Ricardo Oliveira pegou pouco na bola, mas fez um gol e acertou um chute no travessão. Lucas Lima jogou só 15 minutos, mas deu outro padrão ao time.

E mais essa: Fifa multa o Santos em 282 mil reais

Recebi esta manhã uma mensagem da Fifa dizendo que o Santos foi multado em 75.000 francos suíços (equivalente a R$ 282.225,00) e recebeu ainda um aviso e uma advertência por violar o artigo 18bis (edição de 2008), bem como o anexo 3 do regulamento da entidade no que tange a contratos de trabalho com jogadores. O clube foi julgado responsável por celebrar contratos que permitiram a participação de terceiros, por não declarar as informações obrigatórias ao Sistema de Transferência Internacional e por não cooperar com uma investigação conduzida pela FIFA. A mensagem não explica quais contratos tiveram irregularidades e nem cita nomes de jogadores ou dirigentes, mas talvez isso já tenha a ver com a Doyen e a contratação de Leandro Damião.

AGIOTAGEM DA DOYEN NOS CASOS
DE GEUVÂNIO E LEANDRO DAMIÃO

Apresentado ao Santos, o “motorneiro” Leandro Damião abraça Odílio Rodrigues, o presidente que assinou contrato com a Doyen sem prestar atenção nas cláusulas.

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

Segundo informação do Odir, dependendo de sentença, o “empréstimo” da Doyen para comprar o Damião poderia custar 18 milhões de euros ao Santos. Como o contrato deste “empréstimo” não está à disposição, resolvi ler o contrato da venda dos direitos do Geuvânio vazado pela FOOTBALL LEAKS, para entender o MODUS OPERANDI do fundo. Em face de um rombo de 18 milhões de euros nunca será excessivo chatear aos leitores com textos prolixos e maçantes para tentar expor um ou outro elemento talvez não considerado ainda, quiçá útil para a causa do Santos.

1 – PERGUNTA AO LEITOR

Se você, leitor deste blog, tivesse vendido duas casas geminadas a um fundo imobiliário em novembro de 2014 e a primeira casa tivesse sido revendida no mercado em janeiro de 2016 com prejuízo (em relação ao preço pago a você acrescido de juros de 10% ao ano até a revenda) e o fundo imobiliário tivesse direito de exigir que você o indenizasse pelo prejuízo, e se a segunda casa não tivesse sido vendida ainda em fevereiro de 2017 e você fosse obrigado a aceitar a devolução desta pelo fundo e repagar a ele o valor do preço recebido acrescido de juros de 10% ao ano, pergunto:

…você acha que você vendeu mesmo as duas casas geminadas ao fundo imobiliário em novembro de 2014, como sugere o contrato?

Evidentemente que não, porque a despeito de qualquer falsidade nas denominações dos termos do contrato, a operação que mais se aproxima dos efeitos das cláusulas, é a de que você em 25 de novembro de 2014 não vendeu, mas cedeu as duas casas em consignação ao fundo imobiliário, recebendo deste não um preço de venda, mas um adiantamento financeiro sujeito a juros, sendo que a venda com transferência de propriedade da primeira casa ocorreu apenas em janeiro de 2016, não ao fundo imobiliário, que agiu apenas como agente, mas ao terceiro. Como o preço de venda pago pelo comprador foi inferior ao adiantamento recebido e acrescido de juros, você, proprietário da casa teve que cobrir o déficit do agente. Também a devolução da segunda casa coaduna perfeitamente com esta intepretação.

A contrapartida lógica deste contrato seria que na hipótese em que o valor de venda da casa ao terceiro em 2016 tivesse superado o valor adiantado a você em 2014 acrescido de juros, o fundo imobiliário sendo apenas agente, teria que lhe remeter a quantia do superávit.

Infelizmente ledo engano meu caro, porque você cedeu uma terceira casa em 2014 ao mesmo fundo imobiliário com um contrato de conteúdo absolutamente idêntico, sendo esta a casa foi revendida igualmente em 2016, mas neste caso com superávit em relação ao valor adiantado a você em 2014 acrescido de juros de 10% ao ano. Mas o fundo imobiliário, com base no contrato embolsou todo o superávit sem repassar um centavo a você. Neste caso o fundo considerou ter comprado a casa em 2014.

Então você não seria imbecil a ponto de assinar “contratos” que definem a sua verdadeira natureza dependendo de um resultado futuro, seja uma transação de consignação a um agente com adiantamento financeiro deste, ou seja, uma transação de venda efetiva no ato da assinatura do contrato, alternativas que têm a finalidade única de alocar todos os lucros ao fundo imobiliário e todos os prejuízos a você.

Um contrato destes deve ser enquadrado como AGIOTAGEM, com o fundo imobiliário no papel de AGIOTA. E você, vítima da agiotagem, além de ter pagado o custo da construção da casa durante anos, vai pagar juros, manutenção e arcar com todos os riscos envolvendo a casa no período de 2014 e 2016.

Mas as casas das quais falamos, não são casas, correspondem na verdade a 35% dos direitos econômicos do GEUVÂNIO. O imbecil não foi você, mas o Santos Futebol Clube e a imobiliária não foi imobiliária, mas a Doyen.

Evidentemente o mecanismo híbrido não é apresentado no ”Contrato de participação em direitos econômicos” da Doyen na forma em que foi exposto em nosso exemplo imobiliário. É camuflado elegantemente em duas alternativas simplórias. Na hipótese em que houver superávit na venda dos direitos no futuro, assume-se implicitamente pela CLÁUSULA 10.1-a, que a propriedade dos direitos foi transferida a Doyen no ato da assinatura em novembro de 2014, ficando o superávit auferido em 2016 com a Doyen. No caso em que no futuro houver déficit na venda dos direitos, assume-se implicitamente pela CLÁUSULA 10.1-b que a Doyen jamais assumiu a propriedade dos direitos, ficando o prejuízo constatado em 2016 a cargo do Santos. No caso em que nem mesmo a Doyen consiga encaminhar a “revenda” do jogador no mercado, a obrigação de repagamento do adiantamento financeiro acrescido de juros de 10% ao ano é instrumentado através da “opção” da Doyen para “revender” o jogador ao Santos, conforme a CLÁUSULA 13.

A taxa de juros de 10% ao ano não é barata em euros, é cara, com o risco do benefício que o Santos teria em relação às taxas de juros superiores em reais ser suplantado múltiplas vezes pelo risco cambial da dívida, como de fato foi.

Mesmo sem conhecer o “contrato de empréstimo” firmado entre o Santos e a Doyen para financiar a compra do DAMIÃO, mas a julgar pelas informações fragmentárias publicadas na mídia, como a de que no mínimo 80% do lucros da “revenda” do Damião ficam com a Doyen, é quase certo que se trata igualmente de uma compilação de transações diferentes empacotadas num único contrato, valendo aquela que dependendo do resultado da venda futura beneficiar a Doyen e prejudicar o Santos.

Se o desempenho do Damião, estacionado no Santos, fosse mal e o seu valor não atingisse 18 milhões de euros, o contrato funcionaria como um contrato de empréstimo e o Santos fica devendo 18 milhões de euros à Doyen. Mas se o jogador fosse bem, a Doyen não se considera mais cedente de um empréstimo, mas proprietária de no mínimo 80% dos direitos desde o início da transação em Janeiro de 2014.

2 – GEUVÂNIO: AS CLÁUSULAS 6.3 e 10-C DE EXPECTATIVA DE REVENDA AO “VALOR RAZOÁVEL”

No modelo simplificado não ilustramos a CLÁUSULA 6.3, que define um “VALOR de oferta de transferência RAZOÁVEL e valor mínimo de mercado do jogador” de 4 milhões de euros como parâmetro para uma “revenda” dos seus direitos, o que para a fatia de 35% da Doyen corresponde a um valor de 1,4 milhões de euros, ou seja, um rendimento de 86,7% (1,4 /0,75 milhões). A expectativa de atingir este valor numa “revenda” teria sido considerada “por ambas a partes como essencial para a assinatura do contrato”.

Mesmo que a CLÁUSULA 6.3 não estipule de forma afirmativa uma obrigação do Santos de indenizar a Doyen caso o rendimento não atingir a marca do valor razoável, tal obrigação pode ser deduzida de forma indireta da CLÁUSULA 10.1-c, que usa o artifício da possibilidade de renúncia da Doyen a uma indenização (definida por “valor adicional devido”), nos casos em que ela “concordar voluntária e explicitamente ” em receber apenas o valor da venda efetiva, quando inferior ao “valor razoável”.

Assim a CLÁUSULA 10.1-c parece servir também como instrumento de pressão para oferecer graciosamente ao Santos a renúncia ao valor “RAZOÁVEL” em troca de novos direitos econômicos de outros jogadores. Acrescente-se que o contrato através de extensas cláusulas, aqui não comentadas, é orientado para incentivar o Santos a ceder novas fatias como forma de pagamento.

Considerar o “valor razoável” como base de indenização do Santos à Doyen para garantir a ela uma rentabilidade mínima de 86,7 % na “revenda” da fatia, não passaria de AGIOTAGEM DELIRANTE. O valor de 4 milhões de euros não tem qualquer fundamentação econômica e deveria ser simplesmente ser ignorado pelos tribunais.

3 – GEUVÂNIO: A CLÁUSULA 7.4, LÓGICA, MAS POSSIBILITADORA DE FORMAÇÃO DE QUADRILHA

A CLÁUSULA 7.4 do contrato do Geuvânio prevê que se houver uma oferta de terceiros pelos direitos econômicos do jogador e o Santos não quiser vender a sua parte ou ceder o jogador, a Doyen terá o direito de exigir do Santos o montante oferecido pela “fatia dela”. Se a Doyen fosse realmente proprietária da fatia, a cláusula seria sem dúvida lógica do ponto de vista econômico, mas com o defeito de teoricamente poder possibilitar a formação de quadrilha contra o Santos. Seria o caso teórico em que Doyen incitar um clube amigo europeu em fazer uma oferta superfaturada para poder superfaturar o Santos.

Ocorreu uma situação na qual houve forte suspeita de que a Doyen tenha fomentado uma oferta falsa. O Olympique Marseille, cujo presidente Vincent Labrune é parceiro do presidente Nélio Lucas da Doyen, sendo que o denominaria por “Jerry Maguire” em alusão ao personagem encarnado por Tom Cruise no filme “A grande virada”, ofereceu 15 milhões de euros pelos direitos do Damião em carta oficial enviada ao Santos. A oferta do Oympique ao Santos foi grotescamente superfaturada em relação a desempenho pífio do jogador no Santos e no Cruzeiro, mas pôde ser feita sem risco de realização, porque naquele momento o Santos não podia aceitá-la, visto que o jogador havia conseguido romper o seu vínculo na justiça. É possível que a Doyen tenha incitado o Olympique Marseille a fazer a oferta superfaturada para justificar “um valor de mercado” irreal como prova para uma eventual contenda judicial com o Santos. A cronologia dos eventos sustenta esta hipótese, porque a oferta de foi feita em 30 de agosto de 2015, três meses após da absurda sentença de 3 de junho de 2015 do juiz Pérsio Luís Teixeira de Carvalho da 4ª Vara do Trabalho de Santos rescindindo o contrato do jogador com o clube, que faturaria 650.000 reais mensais, sem justificar nem 20.000.

Porque o Olympique tão interessado no Damião, não renovou a sua oferta de 15 milhões de euros quando apenas quatro meses após (em janeiro de 2016) o Santos e o Damião entraram em acordo? Em janeiro de 2016 vários sites anunciaram que Doyen foi à Justiça para cobrar uma dívida acima de 80 milhões de reais do Santos. Se a “oferta” do Marseille tiver sido anexada como PROVA nesta ação da Doyen contra os Santos, o que não sabemos, haveria suspeita de formação de quadrilha contra o Santos.

4 – O SUBFATURAMENTO ELOQUENTE DA FATIA DO GEUVÂNIO

O Santos “vendeu” a fatia de 35% dos direitos do Geuvânio em 25 de Novembro de 2014 à Doyen por 750.000 euros, o que corresponde a 2,143 milhões de euros por 100% dos direitos. Naquele momento o jogador já havia superado a fase negra iniciada antes da Copa, recuperando o nível paulatinamente após. Já em 26/9/2014 depois da derrota para o Atlético em Minas por 3×2, o Odir comentava: “Destaques para Lucas Lima e para Geuvânio, que substituiu Robinho muito bem”.

Exatamente 14 meses depois da “venda” da fatia à Doyen, o jogador acabou vendido por 11 milhões de euros ao clube chinês Tianjin Quanjian. Uma “valorização” de 2,2 a 11 milhões em 14 meses seria ainda mais surpreendente se levarmos em conta que até ser vendido, o jogador estava quatro meses ausente dos campos após a sua contusão em setembro de 2015.

Se argumentássemos que o Geuvânio foi vendido a um preço acima das expectativas devido a um “inflacionamento chinês”, e se considerássemos em vez dos 11 milhões pagos, que o jogador valia apenas 6 milhões de euros, este valor seria ainda o triplo do preço fixado de apenas 2,2 milhões de euros.

Tampouco seria honesto recorrer à valorização de jogadores em sites europeus, que incorrem no “bias” sistêmico de atribuir valores extremamente baixos para jogadores brasileiros que não saíram do país e valores mais realistas quando estão na Europa. Pegue-se o caso do site alemão Transfermarkt, que valoriza o Galhardo, eleito melhor lateral direito do Brasileirão de 2015 a 1,75 milhão e o Bruno Peres, seu ex-concorrente no Santos, em 10 milhões de euros. Óbvio que a confirmação da capacidade do jogador em alguns campeonatos europeus aumenta o seu valor, mas jamais nas proporções que transparecem nos sites eurocêntricos; jogador não aprende futebol quando está sentado no avião cruzando o Atlântico, ainda mais quando já tem a idade de 23 anos como o Geuvânio.

O Corinthians andou exigindo uma compensação de 2 milhões de euros pelo juvenil Vitinho, que saiu com 15 anos para o Manchester City, exatamente o valor que o Orlandelli e do Odílio aceitaram pelo consagrado Geuvânio de 23 anos, eleito melhor meia e revelação do Paulista de 2014. É portanto evidente que houve subfaturamento brutal na “venda” da fatia do Geuvânio, lesando o Santos em milhões de euros.

5 – O FERIMENTO DO ESTATUTO DO SANTOS NA VENDA DAS TRÊS FATIAS

Antes dos contratos com a Doyen terem sido vazados, conjecturava-se que a venda das fatias de três jogadores efetuada nos últimos três meses anteriores ao término do mandato, teria ferido no mínimo o espírito do Artigo 91 do Estatuto, que cita apenas direitos “federativos” e não explicitamente os econômicos. Mas a própria redação do Artigo definindo “compra e venda” de direito federativo, implicava que abrange os econômicos, porque os federativos não se vendem, são apenas registros em federação, decorrentes da venda dos econômicos, os únicos vendíveis.

Mas para acabar com as dúvidas, contrato divulgado pela Footbal Leaks revela que o Estatuto foi mesmo violado, porque a Doyen foi solicitada pela CLÁUSULA 7.8 a prospectar “desde já” (portanto desde 25 de novembro de 2015) propostas de transferência do jogador, incluindo a venda dos direitos econômicos ainda pertencentes aos Santos, a partir do dia 1° de janeiro de 2015. Se a partir deste dia o Santos se recusasse a vender a fatia dos direitos econômicos que ainda lhe pertencem, a Doyen poderia fazer uso da CLÁUSULA 7.4 e forçar o Santos recomprar a fatia “vendida” em 25 de novembro de 2014, o Santos sendo obrigado a ceder por falta de caixa. Portanto concedendo esta configuração de cláusulas, a gestão Odílio deu poderes a um terceiro a encaminhara a venda dos direitos econômicos ainda pertencentes ao Santos “desde já”, o que equivale à uma permissão para transferência do direito federativo, ferindo o-pé-da-letra do Artigo 91 do Estatuto, porque dar permissão a alguém vender, equivale a vender.

Sendo “ineficaz o ato em contrário” como diz o Artigo 91 do Estatuto, os três contratos de venda de fatias do Geuvânio, do Gabriel e do Daniel Guedes não têm validade jurídica pelo Estatuto.

6 – MEDIDAS A SEREM TOMADAS PELO SANTOS

Imagino que o contrato do Geuvânio seria considerado inválido pela justiça em vários países, porque transgride os mais elementares princípios que regem contratos em geral e transações patrimoniais em particular. Seja pelo fato da verdadeira substância do contrato ser definida apenas retroativamente na dependência de um resultado futuro, sempre para direcionar o lucro à Doyen e prejuízo ao Santos, o que é ilícito, seja com a violação do princípio de que lucros ou perdas na revenda de patrimônio, só podem ser atribuídos aos proprietários do patrimônio, e não como decorre pelas cláusulas 10.1-b e 14 a supostos “ex-proprietários”, ou no caso do Damião ao suposto “cedente de empréstimo financeiro”, seja por falsidades ideológicas na terminologia do contrato e por fixação de valores fantasiosos.

Os termos agiotas e ilícitos do contrato da Doyen não podem ser, como pretendido pelos seus autores, escondidos e desativados pela CLÁUSULA 22 de confidencialidade, dissimulados através da troca dos conceitos de “cessão” e “financiamento por empréstimo”, tampouco serem neutralizados por terminologias ou textos dissimulatórios, como a denominação eufemística de “RAZOÁVEL” da relação entre a “Taxa de concessão” e o valor da CLÁUSULA 6.3, na realidade extorsiva e fantasiosa, ou por alegações falsas nas CONSIDERAÇÕES (2) e (3) que o Santos“ estudou diversas alternativas“ considerando a transação como “a alternativa mais vantajosa do mercado”, pontos que NÃO DISSIMULARÃO a agiotagem perante os tribunais.

Também a intenção dissimulatória das CLÁUSULA 16.2 com a declaração do Santos que o Estatuto não foi ferido, primeiro, não oculta o ferimento do mesmo pelo próprio contrato e segundo não provaria qualquer alegação da Doyen de desconhecimento do Estatuto do Santos, que é do domínio público, obtenível no site do clube, nas federações e qualquer advogado zeloso e digno desse nome como também os advogados da Doyen devem tê-lo no dossiê do “empréstimo” milionário feito ao Santos para financiar a compra do Damião. Finalmente A CLÁUSULA 17 estipulando que a Doyen não tem direito de exercer influência na administração do Santos, visando blindagem do regulamento da FIFA, não dissimula a interferência da Doyen no Santos pelo próprio contrato. Enfim o ”contrato” da Doyen parece um verdadeiro pasquim de compilação de arbitrariedades ilícitas e de cláusulas cosméticas que tentam dissimulá-las.

Inevitável que a bomba dos “contratos” da Doyen em si desequilibrados pelo favorecimento ilícito do fundo, detonaria no dia em que um jogador não desse certo. Foi o caso do Damião. Espera-se que a Justiça limpe o futebol e proteja os clubes brasileiros da agiotagem de investidores nacionais e internacionais, bem como de “empresários” que manipulam causas trabalhistas de jogadores de salários milionários, apenas para pilhar direitos econômicos.

7 – O OBJETIVO DO SANTOS NO CASO GEUVÂNIO

Fato é que o Comitê de Gestão do Odílio pressionado pelo peso das obrigações financeiras geradas pelo Damião, que no ponto 8 que se segue, consideramos falsas, acabou “cedendo“ as fatias dos três jogadores. O Odílo nega que tinha avalizado pessoalmente dívidas com a Doyen, não podendo então ser este o motivo da venda das três fatias. Se confessasse o que o motivou na calada da noite a vendê-las, prestaria um enorme serviço ao Santos na sua ação contra a Doyen.

Mesmo que o Santos tenha sido prejudicado essencialmente pelo subfaturamento na cessão do Geuvânio, que em magnitude absoluta superou todos os demais dispositivos agiotas do contrato, o objetivo de uma ação judicial seria invalidar e “desempacotar” o contrato, que encerra elementos de transações distintas e validar apenas a transação que se aproxima mais da substância real, considerando os preceitos de consistência econômica, obedecendo aos princípios elementares de “arms’ length” e excluindo os elementos extorsivos e agiotas.

Pelas razões citadas, a substância mais realista é que a transação do Geuvânio corresponde a um mero empréstimo financeiro da Doyen concedido ao Santos em euros e a juros de 10% ao ano, permitindo à Doyen obter um futuro benefício pelo clube europeu que comprasse o jogador.

Um elemento suplementar de grande relevância para se concluir de que a suposta “venda” não passa de mero empréstimo financeiro, é o fato do Santos ter arcado durante anos com os custos de formação do jogador, pago o seus salários, sustentado os custos de suas prolongadas contusões e ter faturado em janeiro de 2016 por sua fatia de 35% apenas 3,6 milhões de euros, enquanto que a Doyen nada mais fez que investir 750.000 euros e pretende faturar igualmente 3,6 milhões de euros, quase o quíntuplo do investimento feito 14 meses antes. Tampouco a Doyen investiu na venda do jogador, que foi inteiramente da inciativa do treinador Vanderlei Luxemburgo, que já em janeiro de 2015 pretendia a sua contratação pelo Flamengo, time que então treinava.

Finalizando, o Santos no caso do Geuvânio deve à Doyen apenas o repagamento do empréstimo financeiro de 750.000 euros acrescido de juros e nada mais, sendo esta interpretação realista da substância da transação compatível com o Estatuto do Santos. Também as fatias do Gabriel e do Daniel Guedes jamais foram vendidas à Doyen, como pretendem os respectivos contratos ilícitos.

8 – OBJETIVO DO SANTOS NO CASO DAMIÃO

Se o valor de 18 milhões de euros pelo qual a Doyen estaria processando o Santos, corresponder a um valor definido por “RAZOÁVEL”, como na Cláusula 6.3 do contrato do Geuvânio, deve ser considerado fantasioso. O único valor real da transação são os 12 milhões de euros transferidos.

Já havia opinado em comentário no post do Odir de 27/01/2016 “Somos todos Grande Rio!” que os direitos do Damião jamais pertenceram ao Santos, que serviu apenas de laranja. Sempre com a ressalva de não conhecer o “contrato de empréstimo”, apenas informações derivadas, acho que o objetivo no caso Damião é idêntico ao do caso Geuvânio, “desempacotar” o contrato ilícito que encerra uma confusão de elementos de operações diversas e validar apenas aqueles que correspondem à substância mais realista dos fatos.

O apetite da Doyen em canalizar 12 milhões de Euros através do Santos, sabidamente um dos clubes mais endividados do Brasil, e a exigência contratual do auferimento de 100%, no mínimo 80% dos lucros na “revenda“ do jogador a benefício Doyen e não ao Santos, falsamente considerado“ proprietário” dos direitos, revela de forma incontestável a substância real da transação, de que o Santos serviu apenas de “laranja” para uma fatia de direitos econômicos pertencentes de fato ao fundo maltês. A Doyen teve dúvidas quanto à capacidade do jogador e estacionou os seus direitos no Santos, dissimulando a transação em “contrato de empréstimo financeiro” para o que na verdade é um contrato de empréstimo de direitos econômicos, visando deixá-los definitivamente nas mãos do Santos, caso o jogador não justificasse o valor (o que de fato ocorreu).

O objetivo é uma sentença determinando que no mínimo 80% dos direitos do jogador sejam considerados pertencentes à Doyen a partir de Janeiro de 2014. E que consequentemente os juros eventualmente pagos sobre o falso ”empréstimo”, sejam devolvidos ao Santos, que em contrapartida deverá transferir os direitos econômicos que detém ainda gratuitamente à Doyen.

O risco tomado pela Doyen ao consignar 80% dos direitos econômicos ao Santos deveria ser desmembrado em duas categorias, primeiro o da evolução do valor de mercado dos direitos e segundo, o da perda da fatia de 80% dos direitos em nome do Santos.

O RISCO DE PERDA DE VALOR DE MERCADO afetando no mínimo 80% dos direitos do Damião foi tomado claramente pela Doyen como detentora real destes e o prejuízo de sua desvalorização não pode ser de forma nenhuma atribuído ao Santos, que deu todas as chances imagináveis ao jogador, prejudicando até a classificação nos campeonatos, devido às suas pífias atuações. O mesmo sucedendo no Cruzeiro.

Consignando a sua fatia de direitos econômicos de 80% a um clube financeiramente frágil, a Doyen assumiu também em parte o RISCO DA PERDA DA FATIA PELO SANTOS, porque os direitos poderiam ser perdidos não apenas por negligência e má fé do Santos, como também por iniciativas de terceiros fora de controle do clube, como atos do próprio jogador e do seu ganancioso “empresário” e de sentenças da Justiça de Trabalho Brasileira, que podem ser falhas.

Mas na medida em que a Justiça julgue o Santos responsável pela perda de parte dos direitos (segundo post do Odir, apenas 45% estão registrados em seu nome), a indenização do Santos à Doyen se limitaria ao valor atual de 35% dos direitos que foram perdidos (80%-45%=35%), porque, como opinamos, 45% detidos pelos Santos deveriam ser transferidos gratuitamente para a Doyen.

O valor atual dos direitos do Leandro Damião deveria ser determinado por uma corte arbitral. Supondo como exemplo um valor de 4 milhões de euros, o Santos deveria indenizar a Doyen por 4 milhões x 35%= 1,4 milhão de euros.

E você, o que acha deste artigo de Tana Blaze?