Blog do Odir Cunha

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Neste sábado eu e Celso Unzelte estaremos na Realejo, em Santos


Amanhã, às 15 horas, eu e o amigo Celso Unzelte – um corintiano tão legal que deveria ter nascido santista – estaremos na Livraria Realejo de Santos recebendo os leitores e fazendo dedicatórias do livro “100 anos, 100 jogos, 100 ídolos”, uma das obras oficiais do Centenário do Santos. Há muita informação boa e nova nesse livro. Quem comprou, adorou. Você é meu convidado.


Urubatão, um forte

Eu era um repórter do Jornal da Tarde que ainda estudava jornalismo. Saía de casa bem cedo, de ônibus, e só voltava de madrugada. Naquele dia o tempo virou em São Paulo, à tarde bateu um vento gelado, e quando fui cobrir o treino da Portuguesa, no Canindé, minha camisa de mangas curtas deixava à mostra os braços arrepiados. Ao me ver meio encolhido de frio, o técnico da Portuguesa me ofereceu a blusa de seu agasalho.

Recusei uma, duas, três vezes, mas não teve jeito. Tive de voltar para a redação com a blusa oferecida pelo técnico Urubatão, um sujeito boa praça com quem passei muitas tardes conversando sobre o início daquele Santos demolidor dos anos 50.

Bem falante, Urubatão nasceu no Rio de Janeiro em 31 de março de 1931 e iniciou sua carreira no Bonsucesso. Chegou ao Santos em 1954, pouco antes de completar 23 anos, e jogou no Alvinegro Praiano até 1961, vivendo toda a fase de formação do melhor time de todos os tempos.

Fez 322 jogos e marcou 24 gols pelo Santos. Líder nato, Urubatão disputou posição com os craques Zito e Formiga e muitas vezes foi o escolhido. Fez só um jogo pela Seleção Brasileira, em 7 de julho de 1957, partida em que o Brasil perdeu da Argentina por 2 a 1 e entrou para a história como a estréia de Pelé com na Seleção.

Pelé? Para Urubatão ainda era o “Gasolina”, que ia comprar cigarro para os veteranos em troca de alguns trocados.

Como técnico, um de seus feitos memoráveis foi levar o América de São José do Rio Preto às finais do Campeonato Paulista de 1975. Pena que seu time venceu o Santos, em São Paulo, derrota que acabou impedindo o time de Cláudio Adão e Carlos Alberto Torres de decidir o título com o São Paulo.

Mesmo quando comandava times menores, Urubatão pregava a disposição para a vitória. Isso deu muito certo no América de São José do Rio Preto, que passou um bom tempo ganhando de todos os grandes que jogavam em seu campo. Para embasar sua filosofia, Urubatão criou uma frase que se tornou célebre: “A história não fala dos covardes”.

Com jogadores de personalidade tão forte e tão decididos, como Urubatão, Zito, Pelé, Coutinho, Mauro, não é de se admirar que o Santos tenha sido um time tão forte também no aspecto psicológico, que acreditava na vitória mesmo nas piores circunstâncias e diante das torcidas adversárias.

Adeus ao xerife

No momento em que escrevo estas linhas, às 16h30m desta sexta-feira, está sendo realizado o velório de Urubatão Calvo Nunes na Beneficência Portuguesa, em Santos. Recebi nesta manhã a notícia de que ele morreu nesta madrugada, vítima de um câncer no cérebro. O enterro será no Cemitério do Saboó.

Estou aqui, em São Paulo, fechado no escritório, lendo e escrevendo. Não poderei ir a Santos. Nem posso dizer que sou amigo de Urubatão. Fui apenas um repórter a quem ele confiou algumas histórias e para quem, em uma tarde fria de 1977, no Canindé, tirou a blusa que usava para aquecer.

Mais do que o corpo, é claro que gestos assim aquecem o coração e nos tornam eternamente devedores. Esta pequena homenagem é só o posso oferecer ao valente Urubatão, que deixa a mulher Maria de Lourdes Fernandes Nunes, com quem é casado desde o mesmo 1954 em que veio para o Santos, os filhos Fátima Lúcia, Maria Lúcia e Janderson, e os netos Bruna, Camila e Leonardo.

Em pé: Zito, Ramiro, Manga, Urubatão, Getúlio, Dalmo e o massagista Macedo. Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe.

Estou fazendo um livro, com o amigo e jornalista Celso Unzelte, que fará jus à história de Urubatão. Em “100 jogos, 100 ídolos”, o grande meio-campo santista terá o seu perfil incluído entre os 100 maiores craques do Santos em todos os tempos.


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