Os gols de Juary, João Paulo, Ailton Lira, Serginho Chulapa e Guga, entre outros ídolos santistas, não teriam a mesma emoção se fossem narrados por outra voz.

Ele tem Santos até no nome e a simples visão da Vila Belmiro fazem seus olhos brilharem e um longo Sannnntooos sair de sua boca. Osmar Santos chegou a narrar 100 palavras por minuto, “sem atropelar nem engolir nenhuma palavra ou letra”, lembrou Edna Andrade, jornalista que escreveu uma dissertação sobre este que é considerado o melhor narrador do futebol brasileiro. A convite de Edna, uma fonoaudióloga analisou um trecho de uma locução de Osmar e a definiu como “perfeita, maravilhosa, uma verdadeira obra-prima”. Pois este senhor abrirá a Semana Santos com a vernissage de sua exposição, nesta segunda-feira, a partir das 17 horas, no Memorial das Conquistas da Vila Belmiro. A entrada é gratuita. Não deixe de comparecer.

Inteligente, culto, Osmar nasceu em Marília, tem 68 anos e é formado em em Educação Física, Administração Pública (pela FGV-SP) e em Direito. Também conhecido como “O Pai da Matéria”, Osmar trabalhou como locutor esportivo nas rádios Jovem Pan, Record e Globo, onde continua contratado como um dos diretores da equipe, mas sem narrar mais, devido ao grave acidente de automóvel que sofreu em 22 de dezembro de 1994 e que afetou sua fala. O homem que falava tantas palavras, hoje tem um vocabulário pequeno, mas ainda assim consegue se comunicar e mantém intensa vida social.

Engajado na luta pela volta do sistema democrático ao País, tornou-se o “Locutor das Diretas”, ao comandar comícios para centenas de milhares de pessoas em São Paulo. Bastante popular, recusou inúmeros convites para entrar na política, pois seu amor era narrar futebol. Entre suas expressões mais conhecidas estão: “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”, “Um pra lá, dois pra cá, é fogo no boné do guarda”, “Sai daí que o Jacaré te abraça, garotinho”, “No carocinho do abacate”, “vai garotinho porque o placar não é seu”… e uma das narrações de gol mais marcante do rádio brasileiro, “Tiro-lirolá Tiro-lirolí, e que GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL”.

Em dezembro de 1994 sofreu grave acidente de carro quando viajava de Marília para Lins e seu carro foi atingido por um caminhão dirigido por um motorista alcoolizado. Sua fala ficou comprometida, assim como teve parte de seu corpo paralisado. Desde então se dedica à pintura, tendo frequentado por anos o ateliê de Rubens Matuck. Suas telas, simples e fortes, pintadas com os dedos, expressam a inesgotável energia e vontade de viver de Osmar Santos.

Você poderá conhecê-lo e aos seus quadros a partir desta segunda-feira, no Memorial das Conquistas do Santos Futebol Clube.

Programacao_SemanaSantos

Programacao_SemanaSantos