No ano passado, o Santos tirou a maior onda, deu show e ainda foi campeão. Abaixo, a comemoração desesperada de Ronaldo e a festa do Palmeiras desmentem os que chamam o Estadual de “Paulistinha”

Amanhã, com o campeão Santos enfrentando o Linense, às 19h30m, em Lins (com transmissão pelo Sportv), começa o Campeonato Paulista de 2011. Se não fosse ele, Ronaldo não teria justificado a sua contratação, o Palmeiras teria passado a década em branco e o Santos não seria a sensação do primeiro semestre do ano passado.

Sim, o grande momento de Ronaldo no Corinthians foi seu desempenho no primeiro jogo da final do Paulista de 2009, na Vila Belmiro (principalmente no gol em que encobriu Fábio Costa); o Palmeiras se livrou de uma década vazia com o título de 2008 e o Santos encantou o Brasil com o futebol dos Meninos no primeiro semestre de 2010.

Os cariocas não chamam o seu estadual de “Carioquinha”, nem os mineiros denominam o seu de “Mineirinho”, ou os gaúchos tratam o seu regional de “Gauchinho”. No entanto, o estadual mais rico do País, que dá mais visibilidade, traz um dinheiro importante para os clubes e revela muitos jogadores, passou a ser denominado “Paulistinha”.

Os estrangeiristas, cujo único parâmetro é o futebol europeu, alegam que o Brasil não deveria ter mais campeonatos estaduais. Ora, isso significaria matar justamente a base da cadeia alimentar de seu futebol.

O futebol brasileiro ainda é um grande revelador de jogadores, mas a maioria deles não vêm das escolinhas de base dos grandes clubes e sim dos campos baldios do Interior. Dos pequenos, falimentares clubes por este país agora é que brotam os craques que vão brilhar no mundo. Sem estas células vitais, o organismo entra em colapso e o tesouro se perde.

Bem, este é apenas um detalhe. O outro, falando agora deste Campeonato Paulista, é que a competição é lucrativa e interessa aos clubes. Neste começo de ano, quando os caixas estão a zero, ou bem menos do que isso, os grandes clubes paulistas tiram a barriga da miséria com as verbas que vêm do Paulistão.

Só de direitos de tevê foram R$ 10 milhões para cada um. E ainda há as arrecadações, a visibilidade que proporciona patrocínios e merchandising, a quase certeza de se chegar a jogos decisivos (neste ano, os oito melhores da fase inicial se classificarão para um mata-mata a partir das quartas-de-final).

Enfim, se há um estado que não pode reclamar do seu regional, é São Paulo. E se algum clube se sentir muito prejudicado, sempre poderá poupar os principais jogadores em várias partidas, pois, como já disse, os oito mais bem classificados passarão para a próxima fase.

Por fim, como alguém já disse, o Paulistinha só é inha para quem perde, pois não há torcedor que se sinta à vontade ao ser derrotado pelos times de maior rivalidade. E relegar o Paulista a um plano secundário, para se dedicar exclusivamente à Libertadores, é bobagem.

O time, quando é bom, pode ganhar todas as competições. Como o Santos cansou de provar isso e, mais recentemente, o São Paulo, campeão do Paulista, da Libertadores e do Mundial em 2005.

Portanto, ótimo Paulista a todos, mas que nenhum perdedor venha com desculpas depois. Ah, e que o Santos alcance o bicampeonato.

Reveja o retorno de Robinho em um clássico:

Você acha que o Paulista vale a pena, ou deveria ser abolido?