SÚPLICA DE PELADEIRO
José Erato Ferraz

É domingo de tardinha
Jogo fraco, um calor danado;
E então se dá o lance
Que deixa maravilhado
O povo daquelas bandas
Que não tá acostumado
A ver jogada tão linda
(Vinda de mim mais ainda)…
Todo mundo embasbacado!

Saindo do nosso campo,
Chapelo o Mané Venanço;
Sem deixar cair no chão,
Mato na caixa… e lanço;
Recebo um “passe longo”…
Corro, me esforço, alcanço;
Pra virar obra de arte
Falta só o arremate…
Vejo a “plateia” em remanso.

Levanto a cabeça e vejo
O goleiro adiantado,
Uma sutil cavadinha…
E gol de placa anotado!
Acordo suando às bicas,
Com o pijama molhado;
Arrisco uma oração:
Senhor, eu peço perdão
Se abuso neste recado.

Vou lhe fazer um pedido,
Jesus, bondoso e manso,
Conceda-me UM desejo
(É só UM, eu afianço),
Depois penduro a chuteira…
Vou dar À BOLA um “descanso”.
Dai-me, meu Senhor, tem dó,
Uma jogada (UMA só!)
De Paulo Henrique GANSO.