Blog do Odir Cunha

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A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Hoje à tarde a volta de Robinho e a grande rivalidade entre Santos e Corinthians darão o maior ibope deste Campeonato Brasileiro.

Veja como os Meninos do Santos foram campeões na África do Sul:

Santos vence Benfica por 2 a 0 e é campeão em Durban

João Igor, o herói do título

A equipe Sub-19 do Santos, orientada por Pepinho, filho do grande Pepe, venceu o Benfica por 2 a 0, com dois gols de João Igor, que entrou no segundo tempo, e se tornou campeã do Torneio de Durban, África do Sul. Mais do que a vitória e o título internacional, os meninos do Santos espalharam alegria na África do Sul e sentiram um pouco do carinho que o grande Santos sentiu quando jogava pelos cinco continentes. Este é o destino do Santos – ser um time do mundo e cativar torcedores de todo o planeta. Isso foi esquecido ou abandonado, mas precisa voltar. Veja e se emocione com uma visita dos Meninos da Vila a uma escola de Durban:

Confira aqui a cobertura no site Supersports, da África do Sul

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta


Quem não gosta de Robinho e de Neymar provavelmente não teria gostado de Garrincha

Quando voltou ao Santos, em 2010, Robinho, como todos sabem, estreou fazendo, de letra, o gol da vitória diante do São Paulo. Na saída, um repórter ouvia pequenos fãs que esperavam pelo autógrafo do ídolo. Entre os meninos, havia um com a camisa do São Paulo. O repórter lhe perguntou: “Mas você não é são-paulino? Por que quer o autógrafo do Robinho?”. Ao que o garoto, demonstrando uma espontaneidade e uma sabedoria que geralmente escapam das mesas redondas das tevês, respondeu, com um sorriso: “Ué, Robinho é Robinho, né?”.

É difícil encontrar essa mesma sensibilidade em um jornalista, mas há muito tempo conversei com um que a tinha. Não me lembro exatamente quem foi, mas me recordo em detalhes a sua expressão sincera e arrebatada ao falar da dificuldade de ser um jogador de futebol: “Pô, os caras analisam como se jogar futebol fosse fácil. Eu acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é ser jogador de futebol. Já pensou entrar naquela estádio lotado, os caras querendo te arrebentar, e você ter de dominar a bola, correr, fazer jogadas, gols… Pô!… (ele sorria, sarcástico, como se interiormente completasse: “Esses caras não sabem de nada!”).

Veja o desafio a que Robinho se impôs: o de ser um artista, um criador de jogadas, um criativo em meio a um bando de burocratas militarizados com a faca dos dentes. Sim, pois hoje o futebol é isso. Trocentos zagueiros, trocentos volantes, todo mundo ajudando na marcação, todos com ordem de matar o contra-ataque adversário, nem que seja na porrada e só um ou outro para fazer o que o torcedor realmente quer, que é o drible, o gol, a irreverência. Robinho, meus amigos, é um sobrevivente.

É importante que haja jornalistas esportivos especializados em números e estatísticas. Também é interessante que existam outros essencialmente críticos, como se estivessem sempre mal-humorados. Das críticas sempre se tira algo proveitoso. Porém, se todos forem assim, as pré-históricas mesas-redondas da tevê virarão uma chatice. Foi o que ocorreu sexta-feira na ESPN.

Não me pergunte o nome do programa. Estava zapeando entre o clássico “O Encouraçado Potemkin”, um documentário sobre Luis Carlos Prestes e o jogo entre Roger Federer e David Ferrer, quando me deparei com o programa comandado pelo José Trajano. Falavam de Robinho. Fiquei pra ver. E percebi o que muitos leitores do blog também perceberam: a má vontade, a indiferença, a quase falta de respeito com um ídolo popular do nosso combalido futebol.

Clubismo? Falta de respeito com um ídolo do Santos? Não chegarei a tal ponto. Mas posso afirmar que se meus colegas de ESPN julgassem todos os jogadores brasileiros com a mesma severidade com que julgaram Robinho, sobraria muito pouca gente para contar a história.

Um jogador que está há nove anos na Europa – jogou três anos no Real Madrid, dois no Manchester City e está desde 2010 no Milan – e recebe um salário equivalente a um milhão de reais por mês, está muito longe de ser um fracassado. Não foi o número um do mundo, como queria, e como todos nós queríamos, mas daí a dizer que passou em branco pelo continente que tem os mais poderosos clubes do planeta, vai uma grande diferença.

Se usarmos o mesmo rigor para analisar a passagem de outros brasileiros pela Europa, como faríamos para definir o estágio de Sócrates, que jogou apenas um ano pela Fiorentina, em 1984/85 e em 25 jogos dez apenas seis gols (um a menos do que marcou pelo Santos em 1988/89)? Ou Junior, que entre 1984 e 1989 defendeu os pequenos Torino e Pescara e voltou para o Flamengo sem nenhum título, nem mesmo em torneios regionais? Ou Roberto Dinamite, que ficou apenas uma temporada no Barcelona (1979/78), fez 8 gols em 17 jogos e voltou correndo para o seu Vasco? Ou mesmo Zico, que defendeu apenas o humilde Udinese por dois anos e, por não receber proposta de nenhum grande europeu, voltou para o seu eterno Flamengo?

Está certo que nos quatro anos em que defendeu o Santos, Robinho fez mais gols (94) do que nos nove de Europa (81), mas mesmo assim seu desempenho no futebol europeu não pode ser desprezado. Foi seis vezes campeão, três pelo Real Madrid e três pelo Milan.

Sem contar sua participação na Seleção Brasileira, pela qual fez 102 jogos (8 pela Sub-23) e marcou 32 gols (3 pela Sub-23). Em 2007 foi artilheiro (6 gols) e considerado o melhor jogador da Copa América, vencida pelo Brasil. Também foi bicampeão da Copa das Confederações, em 2005 e 2009.

E Robinho é o tipo de jogador que não pode ser analisado apenas pelo currículo. Ele pertence a uma classe especial e em extinção, que é aquela que reúne os artistas, os palhaços, aqueles que fazem rir com arte. Ele, como Neymar, é da mesma estirpe de Garrincha, capaz de alegrar o povo sem fazer gol. É isso o que faz tão querido pelo torcedor comum, mesmo pelo adversário.

E veja que, ao contrário de Garrincha, Robinho levou o seu time, o Santos, a dois títulos brasileiros e a uma final da Libertadores, enquanto o título mais importante que o grande Mané ganhou com o seu Botafogo foram três estaduais. Por aí se vê que os números, o currículo, nem sempre definem a relevância da carreira de um jogador.

Na verdade, todos esses jogadores que citei foram grandes, enormes mesmo, para o futebol brasileiro, e é isso que mais deveria interessar aos jornalistas esportivos nesse momento de penúria, e não o desempenho que tiveram na Europa. Quem está com o pires na mão, quem não tem ídolos e nem jogadores carismáticos, quem vê seus times mais populares caindo pela tabela, o público se afastando dos estádios e da tevê, é o pobre futebol que já se considerou o melhor do mundo.

A volta de Robinho ao Brasil deveria ser saudada ao menos como um sinal de esperança, pois, ao contrário de outros que, como o salmão, sobem o rio e voltam às origens para terminar sua história, Robinho ainda tem físico e habilidade para mostrar um futebol que não se vê mais por aqui. E se Alex, aos 36 anos, pode ser uma das últimas reservas de categoria e inteligência que ainda se vê em nossos campos, Robinho ainda tem alguns anos de boa lenha para queimar.

Será que o Robinho está em forma?

E pra você, como a imprensa tem tratado a volta de Robinho?


Tchau Itália! Copa se encaminha para a América

A eliminação de Itália e França não foram surpresas para mim. A coisa poderia ter sido pior para os europeus, pois Inglaterra e Alemanha também passaram sufoco para se classificar. A verdade é que, como se previa, um time das Américas deverá ser campeão na África do Sul.

O mais provável é que seja um sul-americano, claro, mas não se pode descartar totalmente o México e nem esquecer que os emergentes Estados Unidos terminaram em primeiro lugar num grupo que tinha Inglaterra e Eslovênia.

Dos seis grupos já definidos, quatro têm como líderes seleções americanas. E as única exceções, o D e o E, vencidos por Alemanha e Holanda, não tinham nenhum representante do novo continente.

Se Brasil e Chile confirmarem as lideranças nos Grupos G e H, teremos todos os representantes sul-americanos em primeiro lugar nos seus grupos: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. Isso, certamente, fará os críticos olharem com mais respeito para o futebol sul-americano e deixarem de babar ovo para o europeu.

Isto, sem contar que Honduras, único time da América Central, ainda nãoe sta matematicamente desclassificada. Se nesta sexta-feira vencer a Suíça e o Chile derrotar a Espanha, o saldo de gols ou o número de gols feitos é que decidirá a vaga entre hondurenhos e espanhóis.

Até agora, dos seis grupos encerrados, as Américas têm cinco das 12 equipes classificadas: duas da América do Norte (Estados Unidos e México) e três da América do Sul (Argentina, Uruguai e Paraguai). A Europa tem qautro (Inglaterra, Alemanha, Holanda e Eslováquia), a África um (Gana) e a Ásia dois (Japão e Coréia do Sul).

Dos grupos ainda abertos, o Brasil já está classificado e o Chile só não continua se perder da Espanha e a Suíça derrotar Honduras por dois gols de diferença. Um empate e os chilenos estarão também nas oitavas e em primeiro no seu grupo.

Fifa terá de mudar a distribuição de vagas

Somando-se os representantes de todas as três Américas, chega-se a oito equipes nesta Copa, contra 13 da Europa, quase 50% a mais. Pelo desempenho dos times neste Mundial, ficou evidente que a divisão acabou não sendo justa. Os resultados dos times americanos até aqui tem sido bem superiores aos de qualquer outro continente e isso certamente será usado pelas federações locais para conseguir mais vagas para a próxima Copa, disputada justamente no Brasil, coração da América.

É evidente que tudo ainda dependerá do desenrolar do Mundial. Porém, se os americanos fizerem a maioria dos quadrifinalistas e semifinalistas, o que é bem provável, e ainda saírem campeões, terão muita força para reivindicar uma representatividade maior em 2014.

E você, acha que as seleções européias são supervalorizadas pela mídia, ou são realmente, no conjunto, as melhores do mundo?


Quem se classifica? Faça as suas contas…

A MÃE DE TODAS AS ZEBRAS
Coréia do Norte 1, Itália (eliminada) 0 – Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra

Quem não gosta de números deve estar sofrendo para fazer os cálculos antes desta última rodada da fase de grupos, pois a combinação de resultados pode gerar muitas dúvidas e surpresas quanto às possibilidades de classificação das equipes.

O fato de os jogos do mesmo grupo serem disputados no mesmo horário dará um toque a mais de emoção à última rodada desta fase de grupos. Todo cuidado será pouco e nem os maiores favoritos poderão jogar sossegados, pois um gol aqui ou ali poderá mudar tudo de um instante para o outro.

Estranhei quando ouvi em mais de uma emissora que após a derrota de hoje – 2 a 0 para a Espanha – a equipe de Honduras já estava desclassificada no Grupo H. Ora, matematicamente os hondurenhos ainda têm chances. Vejamos em que situações eles podem se classificar:

1 – Honduras vence a Suíça por três gols de diferença e o Chile derrota a Espanha por dois gols de vantagem. Honduras, Espanha e Suíça empatariam com três pontos ganhos, mas os hondurenhos seriam os únicos a não ter saldo negativo.
2 – Honduras vence a Suíça por dois gols de diferença e o Chile passa pela Espanha com três gols de vantagem. Mesmo com um gol de saldo negativo, Honduras ficaria à frente de Espanha e Suíça, com déficit de dois gols.
3 – Honduras vence a Suíça por três gols de diferença e a Espanha também vence o Chile por três gols de vantagem. Neste caso quem ficaria fora seria o Chile.

Por outro lado, se a Suíça vencer Honduras, que é o resultado mais lógico, a Espanha precisará vencer o Chile, pois com o empate só chegaria a quatro pontos, dois a menos do que a Suíça e três a menos do que o Chile.

França ainda pode conseguir o milagre

Poucos países estão vivendo um inferno astral tão grande nesta Copa como a França, que empatou com o Uruguai (0 a 0) e perdeu do México (2 a 0) no Grupo A. Porém, se juntar os cacos e conseguir uma goleada histórica sobre a África do Sul, os franceses ainda poderão seguir em frente. Vejamos.

1 – Se a França vencer a África do Sul por cinco gols de diferença, o único resultado da partida entre México e Uruguai que a tiraria da Copa seria o empate. E não interessaria a México e Uruguai fazerem um jogo de compadres para empatar, pois o segundo colocado do grupo pegará provavelmente a Argentina (virtual líder do Grupo B) nas oitavas-de-final.
2 – Por outro lado, se for a África do Sul quem golear a França por no mínimo cinco gols de diferença, o time de Parreira se classificará desde que haja um vencedor entre México e Uruguai.

Como a Argentina seria desclassificada

1 – Mesmo com duas vitórias, a Argentina não pode jogar tão despreocupada contra a Grécia, em seu terceiro e último jogo no Grupo B. Se for derrotada por três gols ou mais de diferença, será desclassificada se na outra partida a Coreia do Sul vencer a Nigéria por quatro gols ou mais. Na verdade, os gregos terão mesmo de lutar pela vitória, pois se empatarem com a Argentina só conseguirão o segundo lugar do grupo se a Coreia do Sul perder para a Nigéria.

Eu já tinha escrito que a Nigéria estava desclassificada, quando o leitor Guilherme Costa me alertou que não está não. Ao contrário. Tem muita chance de se classificar. Para isso, precisa vencer a Coreia do Sul e torcer para a Argentina ganhar da Grécia. Interessante que mesmo um time com duas derrotas pode conseguir a vaga vencendo uma única vez, enquanto outros com duas vitórias ainda podem cair fora…

Costa do Marfim, missão quase impossível

Com a goleada de 7 a 0 sobre a Coreia do Norte, hoje, Portugal só não ficará com uma das vagas do Grupo G se perder para o Brasil, Costa do Marfim golear a Coréia do Norte e a soma dos dois jogos der uma diferença de dez gols. Por exemplo: o Brasil venceria Portugal por dois gols de vantagem e os marfinenses imporiam uma goleada de oito gols sobre os norte-coreanos. Isso daria um gol de saldo a mais para a Costa do Marfim (há também a possibilidade de que a soma das diferenças seja nove, mas desde que os perdedores façam gols. Neste caso, Portugal e Costa do marfim ficariam empatados no saldo, mas o número de gols marcados seria favorável aos africanos).

Itália: empate não basta

Já ouvi por aí que a Itália só precisa de mais um empate para se classificar no Grupo F (como em 1982). Mas não é bem assim. Caso empate com a Eslováquia, na última partida, e a Nova Zelândia ganhe do Paraguai, a Nova Zelândia seria a líder do grupo, com cinco pontos, e o Paraguai ficaria em segundo, com quatro.

Uma coisa muito curiosa neste grupo é que se Itália e Nova Zelândia vencerem seus jogos por placares idênticos, será preciso um sorteio para definir o primeiro e o segundo lugar do grupo, já que ficarão empatados em todos os critérios, até mesmo no confronto direto.

Por outro lado, se a Itália vencer a Eslováquia por dois gols de diferença e o Paraguai empatar com a Nova Zelândia, os italianos terminarão em primeiro do grupo desde que marquem dois gols a mais do que os paraguaios (Exemplo: Itália vence por 2 a 0 e Paraguai empata em 0 a 0. O saldo de ambos será de dois gols, mas a Itália terá marcado quatro vezes nos três jogos, uma vez mais que o Paraguai).

Empate pode eliminar Alemanha

A Alemanha, quem diria, que estreou tão bem, goleando a Austrália por 4 a 0, pode ficar de fora da Copa se ao menos empatar com Gana. O empate levaria os alemães a quatro pontos, um a menos do que a seleção africana. E se na outra partida a Sérvia bater a Austrália, então os sérvios iriam a seis pontos e liderariam o grupo.

O curioso é que a Austrália poderá se classificar com uma vitória mínima sobre a Sérvia, desde que na outra partida do Grupo D Gana vença a Alemanha. Mesmo com saldo negativo de três gols, os australianos teriam quatro pontos, um a mais do que alemães e sérvios.

No Grupo C, até a Argélia depende só dela

No Grupo C, como já expliquei em outro post, todos os times se classificam com vitórias. A única diferença é que a Argélia se garante com um triunfo de dois gols de diferença sobre os Estados Unidos. Se os argelinos venceram por apenas um gol, terão de torcer para a Inglaterra perder da Eslovênia.

Quanto aos Estados Unidos, talvez não baste empatar com a Argélia, pois se der este resultado o time será eliminado se a Inglaterra vencer a Eslovênia. Mas se vencer a Argélia pela mesma diferença que a Inglaterra bater a Eslovênia, os norte-americanos serão os primeiros do grupo (na verdade, com exceção da Argélia, as outras três equipes podem alcançar a liderança).

Para finalizar, o Grupo E é o menos complicado. Holanda, já classificada, enfrenta Camarões, eliminado. No outro jogo, Japão e Dinamarca decidem a outra vaga, com a vantagem do empate para os japoneses. A única surpresa que poderia acontecer é a Holanda ser derrotada por Camarões e acabar perdendo as liderança do grupo para Japão ou Dinamarca no saldo de gols.

E você, já fez as suas contas? Acha que teremos surpresas nessa reta final da fase de grupos?


Seara faz Dunga engolir Ganso e Neymar na Copa!

Antes e no intervalo dos jogos da Copa do Mundo, o telão dos estádios têm transmitido (para os milhares de torcedores e para imprensa internacional) o comercial da Seara que mostra o Robinho, ídolo da Seleção Brasileira, ao lado de Paulo Henrique Ganso e Neymar fazendo malabarismos com a bola. Todos se perguntam por que aqueles outros dois também não estão na Copa. Bem, o professor Dunga deve saber…


África do Sul, o medo de atacar, ou: Parreira vai conseguir derrubar o Mandela

O Uruguai, que melhorou muito depois das eliminatórias, mereceu amplamente a vitória por 3 a 0 sobre a África do Sul. Diego Forlan, com dois gols e muita participação, foi o destaque do jogo. Mas a África do Sul que eu imaginei vencendo hoje não seguiu o seu DNA, o instinto ofensivo da África. Mas o maior erro veio do técnico Carlos Alberto Parreira, que não aproveitou as circunstâncias para pressionar o adversário.

Como eu disse no post anterior, abaixo, o maior fator de vitórias no futebol é o local da partida. Todo time tem um porcentual de vitórias maior quando joga em casa. Quando vi, ao final do primeiro tempo, que os sul-africanos continuavam marcando em seu campo apesar de estarem perdendo, senti ali o dedo frio e burocrático de Parreira, para mim uma das maiores mentiras que o futebol já produziu.

Enganei-me, no post anterior, quando disse que ao menos inteligente o Parreira é. Hoje ele demonstrou o contrário. Ao colocar seu time na defesa ele deu a tranqüilidade que o Uruguai não esperava. No toque de bola, evidentemente uma seleção sul-americana sempre levará vantagem sobre uma equipe da África.

O que a África tem de melhor? Sua impetuosidade, sua alegria, sua força em busca de gols e vitórias. Ao colocar o time na defesa, contra um adversário menos forte do que o México, com quem já tinha empatado, o técnico brasileiro anulou a grande vantagem de jogar em casa.

Nas eliminatórias sul-americanas, o Uruguai só ganhou dois jogos fora de casa (1 a 0 na Colômbia e 2 a 1 no Equador). É um time sem armadores, que tem dificuldade contra uma equipe que pressiona a saída de bola. Mas Parreira resolveu que era mais cômodo ficar atrás e esperar pelos erros do adversário. Engano fatal.

E bem que o árbitro tentou ajudar. Economizou nos cartões aos sul-africanos e não deu um pênalti. Mas chegou uma hora em que não foi possível mais fazer vistas grossas. O pênalti que gerou o segundo gol e a expulsão do goleiro foram justas. Com tanta câmera em campo e ainda com o recurso da super câmera lenta, não dá mais para o árbitro roubar como antes.

Esta derrota joga por terra as chances de classificação da África do Sul, que agora passam a ser apenas matemáticas. Terá no mínimo de vencer a França no seu último jogo, o que é bastante improvável. Com isso, Parreira continua sem ganhar uma única partida em Copas do Mundo nas quatro vezes que dirigiu outras seleções, além da Brasileira: não conseguiu uma única vitória como técnico de Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes e agora, ao que tudo indica, passará mais uma Copa em branco.

O perdedor mais bem pago do mundo e Nelson Mandela

Com esta derrota o técnico Carlos Alberto Parreira continua sendo um dos perdedores mais bem pagos do mundo. Depois de rebaixar o seu Fluminense e perder títulos ganhos com outras equipes, ele agora foi um dos responsáveis pela maior tristeza que o povo da África do Sul sofreu desde que Nelson Mandela assumiu o poder.

Aliás, o esporte foi usado por Mandela para unir o país, como pode ser testemunhado no filme “Invictus”, cujo trailer está na home deste blog. Só espero que o medo e o pragmatismo do técnico brasileiro não tenham contribuído para a queda de Mandela e a volta do apartheid.


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