A demissão do técnico Muricy Ramalho e a contratação de Antonio Carlos Zago foi o último capítulo do dramalhão que tem sido a vida do Palmeiras desde que o título brasileiro e, mais do que isso, a classificação para a Libertadores, foi perdida de uma maneira injustificável. Em pensar que há alguns meses o clube era tido como exemplo de um novo modelo de administração, que tinha à frente o conceituado economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

A eleição de Belluzzo para a presidência do Palmeiras foi recebida pela opinião pública como um sinal dos novos tempos do futebol nacional, em que preponderaria o fair play, a transparência, a administração responsável das finanças do clube e, em consequência disso,  a motivação de time e torcida para alcançar vitórias e títulos.

Tudo parecia correr conforme o esperado até o momento em que o Palmeiras alcançou cinco pontos de vantagem, na liderança do Brasileiro. Depois, como numa avalanche de desgraças, vieram três derrotas e um empate contra times na zona do rebaixamento, a agressão a Vagner Love, pronunciamentos estapafúrdios de Belluzzo (que ameaçou agredir o árbitro Carlos Eugênio Simon e incitou os súditos da Mancha Verde a “matar os bambis”) e a falta de comando de Muricy, que parecia mais interessado em garantir seu salário do que brigar pela montagem de um time competitivo.

Hoje, os sinais da péssima administração são claros. Basicamente, os gastos com o futebol aumentaram e os resultados em campo não apareceram. Não houve harmonia entre o clube e a Traffic, entre os jogadores e o técnico, nem entre todos e a torcida. O Palmeiras assemelhou-se a uma nau sem rumo. A dura verdade é que o grande economista acabou levando o clube a uma situação financeira delicada e não conseguiu nada de positivo em troca desse investimento.

Exemplo a não ser seguido

Lembro-me que um dos argumentos usados para fortalecer a candidatura de Luis Alvaro de Oliveira à presidência do Santos foi a de que ele foi colega de Belluzzo na faculdade. Naquela época o Palmeiras era o virtual campeão brasileiro, Belluzzo tido como um novo gênio do futebol e qualquer ligação a ele era positiva.

Hoje, porém, garanto que ninguém que queira fazer uma carreira administrativa no futebol fará questão de lembrar qualquer ligação profissional, acadêmica ou filosófica com o presidente do Palmeiras.

O futebol tem suas regras próprias e o potencial dos clubes – mesmo que os torcedores o julguem ilimitado – acaba obedecendo às regras corriqueiras do mercado. Só o tempo dirá se um passo foi dado maior do que a perna. O do Palmeiras, positivamente, foi.  

Que qualidades e defeitos você vê na administração de Belluzzo à frente do Palmeiras? O que ele trouxe de positivo para o futebol brasileiro?

BOLÃO — Ninguém ganh0u o de ontem, mas no jogo Mirassol e Santos o prêmio será dobrado: um exemplar de “Na Raça!” e um de “Ser Santista” ao vencedor.