pele menino na vila
Pelé ao chegar à Vila Belmiro, aos 15 anos (Foto: José Dias Herrera)

Hoje o cidadão brasileiro Edison Arantes do Nascimento faz 73 anos. E deve comemorar a data justamente no México, onde está a trabalho e onde, aos 29 anos e oito meses se tornou o melhor jogador da Copa em 1970, provando que continuava insuperável. Quem tem a consciência do que ele representa para o Brasil e para o futebol, não pode deixar de reverenciá-lo.

Entre suas muitas façanhas, seus muitos milagres, Pelé transformou o jogador de futebol, antes um marginal, em celebridade; colocou o Brasil no mapa; fez mais pela valorização da raça negra no mundo do que mil manifestações violentas. Nasceu escolhido para reinar. E para trabalhar, pois aos 73 anos continua mantendo uma agenda cheíssima.

Só outro dia soube que o fotógrafo Sebastião Salgado deve a sua vida a Pelé. Preso por guerrilheiros na África, o grande fotógrafo brasileiro seria executado quando revelou que era do mesmo país de Pelé. Pelé, palavra mágica, primeiro deus universal para os povos negros! E Salgado pôde viver.

Fico aqui imaginando quantos brasileiros já viveram momentos de extremo orgulho por serem compatriotas de Pelé, aquele que transformou futebol em arte, que encantou desde o homem simples aos soberanos mais poderosos. Todos, na sua época, se renderam ao insuperável atleta.

Tenho a fortuna e a felicidade de ser o editor de conteúdo do Museu Pelé, a ser inaugurado no ano que vem, no antigo Casarão do Valongo, em Santos, e estou passando a limpo a linha de tempo de Pelé. Por mais que saibamos sobre ele, sempre há detalhes a serem conferidos, a serem confirmados ou revelados.

Para este rápido post destaco o dia em que Pelé chegou à Vila Belmiro, trazido de Bauru por Waldemar de Brito. Ninguém nunca bateu o martelo sobre esse dia, pois havia muita dúvida a respeito. Minha pesquisa me dá a certeza de que se trata de 22 de julho de 1956, um domingo, em que, ainda menino usando calças compridas pela primeira vez, o futuro Rei do Futebol conheceu o clube pelo qual marcaria mais de mil gols e defenderia por nada menos do que 19 anos!

Primeiro dia na Vila – 22 de julho de 1956, domingo. No livro “Eu sou Pelé”, de 1961, Pelé diz que chegou a Santos em um domingo em que o time venceu o Comercial. Na verdade, em 1956 o Comercial Futebol Clube – fundado em 3 de abril de 1939, na capital paulista –, time que revelou jogadores de renome, como Dino Sani e Gino Orlando, fundiu-se em 1953 com o São Caetano Esporte Clube, dando origem à Associação Atlética São Bento. Foi esse time que o Santos enfrentava quando Pelé chegou à Vila Belmiro. Naquela tarde, diante de um público aproximado de 5.300 pessoas, o Santos venceu por 3 a 1. Bota abriu o marcador para o São Bento aos 12 minutos e Tite empatou aos 35 do primeiro tempo. Na segunda etapa Vasconcelos marcou aos 2 e aos 43 minutos. O Santos jogou com Manga, Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Jair Rosa Pinto, Pagão, Vasconcelos e Pepe (a Associação Atlética São Bento durou até 1957. Depois, o Comercial voltou em 1958, caiu para a Segunda Divisão em 1960 e para a terceira em 1961, quando a equipe foi desativada). Na noite do domingo em que chegou à Vila, Pelé foi levado por Dorval para jantar na casa do jogador Fiotti, que morava perto do estádio. No dia seguinte foi à praia de Santos e viu o mar pela primeira vez, realizando um sonho de infância.

Em 2010, quando Pelé fez 70 anos, pedi para o amigo e parceiro deste blog, Vítor Queiroz de Abreu, editar vídeos reunindo as proezas técnicas de Pelé, como sua matada no peito, seus gols de cabeça e com o pé esquerdo… Reproduzo-os aqui, em mais uma pequena homenagem ao melhor jogador de todos os tempos, aquele que sintetizou, em seu talento e personalidade, todos os grandes craques que já passaram e passarão pelo futebol:

E você, o que tem a dizer ao aniversariante Pelé?