Hora de lembrar os campeões brasileiros de 1970. Em pé: Oliveira, Félix, Denílson, Galhardo, Assis e Marco Antônio. Agachados: Cafuringa, Didi, Mickey, Samarone e Lula.

Os torcedores cantavam que o time é tricampeão brasileiro e mostravam três dedos para a câmera. O narrador Luis Roberto, da Globo, que esta semana disse que “título brasileiro tem de ser reconhecido de 71 para cá”, teve de ficar quieto e evitar declarar o número de vezes que o Fluminense foi campeão brasileiro. A Globo também se tocou e não veio com aquela insólita vinheta de “bicampeão brasileiro”, tirando o título da Taça de Prata de 1970 do Fluminense.

O título do Fluminense tem sido importante para provar que, independentemente do que julgue a CBF, as pessoas que gostam e entendem de futebol já sabem que o país não tem campeões nacionais apenas a partir de 1971.

Não tenho dúvidas de que a torcida do Cruzeiro reagiria da mesma maneira se o título fosse para o time azul. Como diz Raul Plasman, vá dizer para Tostão que ele não foi campeão brasileiro de 1966, ao vencer o Santos de Pelé na final da Taça Brasil…

Da mesma forma que o Esporte Clube Bahia contabiliza o seu título brasileiro de 1959, o Palmeiras as suas quatro conquistas (duas da Taça Brasil e duas do Roberto Gomes Pedrosa) e o Botafogo a sua Taça de Prata de 1968.

Painel para a imprensa no Salão nobre do Tricolor

No ano passado, exatamente na tarde de 7 de abril, eu e José Carlos Peres, o mentor do projeto, fomos ao Rio para um painel para a imprensa sobre o Dossiê pela unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959. Confesso que ainda não tinha visitado o Fluminense e fiquei muito bem impressionado. Com o clube, elegante, e com a maneira como fomos recebidos.

Com a presença dos presidentes ou de representantes dos seis clubes campeões brasileiros antes de 1971, pudemos esclarecer todos as dúvidas e comprovar que o Brasil sempre tem campeões nacionais de clubes – oficiais e regulares – desde 1959. Mesmo a exigente imprensa carioca não teve o que contestar.

Estou certo de que esse nosso trabalho de informação e conscientização da imprensa e dos torcedores – enfim, da sociedade futebolística brasileira – sobre a importância da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, tem alguma responsabilidade nesta cena emocionante que vimos hoje no Engenhão. Uma semente está germinando, sem dúvida.

Isso vai se repetir sempre que um clube campeão brasileiro antes de 1971 voltar a ganhar um título, pois, na verdade, milhões de torcedores e muitos formadores de opinião já estão plenamente convencidos de que, assim como o Fluminense conquistou seu terceiro título brasileiro hoje, Cruzeiro, Bahia e Botafogo já têm dois e Santos e Palmeiras já têm oito.

O torcedor não esperará uma decisão burocrática de uma entidade que pouco se importa com a história do nosso futebol, para saber como deve comemorar as conquistas de seu clube.

A verdade é que se a CBF demorar muito para homologar os títulos brasileiros de 1959 até hoje, ela correrá o risco de, quando o fizer, sua atitude não ter mais a mínima importância, pois o Brasil todo já os considerará oficiais e legítimos – como verdadeiramente são.

Veja como o jornal Extra, da Globo, trata o título do Fluminense

Diário Olé, o mais popular da Argentina, diz que Fluminense é campeão brasileiro pela terceira vez

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Você acha que se demorar mais um pouco, nem será preciso a ratificação da CBF? Ou ela ainda é importante?