Muitos santistas, assustados com a série de matérias jornalísticas apontando fortes indícios de fraude eleitoral nas eleições do Santos têm cobrado uma posição mais firme das três chapas oposicionistas, apontadas pelas matérias como aquelas que seriam prejudicadas pelo esquema que já teria alcançado a compra de 2.200 votos.

Como se sabe, a denúncia partiu dos jornalistas Diego Garcia e Thiago Cara, do site Espn.com.br, que no dia 29 de novembro publicaram a matéria “Antes de eleição, Santos tem explosão de novos sócios com inscrições suspeitas”, dizendo que um empresário de jogadores estava comprando votos para o candidato da situação e o total de sócios fantasmas já havia ultrapassado 2.000, entre eles até torcedores de outros times da capital, número suficiente para decidir a eleição de 9 de dezembro, próximo sábado.

Desde então, a chapa Somos todos Santos e as outras duas de oposição estão sendo cobradas para tomar atitudes legais contra essa fraude que é crime previsto em lei e pode levar a uma pena de até quatro anos de detenção. Milhares de associados do Santos exigem uma resposta e, obviamente, a merecem. Vamos a ela:

O estatuto do Santos não permite que um integrante de uma chapa que concorrerá à eleição entre com uma ação na justiça. Aí você me perguntará: mas o Celso Pires, conselheiro da situação, não entrou na justiça comum contra o resultado da votação do Conselho Deliberativo do clube que reprovou as contas de 2015 dessa gestão? Sim, o que foi lamentável, na minha opinião, mas são casos diferentes, ao menos para o nosso estatuto.

Mesmo diante de evidências tão graves, pelo regimento interno do clube somos proibidos de apelar para o Ministério Público pedindo uma fiscalização rigorosa durante a eleição. Porém, ao olharmos ao nosso redor, veremos que há uma epidemia de fraudes eleitorais em clubes de futebol. O caso do Vasco ainda é discutido pela justiça e a imprensa também traz fortes suspeitas de irregularidades nas eleições de outros grandes clubes brasileiros, como o Corinthians e o Cruzeiro, além do River Plate, da Argentina.

Como um clube de futebol do nível desses citados se equivale a uma empresa de grande porte e representa a paixão de milhões de pessoas, acredito que a eleição para a escolha de seus dirigentes deveria ser cercada de todos os cuidados, para que, totalmente legal e cristalina, representasse, sempre, a vontade de seus associados. Infelizmente, porém, sabemos que nem sempre é assim. Interesses vários, muitos deles escusos, podem interferir nessas eleições. Por isso é essencial que os poderes públicos estejam atentos a esses eventos.

Ocorre que o Ministério Público não age se não for acionado. E se nós, conselheiros do Santos, não podemos acioná-lo, como fazer para garantir a lisura, o fair play e manter imaculados os pilares da democracia que devem sustentar toda e qualquer eleição? A única maneira é apelar para a participação fiscalizadora da imprensa e torcer para que sócios do clube sem ligação com nenhuma chapa entrem com ações no Ministério Público.

Sobre isso, tenho uma grande notícia a dar a todos que acreditam que o Santos continua sendo o clube da técnica e da disciplina, aquele que faz questão de ganhar limpo: o sócio Sérgio Duarte, fora das listas de todas as chapas, entrou nessa tarde com uma ação junto ao Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, criado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, solicitando uma atenção especial às eleições do Santos, que terá urnas na Vila Belmiro e na Federação Paulista de Futebol.

Entrei em contato com o Sérgio Duarte, a quem não conheço pessoalmente, para cumprimentá-lo pelo gesto decisivo e corajoso, e ele insistiu para que eu explicasse aos leitores deste blog, também sócios do Santos sem vínculo com chapa alguma, que é bem simples entrar com uma ação no Gaeco.

“Odir, é só entrar no site do Ministério Público, dirigir-se à página do Gaeco, identificar-se com os números do CPF, RG e número de matrícula de sócio do Santos e, no campo ‘Digite sua denúncia’, explicar o motivo de sua preocupação com as evidências de fraude nas eleições do Santos. Depois, é só colar o texto da matéria publicada no site Espn.com.br

Sérgio fez também questão de me enviar os links da página do Gaeco e também aquela do site Espn.com.br que traz a matéria assinada por Diego Garcia e Thiago Cara. Fez, finalmente, com que eu prometesse, em defesa da lisura da eleição de sábado, que publicaria esses links caso mais interessados quisessem entrar com a ação no Gaeco.

Como se trata do direito de um cidadão honesto, cumpridor das leis e interessado na preservação da democracia, como me parece ser o caso de Sérgio Duarte, eu não poderia recusar o seu pedido.

Clique aqui para ler a matéria da Espn

Para entrar na página do Ministério Público basta clicar aqui

Deixo claro, porém, que não gostaria que nenhum acontecimento anormal abalasse o bom andamento das eleições do Santos no próximo sábado. Basta o que ocorreu em 2014, quando um mesário fraudou uma das urnas e fez com que o pleito fosse adiado para a semana seguinte, com grande prejuízo para todos os eleitores que vieram de cidades e de estados distantes para participar dessa festa e desse direito de todo o sócio santista, que é votar para presidente do clube (para muitos, essa fraude acabou alterando a sorte da eleição, que no primeiro dia pendia para o candidato José Carlos Peres e na semana seguinte acabou vencida por Modesto Roma).

Detestaria ver pessoas detidas ou punidas por tentar conspurcar a preciosa e tão aguardada eleição do nosso clube, um evento que envolve o trabalho de milhares de pessoas, que determinará a vida do Santos nos próximos três anos e influirá na alegria e na tristeza de mais de oito milhões de santistas, somados todos os torcedores do Alvinegro Praiano espalhados pelo mundo. Seria triste e vergonhoso para todos nós. Não merecemos isso.

Torço por uma eleição limpa e pela vitória, justa, de quem realmente receberá mais votos sinceros de sócios de carne e osso, de santistas verdadeiros que sofrem e se alegram pelo time como se este fosse um membro de nossa família. Votos, enfim, saídos dos corações e das consciências, jamais dos bolsos.