pois se planejam para isso. E correm o tempo todo em busca do resultado.

Nessa reta final de campeonato é que se percebe o quanto a falta de um elenco equilibrado é decisiva. Não torrasse o dinheiro com jogadores limitadíssimos, como Kayke, Yuri, Wladimir Hernández, Leandro Donizete e Copete; não renovasse os contratos de eternos reservas dos reservas, como Léo Cittadini, Serginho e Lucas Crispim, entre outros, e o Santos hoje teria um time colado no líder, ou, quem sabe, na ponta deste Brasileiro.

O torcedor está certo quando se revolta com a presença no time titular de jogadores como Yuri, Zeca, Serginho, Copete e Yuri, que os fazem ter saudades de times inexpressivos dos anos 80, mas a verdade é que isso é o que restou de um elenco limitado e ainda repleto de casos de contusões de longuíssimo tratamento.

Com a preocupação de não estourar de vez o time, a preparação física opta pelo descanso, e o que se vê em campo é uma equipe limitada e sem fôlego, que joga por estocadas e se fecha para segurar o resultado quando consegue um gol esporádico. Esse Santos, modesto demais, não é, positivamente, aquele que aprendemos a amar.

Sobre o jogo contra o Sport, o que se pode dizer é que o resultado foi até bom para o Santos, pois o adversário, que no primeiro turno já tinha vencido na Vila Belmiro, desta vez dominou o tempo todo. Não fosse, novamente, o goleiro Vanderlei e os zagueiros Lucas Veríssimo e David Braz, e nem um pontinho seria trazido do Recife. Em uma análise fria, devemos nos perguntar: onde estava escrito que o Santos tinha a obrigação de vencer o Sport na Ilha do Retiro?

Para começar, o Santos pode ainda ser o time que mais gols fez na história do futebol, mas hoje, com Diego Souza e André, o time pernambucano tem uma dupla de atacantes mais eficiente do que a do Alvinegro Praiano. Seu técnico, Vanderlei Luxemburgo, também é bem mais vencedor do que o piadista Levir Culpi. Fundado em 1905, o Sport tem um estádio com capacidade para 29 mil pessoas, encravado em uma cidade de 1.633.697 habitantes. Não é fácil desembarcar lá, com um time improvisado, e vencer.

Kayke perdeu um gol que lembrou o inesquecível Nilson, Vanderlei deixou passar um cruzamento que trouxe à memória Fábio Costa no segundo gol do Boca Juniors, em La Bombonera, em 2003. Vanderlei tem muito crédito, enquanto Kayke está fazendo hora extra há muito tempo, mas esses detalhes não podem nos fazer esquecer que o Santos jogou como time pequeno, apenas nos contra-ataques, e o empate foi até bom.

Também não se pode esquecer que clube que quer ser campeão não negocia seus melhores jogadores para pagar salários atrasados, como continua ocorrendo nesta administração. Esta gestão já vendeu Geuvânio, Gabigol e Thiago Maia e está ansiosa para passar nos cobres jogadores que ainda nem estrearam no profissional. Assim, sem nenhum planejamento e sem a devida qualificação do elenco, como se pensar em título brasileiro, ou em qualquer outro?

Conseguir uma vaga para a Copa Libertadores de 2017 é a meta realista do Santos neste campeonato. E mesmo para atingi-la terá de ter a capacidade de juntar os cacos e partir para nova batalha a cada jogo, a começar pelo duelo de titãs contra o perigosíssimo Atlético Goianiense, o virtual rebaixado da competição. Que a torcida compareça à Vila Belmiro e faça a sua parte. O torcedor mais experiente sabe que nada é tão ruim que não possa piorar.

E você, o que acha disso?