Hoje vimos o bom futebol brasileiro na decisão da Copa São Paulo. O Flamengo, campeão, e o Bahia, vice, mereceram jogar esta final e o fizeram sem medo, com aquela ginga e aquela picardia que esperamos dos moleques brasileiros. Sim, porque hoje tem muito time de base que parece feito em laboratório.

Vendo os jogadores de Flamengo e Bahia disputarem a bola, você se lembra das peladas nos terrenos baldios, na beira do mar, do jogo de fintas, meneios, ameaços e muita malandragem que fizeram do futebol brasileiro o que ele é.

Você se lembra da ginga da África que, pela capoeira, foi incorporada ao futebol. E da sabedoria do povo, da coragem e do talento em busca da vitória. Esse é o futebol de garotos que dará coisa boa.

Mas essa Copinha mostrou muito jogador filho de chocadeira, jogador fabricado em CT e valorizado por empresário e assessor de imprensa. Jogador que mesmo sem ter todos os fundamentos, já é promovido a profissional em time grande, sabe Deus por quê.

Lembra daquela expressão “samba de branco?”. Pois é. Era aquela coisa dura, que parecia rumba e, como o nome diz, produzida por descendentes de europeus, sem o ritmo e o malemolejo, tesouros que os negros trouxeram pra cá.

Tinha time nessa Copa São Paulo que parecia vindo da Dinamarca ou da Islândia. Só tinha loirinho de olhos azuis. Quero deixar bem claro que não tenho nada contra loirinhos de olhos azuis. Mas em uma competição de garotos brasileiros que querem ser jogadores de futebol, não é normal ver tanto escandinavo.

Foi lindo ver Bahia e Flamengo, duas expressões populares, disputando a taça. E nada mais apropriado do que o autor do gol do título se chamar Negueba, um nome que lembra negro, ginga, alma do povo.

Tudo bem que o Zico é branco, Falcão também. Mas dá pra contar nos dedos os supercraques brancos do futebol brasileiro. Negros, ou de origem negra, são quase todos: Friedenreich, Leônidas, Pelé, Zizinho, Didi, Ronaldo, Romário, Ronaldinho, Garrincha, Robinho, Neymar…

No ano que vem quero ver mais Neguebas nessa Copa.

Você acredita em um time de juniores brasileiros com mais brancos do que negros?