Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Category: Colaborações (page 1 of 16)

Gol da Recopa encontrado

Como se sabe, sou dos que vivem procurando documentos, escritos ou visuais, sobre a rica história do Santos. Um dos fundadores da Assophis, a Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos, hoje presidida por Wesley Miranda, adoro a pesquisa e admiro meus colegas fuçadores do passado. Porém, até ontem, só tínhamos a foto, mas não encontrávamos o gol de Toninho Guerreiro sobre a Internazionale, em Milão, que em 24 de junho de 1969 deu ao Santos a vitória por 1 a 0 e o precioso título da Recopa Mundial de 1968, o terceiro título mundial do Alvinegro Praiano.

Digo até ontem porque o gol, finalmente, foi encontrado. Está em um vídeo estrangeiro com várias assistências de Pelé. A cena, curta, dura poucos segundos. O Rei cobra a falta, aos 12 minutos do segundo tempo, e Toninho entra como um raio para pegar o rebote do goleiro Bordon e estufar as redes. O ponta-esquerda Abel abre os braços para o centroavante. Um momento que calou as 44 mil pessoas no estádio da Inter, mas alegrou santistas e apreciadores do futebol bonito de todo o mundo.

Devemos agradecer o achado desse gol à paciência, conhecimento e perspicácia do santista Roberto Dias Alvares, que, como se fosse a coisa mais natural do mundo, me enviou o seguinte e-mail:

Caro amigo Odir, boa noite.

Sempre que posso, procuro vídeos do Santos da década de 60 para ver alguns jogos e gols daquele time mágico.
Vendo os vídeos que tratam da Recopa Mundial do Santos de 1968, disputada em 1969, existe apenas uma foto com Toninho Guerreiro completando no rebote do goleiro.
Pois bem. Ontem, baixando vídeos sobre Pelé me deparei com um intitulado Pelé 90 Extra Assists. Neste vídeo, entre os minutos 9:00 e 9:05, tem esse gol.
Eu tenho certeza absoluta que é.
Atrás do gol existem placas de publicidade com nomes de produtos italianos o que vem reforçar que se trata de uma partida na Itália. O que me deixa feliz é que se confirmado que o gol seja da Recopa Mundial é um resgate de mais um pedacinho da história gloriosa do nosso querido Santos FC.
Grato
Roberto Dias Alvares

Nós é que agradecemos, Roberto. Parabéns! Forte abraço, meu caro. Abaixo, o vídeo em questão. O lance está na marca de 9min01s. Note, ainda, vendo esses lances, como Pelé, além dos 1.282 gols gols que fez, proporcionou muitos mais a seus companheiros, com assistências perfeitas, geniais.

E você, também já achou informações e cenas inéditas da história do Santos?

Clique aqui para comprar o livro Time dos Sonhos, a Bíblia do Santista, e ganhar mais um exemplar de graça, ou um Dossiê, além das versões eletrônicas dos livros Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time, frete pago e dedicatória exclusiva. Tudo isso só por R$ 68,00 e ainda dá pra parcelar. Clique já! Promoção vai até dia 9 de outubro!


Onde estávamos mesmo?


Personalidade e precisão de Zeca decidiram essa partida importantíssima. Novas vitórias como essa tornarão o título possível.


Dorival e jogadores já falam em sequência de vitórias. Ótimo. É só acreditar que dá.

Com apenas 68 reais você já adquire cinco livros e pode montar, ou completar, sua biblioteca sobre o Santos!
Pelé dormindo com os livros Time dos Sonhos
DonosdaTerraA sensação de ser especialPedrinhoEscolheuUmTimedossie - livro
Clique aqui, informe-se e compre apenas um exemplar de Time dos Sonhos, que eu mando os outros livros de presente para você.

Neste setembro, mês do aniversário do blogueiro, você vai ganhar dois exemplares do Time dos Sonhos, ou, se preferir, um Time dos Sonhos e um Dossiê, mais as versões eletrônicas dos livros Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time, tudo isso por apenas 68 reais! E sem despesas de correio!

Conheça os tempos em que o Santos reinava no futebol mundial

Se quiser pode trocar um exemplar de Time dos Sonhos por um do Dossiê da Unificação dos Títulos Brasileiros. É só pedir pelo e-mail blogdoodir@blogdoodir.com.br

Adivinha de quem?
Nas últimas 17 rodadas o Internacional só ganhou uma partida. Adivinha de quem?
Nas últimas 16 rodadas o América Mineiro só ganhou uma partida. Adivinha de quem?
Em todo o campeonato, o Figueirense só ganhou um jogo fora de casa. Adivinha de quem?

ONDE ESTÁVAMOS MESMO?

Passar pelo empolgado Botafogo, no Rio, representou uma vitória no sufoco, com o Santos todo recuado, porém um triunfo importante, que volta a colocar o Alvinegro Praiano na briga pelo título.

Há dez rodadas, depois do empate com o Palmeiras, fora de casa, este blog lançou o repto de sete vitórias consecutivas, o que deixaria o Santos na liderança do Brasileiro. Tudo ia bem até que a direção do clube vendeu o mando de campo da partida contra o Flamengo. Vieram derrotas inesperadas a partir dali e o sonho se distanciou. Mas agora ele parece possível novamente. Que tal lançar outro desafio de sete vitórias?

Antes de prosseguir no texto, devo dizer que a análise do campeonato é essencial a cada competidor. Tenistas profissionais estudam a chave antes de iniciar um torneio. Sabem que terão de vencer todos os jogos para serem campeões, mas já estarão preparados física e psicologicamente para os prováveis adversários que terão pela frente. Um time de futebol não foge à regra. Sem planejamento não se chega a lugar algum, e se a meta é muito grande, torna-se necessário fracioná-la.

Lembre-se, querida leitora e querido leitor, que após o empate com o Palmeiras, no Allianz Parque (1 a 1), o Santos venceu a Ponte Preta, na Vila Belmiro (3 a 1), o Vitória, em Salvador (3 a 2) e o Cruzeiro, também na Vila (2 a 0). Uma curiosidade: nesses três jogos, Léo Cittadini atuou apenas contra o Vitória, mas o time só venceu quando ele foi substituído por Jean Mota aos 35 minutos do segundo tempo. Mota fez o gol da vitória santista, no apagar das luzes.

A partir do jogo contra o Flamengo, em Cuiabá, o técnico Dorival Junior cismou que Cittadini, jogador ainda em formação, deveria ser um volante titular, na vaga de Thiago Maia, então na Seleção Olímpica. Opções bem mais plausíveis seriam Vecchio, Jean Mota e Yuri, até porque Cittadini também foi improvisado na posição. A insistência de Dorival com um jogador imaturo em função tática tão importante explica, em parte, os fracassos seguidos diante do lanterninha América Mineiro (0 a 1), Coritiba (1 a 2), Figueirense, na Vila (0 a 1) e Internacional (1 a 2).

Ao admitir a falha e sacar Cittadini, Dorival montou um Santos que voltou a vencer, batendo o Corinthians (2 a 1) e, nessa quarta-feira, o Botafogo (1 a 0). Agora, não é hora de inventar mais. Com planejamento, trabalho e dedicação é possível retomar a liderança do Brasileiro nos próximos sete jogos, talvez até antes. O elenco não é galáctico, mas não deve nada aos dos outros times candidatos ao título. Com dedicação e coragem, é bem possível chegar lá.

Análise das próximas partidas

Santa Cruz, nesse domingo, Pacaembu, 18h30: Contra um dos quatro adversários que o Santos venceu fora de casa, o Alvinegro Praiano tem tudo para conquistar os três pontos. Vá ao jogo e leve amigos e familiares. Crianças até 12 anos e adultos com 60 anos ou mais não pagam.

Sport, 24/09, sábado, Ilha do Retiro, 18h30: Jogo fácil não será. O Sport é um time que joga e deixa jogar, a ponto de ter uma das defesas mais vazadas do Campeonato, mas também um dos melhores ataques. É luta franca. O empate seria o resultado mais lógico, mas a vitória não é impossível.

Atlético/PR, 01/10, sábado, Vila Belmiro, 21 horas: Adversário merece respeito, mas na Vila, como seria no Pacaembu, Santos deve vencer.

Fluminense, 05/10, quarta-feira, Vila Belmiro, 21 horas: Outra vitória esperada, apesar da qualidade do adversário.

São Paulo, 13/10, quinta-feira, Morumbi, 21 horas: Clássico. Sem prognóstico. Porém, mesmo no campo do adversário, o Santos pode se impor e vencer, o que, aliás, tem ocorrido nos últimos anos.

Grêmio, 16/10, domingo, Vila Belmiro: Com todo o respeito aos tricolores do Sul, o Santos é franco favorito para angariar mais três pontos.

Chapecoense, 23/10, domingo, Arena Condá: Santos tem mais time. Se demonstrar a mesma garra do adversário, voltará de Santa Catarina vitorioso e líder do Campeonato Brasileiro.

Após esses sete jogos, o Santos terá mais seis antes do final do Campeonato. Desses, jogará em casa diante de Palmeiras, Vitória e América Mineiro e sairá para enfrentar Ponte Preta, Cruzeiro e Flamengo. A última partida será contra o América, na Vila Belmiro, quem sabe um momento de alegria intensa, não vivido desde 2004.


Você acredita no poder da vida simples? Quer ler uma história que pode mudar sua vida? Clique aqui.

E você, o que acha disso?


Santos FC é do mundo!

Por Amir Somoggi, especial para o Blog do Odir

O motivo desse artigo é poder dividir com todos a minha visão sobre o Santos FC nesses mais de 15 anos de experiência em projetos de consultoria em marketing e gestão esportiva para clubes, agências, patrocinadores e investidores.

Mas antes, preciso dizer que sou santista, meu amor pelo clube veio do meu pai e já passou para a minha filha de 5 anos, santista fanática. Todos de São Paulo, capital.

Esse é o ponto central do meu artigo, já que essa minha história ocorre aos milhões em todo o estado de São Paulo e em diferentes partes do Brasil e apenas aos milhares em Santos. E digo mais: pela abrangência global de sua marca, comprovadamente a mais reconhecida entre os clubes brasileiros no exterior, também no mundo.

Toda sua história, das mais lindas do futebol mundial, marcaram o nome do clube no cenário global. Isso tudo construindo na Vila Belmiro, sem dúvida, o DNA do Alvinegro Praiano.

Contudo, a realidade do clube mudou, seus competidores estão cada vez mais fortes financeiramente e, infelizmente, o Santos ficou para trás, mesmo com tamanha potencialidade. Segundo meu estudo sobre as finanças dos clubes brasileiros, o Santos encerrou 2015 com receitas de R$ 170 milhões, em queda desde 2011.

Palmeiras por exemplo, que viu uma ascensão em 2015 já fatura R$ 352 milhões, São Paulo R$ 331 milhões e Corinthians R$ 298 milhões.

Santos tem cerca de 6 milhões de torcedores em todo o Brasil, uma alta concentração na capital e interior de São Paulo. Há ainda muitos torcedores no Paraná, todo o Centro Oeste e Nordeste. Por outro lado, apenas 33% da população de Santos torce para o time.

O time, para crescer e prosperar nacionalmente e internacionalmente, terá de contar com a reflexão do torcedor e sócios da cidade de Santos e o entendimento de que ficar atrelado exclusivamente à cidade de Santos somente diminui o potencial mercadológico de sua marca.

O clube precisa ter uma proximidade maior com os milhões de torcedores que tem e para isso precisa ocupar esses espaços. O caminho: muito mais jogos fora da Vila, departamento de marketing/comercial completamente diferente do modelo atual, com sede em São Paulo e numa nova dimensão.

Santos conta com mais de 1 milhão de curtidas no Facebook fora do Brasil. É o maior, disparado, entre os clubes brasileiros.

O time onde nasceu Pelé, que parou duas guerras, que produz craques como ninguém, que joga esse futebol irreverente, é do mundo. Não apenas de sua cidade natal!

amir somoggiAmir Somoggi é graduado e especialista em Planejamento Estratégico, Gestão e Marketing Esportivo

Uma partida dos tempos em que o Santos enfrentava os melhores (não os rabeiras) fora de casa, em jogos decisivos, vencia e dava espetáculo!

A Olimpíada acabou mas a promoção no Blog do Odir melhorou!
Até o dia 31 de agosto quem adquirir o livro Time dos Sonhos receberá um exemplar do histórico Dossiê da Unificação, além das versões eletrônicas (PDFs) de Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time. É só comprar o Time dos Sonhos que eu envio os outros. Tudo isso por apenas 68 reais. Torne-se um guardião da rica história santista!

novo time dos sonhosCapa Dossiê Unificação dos Títulos BrasileirosDonosdaTerraA sensação de ser especialPedrinhoEscolheuUmTime
Entre aqui e compre apenas um exemplar de Time dos Sonhos, que eu mando os outros livros de presente para você.


Associação Santos Vivo reage contra aprovação judicial das contas de 2015

Domingo tem matiné na Vila

Santos e Coritiba jogam às 11 horas do domingo no Urbano Caldeira. O Alvinegro deve voltar a correr, marcar o adversário e marcar gols. Enfim, o Santos voltará a ser o Leão da Vila. Abaixo lembro três jogos nos tempos em que o Santos ganhava do Coritiba dentro ou fora do Alçapão:


Perceba nesse jogo a grande torcida do Santos em Cascavel/PR.

Note a postura do Luxemburgo, chamando o time na chincha.

Clique aqui para lembrar das explicações que o Dorival Junior deu por escalar reservas contra o Coritiba no ano passado.

Associação Santos Vivo reage contra aprovação judicial das contas de 2015

Amigos, recebi este comunicado do Associação Santos Vivo, que apoiou a candidatura de José Carlos Peres na última eleição do Santos e que na última assembleia do Conselho Deliberativo do Santos votou em peso pela reprovação das contas do clube de 2015, seguindo o parecer independente do Conselho Fiscal. Como esta mensagem concorda totalmente com nossa posição aqui no blog, tomo a liberdade de reproduzi-la.

Faço isso também como mais um alerta à administração omissa e irresponsável que vem se abatendo sobre o Santos. Mesmo com uma situação financeira caótica, com credores batendo à porta do clube a todo momento; mesmo com o desfalque dos mais importantes jogadores do time para a Seleção Brasileira, sem que nenhuma ação prática seja tomada para impedir o sequestro desses atletas ou ao menos o pagamento de seus salários; mesmo com suas obscuras contas de 2015 reprovadas, de verdade, pelo Conselho Deliberativo; mesmo com o time com perspectivas sombrias neste Campeonato Brasileiro, o presidente Modesto Roma, como se tocasse o seu violino enquanto o Titanic afunda, já confirmou presença na abertura da Copa América, a convite da CBF. Ora, o time não pode nem subir a serra para jogar em São Paulo, mas o presidente, que precisa estar presente para resolver os problemas que surgem a cada dia, viaja para um evento festivo… Que maravilha! Bem, vamos ao boletim da Santos Vivo:

Associação Santos Vivo – Boletim nº 2

Muito tem sido falado sobre a reunião do Conselho Deliberativo que aprovou o parecer do Conselho Fiscal que, por seu turno, recomendou a rejeição das contas do exercício 2015 (as primeiras da gestão Modesto Roma).

É importante esclarecer o posicionamento dos conselheiros da Santos Vivo, para que não pairem dúvidas sobre a posição adotada por nossos conselheiros.

Vamos contextualizar?

O Conselho Deliberativo desse exercício é o primeiro a abrigar conselheiros vindos de três das cinco chapas concorrentes à direção do clube. Um avanço, um verdadeiro marco na história recente do clube. Sua função legisladora e fiscalizadora constituem a verdadeira voz do associado junto ao SANTOS FC.

Esse Conselho Deliberativo votou na composição do Conselho Fiscal. A chapa única do Conselho Fiscal é composta por integrantes dessas três correntes políticas sufragadas pelos sócios. Seu papel fundamental é debruçar-se sobre as contas e práticas administrativas do clube, com total autonomia de convocação do CD sempre que entender necessário esclarecer aos conselheiros (representantes dos sócios) os assuntos relacionados às finanças do clube.

Nesse contexto, o Conselho Fiscal analisou os demonstrativos financeiros do clube, relativos ao exercício de 2015 e elaborou um parecer contundente sobre o que considerou errado, tanto na apresentação das contas, quanto no tocante às práticas administrativas levadas a cabo pela atual diretoria.

De forma corajosa, independente e mirando a excelência que todos nós queremos para o nosso SANTOS, recomendou a rejeição das contas e remessa desses assuntos à Comissão de Inquérito e Sindicância (outro órgão independente, plural e que tem como objetivo apurar eventuais infrações estatutárias).

Foi esse o parecer que foi votado pelo Conselho Deliberativo, e que resultou na votação de 83 x 81 pela sua aprovação (com consequente rejeição das contas apresentadas).

Os conselheiros Santos Vivo votaram quase unanimemente a favor do parecer do Conselho Fiscal (que rejeitava as contas).

Entendemos que nosso papel fiscalizador nos obrigava a acolher o parecer, à vista das irregularidades apontadas, até para que se abrisse para a Diretoria a oportunidade de defesa, de explicações, de apresentação de novos dados, de comprometer-se com novas práticas administrativas.

Ter contas rejeitadas não é o fim do mundo. O fim do mundo é ter contas irregulares aprovadas.

Isso é atitude golpista? Não. Isso é respeitar o voto que recebemos do associado para fiscalizar a administração do nosso clube.

Ter contas rejeitadas é uma sentença de morte? Não. A direção teria amplo direito para defender suas práticas administrativas junto à Comissão de Inquérito e Sindicância, teria amplo direito de explicar os apontamentos realizados, teria, enfim, direito até a entender corretos os questionamentos e refazer suas demonstrações.


Time dos Sonhos + dedicatória + frete pago + Donos da Terra (versão eletrônica) por apenas 68 reais! Promoção continua! Aproveite!
DonosdaTerra Presenteie a você mesmo, ou a um(a) santista querido(a), com um exemplar de Time dos Sonhos e ainda ganhe uma versão eletrônica do livro Donos da Terra. Clique aqui para saber como adquirir o seu exemplar de Time dos Sonhos – uma autêntica Bíblia Santista, de 528 páginas – sem nenhuma despesa de correio e com dedicatória do autor, por apenas 68 reais. E ainda receba, gratuitamente, o e-book do livro Donos da Terra.

Essa votação de 83 x 81 a favor do parecer do Conselho Fiscal foi questionada judicialmente e uma liminar sustou os seus efeitos, entendendo incorreta a proclamação do resultado, uma vez que, segundo o conselheiro autor dessa demanda, 3 dos votos computados não poderiam ter sido tomados (já que proferidos por ex-integrantes do CG, que voltaram à condição de conselheiros do clube).

Qual o efeito prático dessa decisão? A diretoria não precisa explicar os atos à Comissão de Inquérito e Sindicância, que, por sua vez, não pode deliberar sobre a matéria para apresentá-la ao Conselho Deliberativo, que, por seu turno, não poderá emitir seu parecer.

Resumindo: os sócios ficarão sem as devidas explicações sobre as contas de 2015!!!!

Entendemos que a ação intentada pelo conselheiro, ao fim e ao cabo, cala o CD e cala os sócios. Ela foi ajuizada com esse propósito: reverter uma legítima votação dos conselheiros que queriam apurar eventuais transgressões estatutárias.

Quem perde com tudo isso? O SANTOS FC, não somente os conselheiros que votaram pela aprovação do parecer. Os sócios perdem também porque, no sistema representativo, ao calar a voz do CD, cala-se a voz de quem os elegeu.

A judicialização era, segundo nosso entendimento, absolutamente desnecessária, arbitrária e denota um claro propósito da diretoria do clube em passar um rolo compressor na voz dos sócios.

Estamos vigilantes, atentos e não transigiremos com nosso papel fiscalizador. Essa é a razão para estarmos lá: honrar o voto que recebemos.

Por isso, somos Santos Vivo!!!

E você, o que acha disso?


O Estatuto não protege o Santos dos seus dirigentes


Como o articulista Tana Blaze fala da grande torcida do Santos que já lotou os maiores estádios de São Paulo, lembramos esse gol de Serginho, abrindo uma vitória sobre o Flamengo, no Campeonato Brasileiro de 1983, comemorado por um Morumbi com mais de 100 mil santistas, na voz do grande Osmar Santos.

O ESTATUTO NÃO PROTEGE O SANTOS DOS SEUS DIRIGENTES

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

O Santos é um dos poucos clubes do mundo cuja torcida em 1965-1970 foi uma das maiores, senão a maior no seu país, mas está regredindo ao pelotão médio do Brasileirão. É hoje um dos clubes mais endividados do Brasil, com receitas despencando percentualmente em relação às dos demais grandes, não tem CT moderno à disposição da base para usufruir da sua vocação de revelar jogadores, é o único dos grandes clubes brasileiros (considerando quatro cariocas, dois mineiros, dois gaúchos e o trio de ferro), que não tem estádio grande à disposição. É o clube que produziu o maior mico no futebol brasileiro e parece ser um dos poucos que registrou fraudes nas eleições, a primeira das carteirinhas falsas, talvez para solapar o quórum para a aprovação do voto à distância (cai nessa) e depois a do mesário. E tem um presidente que se elegeu com 26 % dos votos e prometeu em sua campanha eleitoral fazer jogar o time onde estivesse a torcida, especificamente no Pacaembu, para fazer exatamente o contrário.

Esta ficha decepcionante obriga concluir que a qualidade institucional do clube tem sido inferior a vários outros grandes. Conclusão que não pode ser refutada pelo número de títulos conquistados a partir do ano 2002 por duas razões. Primeira porque dos doze títulos conquistados, excetuados os três paulistas de 2006, 2007 e 2016, nove foram com Robinho e Neymar em campo, jogadores que o destino entregou em bandeja de ouro ao Santos, o Robinho desfilando o seu talento no Portuários e o Neymar na Portuguesa Santista, se restringindo o mérito da administração do Santos em fazê-los atravessar a rua e mantê-los por certo tempo.

A segunda razão é que as janelas de tempo nas quais o Santos, mesmo sem ter um raio em campo, é mais eficiente que seus rivais, como a da conquista do título Paulista de 2016, são curtas e deverão rarear no futuro. A concorrência passará a ser mais produtiva e a supremacia financeira dos rivais prevalecerá. O posicionamento frágil do Santos tornou-se visível mais do nunca quando no início deste ano viu vários zagueiros pelos quais se interessava serem contratados por outros clubes; as deficiências da zaga se fazendo sentir agora.

Claro que os presidentes do Santos empreenderam algumas obras boas, o que, todavia não passou de cumprimento dos seus meros deveres. Fato é que a despeito de alguns fatores negativos externos fora da influência do Santos, como a espanholização promovida pela política, e a convocação de seus jogadores para a Seleção durante torneios oficiais, os grandes atos de gestão ruinosa que levaram à degradação da posição do clube foram imputáveis ao seu executivo, seja a um Presidente, seja a um Comitê de Gestão.

Permitiram jogadores sair do clube sem gerar receitas, venderam jogadores abaixo do seu valor à DIS, ao Barcelona e à Doyen, contrataram um Damião. Hoje um presidente faz o Santos perder três anos ao pretender construir um estádio pequeno em Santos, aparentemente priorizando ter novos camarotes com estacionamento ao lado, mesmo que o Santos seria obrigado a tirar o time do seu principal mercado e maior centro econômico do hemisfério sul, que é o planalto paulistano.

O rosário de exemplos históricos de gestão ruinosa, todos insuficientemente controláveis pelas instâncias do atual Estatuto, mostram a inadequação do sistema quase absolutista de governança do Santos e do seu Estatuto, os presidentes e Comitês de Gestão fazendo o que querem, pouco respeitando a opinião dos sócios e da torcida.

O Odílio deu exemplo de como os presidentes têm desprezado a opinião dos torcedores, ao justificar outro dia ao Ademir Quintino, “que a contratação do Damião foi muito festejada pela imprensa e por TODOS”. Inverdade das grossas, porque não deve ter lido a mídia, nem o post no Blog do Odir do dia 10 de janeiro de 2014, os comentários do Nelson Jafet, Jair Sergio, Barbosa, Ricardo Gomes, Iwan Pereira, Rafa S., Evaldo, Silverado, Roberto, mac, Ricardo, Cleidson, Juliano-Smaug, Leo, para ver que uma maioria de santistas achava. Os opositores desesperados com a contratação do Damião deram goleada nos poucos que eram a favor.

Faltam ao Santos instâncias para coibir a libertinagem incontrolada do seu executivo

Existiriam duas instâncias que poderiam controlar as ações do Executivo, uma através de um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, tão invocado por candidatos à presidência e comentaristas, e outra pelos CONSELHOS DELIBERATIVO e FISCAL já existentes, desde que tenham os devidos poderes, que o Estatuto atual lhes confere apenas em dose insuficiente.

Um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, pelo menos no sentido habitual das grandes sociedades anônimas, que com milhares de empregados, produtos e presença em vários países, são indevassáveis como selvas, seria um órgão ocupado por personalidades que têm grande experiência na gestão de sociedades, incumbido em fiscalizar do topo a atuação da presidência e dos principais órgãos dirigentes, o respeito ao Estatuto e às leis, visando preservar os interesses vitais da empresa e dos seus acionistas. Não é um órgão que controla e aprova transações individuais do dia-a-dia. No mais, quaisquer outras funções específicas dependeriam de definições dos respectivos Estatutos, sendo que a simples etiqueta “Conselho de Administração” pode denominar funções e conteúdos diversos em diversos clubes brasileiros de futebol.

Há poucas semanas os santistas assistiram envergonhados que vários clubes assinaram contratos para a venda dos direitos de TV-paga ao Esporte Interativo ou à Globo, após aprovação dos seus respectivos Conselhos Deliberativos, ao contrário do Santos, que divulgou o acordo com o Esporte Interativo sem aprovação e nem mesmo consulta ao seu CD.

Não sei se os demais presidentes fizeram aprovar os contratos televisivos pelos seus Conselhos Deliberativos por mero bom senso e respeito aos conselheiros eleitos, ou se havia obrigação estatutária. Fato é que os dirigentes do Santos têm dado pouca bola à opinião de conselheiros.

Então será necessário armar os CONSELHOS DELIBERATIVO e o FISCAL do Santos com poderes estatuários explícitos para que possam aprovar/vetar as transações de grande impacto, como investimentos a valores expressivos, construção de estádios, venda de direitos econômicos de promessas (que têm sido objeto dos principais contratos lesivos) e outras.

Ao contrário de um Conselho de Administração, que fiscaliza do topo, o CONSELHO DELIBERATIVO, como órgão muito próximo ao dia-a-dia do clube, é adequado para o controle e aprovação prévia das operações individuais em cima da hora. O Santos não sendo uma grande sociedade anônima cotada na bolsa, pagando milhões de bônus a gestores que muitas vezes vêm de fora, poderia prescindir de um Conselho de Administração, bastariam mais poderes ao Conselho Deliberativo para dar conta do recado, como comprovado pelo atual Conselho Fiscal, que com poderes mínimos, vem fazendo um ótimo trabalho.

Atendendo a pedidos, promoção do livro Time dos Sonhos, a Bíblia do Santista, prossegue neste blog. Aproveite!
Clique aqui para saber como adquirir o livro Time dos Sonhos, A Bíblia do Santista, com dedicatória exclusiva do autor, sem despesas de correio e ainda ganhar de presente a versão eletrônica do livro Donos da Terra, com a história do primeiro título mundial do Santos, por apenas R$ 68.
Outro presente: na compra dos livros Dossiê e Segundo Tempo você também receberá, por e-mail, sem nenhuma despesa, a versão eletrônica do livro Donos da Terra.

A meu ver a doença do Santos tem dois focos fundamentais:

1- O excesso de poder incontrolado e conferido pelo Estatuto ao executivo, seja de um Presidente ou de um Comitê de Gestão

2- A potencial falta de legitimidade e representatividade do executivo, possibilitada pelo sistema eleitoral do Estatuto.

Antes de olhar para estes dois pontos, um capítulo sobre o tão falado Comitê de Gestão.

1- A ETERNA QUESTÃO DO COMITÊ DE GESTÃO

Em campanha para as eleições de Dezembro de 2014 vários candidatos à presidência do Santos comunicaram que tencionavam acabar com o Comitê de Gestão e substituí-lo por um Conselho de Administração. A ojeriza ao Comitê de Gestão deve basear no péssimo exemplo do Comitê de Odílio, que dispensou administradores, imaginando que seria capaz de dar conta do recado e conduziu o clube ao caos.

Mas o exemplo do Comitê do Odílio não prova muita coisa, porque também um presidente único, poderia, como o Odílio, demitir administradores profissionais competentes ou nomear maus administradores ao seu bel prazer. Se um Conselho do Santos fizesse uso do poder de vetar nomeações ou demissões de administradores feitas por um Presidente ou Comitê de Gestão, não faria bem em fazer uso excessivo deste direito, pois um clube não funcionaria com um Presidente ou Comitê de Gestão às turras com um administrador mantido contra a sua vontade.

O exemplo do Barcelona, que é gerido por um órgão colegiado de 14 a 21 diretores (Artigo 30, entre eles o presidente e vice-presidente) todos honorários e não pagos (Artigo 33), prova que um Comitê de Gestão e uma boa administração profissional são compatíveis. Um clube pode ter um Conselho de Administração, um Comitê de Gestão, um Conselho Deliberativo (que seria a “câmara de deputados dos associados”) e uma gerência profissional ao mesmo tempo, instâncias que se bem dosadas, não se excluem e podem se complementar.

A meu ver o Comitê de Gestão oferece a vantagem de que pessoas com competências de alto nível se sintam motivadas a prestar ajuda gratuita ao Santos. A desvantagem é o risco inerente de uma dinâmica de grupo, na qual seus membros deixem de assumir responsabilidade individual e o grupo se julgue onipotente, dispensando as opiniões dos seus administradores, de profissionais, de sócios e torcedores em blogs.

Sabemos perfeitamente em quais situações no mínimo cinco dos nove membros do Comitê de Gestão do Santos falharam, mas não temos a menor ideia a que ponto os sete membros nomeados pelo presidente tenham contribuído positivamente para as ações do Comitê, exceto nos raros casos de cisão tornada pública, como a contratação do Dorival Júnior apoiada pelos sete membros, enquanto que o presidente estava focado no Oswaldo Oliveira. Em outras palavras: conhecemos as misérias do Comitê de Gestão, mas não sabemos até que ponto sem ele a situação teria sido pior. Notou-se que entre os que se demitiram discretamente do Comitê de Gestão estavam os especialistas em finanças, Álvaro de Souza, Eduardo Vassimon, Luiz Fernando Vendramini Fleury e José Berenguer. Será que se viam em ”minoria”?

O ex-presidente Laor, já licenciado, chegou à conclusão que o Comitê deveria ser extinto. Imagino que a sua frustação reflita o fato de que ele mesmo se tornara paulatinamente inadequado como presidente, alguns membros do seu Comitê se despediam discretamente e a facção do Vila Rica, que também não primava pela competência, se rebelou. No fundo o Laor queria decidir tudo sozinho.

Porventura o Modesto tenha ainda a mesma opinião do Laor, pronunciada na sua campanha eleitoral. Mesmo que o Comitê tenha ajudado a sua gestão, recusando a contratação do Oswaldo Oliveira e patrocinando a o Dorival Júnior; o presidente deu várias mostras que querer reinar sozinho. Então ambas as opiniões, a do Laor e do Modesto são valiosas, mas também suspeitas, porque podem refletir apenas as suas frustrações e ambições autocráticas pessoais e a sua incapacidade de agir em grupo.

Uma das grandes confusões a respeito do Comitê de Gestão tem sido a ilusão de que ele se auto-controlaria. O que é um engano porque ninguém pode controlar a si mesmo, o Comitê nada mais é que uma presidência em forma de grupo, que devido a seu desempenho histórico precisa ser controlada.

Acho que o problema maior do Santos não seja a manutenção ou não do Comitê de Gestão, mas o excesso de poder incontrolado que tanto um Comitê de Gestão como um Presidente Único têm pelo Estatuto.

Não estou defendendo a manutenção do Comitê, apenas alertando que o seu mero fechamento, como proposto por vários candidatos à presidência, não vai por si só resolver os problemas do Santos.

Como neste comentário considero uma Presidência Única e um Comitê de Gestão como instituições similares, passarei a denominá-las conjuntamente por “P-CG“.

2- O ARTIGO N°90, A MEU VER O VERDADEIRO VILÃO DO SANTOS

O excesso de poder conferido ao P-CG é exemplificado pela pérola do Artigo n°90, que permite abusos ilimitados, chegando ao cúmulo de sublinhar, que para “QUALQUER TRANSAÇÃO” (como a compra de direitos econômicos de um jogador, como o Damião) a valor SUPERIOR a 20% das receitas orçadas (ou seja, não inferiores, mas superiores a cerca de 35 milhões de reais, com open end para as alturas!), haver necessidade apenas de “PARECER” (ou seja, não de aprovação) “POSTERIOR” (ou seja, não prévio) pelo Conselho Fiscal ao fechamento vinculativo da transação e isto somente para os “ASPECTOS FORMAIS E ÉTICOS“ (ou seja, não para o conteúdo econômico do mesmo).

O Artigo N°90 divide o Santos entre um P-CG com poder quase absolutista e uma espécie de Academia Belmirense de Letras, condenada a tomar chá com torradas e fazer belos discursos, mas sem quase nenhum poder, a não ser fazer vazar um ou outro fato na mídia e denominado por “Conselho Deliberativo”.

Sendo este Artigo expressão da mais delirante cartolice e responsável pelo fato dos P-CG do Santos terem tratado o clube como a casa da mãe Joana, estabelecendo ao seu gosto parcerias com agiotas, negociando direitos econômicos de jogadores aquém do seu valor, quase sempre para o prejuízo do Santos.

A alternativa ao sistema atual P-CG quase absolutista, seria um parlamentarismo mais perto da base dos sócios, com os conselheiros do Santos desempenhando o papel de parlamentares, com maiores poderes de aprovação e veto.

Como no clube lusitano Porto, cujo Estatuto em contraposição ao artigo N° 90 mafioso do Santos, pelo menos impõe no seu Artigo 116, que “obras ou empreendimentos que impliquem responsabilidades financeiras para além do exercício da sua gerência devam ser aprovadas pelos conselhos do clube”, subentende-se: previamente. Portanto no Porto não seria impossível um P-CG assinar um “contrato de empréstimo” para financiar a “compra” dos direitos de um Damião, ou contrato para construção de um estádio sem aprovação prévia dos Conselhos, porque ambos os contratos levariam à reponsabilidades financeiras além do exercício da sua gerência.

Há poucos artigos no Estatuto do peixe que limitam de forma clara e direta a competência do P-CG, como o N° 88 que impede onerar o patrimônio social ou a primeira parte do Artigo N° 91 que proíbe antecipar, nem comprometer as receitas por período superior ao do seu mandato. Ou faltam limitações quantitativas para certas transações ou os artigos em questão são ineficientes ou imprecisos como o N° 89 que se limita apenas ao orçamento e não abrange o mais importante, que são os gastos reais e a segunda parte esdrúxula do Artigo 91 sobre a “venda de direito federativos” sem os econômicos.

Os artigos com os quais o Conselho Deliberativo pode sancionar os dirigentes, como N° 68 e N°92 são necessários, mas não refrescam, porque sancionando um dirigente “a posteriori”, seja não aprovando suas contas, seja decretando o seu impeachment, ou punindo os dirigentes de arcar com o prejuízo causado, não ajudará o Santos, o dano já estará feito e os presidentes não terão patrimônio pessoal para cobrir os danos causados.

3- O MESSIANISMO ILUSÓRIO E PORQUE O CONSELHO DELIBERATIVO É O FUTURO DO SANTOS

Antes de cada eleição certos candidatos à presidência são elevados a salvadores. Mesmo assim as últimas gestões “salvadoras”, inclusive as que por curto espaço de tempo conseguiram manter bons times, deixaram o Santos em posição financeira e estratégica ruinosa.

A mania do torcedor de se autoconsolar com esperanças messiânicas quanto a candidatos à presidência e ao potencial de jovens jogadores, tem ofuscado a percepção da necessidade do aprimoramento institucional do clube pelo Estatuto, que poderia protegê-lo melhor das fraquezas dos seus dirigentes e aprimorar a sua eficiência.

Talvez seja por causa da absoluta falta de poder dos conselheiros do Santos, que a sua maioria se comporte de maneira passiva, quando não bajula o P-CG. Salvo exceções conhecidas, como o Celso Leite, que ousou questionar a compra do Leandro Damião e os 38 heróis que ousaram pedir em abaixo-assinado que no Brasileirão de 2015 uma partidinha ao menos fosse jogada no maior centro econômico e populacional do Hemisfério Sul, onde estão localizados 2,5 milhões de simpatizantes do clube.

Então porque dar maiores poderes para o controle das operações do dia a dia ao Conselho Deliberativo, se a sua maioria tem-se mostrado como um grupo de submissos e omissos, acatando as lambanças do executivo?

Por quatro razões:

Primeira: o CD é a única instância que pode salvar o Santos, não há outra.

Segunda: se forem atribuídos poderes de aprovação prévia ao Conselho Deliberativo, principalmente para transações de vulto e formadas algumas Comissões Permanentes para diversas áreas, é de se esperar que com o maior peso da responsabilidade os seus membros atuais e futuros abandonem a passividade e passem a se empenhar mais a fundo, elaborando posições próprias.

Terceira: o P-CG, desafiado por um poder de veto do CD, se empenhará mais a fundo em apresentar propostas bem elaboradas para qualificarem à aprovação pelo CD. Dividir melhor a responsabilidade entre o CG e o CD poderia resultar numa competição de qualidade para o benefício do clube.

Quarta: com a perspectiva de se poder decidir algo no CD, haverá um maior número de profissionais competentes motivados a ingressar no quadro de sócios do clube e nas chapas futuras para as eleições, o que deverá a longo prazo melhorar a qualificação tanto do CD, como da administração do Santos. ESTE PODERÁ SER O MAIS IMPORTANTE EFEITO DE UMA REFORMA DO ESTATUTO.

Caso contrário, não se poderá contar com qualidade no futuro CD. A cidade de São Paulo abriga o maior número de profissionais altamente qualificados no Brasil, mas qual profissional de alto nível seria bobo a ponto de descer a serra para participar de reuniões nas quais não pode decidir quase nada e ver um grupo provinciano menos qualificado fazendo longos discursos para matar o tempo, a fim de postergar uma votação, até o último ônibus parta para subir a serra?

4-A FALTA DE LEGITIMIDADE DO P-CG DEVIDO À DISCREPÂNCIA ENTRE O SEU PODER E A VONTADE DOS ASSOCIADOS

Boa parte dos associados é impedida de participar das eleições, porque não existe a possibilidade de voto à distância. Com poucas exceções, como as do Grêmio e do Internacional que implantaram o voto à distância, esta ilegitimidade afeta todos os clubes brasileiros, só que o Santos é um dos mais atingidos, devido ao grande espalhamento geográfico de sua torcida.

Acresce de forma dramática o fato singular, de que o Santos é o único clube grande brasileiro que tem sede numa cidade e a maior torcida em outra, cidades separadas por acidente geográfico de relevo, e a atual facção eleita por uma minoria de 26% dos associados, com apenas 35 votos na cidade de São Paulo, está regionalizando o clube contra a maioria dos torcedores, havendo risco real de regionalizar o voto, através do impedimento de uma votação à distância nas próximas eleições.

O que piora tudo é a possibilidade de se poder eleger no Santos um presidente com maioria apenas relativa e não absoluta, possibilitando uma disparidade suplementar entre a vontade dos associados e a distribuição de poder no clube, aliás, ilustrada pela atual presidência.

O atual Presidente, eleito legalmente, mas visivelmente beneficiado pela fraude e anulação da eleição do dia 6 de dezembro de 2014, que fez com que na segunda eleição de 13 de dezembro de 2014 não voltassem às urnas muitos eleitores do interior, obteve apenas 26 % dos votos dos associados e com a eliminação das Chapas Rollo e Nabil acabou posicionando cerca 37% de correligionários da sua chapa ao grupo dos Conselheiros Eleitos, mas domina 100% do Comitê de Gestão, através de conselheiros que ele mesmo escolhe. Estes em casos de incompatibilidade se demitem ou são exonerados e substituídos por mais dóceis.

Esta possível disparidade entre a vontade dos associados e o monopólio de poder do Presidente é o segundo grande problema do Santos, que evidentemente também resulta das lacunas do sistema eleitoral do seu Estatuto.

5-A REFORMA DO ESTATUTO

Os santistas não deveriam se distrair com a decisão acertada e desejada por quase todos de assinar com o Esporte Interativo, com as boas atuações do time e com a administração parcimoniosa do futebol pelo Dagoberto, que com menos dinheiro vem obtendo melhores resultados. Não há tempo a perder para aprimorar o Estatuto. A meu ver, qualquer reforma do Estatuto deverá incorporar:

Obrigação do voto à distância, atualmente apenas opcional, mas não exigida pelo Artigo N° 30.

Obrigação de maioria absoluta nas eleições a presidência, seja por um segundo turno, seja por votos preferenciais.

Ampliar o Estatuto para que nos casos em que a chapa vencedora obtiver mais que 80% dos votos, a que obteve o segundo maior número de votos, não importa com qual porcentagem, possa nomear os seus representantes a conselheiros, guardadas as porcentagens do resultado eleitoral, a fim de evitar efeitos nefastos do monopólio do CD da chapa vencedora, como no caso da chapa Resgate após a reeleição do Laor com 87% dos votos.

Obrigação do P-CG em submeter qualquer transação de vulto à aprovação prévia do CD, (fixando limites mínimos para os diversos tipos de transação).

Obrigação do P-CG em submeter qualquer venda de direitos econômicos de jovens promessas à aprovação prévia do CD (limitada a jovens que jogaram um certo número de partidas no time profissional ou que foram convocados para as Seleções Brasileiras sub).

Imposição da assinatura dupla, inclusive para o presidente dos Santos, tal como exige o clube lusitano Porto (artigos 120 e 121 do seu Estatuto) e o Grêmio para algumas transações (Artigo 83 VIII b “sempre em conjunto”).

Se fosse conselheiro do Santos, investiria todo o meu tempo articulando a introdução voto à distância obrigatório para as próximas eleições.

E você, o que acha do artigo de Tana Blaze?


Older posts

© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑