set 03

Ontem foram só 7.000 pagantes. Até quando?

Os sete mil pagantes do jogo de ontem, contra o Avaí, trouxeram de novo à tona um dilema ainda não resolvido. Vale a pena para o Santos continuar jogando na Vila Belmiro para públicos que estão aquém do seu prestígio e de suas necessidades mercadológicas?

É inegável que o Santos atrai mais público em seus jogos em São Paulo, onde tem 1,5 milhão de torcedores, do que na Baixada Santista, onde possui 500 mil aficionados e de menor poder aquisitivo.

Mas a questão não é tão simples e mexe com a paixão dos santistas, chegando a dividir os torcedores em dois grandes blocos: os adeptos dos jogos na Vila Belmiro e aqueles que preferem que o time atue mais em São Paulo. Vejamos os aspectos positivos de cada opção.

O lado bom de se jogar na Vila Belmiro

É menos desgastante para os jogadores, que saem do CT, ali do lado, direto para o estádio.
A pressão sobre o time e a torcida adversária é maior.
O time costuma ter um índice de vitórias excelente quando joga na Vila, principalmente nos clássicos contra outros grandes de São Paulo.

O lado bom de se jogar no Pacaembu

As rendas são maiores. O clube fatura mais.
A exposição na mídia é um pouco maior, já que há uma cobertura mais completa dos veículos de comunicação.
O Pacaembu lotado por um time que não tem sede em São Paulo sempre causa uma impressão muito boa, ótima para o marketing.
Nos últimos anos o time vem mantendo um índice de vitórias tão alto ou maior do que na Vila Belmiro.

Chapa “O Santos pode mais” prometia mais jogos em São Paulo

Uma das promessas da chapa “O Santos Pode mais”, eleita no final do ano passado, é a de que o Santos jogaria mais vezes em São Paulo, onde tem uma torcida maior e, naturalmente, atrai mais público aos seus jogos.

Estudava-se até a possibilidade de o time atuar em regiões onde mantém um número expressivo de torcedores, como o Interior de São Paulo e o Norte do Paraná. Era consenso que o clube deveria evitar os prejuízos causados pelos jogos na Vila Belmiro, onde manteve uma das piores médias de público nas últimas edições do Campeonato Brasileiro.

Porém, há uma resistência muito grande de boa parte dos santistas de Santos com relação ao time trocar a Vila Belmiro pelo Pacaembu, ou outro estádio paulistano. Em suas últimas campanhas para presidente do clube, Marcelo Teixeira disseminou a idéia de que a oposição queria tirar o Santos de Santos, e com isso obteve o apoio geral dos santistas da cidade.

Na verdade, bairrismos à parte, o que se quer é que o Santos jogue para públicos compatíveis com sua grandeza. Se tiver de escolher, a maioria dos santistas parece preferir que o time continue mandando seus jogos em Santos.

Enquete pede estádio em Santos

Veja que o resultado parcial da enquete sobre o estádio do Santos, mostra que mais da metade dos internautas (54%) prefere que o Santos tenha um estádio maior e moderno em Santos ou que a Vila Belmiro seja ampliada. Apenas 31% preferem um estádio santista em São Paulo ou em Diadema, enquanto 14% quer que se mantenha o rodízio entre Vila e Pacaembu.

Uma coisa, porém, é amar a Vila Belmiro e reconhecer sua importância para a história do Santos. Outra é querer que ela continue sendo o eterno estádio do clube, mesmo ultrapassada e deficitária.

Menor que o Parque São Jorge

Com as últimas mudanças para a construção dos camarotes, a Vila Belmiro teve sua capacidade diminuída para 15 mil pessoas. Ou seja, ela se tornou ainda menor do que o obsoleto Parque São Jorge, que comporta 17.900 pessoas.

Grandeza veio em ganhar fora

É muito importante ter um bom índice de vitórias em casa, mas isso até times médios e pequenos conseguem. O grande diferencial, que fez do Santos um dos melhores do mundo, foi sua incrível capacidade de vencer no campo do adversário, ou longe de sua cidade.

Quase todos os títulos importantes do Santos foram obtidos longe da Vila Belmiro. Vejamos:

Libertadores de 1962: Buenos Aires.
Libertadores de 1963: Buenos Aires.
Mundial de 1962: Lisboa.
Mundial de 1963: Rio de Janeiro.
Recopa Mundial, em 1969: Milão.
Taça Brasil de 1962: Rio de Janeiro.
Taça Brasil de 1963: Salvador.
Taça Brasil de 1964: Rio de Janeiro.
Taça Brasil de 1965: Rio de Janeiro.
Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata de 1968: Rio de Janeiro.
Campeonato Brasileiro de 2002: São Paulo.
Campeonato Brasileiro de 2004: São José do Rio Preto.
Copa Brasil de 2010: Salvador.

A única conquista relevante na Vila Belmiro foi a Taça Brasil de 1961, ganha com uma goleada de 5 a 1 sobre o Bahia.

Indecisão atrapalha o marketing

Esta indecisão do Santos com relação ao seu estádio certamente atrapalha vôos mais altos de seu marketing. Daqui a dois anos o Corinthians terá um estádio grande e moderno, o Palmeiras a sua arena, o São Paulo continuará com o maior estádio do Estado. E o Santos? Continuará jogando para sete mil pessoas em uma Vila Belmiro acanhada e ultrapassada?

O Pacaembu é uma opção pronta, barata, tradicional e bem localizada. O santista gosta de ir ao Pacaembu e o considera a sua casa em São Paulo. Mas para ser uma alternativa permanente o Santos teria de assinar uma parceria com a prefeitura de São Paulo, pois um estádio só pode ser um grande negócio se o clube puder explorá-lo mercadologicamente, com publicidade, eventos, merchandising.

Se o Santos tem os dois pés fincados na cidade mais progressista da América Latina, para muitos fica difícil entender porque não toma posse logo desta conquista e ergue seu estádio na metrópole.

Mas há a questão das raízes, e com o crescimento da cidade de Santos – acelerado pelo Pré-Sal e as obras de modernização do Porto – provavelmente o poder aquisitivo e, consequentemente, a média de público em um estádio na cidade também tenderá a crescer.

A prefeitura de Santos deveria apoiar mais o time

Não há dúvida de que o time do Santos é a entidade que mais divulga a cidade pelo mundo.Assim, não entendo por que a prefeitura santista e o clube não se aproximam em uma parceria duradoura, benéfica para ambas.

Já ouvi que a prefeitura não ajudava o Santos porque o prefeito era palmeirense. Recusei-me a acreditar em tal sandice. Em primeiro lugar, mesmo que isso fosse verdade, o Palmeiras não tem sede na cidade, não paga impostos em Santos e o número de palmeirenses no município não deve chegar a 10%.

Se eu fosse o presidente do Santos e tivesse dificuldades com um prefeito que torcesse por um clube de São Paulo, eu simplesmente lhe diria: está bem, você não vai nos ajudar porque torce para outro time, ok. Mas então vamos pedir aos santistas da cidade – e há 54% de torcedores do Santos em Santos, segundo pesquisa de A Tribuna – que não votem no senhor.

O Santos pode ser decisivo em qualquer eleição na cidade, e deveria usar essa força política para conseguir bons acordos para o clube. Esta é a forma de o Santos continuar em Santos e usar a ser favor todo o potencial da cidade.

Outra desculpa que ouvi é que o prefeito não poderia ajudar o Santos, pois na cidade também há outros clubes tradicionais, como a Portuguesa Santista e o Jabaquara. Ora, mas quanto representam os torcedores de cada clube? Novamente o Santos deveria ter uma posição política e usar a força esmagadora de seus torcedores para influir na política da cidade.

Até porque o que impediria que a prefeitura e os clubes da cidade se unissem para a construção de uma grande e moderna arena municipal, que poderia ser usada tanto pelo Santos, como por outros clubes que disputassem divisões principais do futebol brasileiro?

O espaço imobiliário em Santos se valoriza rapidamente, mas ainda há muito clube abandonado, há muito terreno que poderia ser usado para consolidar esta parceria que tornaria o Santos o maior time – também em patrimônio – do litoral brasileiro. Se ainda não pensaram, que a diretoria do clube e o prefeito pensem seriamente sobre isso.

Se uma decisão não for tomada rapidamente, só restará ao Santos dois caminhos: sair da cidade, em busca de campos mais férteis e de públicos mais reconhecidos ao seu futebol, ou apequenar-se agarrado à sua tímida e romântica Vila Belmiro.

E você, o que acha que o Santos deve fazer a curto e médio prazo para resolver seu problema de falta de público na Vila?

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , , ,

set 02

Não sei se dá pra dizer que o Santos mereceu vencer o Avaí. Creio que não. O resultado mais justo seria o empate. Se alguma coisa fez a diferença em favor do Santos foi a garra. Além da sorte.

Sim, sorte também influi no futebol, e não fosse ela o time de Santa Catarina teria ao menos obtido o empate na Vila Belmiro. Aquela bola que bateu no pé da trave e não entrou é típica de goleiro sortudo, como este Rafael.

Mas, como eu já disse, os deuses do futebol costumam compensar alguns azares. Perder o Ganso, machucado, por seis meses, dá ao Santos um duradouro bilhete da fortuna.

Fazer um gol logo aos 50 segundos, através de Neymar, deu a impressão de que o time poderia vencer com facilidade, mas, como se previa, este Avaí é atrevido e também buscou o ataque, mesmo fora de casa. Time jovem, parece ter uma energia inesgotável.

Como havia muita juventude em campo e pouca maturidade, o jogo foi um corre-corre terrível. Marquinhos não conseguiu controlar a partida no meio-campo e só mesmo a habilidade de Neymar e a versatilidade de Zé Eduardo seguraram o Avaí um pouco mais atrás no primeiro tempo. Keirrison, mais uma vez, ajudou pouco.

Na segunda etapa, o gol dos visitantes parecia favas contadas, até que as entradas de Alan Patrick e Zezinho deram um pouco mais de precisão nas trocas de bola e tornaram o Santos novamente perigoso.

Por sorte o gol de Marcel saiu justamente no curto período de tempo que o Santos voltou a dominar, aos 38 minutos. Depois, o Avaí assumiu o controle do jogo novamente, diminuiu com Válber, aos 42, e manteve o torcedor santista com o coração na mão até o fim.

Lições do jogo

A determinação, a disposição de marcar o adversário foi um aspecto positivo desta vitória que coloca o Santos na terceira posição do campeonato. Mas a partida mostrou também aspectos preocupantes, que merecem melhor análise.

É notório que o poder ofensivo do time caiu muito devido aos desfalques da janela de transferências. Marquinhos não está conseguindo substituir Ganso à altura no meio-campo e Zé Eduardo e Keirrison estão longe de preencherem as lacunas deixadas por Robinho e André.

O Santos passou a ser um time cuja única reserva de arte está nos pés de Neymar e, em menor proporção, nos de Alan Patrick e Zezinho quando estes entram no segundo tempo. Parece pouco para chegar ao título, mas o espírito de luta tem compensado a falta de beleza.

Esta garra será decisiva domingo, no Maracanã, na última rodada do primeiro turno (sem contar o jogo adiado, com o Internacional). Contra o campeão Flamengo, os Meninos da Vila terão de ter o mesmo espírito guerreiro que tiveram contra o humilde Avaí.

O que você achou do jogo com o Avaí? O que viu de positivo e negativo no Santos?

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , ,

set 02

Como Gylmar vive hoje e, abaixo, o seu jogo de despedida do futebol, aos 39 anos, quando fez sua 100ª partida pela Seleção Brasileira. O Brasil, que jogou com oito titulares do Santos, venceu a Inglaterra, então a campeã do mundo, por 2 a 1, no Maracanã, em junho de 1969.

Hoje o Santos fará uma homenagem a Gylmar dos Santos Neves, o goleiro mais vitorioso do futebol mundial, que vestiu a camisa do Alvinegro Praiano de dezembro de 1961 a dezembro de 1969. Gylmar, um goleiro elegante, frio e elástico, completou 80 anos no dia 22 de agosto e terá uma camisa do Santos com o seu nome.

Nascido no bairro do Macuco, em Santos, em 1930, Gylmar jogou no Portuários, assinou seu primeiro contrato profissional com o Jabaquara, acabou contratado pelo Corinthians no começo de 1951 – como contra-peso no negócio com o quarto-zagueiro Ciciá –, mas dez anos depois, escorraçado pelo clube do Parque São Jorge, finalmente foi feliz no futebol ao se transferir para o Santos.

Gylmar confirma a sina do Alvinegro da capital de maltratar seus ídolos. Seu primeiro problema no Corinthians ocorreu em novembro de 1951, quando o time perdeu por 7 a 3 para a Portuguesa e levantaram a suspeita de que ele teria “amolecido”. Sem poder provar sua inocência, foi afastado do time por seis meses.

“Passei um período muito difícil”, contou-me ele quando o entrevistei para o livro Time dos Sonhos. “Não podia nem entrar no clube. Eu não tinha como provar, porque as coisas foram feitas fora, sem que eu soubesse. Só sei que no dia do jogo havia muitas promessas de prêmios para mim. Pensei que estivesse abafando, mas não era nada disso. A intenção deles era outra.”

Gylmar só foi perdoado e voltou a jogar pelo Corinthians porque em 1952 o time estava para embarcar em uma excursão e não tinha goleiro, já que Cabeção fora convocado para a Seleção Paulista. Depois de tentar conseguir, sem sucesso, um jogador emprestado, o diretor Manoel dos Santos propôs o nome de Gylmar, aceito com resistência. Após uma viagem exaustiva de três dias, o time estreou na Turquia e perdeu. Depois, foram 11 vitórias consecutivas, com Gylmar fechando o gol:

“Foi o dedo de Deus que me deu aquela oportunidade. Joguei muito bem. Na partida contra a Seleção da Dinamarca cheguei a defender três pênaltis. Voltei novamente como herói. Joguei todo o Campeonato Paulista de 1952, quando o Corinthians foi campeão”, lembrou ele.

Gylmar foi muito importante na conquista do título paulista do IV Centenário, em 1954. O time fazia 1 a 0 e ele segurava o resultado. Vivia uma fase excepcional, que quatro anos depois o levou à Copa do Mundo da Suécia e o fez sentir a maior alegria de sua carreira:

“A emoção de ganhar uma Copa é indescritível. Você fica meio bobo. Com exceção do Castilho, Didi e Nilton Santos, ninguém ali havia estado em Copas do Mundo.”

O goleiro novamente voltou como herói, mas aos poucos foi reduzido à única estrela de um Corinthians que perdera Cláudio, Luisinho e Baltazar e não estava contratando jogadores à altura dos que saíam. A fase negativa não tardou. Gylmar passou a ser apontado como o culpado pelas derrotas. Mesmo quando se queixou de dores no braço, não lhe deram ouvidos. O médico do clube disse que ele estava fazendo corpo mole para sair do Corinthians.

Num treino, ao se atirar nos pés de um atacante, o goleiro sentiu uma dor aguda no cotovelo, que inchou imediatamente. Tirou a cotoveleira e, enquanto se dirigia para o vestiário, mostrou o braço para os diretores que assistiam o treino.

“Vieram conversar comigo, mas eu disse que não queria nada, que tinha um seguro particular e no dia seguinte iria procurar um hospital para me operar. Fui para casa louco de dor. Tratei com água quente, sal e vinagre para desinchar e três dias depois estava operando no Hospital Santa Catarina, com o doutor João de Vicenzo. Minha mulher, que tem curso de enfermagem, assistiu a cirurgia. Imaginou-se que seria simples, por se tratar de uma bursite, ou algo assim, mas a operação demorou duas horas e meia. Eu tinha um tendão partido no braço e não sabia. Isso é o que causava a dor. Se demorasse mais um pouco para operar, o tendão estaria tão retraído que seria impossível emendar novamente.”

No dia seguinte, ainda sonolento pela anestesia, Gylmar recebeu o repórter Milton Reina, da Gazeta Esportiva, e admitiu que sua situação no Corinthians ficara difícil. A entrevista gerou a manchete: “Gylmar diz que não joga mais no Corinthians”. Em resposta, o presidente do clube, Vadi Helu, retrucou dizendo que agora era o Corinthians que não queria mais Gylmar e estipulou o passe do goleiro em 10 milhões de cruzeiros.

“Era uma fortuna. A transferência mais alta daquela época tinha sido a de Mauro, do São Paulo para o Santos, que custou cinco milhões de cruzeiros. Um goleiro por dez milhões era para não vender. Talvez a idéia fosse que eu terminasse a carreira ali. Mas, como eu já tinha meu emprego como chefe de seção da Secretaria da Fazenda, não estava desamparado. E eu trabalhava mesmo, todas as tardes.”

Nesse meio tempo surgiu o interesse do Santos, mas este não dispunha de todo o valor. Foi preciso fazer um empréstimo da Federação Paulista de Futebol e ainda receber uma doação do empresário José Ermírio de Moraes. Gylmar não ganhou nenhuma porcentagem, tampouco luvas de seu novo clube. Melhor negócio para ele seria ter aceitado uma proposta do Peñarol, de Montevidéu, mas o goleiro não quis:

“O Peñarol ofereceu uns 12 milhões para o Corinthians, mais uma fortuna na minha mão, mas resolvi não ir. Não queria dar mais nenhum tostão para o Corinthians. Eles me judiaram demais.”

O contrato com o Santos foi assinado em dezembro de 1961. Logo em seguida o time iniciou uma excursão à América Central. Quanto voltou, Gylmar já era o titular. Em 1962, no melhor ano de sua carreira, foi campeão paulista, brasileiro, da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes. Convocado novamente para a Seleção Brasileira, tornou-se bicampeão mundial no Chile.

Nessa Copa de 62, contra a Espanha, realizou a defesa mais importante de sua vida. O Brasil perdia por 1 a 0 e seria desclassificado com este resultado. Em um ataque pela esquerda, Gento driblou Djalma Santos – jogando a bola por dentro e saindo correndo pela pista de atletismo – e cruzou. Puskas vinha entrando, enquanto Gylmar e o zagueiro Mauro saíram para cortar o cruzamento. O goleiro conseguiu socar a bola, mas ele, Mauro e Puskas trombaram e caíram. A bola sobrou para Peiró, que vinha na corrida e bateu de primeira, num chute a um metro do chão. Gylmar só teve tempo de erguer o braço e espalmar para escanteio. Em seguida, no contra-ataque, o Brasil empatou o jogo (e acabou vencendo por 2 a 1, com gols de Amarildo em centros de Garrincha). Os espanhóis creditaram sua eliminação na Copa àquela defesa do goleiro brasileiro.

No Santos, Gylmar finalmente pôde viver um tempo feliz, de tranqüilidade e profundo respeito. O time era como uma família e nunca foi maltratado por dirigentes. Ao contrário: era o clube que melhor remunerava seus jogadores. Em uma excursão à Europa, Gylmar se recorda de que as delegações de Santos, Botafogo (de Garrincha, Didi, Nilton Santos…) e Corinthians se encontraram no mesmo hotel. Em conversas informais com os jogadores dos outros times, ficou sabendo que o “bicho” (prêmios em dinheiro) que os santistas ganhavam por partida era o dobro dos botafoguenses e cinco vezes maior do que o dos corinthianos.

Gylmar admite que o Santos seria até hoje um dos melhores do mundo caso seus diretores tivessem tido maior visão e soubessem administrar o clube de maneira mais eficiente, mas, pessoalmente, não tem queixas:

“Se o Santos tinha condição de pagar ou não, eu não sei, só sei que pagou todo mundo e nunca atrasou. Todos queriam ver o Santos jogar. Onde jogavam, enchia. Começou a chover dinheiro. O Santos era uma equipe vencedora, com grandes valores, que ficou no auge por 13 anos. O ambiente era ótimo. Nunca tivemos uma discussão entre os jogadores.”

O Santos foi o melhor time de todos os tempos? Gylmar responde a essa pergunta comparando a equipe com o Real Madrid, o melhor time do mundo antes da fase áurea do Santos:

“Há uma celeuma sobre quem foi o melhor time de todos os tempos. Uns dizem que foi o Real Madrid, outros o Santos. Acho que cada um teve a sua época. Que eu me lembre, os dois só se enfrentaram uma vez, em 1959, na Europa, quando o Santos estava começando a ser o grande time que foi, e o Real ganhou (5 a 3). Quando o Santos começou sua evolução e o Real iniciou sua fase regressiva, ele nunca mais quis jogar com o Santos, sempre evitou. Chegou ao cúmulo de abrir mão de jogar a final de um torneio na Argentina para não nos enfrentar. Foi um quadrangular, em 1965, com Santos, Real, Boca Juniors e River Plate. Ficaram Santos e Real para decidir o título, mas eles não quiseram jogar, preferiram deixar o título para nós do que correr o risco de perder pra gente. Queriam manter aquela imagem de ter sido o único time a vencer o Santos” (o Santos venceu o Boca Juniors por 4 a 1, no dia 8 de agosto, e o River Plate por 2 a 1, quatro dias depois. A decisão seria contra o Real Madrid, que se recusou a jogar).

Gylmar jogou no Santos até dezembro de 1969. Em sua despedida pela Seleção, em 12/06/1969, na vitória de 2 a 1 sobre a Inglaterra, no Maracanã, o Brasil tinha oito titulares do Santos. Ao abandonar o futebol, aceitou o convite para ser relações públicas de uma concessionária Chevrolet. Depois montou a sua, na Vila Prudente, em São Paulo. Em 1983 foi convencido a tornar-se supervisor da Seleção Brasileira, cujo técnico era Carlos Alberto Parreira. Ficou decepcionado com o que viu. O marketing comandava tudo. “Talvez eu fosse o errado, pois trazia a mentalidade do tempo em que eu era jogador, em que não se exigia dinheiro para ganhar jogo.”

Na verdade, nem tudo Gylmar fez conforme seu tempo. Numa época em que a maioria dos jogadores de futebol adorava cair na noite, ele sempre foi um jogador de ir pra cama mais cedo, mesmo sofrendo de insônia. Quando saía, chegava ao extremo de – coisa de cinema – pedir leite em boate. Paradoxalmente, era o melhor companheiro de quarto do boêmio Dorval, que por mais tarde que chegasse, ainda encontrava o goleiro acordado, tentando ler para atrair o sono.

De saúde perfeita até 2000, Gylmar sofreu um acidente vascular cerebral e hoje não consegue falar e vive em uma cadeira de rodas. Mas, lúcido, compreende tudo e certamente se emocionará com essa demonstração de carinho dos santistas, os torcedores que o fizeram recuperar o amor pelo futebol.

Quer enviar uma frase de apoio e carinho para Gylmar? Fique à vontade. Ele merece.

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , ,

set 02

O Avaí está engasgado na garganta do santista, já que foi o único time que impediu o Santos de ganhar mais um título este ano. A surpreendente derrota para o clube catarinense por 3 a 1, no Pacaembu, acabou eliminando o Santos da Copa Sul-americana. Hoje, às 21 horas, na Vila Belmiro, com transmissão do Sportv, os times voltam a se encontrar pelo Campeonato Brasileiro. O que acontecerá na partida, segundo a análise do MCOC?

Mesmo sem Paulo Henrique Ganso, o Alvinegro Praiano está mais equilibrado agora do que naquela partida pela Sul-americana, em que havia uma pressão imensa para que Neymar deixasse a Vila Belmiro e os jogadores voltavam das comemorações pelo título da Copa do Brasil.

Hoje o técnico Dorival Junior poderá usar o melhor que possui no momento, com Rafael; Pará, Durval, Edu Dracena e Alex Sandro; Arouca, Danilo e Marquinhos; Zé Eduardo, Neymar e Keirrison. Zezinho e Madson são opções no banco de reservas.

Alan Patrick poderá jogar. Ele tinha sido convocado para a Seleção Brasileira sub-19 que participará da Copa Sendai, no Japão, mas acaba de ser liberado pela CBF. Rodriguinho sentiu uma contusão na coxa esquerda e Léo cumprirá suspensão automática.

O Avaí, que não terá o lateral-direito Patric e o meia-atacante Robinho, suspensos, deverá ser escalado por Antonio Lopes com Renan; Marcos, Emerson, Rafael e Eltinho; Marcinho Guerreiro, Rudnei, Jéferson e Válber; Cristian e Vandinho. No banco de reservas Lopes terá Zé Carlos, Emerson Nunes, Pará, Leandro Bonfim, Bruno, Sávio e Laércio.

O jogo é válido pela 18ª rodada, a penúltima do primeiro turno. O time catarinense é o oitavo na classificação, com 23 pontos.O Santos é o sexto, com 27 pontos, mas voltará para a terceira posição com uma vitória.

Os perigos do Avaí: a velocidade, a malícia de Lopes e os pontapés de Marcinho Guerreiro

O Avaí não tem se contentado em jogar pelo empate quando atua fora de casa. Atrevido, tem jogadores rápidos e um contra-ataque perigoso. Jogando com velocidade surpreendeu o Santos na Copa Sul-americana e tentará repetir o feito esta noite.

Hoje, porém, o Santos é um time mais ajustado do que aquele que perdeu por 3 a 1, no Pacaembu. Sem contar que naquela partida alguns erros de arbitragem ajudaram o time catarinense. Um deles foi permitir que Marcinho Guerreiro ficasse em campo até o final, apesar dos inúmeros pontapés que desferiu durante o jogo.

Com três atacantes, além do apoio de Marquinhos e Danilo e dos laterais, hoje o Santos deverá assumir a iniciativa e criar um número maior de oportunidades do que o adversário, como invariavelmente acontece nos jogos na Vila Belmiro.

Como o potencial do Santos – até que prove o contrário – é de 100 pontos, e o do Avaí é de 80, se os dois times jogarem tudo o que podem, o Santos deverá vencer por um gol de diferença. Porém, como na Vila Belmiro a tendência é os adversários serem dominados e renderem um pouco menos do que o esperado, o MCOC fica com uma vitória santista por dois gols de vantagem

E você, o que acha que dará no jogo de hoje, na Vila? Será que esse Avaí pode aprontar de novo?

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , ,

ago 22

Reveja os gols de Santos 3, Atlético/MG 1, última partida entre ambos na Vila Belmiro.

O jogo de logo mais, às 16 horas, na Vila Belmiro, entre Santos e Atlético Mineiro – que comentarei pela Rádio Globo – não é de prognóstico tão simples como parece.

O Santos, que tenta se reequilibrar após as saídas de Robinho, André e Wesley, não poderá contar com os titulares Edu Dracena e Marquinhos e nem com os primeiros reservas Rodriguinho e Zé Eduardo, todos suspensos.

O Atlético Mineiro, que no papel não deveria estar tão mal no campeonato, pois tem jogadores de categoria, como Diego Souza, Ricardinho e Diego Tardelli, terá a estréia de Réver, compondo uma linha de três zagueiros com Lima e Werley.

O goleiro Fábio Costa, emprestado pelo Santos ao time mineiro, não poderá jogar hoje, assim como o meia Daniel Carvalho, machucado.

Para o Santos, que ainda sonha correr atrás de mais um título brasileiro, a vitória é importante, mas esse resultado também é o pretendido pelo time de Minas, que, se perder ou mesmo empatar, continuará na zona de rebaixamento.

Times prováveis para hoje: SANTOS – Rafael; Pará, Bruno Aguiar, Durval e Léo; Arouca, Danilo e Paulo Henrique Ganso; Madson, Neymar e Keirrison. Técnico: Dorival Jr.

ATLÉTICO-MG – Aranha; Réver, Werley, Lima; Diego Macedo, Rafael Jataí, Serginho, Diego Souza e Ricardinho; Neto Berola e Diego Tardelli. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

A arbitragem será de Héber Roberto Lopes (Fifa-PR), auxiliado pelo correto e sisudo Roberto Braatz e por Gilson Bento Coutinho (ambos PR).

Fator campo poderá ser decisivo

Bem, vamos ao primeiro passo para se analisar o potencial de cada time, a partir de um time-padrão, ao qual é dado 100 pontos. No caso, o Método Científico OC estabelece como time-padrão o São Paulo, que tem nível acima da média e é capaz de brigar por todos os títulos que disputa.

Comparado ao São Paulo, este Santos de hoje, que antes de perder alguns titulares na janela de transferências, chegava a 140 pontos, agora alcança apenas 110 pontos. Por outro lado, o Atlético Mineiro, mesmo considerando-se o fato de ter alguns ótimos jogadores, além do experiente técnico Vanderlei Luxemburgo, não passa de 80 pontos, no máximo 90.

Os dois times estão se reestruturando, mas o Santos ao menos tem uma base que deu muito certo no primeiro semestre. No quesito motivação pode-se considerar que haja um empate, pois ao mesmo tempo em que o Santos precisa da vitória para buscar mais um título este ano, o Atlético necessita urgentemente de três pontos para sair da zona de rebaixamento.

Os dois times têm desfalques e estreias, fatores que dificultam as previsões, aumentando o grau de imponderabilidade. Um estreante, como Keirrison, tanto pode acabar com o jogo, marcando gols, como pode se apagar. A mesma dúvida acompanhará o desempenho do zagueiro Rever, do Atlético.

As duas defesas não são nenhum primor, mas a do Atlético tem falhado mais. A do Santos sofreu 20 gols, a do time mineiro, 26. O Alvinegro Praiano marcou 21 vezes e o de Minas, 17.

O Atlético tem jogadores que podem definir o jogo, como Diego Souza e Diego Tardelli, além de Ricardinho; o Santos tem a dupla de ouro Paulo Hemrique Ganso e Neymar, além de Keirrison.

Porém, o elemento definitivo nesta análise é o fator campo. Na Vila Belmiro o Santos joga melhor, vai pra cima, encurrala o adversário e vence cerca de 80% de seus jogos. O Atlético Mineiro, por sua vez, cai muito quando atua distante do carinho de sua torcida.

Neste Brasileiro o time de Minas não ganhou uma única vez jogando fora. O máximo que conseguiu foi empatar em 0 a 0 com o Avaí. Nos outros cinco jogos, perdeu todos, sofrendo uma média aproximada de três gols por partida.

Santos deverá ganhar por um gol de diferença

Mesmo com as dificuldades de entrosamento e os desfalques, é bem plausível que o Santos consiga jogar 80% do seu futebol atuando em casa. Isso lhe daria 88 pontos de um total máximo de 110.

Quanto ao Atlético, mesmo que atinja 90% de seu potencial, chegará a 72, no máximo 75 pontos. E esta diferença, de 88 para 75 pontos, é suficiente para uma vitória por um gol de diferença, se bem que o empate não estaria descartado.

Está não é a minha opinião, mas a do Método Científico OC, que explanarei também nos comentários pela Rádio Globo, para onde já estou me dirigindo.

E você, acha que a previsão do Método Científico OC é correta, a vitória do Santos deverá ser folgada, ou o Atlético surpreenderá os Meninos?

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , , , , , , , , ,