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Santos merecia perder de mais. Cruzeiro ganhou sem fazer força

ricardo saibun
Geuvânio entrou no final e acertou o único chute perigoso no gol do Cruzeiro (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Mais organizado, com toque de bola mais preciso, defesa mais eficiente e ataque que criou mais chances para marcar, o Cruzeiro mereceu amplamente a vitória de 1 a 0 sobre o Santos, na Vila Belmiro, e já é o campeão virtual deste Brasileiro. O gol, muito bonito, foi de Everton Ribeiro, aos 9 minutos do segundo tempo, depois de driblar Mena e Alison. Como a maioria dos leitores deste blog previa, o ataque santista, com Everton Costa e Willian José, nada produziu. Ambos foram substituídos por Geuvânio e Victor Andrade, mas não houve grandes melhoras. Ao menos Geuvânio deu o único chute perigoso ao gol de Fábio. 9.460 pessoas pagaram para ver o jogo, proporcionando renda de R$ 278.156,00. Com a derrota o Santos permanece com 44 pontos e ainda precisa de no mínimo mais seis pontos para afastar qualquer possibilidade de rebaixamento. O próximo jogo será contra o desesperado Vasco, em São Januário.

Veja os melhores lances da partida:

Enquete para escolher o técnico de 2014 continua

O post muda, pois temos de falar do jogão deste domingo – o primeiro que, ao lado de meu irmão Marcos, assisti em um estádio, há 45 anos –, mas a enquete para escolher o técnico do Santos em 2014 continua. Se ainda não votou, ela está à sua direita. Vote lá!

montillo chuta
Montillo enfrenta seu ex-time tentando, mais uma vez, corresponder às expectativas dos santistas (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

O Cruzeiro vai ser campeão, mas neste domingo tem de dar Santos

Ninguém tira o título do Cruzeiro este ano e a conquista é realmente justa. Em meio a um campeonato bagunçado e de baixo nível técnico, a Raposa sobrou em regularidade e competência. Mas neste domingo a motivação maior deve e precisa estar do lado do Santos, pois os três pontos são muito mais importantes para o Alvinegro Praiano, que precisa ganhar no mínimo cinco dos sete jogos que faltam para brigar por uma vaga na Copa Libertadores.

Com 12 pontos e quatro vitórias a mais do que os segundos colocados Botafogo e Grêmio, o Cruzeiro caminha tranqüilamente para o seu terceiro título brasileiro. A dianteira é tão grande, que mesmo com a derrota neste domingo, a partir das 17 horas, na Vila Belmiro, ainda assim sua conquista não correrá maiores perigos. Ao nosso Santos, porém, que tem 44 pontos e está em nono lugar, só a vitória interessa.

O técnico Claudinei Oliveira ao menos tem sido coerente. O time será o mesmo que vem sendo escalado nos últimos jogos, com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa e Willian José.

Cicinho e Cícero estavam ligeiramente contundidos, mas treinaram normalmente na sexta-feira e devem jogar. Claudinei continua mantendo o contestado Everton Costa no ataque. A única dúvida do técnico era entre Willian José e Victor Andrade, mas como Willian treinou bem e marcou os três gols na vitória sobre os reservas por 3 a 0, será o escalado. Victor só entra se o Santos estiver perdendo e o estádio inteiro gritar seu nome.

O Cruzeiro, que desta vez não terá o atacante Willian, com estafa muscular, deverá ser escalado por Marcelo Oliveira com Fábio, Ceará, Dedé, Léo e Egídio; Nilton, Lucas Silva, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart;Dagoberto e Borges. A arbitragem será de Marcelo de Lima Henrique (RJ), auxiliado por Bruno Boschilia (PR) e Neuza Ines Back (SC).

O Santos costuma se dar bem contra o Cruzeiro e algo me diz que isso ocorrerá novamente neste domingo. Porém, será essencial que os laterais apóiem e que os meias Montillo e Cícero também se aproximem mais do ataque. Não dá para esperar que Willian José e Everton Costa resolvam as coisas sozinhos lá na frente.

Na minha primeira vez, Pelé versus Tostão

Eu tinha 16 anos e 26 dias quando fui ao estádio pela primeira vez, com meu irmão Marcos, três anos mais novo. E vimos, no ainda inacabado Morumbi, justamente o jogo que reunia as melhores equipes daquela era de ouro do futebol brasileiro: o Santos de Pelé e o Cruzeiro de Tostão.

Treinado pelo técnico Antoninho, o Santos tinha Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas (depois Edu), Pelé e Abel.

O Cruzeiro, de Orlando Fantoni, tinha naquele domingo alguns jogadores de extrema categoria, como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, Procópio, Evaldo, Zé Carlos… Era um timaço, que dois anos antes tinha sido campeão brasileiro ao vencer o Santos na final da Taça Brasil por 6 a 2 e 3 a 2.

Perceba que o narrador, Fernando Solera, diz, antes do primeiro gol, que aqueles eram os dois melhores times do Brasil – justamente na era de ouro do futebol brasileiro, em que três Copas do Mundo foram conquistadas em 12 anos, de 1958 a 1970, com todos os jogadores em atividade no Brasil.

Perceba, ainda, que entre esses jogadores nada menos do que cinco seriam titulares da Seleção Brasileira na Copa de 1970: Carlos Alberto Torres, Piazza, Clodoaldo, Tostão e Pelé. Sem contar Edu, que também atuou no Mundial do México.

Eu e meu irmão Marcos estávamos atrás do gol do Cruzeiro no primeiro tempo, éramos dois dos 29.469 pagantes daquela partida. A geral é mostrada depois do gol de Pelé, aos quatro minutos de partida, após jogada magistral de Douglas, que passou por quatro jogadores adversários. De onde estávamos achamos o gol de Pelé muito fácil, pois ele só teve o trabalho de se esticar e chutar a bola, depois que Douglas limpou o lance com espantosa habilidade.

No segundo tempo, Toninho, aos 41 minutos, completou o marcador após boa jogada de Abel. Um pouco antes Procópio tinha saída de campo com o tendão rompido, depois de choque com Pelé. Enfim, recordações de 45 anos atrás que parecem brotar com frescor e clareza na memória. Quantos garotos têm a felicidade de, na sua primeira vez em um estádio, assistir a um jogo assim?

Bem, já escrevi demais, Reveja os gols de Santos 2, Cruzeiro 0, de 13 de outubro de 1968, válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, competição que acabaria dando ao Santos o seu sexto título brasileiro:

E pra você, o Santos vencerá o Cruzeiro neste domingo? Como?


Há 42 anos o Santos vencia o Vasco no Rio e conquistava a Taça de Prata, o seu sexto título de campeão brasileiro


Santos campeão do Robertão/Taça de Prata de 1968. De pé: Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal, Cláudio, Clodoaldo e Rildo. Agachados: Douglas, Negreiros, Toninho Guerreiro, Pelé e Abel (tambem faziam parte do time os zagueiros Djalma Dias e Joel Carmargo, o lateral-esquerdo Turcão, o lateral-direito e meio-campo Lima, o goleiro Gylmar e o ponta-esquerda Edu).

Palmeiras, Internacional, Santos e Vasco foram os times classificados que, a partir de 4 de dezembro de 1968, uma quarta-feira, iniciaram os jogos do quadrangular para definir o título do Robertão, ou Taça de Prata, de 1968. Mesmo tendo sido o primeiro colocado do seu grupo, o Santos teria de fazer dois jogos fora de São Paulo; estrearia contra o Internacional, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, e encerraria sua participação enfrentando o Vasco, no Maracanã. Entre as duas partidas, jogaria contra o Palmeiras, no Morumbi.

A primeira rodada foi francamente favorável aos paulistas. Enquanto o Palmeiras venceu o Vasco por 3 a 0, no Morumbi, o Santos derrotou o Internacional, no Estádio Olímpico, por 2 a 1.

A vitória palmeirense só foi obtida a partir dos 17 minutos do segundo tempo, quando Marco Antonio cobrou um escanteio bem fechado e Buglê, ao tentar interceptar, acabou marcando contra. Três minutos depois, Marco Antonio cruzou na medida para cabeçada do centroavante argentino Artime, que aos 39 minutos marcou mais um para deixar o Palmeiras em ótima situação na tabela, pois um bom saldo de gols poderia decidir o título.

Em Porto Alegre, o Santos não pôde se dar ao luxo de pensar em fazer saldo. O jogo foi difícil e o time chegou a ser dominado em boa parte do primeiro tempo. O primeiro gol do jogo saiu aos 32 minutos, e foi do Santos. Edu centrou e Toninho só encostou para Pelé, que com um toque sutil venceu Gainete. Quatro minutos depois, porém, depois de uma investida de Bráulio, Elton acertou um belo chute de fora da área e empatou.

No segundo tempo, Antoninho substituiu Lima por Negreiros aos 37 minutos e o Santos, que já estava melhor, passou a criar mais chances. Numa delas, aos 41 minutos, Toninho foi calçado dentro da área por Jorge Andrade e o árbitro Roberto Goicocheia marcou pênalti. Carlos Alberto cobrou e deu a vitória ao Santos.

Na segunda rodada do quadrangular, domingo, o Palmeiras se isolaria na liderança caso vencesse o Santos. No outro jogo, Vasco e Internacional jogariam no Maracanã.

No Morumbi, ao contrário da expectativa da maior parte da crônica esportiva, quem mandou no jogo foi o Santos, que terminou o primeiro tempo com a vantagem de 1 a 0 (Abel, quase sem ângulo, aos 14 minutos) e fez mais dois no segundo (Edu aos 36 minutos, pegando rebote de uma falta que ele mesmo cobrou, e Toninho, aos 43). Os 3 a 0 deixavam o Santos em uma ótima situação para a última rodada.

Como venceu o Internacional por 3 a 2 no seu segundo jogo, o Vasco chegou à terceira e decisiva rodada com dois pontos ganhos e saldo negativo de dois gols. Como o Santos tinha quatro pontos e saldo positivo de quatro gols, o time carioca, para chegar ao título, precisaria vencer o Santos por no mínimo três gols de diferença, além de depender do resultado de Internacional e Palmeiras, em Porto Alegre.

Na verdade, Vasco, Palmeiras e Internacional ainda tinham chances matemáticas de serem campeões, desde que o Santos perdesse no Rio. Assim, na noite de 10 de dezembro, uma terça-feira, todas as atenções estavam voltadas para o Maracanã, onde Vasco e Santos decidiriam a sorte da Taça de Prata de 1968.

Para este jogo em que precisava golear o time que era considerado o melhor do País, o técnico Paulinho de Almeida escalou o Vasco com Valdir, Ferreira, Brito, Moacir (depois Fernando) e Eberval; Benetti e Alcir; Nado, Valfrido, Bianchini e Danilo Menezes (Adílson). Antoninho enviou o Santos a campo com Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho (depois Douglas), Pelé e Abel. A arbitragem foi de Arnaldo César Coelho, a renda Cr$ 144.372,00 e o público de 54.994 pagantes.

Ao final do primeiro tempo o Santos já vencia por 2 a 0, gols de Toninho aos 14 e Pelé aos 38 minutos. Como o empate lhes assegurava matematicamente o título, os santistas voltaram tranqüilos para o segundo tempo, contrastando com o nervosismo dos vascaínos, que ao menos pretendiam ficar com a segunda colocação no torneio para garantir sua primeira participação na Taça Libertadores da América.

Bianchini ainda diminuiu para 2 a 1 aos 15 minutos do segundo tempo, mas nove minutos depois foi expulso de campo por trocar agressões com o goleiro Cláudio, que também foi expulso. Então, Antoninho tirou o ponta-esquerda Abel e colocou o goleiro reserva Laércio em campo. Nada mais ocorreu a se destacar e o Santos, no intervalo de três anos, pôde comemorar o seu segundo título nacional conquistado com uma vitória sobre o Vasco no Maracanã.

Em Porto Alegre, o Internacional venceu o Palmeiras por 3 a 0, com gols de Claudiomiro, cobrando pênalti, aos 4 minutos de partida; Ferrari, contra, aos 8, e Dorinho, aos 32 da segunda etapa. Com o inesperado resultado, o time gaúcho ficou com os mesmos dois pontos do Palmeiras, mas superou o time paulista no saldo de gols, ficando com a segunda colocação no campeonato.

Com o fecho de ouro que representou sua participação do quadrangular final, o Santos encerrou uma campanha que impressionou pelo poder ofensivo de sua equipe. Além de ter obtido a maior goleada dos torneios Roberto Gomes Pedrosa (9 a 2, no Bahia), fez o maior número de gols de uma edição (44), teve o maior número de vitórias (12) e o artilheiro (Toninho, 12 gols).

Santos e Internacional, campeão e vice, a princípio representariam o Brasil na Taça Libertadores da América. Isso chegou a ser anunciado pela CBD antes das finais, mas depois a entidade voltou atrás. Assim, em 1969, ano das Eliminatórias para a Copa de 1970, os clubes brasileiros não participariam da Libertadores.

II Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata – 1968

Campeão: Santos
Vice: Internacional
24 de agosto a 10 de dezembro de 1968
Jogos: 142
Gols: 360 (média de 2,54 por jogo)
Estados representados: sete
Artilheiro: Toninho (Santos), 18 gols
Clubes participantes: Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo e Bangu do Rio de Janeiro; Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo e Portuguesa de São Paulo; Internacional e Grêmio do Rio Grande do Sul; Cruzeiro e Atlético de Minas Gerais, Náutico de Pernambuco, Bahia da Bahia e Atlético Paranaense do Paraná.

Quadrangular Final

04/12/1968
Palmeiras 3, Vasco 0
Internacional 1, Santos 2

08/12/1968
Vasco 3, Internacional 2
Santos 3, Palmeiras 0

10/12/1968
Vasco 1, Santos 2
Internacional 3, Palmeiras 0

Classificação do Quadrangular Final

1 – Santos: seis pontos (três vitórias).
2 – Internacional: dois pontos (uma vitória e duas derrotas, seis gols marcados,
saldo positivo de um gol).
3 – Vasco: dois pontos (uma vitória e duas derrotas, quatro gols marcados,
saldo negativo de três gols).
4 – Palmeiras: dois pontos (uma vitória e duas derrotas, três gols marcados,
saldo negativo de três gols).

Jogo decisivo

10/12/1968
Vasco 1, Santos 2, Maracanã, Rio de Janeiro
Vasco: Valdir, Ferreira, Brito, Moacir (Fernando)e Eberval; Benetti e Alcir; Nado, Valfrido, Bianchini e Danilo Menezes (Adílson). Técnico: Paulinho de Almeida.
Santos: Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho (Douglas), Pelé e Abel (Laércio). Técnico: Antoninho.
Gols: Toninho aos 14 e Pelé aos 38 minutos do primeiro tempo; Bianchini aos 4 do segundo.
Expulsões: Bianchini (Vasco) e Cláudio (Santos) aos 25 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Arnaldo César Coelho/RJ.
Renda: Cr$ 144.372,00
Público: 54.994 pagantes.

Não consegui encontrar o jogo final, entre Santos e Vasco, no Maracanã, mas este abaixo é da segunda rodada do quadrangular, em que o Santos praticamente definiu o título ao bater o Palmeiras, no Morumbi, por 3 a 0. Reveja os gols de Abel, Edu e Toninho Guerreiro.

O que você estava fazendo em dezembro de 1968? Já tinha visto filmes ou lido sobre esse título, o sexto brasileiro do Santos?


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