O confronto com o Corinthians é o que mais mexe com o santista. Se o clube já tivesse montado uma óbvia equipe para organizar os seus jogos e se escolhesse fazer o confronto, pela Copa do Brasil, em um grande estádio de São Paulo, a lotação seria completa e os problemas financeiros, ao menos os emergenciais, estariam resolvidos. Mas o duelo, na próxima quarta-feira, será na Vila Belmiro, para a alegria dos jogadores, da comissão técnica e da direção do clube, inexplicavelmente alheios à questão monetária que preocupa até o mais desligado dos torcedores do Santos.

Na verdade, como constatamos recentemente, os mesmos jogadores que fazem lobby para jogar na Vila serão os primeiros a entrar na justiça trabalhista caso seus rendimentos não sejam pagos em dia. Por isso, eu já disse no Conselho Deliberativo e repito: a responsabilidade por escolher os locais dos jogos é da diretoria, e não dos jogadores, pois essa decisão está diretamente relacionada ao equilíbrio financeiro do clube. Jogadores passam, o clube fica.

Se preciso, o Santos precisa mergulhar todo mundo em um tratamento psicológico para acabar com esse complexo de inferioridade de achar que só pode vencer grandes adversários se jogar no velho alçapão. Se as dimensões do campo são as mesmas e a torcida não entra em campo, o que pode explicar esse temor santista de jogar em estádios maiores, o que daria mais oxigênio às finanças do clube?

O correto seria fazer um esforço para marcar o grande duelo alvinegro para a próxima terça-feira, dia em que não haverá outro jogo na Capital. Estou certo de que o rival aceitaria. O Pacaembu seria a primeira opção, mas eu não descartaria jogar no belo e imenso estádio palmeirense. A novidade de atuar pela primeira vez, com seu mando de campo, em um estádio de primeiro mundo, confortável e espaçoso, seria mais um atrativo para o torcedor, em um confronto de muito público e muito dinheiro para os combalidos cofres do Alvinegro Praiano.

É evidente, porém, que haveria muita chiadeira na Baixada Santista se o Santos resolvesse mandar o seu jogo na Capital e perdesse a partida. A confraria que acompanha o presidente Modesto Roma trataria de alardear aos quatro ventos, como fez após a na final do Campeonato Paulista de 2013, que se o jogo fosse na Vila o time não teria perdido. Essa crendice bairrista é um tabu do qual o Santos precisará se libertar caso queira voltar a ser tão grande como já foi.

O Estádio das Laranjeiras, construído para o Campeonato Sul-americano de 1919, já foi o maior e mais importante do Brasil. Nele havia, e ainda há, uma tribuna especialmente preparada para receber o presidente da República. Chegou a receber 22 mil pessoas em 1922, mas hoje, com capacidade de oito mil pessoas, é usado apenas para os treinos do Fluminense. Imagine, caro leitor e amiga leitora, se os tricolores vivessem apegados à ideia de que só poderiam vencer os seus clássicos no velho estádio, de que as despesas seriam menores se jogassem em casa…

Imagine, ainda, se o Corinthians ainda resolvesse mandar seus jogos no Alfredo Shurig, o velho Parque São Jorge onde o Santos conquistou o seu primeiro título paulista, em 1935, oito anos depois da construção do estádio. Afinal de contas, a “Fazendinha” comporta 18.500 pessoas, mais até do que a Vila Belmiro. Mudar para Itaquera, que se saiba, não causou nenhuma revolução entre os corintianos mais tradicionais. E o Itaquerão fica a 14 quilômetros do Parque São Jorge e a 25,8 quilômetros do Pacaembu. No Rio, o ônibus do Botafogo pega 20 quilômetros de trânsito pesado, o que equivale à média de 40 minutos de viagem, para ir da sede do clube ao estádio do Engenhão.

É claro que o ideal seria a Vila Belmiro ser um estádio grande e moderno, com um público médio de 30 mil pessoas. Há cidades com menos habitantes do que Santos em que isso é possível. Porto, por exemplo, é uma delas. Com menos de 400 mil habitantes, a bela e organizada cidade portuguesa mantém um dos grandes times da Europa, que conta com uma torcida apaixonada e fiel que costuma lotar o belíssimo Estádio do Dragão. Infelizmente, porém, entre o sonho e a realidade há uma grande diferença.

E a realidade é que é um drama para lotar até mesmo os 16 mil lugares da Vila Belmiro, e isso ainda depende do comparecimento maciço de santistas de outras cidades. A realidade, ainda, é que o decantado Pré-sal furou. As esperanças de riqueza com a perfuração de petróleo na Bacia de Santos foram definitivamente sepultadas. A Petrobras está à deriva, Eike Batista faliu, o preço dos imóveis de Santos está caindo. O maior mercado consumidor, com mais de um milhão de torcedores santistas, é a Grande São Paulo. Não é preciso ser um gênio do marketing para perceber que o produto tem de ir aonde o seu público está.

Que não tenhamos de aprender da forma mais dura

Nesta quarta-feira vimos o River Plate se tornar campeão da Copa Libertadores pela terceira vez, apenas quatro anos depois de ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Argentino. Não consegui assistir ao jogo até o final. Muito ruim. Perdi a conta das matadas de canela, dos chutões e encontrões. Creio ter sido uma das piores finais de Libertadores de todos os tempos. De qualquer forma, marca a ressurreição de um clube que parecia caminhar para a falência. Espero que o Santos não tenha de ir ao fundo do poço para aprender o que é essencial no futebol.

Por sua sorte, o centenário River tem um estádio como o Monumental de Núñez, em Buenos Aires, com capacidade para 61 mil pessoas, um símbolo do futebol argentino – onde o nosso Santos ganhou o seu primeiro título da Libertadores, em 1962, ao bater o uruguaio Peñarol por 3 a 0. O River não vive essa dicotomia santista, com seus adeptos divididos entre duas cidades. Ele não precisa jogar fora de Buenos Aires para atrair multidões e grande visibilidade aos seus jogos. Mas o Santos precisa.

E enquanto o Santos não for dirigido por pessoas que admitam isso e enfrentem essa questão de frente, seguirá patinando, empurrando o problema com a barriga e torcendo para que o imponderável do futebol resolva questões que deveriam ser solucionadas com planejamento e trabalho. Enquanto depender da opinião dos jogadores para saber onde deve jogar, seu futuro no futebol profissional será incerto.

E pra você, o Santos fez bem de jogar na Vila?

O poder da história

Mesmo depois de duas boas oportunidades que o Tigres teve contra o River Plate, comentei com a Suzana que o River seria o campeão. Mesmo com um time limitado, o representante argentino seria o campeão por sua história, pelo peso de sua camisa, pela necessidade maior que tinha de ser campeão. Desculpem-me os torcedores do Tigres, mas não é possível imaginar um grande argentino perder uma Libertadores em casa diante de uma equipe mexicana. Há momentos em que a história entra em campo.

Escrevo isso porque acredito piamente nessas palavras. Acredito que hoje, apesar de todos os seus problemas, o Santos é grande porque se sente grande e sabe que já fez muitas coisas grandes. Mesmo inferiorizado em todos os quesitos extra-campo, sabemos que ele não enfrentará o Corinthians apenas por enfrentar. Sabemos que ele entrará em campo para tentar vencer mais uma vez o seu tradicional adversário.

Para se entender essa força que a história empresta ao nosso Santos, não há outra maneira a não ser conhecer a trajetória do clube desde o longínquo 14 de abril de 1912. Por isso, atendendo aos pedidos de muitos santistas que não puderam adquirir o livro Time dos Sonhos, já esgotado, e cedendo ao interesse da Kickante, empresa especializada em crowdfunding, lancei a campanha pela reimpressão da obra que ficou conhecida como “A Bíblia do Santista”. Tenho trabalhado na recomposição do texto desde então.

Falta apenas uma semana para se encerrar o prazo dado pela Kickante. A meta estipulada não será alcançada, mas garanto que o livro será impresso mesmo assim e todas as recompensas serão dadas. Mais do que qualquer retorno financeiro, o que importa é divulgar a rica história santista, e divulgá-la da maneira como realmente ocorreu, e não como a imprensa esportiva contou.

Mesmo amigos jornalistas que julgavam já saber tudo sobre a história do Santos, ficaram impressionados com muitas das informações que leram em Time dos Sonhos. Por isso, sinto-me confortável para sugerir que, se você ainda não leu e não tem o livro, entre nessa campanha de pré-venda e garanta o seu exemplar e o seu nome no último capítulo da obra. Garanto que não se arrependerá.

História – isso ninguém vai tirar do Santos

Apoie o relançamento do livro Time dos Sonhos, receba um exemplar ao preço de pré-venda e ainda ganhe de presente seu nome impresso no último capítulo do livro. Faltam apenas 8 dias para o fim da campanha de pré-venda do livro Time dos Sonhos, A Bíblia do Santista.

Faltam só 8 dias para terminar a campanha de pré-venda do livro Time dos Sonhos. Clique aqui para obter mais informações e garantir o seu exemplar e seu nome impresso no livro.