Neymar e Ganso, os maiores ídolos das crianças brasileiras

Esta semana um profissional importante do marketing corintiano visitou uma escola de São Paulo e ficou intrigado quando perguntou em três salas de aula, para alunos de seis a sete anos, para que clube eles torciam. “A maioria era santista”, confidenciou a um amigo. “Tudo por causa desse Neymar”, explicou.

Isso não me surpreende. O patriarcalismo acabou há muito tempo. A porcentagem de filhos que seguem o mesmo time dos pais é ínfima. O fator mais importante para atrair novos torcedores é a imagem positiva do time – e para isso se somam as vitórias, os títulos, o carisma e a aceitação entre os jovens.

Hoje, ninguém pode ser indiferente a Neymar, ou a Paulo Henrique Ganso. São nomes indispensáveis quando se fala em futebol brasileiro. Estão em todas as matérias, em comerciais e até nas revistas e sites de fofocas. Mais do que jogadores de futebol, são personalidades.

Jovens, famosos, ricos, extremamente bem-sucedidos no que fazem, Neymar e Ganso estão no imaginário de milhões de crianças e adolescentes brasileiros. E essa imagem é mais poderosa e mais verdadeira do que o esforço artificial de se promover outros jogadores e outros times.

É como disse uma vez o jornalista Armando Nogueira quando era chefe do jornalismo da Rede Globo: “Não é a tevê que diz ao povo o que ele deve fazer, mas o povo é que diz à tevê o que ela deve cobrir”. Assim, da mesma forma que hoje bajula os times de maior torcida, a Globo fará isso pelo Santos quando ele atingir essa posição.

Mudanças rápidas

Os cálculos de crescimento de torcida estão defasados, pois se baseiam em épocas nas quais os meios de comunicação eram limitados. Hoje, com a Internet, a forma mais democrática, moderna, e mais consumida por crianças e adolescentes, o ritmo está mais acelerado, para cima ou para baixo.

Por outro lado, como já escrevi neste blog, pesquisas do IBGE de 1968 e 1969 comprovaram que o Santos tinha a maior torcida do país. Quem foi o maior, pode voltar a sê-lo. Por mais que alguns formadores de opinião se esforcem por mitificar algumas torcidas, como se tivessem que ser eternamente grandes e especiais, na verdade só a preferência das crianças e adolescentes é que explica o aumento das massas de torcedores.

Entretanto, alguns santistas podem me perguntar: “Mas Odir, você não diz que muitos são chamados e poucos os escolhidos?”. Sim, digo, repito e não canso. Mas é preciso fazer uma ressalva: no dia em que o Santos voltar a ter a maior torcida do Brasil, será sinal de que o país finalmente faz parte do primeiro mundo, se tornou uma verdadeira democracia, respeita o meio ambiente, tem um ótimo índice de desenvolvimento humano, reduziu drasticamente a corrupção e tem um jornalismo esportivo que valoriza a ética e o mérito. Sem contar que as pessoas serão mais educadas, como as que freqüentam este blog.

Enfim, quando o Santos voltar a ter a maior torcida do Brasil, ser[á sinal de que o Brasil será um país melhor.

E você, acha que Neymar e Ganso trarão tantos torcedores assim ao Santos?