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Por que a surpresa? Neto Berola é a nova realidade do Santos!

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Marcelo Fernandes fala dos reforços e do jogo contra o Cruzeiro:

Por que a surpresa? Neto Berola é a nova realidade do Santos!

Quando era o clube mais rico do Brasil, em uma única semana, no início de 1965, o Santos contratou dois ídolos cariocas: o jovem lateral-direito Carlos Alberto Torres, 20 anos, do Fluminense, e o ponta-esquerda Abel, 23 anos, do América. De quebra, trouxe ainda o zagueiraço Orlando Peçanha, 29 anos, e assim foi trocando todo o time, com exceção de Pelé, e se manteve como um dos melhores do mundo. Hoje, a realidade é outra e o discutido atleticano Neto Berola surge como o grande nome desta fase de contratações.

Muitos santistas estão torcendo o nariz. Até o nome do jogador não ajuda. Berola não parece nome de craque. O meia-atacante, de 27 anos, está fora dos planos do Atlético Mineiro, que chegou a emprestá-lo ao Al Wash, dos Emirados Árabes, no ano passado. Agora, o Alvinegro de Minas se dará por satisfeito se o Santos pagar metade do salário do jogador. Hummm, já vimos essa história antes. É aquele caso do jogador que passa por uma fase boa, conquista a torcida, assina um grande contrato, mas depois não corresponde ao alto salário.

Os que são contra a vinda de Berola reclamam que a chegada desses jogadores mais rodados acaba tirando a chance dos garotos vindos da base. Lembram que se o clube tivesse agido assim em 2002, provavelmente Diego e Robinho não seriam titulares e não levariam o time ao título brasileiro daquele ano. Sim, isto é certo. Mas será que no elenco atual há jovens com potencial para se tornarem Diegos e Robinhos?

Além de Berola, o Santos está contratando o meia Marquinhos,25 anos, que jogou o Campeonato Paulista pelo Audax; o zagueiro Leonardo, 29 anos, campeão brasileiro pelo Santos em 2004, e o zagueiro Gabriel Vidal, do Gama, que por ter apenas 17 anos talvez faça um estágio na base antes de ser promovido a profissional.

Aproveitando os buracos negros do futebol

Meu amigo e amiga, no universo do futebol também há buracos negros, e se você procurar neles vai encontrar muitos jogadores e técnicos que até outro dia estavam nas manchetes. O que ocorreu para que fossem esquecidos, abandonados? A explicação não é uma só. Talvez problemas físicos, técnicos, de relacionamento com o grupo, questões pessoais, ou mesmo, no vaso dos técnicos, irreversíveis dificuldades para se adaptar aos novos tempos.

O certo é que sempre haverá jogadores desacreditados que podem mostrar seu valor, ou dar a volta por cima, caso tenham uma boa oportunidade. Isso ocorreu com Lucas Lima e Ricardo Oliveira, por que não pode ocorrer com Beto Berola?

Ficar sem time, ou ter um vínculo mas não ser aproveitado durante todo um Campeonato Brasileiro, é terrível para qualquer jogador profissional. Pode jogá-lo, definitivamente, no buraco negro do esquecimento e do descrédito. Ter a oportunidade de jogar em uma equipe de grande visibilidade, como o Santos, traz uma sensação de alívio e de recomeço, ainda mais porque a torcida do Alvinegro Praiano é paciente com os under dogs, porque sabe que deles podem surgir um Ailton lira, um Giovanni ou um Lucas Lima.

Perceba que o Santos não pagou pelo passe de nenhum jogador contratado em 2015, não está despendendo fortunas em salários, e mesmo assim manteve um time competitivo no Campeonato Paulista. Creio que o caminho para reforçar o elenco para o Campeonato Brasileiro, diante das circunstâncias, é este mesmo.

O mercado superdimensionado do futebol gerou essas zonas mortas habitadas por excluídos desesperados para voltar aos campos. É nesse limbo que o Santos deve garimpar os integrantes de seu Exército de Brancaleone. Na verdade, mesmo que tivesse muito dinheiro em caixa, essa garimpagem teria de ser feita. É a saída para o nosso futebol.

Agora veja Neto Berola em ação:

E você, o que acha dessa garimpagem do Santos?


O Santos nunca foi campeão com mais volantes do que meias

Sempre que montou um time forte, vencedor, o Santos teve mais meias do que volantes. Isso é histórico. Relembre o Time dos Sonhos e verá que tanto Zito, como Mengálvio, sabiam apoiar como poucos. Passe para osMeninos da Vila de 1978 e veja que no meio campo estavam Clodoaldo, Pita, Ailton Lira e Toninho Vieira, ou Zé Carlos, ou Rubens Feijão. Ou seja, ninguém maltrava a bola.

Passe para os Meninos campeões extraordinários de 2002 e perceba que no meio estavam Renato, aquela que roubava a bola sem fazer falta, mais Elano, Paulo Almeida e Elano. O único que destoava um pouco era Paulo Almeida, mesmo assim chegou a jogar na Seleção Brasileira.

Prossiga mais um pouco e constate que o time campeão brasileiro de 2004 tinha Elano e Ricardinho no meio-campo, além de Preto Casagrande, mais meia do que volante, e Fabinho, o único especializado em destruir as jogadas alheias.

O do ano passado, então, é covardia: de volante mesmo, só Arouca. No mais, Wesley e Paulo Henrique Ganso, pois Robinho, Neymar e André jogavam no ataque. Se precisasse, os atacantes ajudavam no meio-campo, e olhe que ainda roubavam muitas bolas por ali.

Mesmo o Santos não tão maravilhoso, mas campeão brasileiro moral de 1995, tinha um meio-campo com jogadores de categoria, como Robert, Wagner, Carlinhos, Giovanni. Perto desse que jogou contra o Táchira, era um baita meio-campo.

Questão de DNA

Há times que são campeões com um bando de soldados trucidadores de tendões inimigos. E suas torcidas vibram. Mas no Santos é diferente. Santista gosta de praia, da beleza das garotas balançando de encontro ao mar, da música, das artes, enfim. E o futebol, para o santista, é apenas a arte mais popular que existe.

Esse negócio de ser grosseiro com a bola não dá certo na Vila Belmiro. E nunca deu. No Santos, até o filho do presidente, o lendário Araken Patusca, era craque e artilheiro.

Estou dizendo tudo isso para preparar o espírito dos meus leitores para o que vem a seguir. Na verdade, porém, sei que o que vou dizer não é novidade para ninguém que acompanhe um pouco da história do Santos e sabe que o oxigênio do santista é o gol.

Se continuar enchendo o meio-campo de trombadores, Adilson Batista não ganhará nada com o Alvinegro e ainda sairá da Vila mais desacreditado do que chegou. Não é crítica, é conselho.

Danilo, Pará, Adriano? Never, nunca, jamais. Mesmo o Rodrigo Possebon já é uma consesson das maiores. É bonzinho, mas ao aceita-lo percebemos que nos tornamos bem menos exigentes com um setor que já teve tantos mestres.

E para que este post tenha um objetivo concreto, eu sugiro que neste próximo domingo, contra o Corinthians, Adilson Batista mostre que está entendendo a alma do time que orienta e escale o Santos levando em conta os melhores jogadores e não os mais “adaptados taticamente”.

Espero que o técnico se lembre de que foi mandado embora do Corinthians por não ter fechado o time em alguns jogos. Essa sua vocação ofensiva já foi até elogiada por mim neste blog. Agora, só espero que ele não se desgaste com os santistas justamente pelo contrário: por querer retrancar uma equipe que gosta de jogar mais no ataque.

Sabe aquele cara que vai na churrascaria e pede um peixe, e vai em um restaurante especializado em frutos do mar e pede uma picanha? Pois é. Espero que o professor Adilson não seja um desses.

Como diria um amigo: “Sorta a garotada Adirso!”.


Relembre o Futebol Discoteca dos Meninos da Vila campeões de 1978

Como vocês sabem, por problemas do provedor, este blog ficou fora do ar na maior parte desta terça-feira. Curta o post que já estava pronto para entrar ao meio-dia. Logo mais, antes da uma da manhã, outro artigo será postado. Grato pela participação.
Odir Cunha

De pé: Gilberto Sorriso, Victor, Joãozinho, Neto, Clodoaldo e Nelsinho Batista. Agachados: Nilton Batata, Ailton Lira, Juary, Pita e João Paulo. Técnico: Francisco Formiga.

Acabei de receber este vídeo produzido pelo Wesley Miranda, que iniciou o blog Santistas Loucos e escreve para uma grande comunidade de santistas no orkut. Este vídeo, que trata da conquista do título paulista de 1978, vai para a página de Artes deste Blog do Odir, mas antes ficará um pouco na home para quem quiser relembrar o time que originou a marca Meninos da Vila.

Na verdade, o Santos já foi fundado por uma geração de Meninos da Vila, mas este nome foi criado pelo técnico Francisco Formiga, que dirigiu o time – quase todo saído das divisões de base do Santos – no título paulista de 1978, jogado em meados de 1979.

O amigo Wesley Miranda fez um trabalho muito interessante, ligando o ritmo frenético do time, realmente muito rápido, com a moda musical da época. Juary, João Paulo, Rubens Feijão, alimentados pelos passes medidos de Pita e Ailton Lira formavam o ataque mais velos Brasil na época, o que batizou seu estilo de “futebol discoteca”.

Quando Clodoaldo se machucou, surgiu o garoto Zé Carlos. Outro volante acima da média era o então menino Toninho Vieira. Nas finais, mesmo sem cinco titulares e obrigado a entrar em campo com vários reservas, como o goleiro Flávio e os atacantes Célio e Claudinho, o Santos superou o São Paulo, campeão brasileiro de 1977, em três partidas, todas no Morumbi.

Além da garotada, havia a experiência e a categoria de um zagueiro como Joãozinho e um meia maravilhoso, que punha a bola onde queria, como Ailton Lira. Havia ainda o capitão Clodoaldo, os laterais Nelsinho Batista (esse mesmo que hoje é técnico) e Gilberto Sorriso.

Acabei de assistir novamente a cenas que tive a felicidade de ver pessoalmente, e hoje fica ainda mais claro que se tratava de um time excelente, que em 2010 não teria adversários no Brasil.

Sei que muitos santistas – como o cantor e compositor Zeca Baleiro, um dos expoentes da nova geração da música popular brasileira – ficaram santistas nessa época. Então, este vídeo é também uma homenagem a eles, que vibravam na conquista de um título estadual como se o Santos estivesse sendo campeão do mundo de novo.

Você conhece alguém que ficou santista no tempo do futebol discoteca dos Meninos da Vila?


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