Na Argentina foi assim. Como será nesta terça?

Uma Vila Belmiro lotada e inflamada é o que se espera nesta terça-feira, a partir das 21h30, quando o Santos recebe o Estudiantes para um jogo decisivo pela Copa Libertadores. Uma vitória e o Alvinegro Praiano estará praticamente classificado em um dos grupos mais difíceis da competição. Não tenho nenhuma dúvida de que os jogadores e o técnico Jair Ventura farão o máximo por um triunfo consagrador.

Entendi perfeitamente a frustração e as queixas após a derrota para o Bahia, sábado, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Perder com um gol no último lance do jogo é devastador. Tenho alguma coisa a falar sobre o episódio, mas preferi esperar as cabeças esfriarem. Ocorre que em uma de minhas pesquisas jornalísticas estudei justamente as causas de os times grandes entrarem em crises permanentes, e essa ansiedade dos torcedores por mudança de técnicos e contratações é uma das mais importantes.

Por seguir a paixão volúvel do torcedor, hoje o Santos paga cinco técnicos: o atual, Jair Ventura, e ainda deve gordas somas a Dorival Junior, Levir Culpi, Enderson Moreira e Osvaldo de Oliveira, demitidos por gestões anteriores. O caso de Levir é chocante. Faltavam apenas dois meses para encerrar seu contrato, mas como foi demitido antes, agora tem mais de um milhão e meio de reais a receber do Santos. Para um time que anda com as finanças combalidas, isso é um pesadelo.

Já li de mais de uma pessoa que o Santos tem de trocar Jair Ventura por um técnico “mais ousado”. Isso é uma loucura. Jair é excelente e, ao menos de mim, tem total apoio para trabalhar com calma e chegar ao Santos ideal. A história mostra que os melhores times são os que mantêm os técnicos por mais tempo.

Outro motivo que leva os clubes à ruína é contratar jogadores a torto e a direito. Antes, os chamados clubes de massa acreditavam que podiam contratar jogadores caros, pois seus torcedores pagariam, lotando estádios. Muito raramente isso dava certo e o que se via na grande maioria dos casos é a dívida e a fila aumentarem. Flamengo e Corinthians sempre foram o maior exemplo dessa temerária filosofia.

O correto é pesquisar o mercado e contratar certo, levando em conta não só a qualidade técnica, mas também o valor e o potencial de valorização do jogador. Os últimos clubes de sucesso no Brasil adotaram essa fórmula. Os que quiseram dar um passo maior do que a perna estão em dificuldades. O equívoco de tantas contratações caras e ruins – não só do Santos, mas de tantos outros clubes brasileiros – tem de ser evitado a todo custo.

Quando escrevo que devemos ter paciência, alguns reclamam. Mas é a impaciência do torcedor que levou tantas agremiações a assumir dívidas que não poderiam e nem podem pagar. Temos de apoiar os jogadores que hoje vestem nossa camisa e, com a nossa confiança, tirar deles o melhor que podem dar.

O time que para muitos é o melhor do mundo, o Barcelona de Messi, acaba de ser eliminado na Champions League pela coadjuvante Roma após ter aberto uma vantagem de três gols na primeira partida. Pelo que sei os torcedores catalães não destruíram o Camp Nou e nem ameaçaram seus jogadores. Sabem que assim é o futebol e estarão dispostos a apoiar a equipe nos próximos embates.

É essa atitude, de não desistir nunca, de renascer das cinzas, que espero dos santistas, sempre. Estou certo de que, em primeiro lugar, só podemos contar com nós mesmos. Por isso insisto que devemos nos associar ao clube e, sempre que possível, comparecer aos jogos e divulgar positivamente o nosso Santos. Finanças equilibradas, o resto virá em um piscar de olhos.

Confio que este jogão de terça-feira vai nos fazer esquecer a tristeza de sábado. Assim é o futebol. E a vida. E cíclico como é, um dia o futebol nos levará novamente ao olimpo, ao ponto mais alto que a alegria de um torcedor pode atingir. Mas será preciso paciência, trabalho e fé.

Libertadores: venda de ingressos na Vila e nos postos autorizados começa neste sábado (21)

Clique aqui para saber como ficar sócio do Santos.

E você, o que acha disso?