O curinga Lima me disse que quando o goleiro Gylmar tomava um frango, o time todo ficava mais tranqüilo, porque a partir daquele momento sabia que o “Girafa” fecharia o gol. Um erro despertava em Gylmar tal determinação que não deixava passar mais nada. Depois de ter dado a “barriga” sobre a contratação de Robinho, o mínimo que devo fazer é explicar direitinho como foi a reunião e contar o histórico desse interesse do Santos por ele. Além, é claro, de nunca mais confiar em notícias de terceiros.

Sim, confesso que confiei na informação e no feeling de um jornalista do Gazzetta dello Sport, uma publicação tradicional, que no dia 3 de abril completará 117 anos! Não é desculpa, porque estamos carecas de ver casos no Brasil de jornais que anunciam contratações e elas não se concretizam. Mas não queria fazer isso no nosso blog. Fiz. Mas, como o grande Gylmar, prometo que neste jogo dificilmente voltarei a tomar um frango. Pode escrever aí.

Por que Robinho não veio

O vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, foi muito confiante para a reunião, na sexta-feira à noite, com o vice-presidente do Santos, Odílio Rodrigues, e o membro do comitê gestor Álvaro de Souza. O dirigente milanês confiava que as diferenças entre os valores pedidos pelo Milan e por Robinho, e a oferta do Santos, seriam equalizadas sem maiores problemas. Isso provavelmente fez com que passasse uma visão muito otimista a alguns jornalistas italianos.

Na verdade, segundo apurei neste sábado, o presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, não fez nenhuma proposta por Robinho. O único clube brasileiro que fez uma proposta concreta pelo Rei do Drible foi o Santos. E qual foi ela? Cerca de sete milhões de euros em três parcelas anuais e, em um esforço descomunal, um salário de R$ 800 mil ao Robinho.

Porém, o Milan, irredutível nos dez milhões de euros, não aceitou. Robinho também não abriu mão de um salário de R$ 1,1 milhão, R$ 100 mil a mais do que ganhava em 2010, quando estava voltando para a Seleção Brasileira e era nome praticamente certo para a Copa do Mundo, a ser disputada meses depois.

Para facilitar as coisas em 2010, naquele semestre em que defendeu o Alvinegro Praiano, Robinho fez três comerciais – para Seara, Volkswagen e Rexona – que ajudaram o clube a quitar cerca de 20% dos seus salários. Hoje é diferente. Ele precisa lutar para voltar à Seleção e o grande garoto-propaganda do futebol brasileiro, como sabemos muito bem, é outro Menino da Vila.

De qualquer forma, quem acompanhou de perto a reunião de sexta-feira sentiu que se o Milan baixasse a pedida, talvez Robinho consentisse em reduzir sua pretensão salarial. Porém, diante da inflexibilidade do clube italiano, o jogador também não aceitou ganhar menos. Isso realmente complicou a negociação, pois um salário de R$ 1,1 milhão obrigaria o Santos a pagar um total de R$ 1,8 milhão por mês, somados todos os encargos.

O negócio não está totalmente descartado, mas agora a tendência é de que Robinho continue jogando no Milan pelo menos mais seis meses. Em junho os valores deverão cair e o Santos voltará à carga para trazer de volta o Rei da Pedalada. O negócio só não se concretizou desta vez porque o Milan e Robinho estão pedindo valores que não condizem mais com a forma técnica e física do ex-santista.

O interessante é que em julho do ano passado Robinho até toparia vir ao Santos por R$ 800 mil mensais, mas o empecilho era o alto preço pedido pelo Milan: 15 milhões de euros. Em dezembro, quando o Santos voltou a procurá-lo, Robinho disse que estava valorizado, com muitos clubes interessados nele, e que o salário teria de ser R$ 1,1 milhão.

Profissionalismo é profissionalismo, mas, para um garoto que nasceu em São Vicente e só foi revelado no futebol devido ao Santos – que cometeu a “loucura” de colocar um time de Meninos para disputar o Brasileiro de 2002 –, Robinho não fez qualquer concessão ao time que diz amar ou às suas origens nesse episódio que poderia trazê-lo novamente para os braços da torcida que o adora.

Nenê ficou de dar a resposta neste domingo

Pensei até em levar a informação de Nenê para o título, mas confesso que fiquei meio traumatizado com o “furo” de ontem. O certo é que a possibilidade de Nenê vir é bem maior. O jogador pediu R$ 5 milhões de luvas e salários de R$ 500 mil. O Santos ofereceu menos. Não me pergunte o quanto menos. Não sei.

Só sei que Nenê prometeu que daria uma resposta neste fim de semana que termina neste domingo à noite. Com 31 anos, este atacante canhoto nascido em Jundiaí em 19/07/1981 já teve uma boa passagem pelo Santos em 2003, quando disputou a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Na oportunidade, Nenê fez 25 jogos e marcou oito gols pelo Alvinegro Praiano.

Revelado pelo Paulista de Jundiaí, Nenê jogou pelo Palmeiras, Santos, Mallorca, Alaves, Celta de Vigo, Monaco, Espanyol e Paris Saint-Germain, onde está atualmente. Marcou 49 gols em 113 jogos pelo time francês.

O que eu acho? Creio que Nenê só virá se não encontrar nada melhor. Ele ainda está estudando propostas de outros clubes. Porém, algo me diz que o negócio pode dar certo. O fato de já ter 31 anos e de ter passado boa parte da carreira em times médios e pequenos da Espanha não valorizam o seu passe.

Vêm aí as respostas de Álvaro de Souza

O assessor de imprensa do Santos, Arnaldo Hase, garante que Alvaro de Souza não se esqueceu da gente. Nesta semana que entra, segundo Arnaldo, o importante membro do comitê gestor do Santos deve responder as 25 perguntas enviadas por leitores deste blog.

E você, acha que Nenê dirá sim? E o que diz de Robinho?